Ipojuca 2021 IPTU

07/04


2021

Lançado coletivo em defesa da sociedade pernambucana

Representantes das carreiras da Defensoria Pública (ADEPE-PE), da Fazenda (SINDFISCO), Gestores Governamentais (SINDGESTOR) e Tribunal de Contas (SINDCONTAS) se uniram e lançaram, hoje, o Coletivo das Carreiras de Estado Organizadas (CEO), em defesa da sociedade.

Em meio a uma pandemia, as quatro categorias dão o pontapé inicial para esclarecer à população sobre a importância e garantias de um Estado forte e justo, garantidor de serviços imprescindíveis para a população. A ideia, segundo revelam os membros do coletivo, é juntar dirigentes de outras categorias que consolidem essa união.

Segundo os organizadores do CEO, um dos efeitos diretos da atual Reforma Administrativa, que está no Congresso Nacional, deverá resultar na precarização dos serviços públicos da saúde, segurança e educação, além de outras áreas essenciais à população. “Essa reforma poderá provocar prejuízos incalculáveis à população brasileira, já tão carente da ação do Estado. Não podemos permitir a piora na qualidade do atendimento público. Trata-se de uma ação que poderá fragilizar a administração, acabar com os sonhos de nossos jovens de prestarem concurso público e assim impedir que o Estado selecione os melhores quadros para servir à sociedade, podendo abrir espaço para a corrupção. Por isso, temos que ficar alertas”, afirma Cid Menezes, presidente do SINDGESTOR.

O CEO em Pernambuco pretende colaborar com a sociedade mais carente nesse momento de enfrentamento ao COVID19, realizando ações solidárias e apoiando movimentos em defesa do Estado como o “Basta!”, um movimento criado nacionalmente e que envolve as federações de carreiras típicas de estado.

Comporão o CEO além dos representantes Alexandre Moraes (fazendários) Cid Menezes (gestores governamentais), Edmundo Barros (defensores públicos) e Valdemir Bezerra (auditores e analistas do Tribunal de Contas), outras carreiras que em breve se incorporarão ao coletivo.


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Petrolina abril 2021

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16/04


2021

Escola do Grande Recife realiza entrega de donativos

Com a pandemia, mais de 240 mil brasileiros morreram de Covid-19. O desemprego bate recorde. Até o fim de 2020, já são mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário é um passo para refletir sobre solidariedade as pessoas em vulnerabilidade social. Pensando assim, professores e estudantes do colégio Alpha, que fica no Shopping Norte Janga, Grande Recife, realizam uma campanha solidária para ajudar ao próximo.

Com o tema “Acolher, cuidar e amar” essa é a missão de professores e estudantes que reúnem esforços para fazer diferente a páscoa de várias crianças do Lar Maná. Vários objetivos motivaram os professores com as famílias a ajudarem a quem precisa.

Os objetivos são: desenvolver a colaboração e a coletividade, mostrar como funciona um lar de acolhimento, ensinar a importância de um trabalho voluntário, trabalhar a solidariedade e a empatia, mobilizar e sensibilizar a escola para a importância de vivenciar de forma real a perspectiva pascal, realizar trabalhos com a comunidade e fazer o estudante refletir sobre a questão da comercialização que existe nestas datas.

Para Nathalia Lumarina, diretora pedagógica do Colégio Alpha, a ideia central desse trabalho é a mobilização da escola para que os estudantes e toda a equipe escolar, trabalhe com o mesmo objetivo que é entender o real sentido da páscoa e ajudar aos necessitados.

“Sabemos que páscoa é passagem, mudanças e transformação. Então a nossa perspectiva é que possamos plantar nestas crianças novos caminhos, cheios de renovação e esperanças. Vamos trabalhar com diversos materiais, vídeos, músicas, para sensibilização, produção e confecção de brinquedos para serem entregues, com as doações no lar de acolhimento”, ressalta a diretora.

A campanha de arrecadação de donativos começou no mês de março e segue até o dia 17 de abril. A entrega dos materiais arrecadados será feita no dia 23/04, às 10h. A data está sujeita a alteração, obedecendo decretos vigentes do período de pandemia. Os donativos a serem doados vão desde produtos de limpeza, higiene pessoal, álcool líquido ou em gel, alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos em bom estado.

Quem quiser ajudar e proporcionar solidariedade e acolhimento as crianças e adolescentes do Lar Maná, é só se dirigir a um dos pontos de coleta, que fica na sede da Faculdade Alpha – Rua Gervásio Pires, n° 826 – Santo Amaro. Recife (PE). E no Colégio Alpha – Av. Dr. Cláudio José Gueiros Leite, n° 2491. Janga – Paulista, no Shopping Norte Janga.  


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ALEPE

16/04


2021

Líder condena CPI e prevê palanque eleitoral

Em entrevista ao Frente a Frente, o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), assume uma posição contrária à CPI da pandemia imposta pelo Supremo e instalada pelo presidente da Casa Alta, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Para ele, o desdobramento natural da investigação é virar palanque eleitoral para senadores que disputarão as eleições de governador em 2022.

A entrevista vai ao ar ao longo do programa, que começa às 18 horas pela Rede Nordeste de Rádio, tendo como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no botão Rádio acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de no play store.


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Comentários

Wellington Antunes

Antes diziam que CPI eleitoreira era em ano de eleição. Agora os seguidores de Bolsonaro, que tantas dúvidas propagaram quanto ao número de mortos, quantos aos recursos liberados etc. afirmam, a mais de um ano das eleições que essa CPI é eleitoreira. Desse jeito é melhor acabar de uma vez por toda com qualquer CPI. Acho essa uma boa oportunidade dos bolsonaristas mostrarem que tem razão no que tanto falaramm, no que tanto divulgaram.


Bandeirantes 2021

16/04


2021

Andrezza Formiga lança álbum arrojado

A cantora e compositora pernambucana Andrezza Formiga está lançando o álbum "Bebo na fonte". Produzido entre janeiro e abril deste ano, o EP traz canções inéditas e arranjos arrojados. A partir de amanhã, a obra estará disponível em todas as plataformas digitais.

"Bebo na fonte" contou com patrocínio da Lei Aldir Blanc, através de projeto aprovado pelo Governo de Pernambuco em conjunto com o Governo Federal. A produção e direção musical é da própria Andrezza Formiga e de Roberto Cruz e tem a participação dos músicos Adriano Bezerra (contrabaixo), Mano Souza (bateria), Binho Lero Lero (percussões), Ruann Phylipe (guitarra) e Rinaldo Oliveira (acordeon),

Já a capa é assinada pela artista Mari Melo, do Rio de Janeiro. A exemplo do seu último álbum (o premiado “E tome forró, meu bem!”), "Bebo na fonte" tem o toque do forró tradicional e a ele se juntam temas e elementos de linguagens diversas e atuais, mostrando toda a grandiosidade e versatilidade do gênero.

Conheça a trajetória de Andrezza Formiga neste link.


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16/04


2021

Fenagri 2021 será lançada em conferência online

O impacto do agronegócio no ODS 2 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) – Fome Zero e Agricultura Sustentável Investimento Social Privado. Este é o tema do lançamento da Feira Nacional de Agricultura Irrigada (Fenagri 2021), que será realizado com um debate ao vivo nesta quinta-feira (22) das 13h às 14h30, no programa Agro 360 através do canal Terraviva e também pelas redes sociais Instagram, YouTube e Facebook.

O evento será aberto pelo prefeito de Petrolina, Miguel Coelho e pelo presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco - Valexport, José Gualberto, com mediação do ex-ministro da Agricultura e indicado ao Prêmio Nobel da Paz 2021, Alysson Paolinelli e vai contar com as participações do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, Linda Pfeiffer (CEO - INMED Partnerships for Children) e o presidente da Bayer no Brasil, Marc Reichardt.

Considerada a maior feira de fruticultura irrigada da América Latina, a Fenagri, já em sua 28º edição, comemorando 35 anos, vai acontecer entre os dias 6 e 9 de outubro no Pátio de Eventos Ana das Carrancas. Com o tema ‘Agricultura digital: Tecnologia e Inovação’, a programação inclui mostra de estandes, fórum sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro, workshop, seminário, minicursos e o Agritec, que reunirá as inovações do agronegócio no Vale do São Francisco.

De acordo com o prefeito Miguel Coelho, até o mês de outubro os organizadores (Prefeitura de Petrolina e a Valexport), estarão promovendo uma série de eventos de preparação para a Fenagri 2021. “Em julho iremos realizar um webinar com o tema ‘A realidade ampliada do Nordeste - Transposição do Rio São Francisco’ reunindo nomes importantes ligados ao tema", adiantou. Miguel Coelho destacou ainda que a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco movimenta cerca de R$ 1,5 bilhões por ano, gera 250 mil empregos e responde por 98% das exportações nacionais de uvas de mesa e 87% de mangas.

Em função da pandemia da Covid-1919, os organizadores da Fenagri 2021 montaram um plano de biossegurança incluindo regras como o uso obrigatório da máscara; álcool gel espalhados por diversos pontos; não será permitido aglomeração; controle de fluxo nos ambientes; alimentação concentrada apenas na praça principal; controle de distanciamento entre as pessoas e a proibição de coffee breaks nos estandes. Mais informações: www.fenagri2021.com.br.


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Serra Talhada 2021

16/04


2021

Restaurante Licínio em soft opening

Da coluna de João Alberto

Márcia Dias e as filhas concretizaram o sonho do saudoso Licínio Dias antes de nos deixar prematuramente. O restaurante Licínio, homenagem ao seu pai. Ontem, a casa começou a funcionar em soft opening. Tem uma bela decoração e um cardápio de delícias portugueses, de comer ajoelhado. Com direito a bolinhos de bacalhau criados pelo chef Bigode. Fica em Boa Viagem, no local onde funcionou o UK. Vai, com certeza, fazer muito sucesso.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

16/04


2021

Fábio Aragão quer gastar R$ 467 mil em papel A4

A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano, marcou um pregão para o próximo dia 27. O objetivo do processo de licitação é comprar papel A4, ao custo total de R$ 467.860,00. A quantia vultosa a ser gasta provocou manifestações na internet.

O ex-vereador Ernesto Maia (PCdoB) chegou a escrever: "Em tempo de epidemia (sic) e economia, Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe pretende gastar quase Meio Milhão em Papel A4 Branco (Ofício). Um Novo Tempo para o Desperdício."

Com a palavra, o prefeito Fábio Aragão (PP).


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

16/04


2021

Bolsonaro terá de fazer nova cirurgia pós-facada

Segundo informações do blog Radar, por apresentar novas complicações na saúde, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) precisará passar pela quinta cirurgia pós-facada de Adélio Bispo. Coisa, segundo tem dito, para o segundo semestre deste ano.


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16/04


2021

Professores da rede estadual decretam greve

Em assembleia virtual realizada ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco, profissionais da rede estadual decretaram greve em todas as atividades presenciais. Na mesma reunião, a categoria também decidiu que as aulas remotas podem continuar ocorrendo.

A greve será deflagrada na próxima segunda-feira, cumprindo o prazo de 72 horas de antecedência conforme estabelece a legislação. A categoria cobra a vacinação contra a Covid-19. O Sintepe representa professores e professoras, servidores administrativos e analistas da rede pública estadual de Pernambuco.

O sindicato afirmou que enviou e-mail ainda na noite de ontem para o Governo do Estado e dará ampla publicidade à sociedade sobre decisão da categoria. "O sindicato já colocou nas ruas a Campanha Respeite nossas vidas! Vacine os/as Trabalhadores/as em Educação!. A campanha está sendo veiculada em mídia externa e nas redes sociais do Sindicato. A ideia é reforçar a luta pela vida de toda comunidade escolar - ameaçada pela covid-19 - e posicionar-se contra o retorno às atividades presenciais neste momento da pandemia", informou a entidade, por nota.


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16/04


2021

Entidades reconhecem trabalho de Geovane

Dias após anunciar sua saída da Superintendência Regional do Trabalho em Pernambuco, o ex-prefeito de Sanharó Geovane Freitas, continua recebendo o reconhecimento por sua atuação à frente da instituição por cerca de cinco anos. Pela primeira vez, auditores fiscais do Trabalho da SRT-PE, procuradores do Ministério Público do Trabalho e sindicalistas emitiram nota favorável a um ex-superintendente.

Os auditores fiscais do Trabalho, lotados na Superintendência Regional do Trabalho em Pernambuco – representados pelos chefes regionais e pelos coordenadores de Projetos de Fiscalização fizeram uma declaração encaminhada ao Ministério da Economia, em Brasília. Nela destacam a capacidade de Geovane Freitas de gerenciar pessoas.

“Não obstante a competência técnica com que desempenhou a função, é imperioso destacar sua capacidade de gerenciar pessoas. Sua gestão foi marcada por melhorias estruturais (reformas de salas, aquisição de viaturas, renovação dos equipamentos de informática), por avanços na gestão de processos e – principalmente – pela criação de um ambiente de trabalho permeado de relações saudáveis e amistosas. Mais que isso, evoluímos nas relações institucionais, construímos espaços de diálogo social, fomentamos políticas de geração de renda e entregamos à sociedade o máximo que - dentro de nossas limitações pessoais e orçamentárias – poderia ser realizado”, diz a nota assinada por 14 auditores da SRT-PE.

Por sua vez, os procuradores do Ministério Público do Trabalho emitiram uma nota onde o MPT em Pernambuco “registra sincero agradecimento ao Senhor Eduardo Geovane de Freitas Leite, pela estreita parceria consolidada entre o órgão ministerial e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco, durante o período em que atuou como superintendente da instituição. Desde 2016, as trocas entre o MPT e a SRTb em Pernambuco foram marcadas pelo respeito, diálogo e integração. Os procuradores do Trabalho com atuação no estado aproveitam a oportunidade para reforçar os votos de sucesso nesta nova fase”.

Já a UGT (União Geral dos Trabalhadores) postou um card dizendo: “A UGT Pernambuco agradece ao Senhor Eduardo Geovane pela sua atuação como Superintendente da SRT/PE ao agir de forma íntegra, preservando as relações de trabalho e o respeito à constituição, com ética e sobretudo com justiça”. (foto que ilustra a matéria)

Para Freitas, fruto de um trabalho de equipe desenvolvido à frente da superintendência. “Isso só nos dá a certeza de que sempre estivemos no caminho certo e demonstra a qualidade e capacidade técnica de nossos servidores que sempre foram os braços e mentes desse trabalho tão profícuo. Em nome deles agradeço essas homenagens”.

Geovane Freitas entregou o cargo de superintendente no final de março deste ano, após assumir a SRTb-PE em agosto de 2016. Durante sua gestão, a Superintendência foi excelência com destaque na mídia, rádios, jornais, TV’s e blogs e redes sociais, sempre com boas notícias, uma atrás da outra. Já no final de sua gestão, assinou acordo de cooperação técnica com Fecomércio e Senac, que aderiram ao Bolsa Qualificação, garantindo investimento de R$ 10 milhões e qualificação de 1,5 mil profissionais de empresas representadas pela organização.


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16/04


2021

Vicente diz que até Brizola fez complô contra

A histórica eleição de 2000 no Recife, objeto do meu livro A derrota não anunciada, que vem sendo postado nos últimos dias neste blog como contribuição à história, contou com outros candidatos, além de Roberto Magalhães e João Paulo, que polarizaram.

Contrariando José Queiroz, mandachuva do PDT, o então deputado federal Vicente André Gomes, já falecido, entrou na briga. E brigou muito, principalmente dentro do seu partido envolto num ninho de cobra que envolveu até o presidente nacional, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola.

Brizola, no seu entender, também fez o jogo de Queiroz, ao pedir para ele apoiar Roberto Magalhães, no segundo turno. “Brizola me ligou para elogiar doutor Roberto. Ele disse: “Doutor Roberto tem essas coisas, mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão”, relembra o ex-parlamentar, acrescentando que, na mesma ocasião, ratificou para Brizola o seu compromisso com João Paulo.

Vicente acusou Queiroz de ter abandonado sua campanha no Recife por assumir um acordo com Roberto Magalhães e Sérgio Guerra. Dois anos antes, em 98, Wolney Queiroz, filho de Zé, não se elegeu federal. Ficou na primeira suplência. Se Roberto fosse reeleito com Guerra, que era federal, na vice, Wolney assumiria. "Zé fechou o acordo e se escondeu em Caruaru, nos abandonando", diz Vicente. Eis sua entrevista.

 “Queiroz fez acordo com Sérgio Guerra”

Capítulo 20

Ex-deputado federal, o candidato do PDT, Vicente André Gomes, adotou como símbolo da campanha na televisão a exibição do seu braço cotó, uma deficiência física de nascença. Sempre ao final de cada fala, batia fortemente a mão direita no cotoco da esquerda. “Foi proposital, para criar uma identificação”, revela André, que venceu todos os preconceitos, tendo se formado em Medicina depois de uma verdadeira batalha para ser aceito como aluno deficiente.

Político com atuação dirigida apenas a um reduto eleitoral do Recife – o popular bairro de Casa Amarela – Vicente André Gomes teve um papel importante na campanha, talvez até decisivo para a vitória de João Paulo, no segundo turno, pela capacidade de transferência de voto. Praticamente todos os eleitores que votaram nele, no primeiro turno, derramaram os votos, em segundo turno, no candidato do PT. “Diante de uma vitória tão apertada (menos de 1%), nosso apoio pode ter sido decisivo”, admite.

A campanha do pedetista, entretanto, foi marcada por uma batalha interna travada dentro do seu partido, com o grupo majoritário, liderado pelo deputado José Queiroz, a quem acusa de ter feito um acordo tácito com o então candidato a vice de Roberto Magalhães, deputado Sérgio Guerra, para que seu filho, Wolney Queiroz, assumisse o seu mandato em Brasília.

Primeiro suplente da coligação que elegeu Sérgio Guerra, Wolney Queiroz ganharia dois anos de mandato sem nenhum esforço, no momento em que Guerra assumisse o cargo de vice-prefeito, no Recife. “José Queiroz fez esse acordo e sumiu do Recife. Sua participação na minha campanha foi zero, nula, porque ele não tinha interesse na vitória de ninguém do bloco da esquerda. Estava pensando apenas no plano doméstico”, acusa Vicente.

Brizola, no seu entender, também fez o jogo de Queiroz, ao pedir para ele apoiar Roberto Magalhães, no segundo turno. “Brizola me ligou para elogiar doutor Roberto. Ele disse: “doutor Roberto tem essas coisas, mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão”, relembra o ex-parlamentar, acrescentando que, na mesma ocasião, ratificou para Brizola o seu compromisso com João Paulo.

Se Vicente brigou com Queiroz para ser candidato no primeiro turno, no segundo não foi diferente. O presidente do PDT, que só se engajou na campanha do Recife em segundo turno, chegou a mandar para Brizola recortes de jornais que mostravam um Vicente hesitante entre marchar com João Paulo ou dar uma guinada à direita, apoiando Roberto Magalhães.

A briga não acabou na campanha. Recentemente, o grupo de Vicente tentou tirar o controle absoluto de Queiroz do PDT, com denúncias de que usava o partido para atender interesses pessoais e domésticos. O confronto acabou na dissolução da executiva estadual, mas Queiroz deu a volta por cima e reassumiu o partido, obrigando Vicente a se filiar ao PCdoB.

Seu depoimento foi dado durante um almoço do Paço Alfândega. Ali, durante mais de duas horas, Vicente voltou a jogar pedras em Queiroz e revelou bastidores inéditos da sua campanha.

            O que levou o senhor a disputar a Prefeitura do Recife diante de um cenário tão difícil para representar a chamada “zebra”?

                        Fui candidato porque, historicamente, tenho uma expressiva representatividade eleitoral em Casa Amarela. Ali, quando disputei a eleição pata vereador, pelo PMDB, fui o segundo mais votado do Recife. Depois fui para o PDT, sempre fui o vereador mais votado do Recife, pela história de trabalho e a relação com Casa Amarela.

            È aquela velha estratégia, de marcar presença, não é isso?

                        Não. Nunca houve essa intenção. Pelo contrário, o referencial da disputa nossa foi essa, voltada para Casa Amarela. Agora, nós fizemos parte de um jogo político, que representa o que tem de ruim na ação política. Fui escolhido candidato a prefeito pelo PDT, porque existia uma candidatura dentro do partido, uma candidatura legítima, que representava, também, a história do partido, que era a candidatura de Anatólio Julião, mas que não contava com a simpatia do presidente do partido, José Queiroz, que agiu com maquiavelismo para derrotá-lo.

            Como assim?

                        Anatólio Julião se colocava como candidato a prefeito do Recife, mas eu tinha a maioria do partido nas mãos. E José Queiroz sabia disso. Por quê? Porque nós temos um trabalho de base partidária e éramos, naquele momento, a única força política que poderia, legitimamente, disputar e vencer o então adversário de José Queiroz, que era Anatólio Julião. E por que Anatólio Julião era adversário político dele? É importante que se diga isso, porque, mais uma vez, José Queiroz utilizou Anatólio Julião de uma forma cruel. Queiroz quis ser candidato a senador, em 1998, mas foi rifado pelo PSB, que preferiu apoiar a candidatura de Humberto Costa. Desesperado, Queiroz correu para o partido e tentou construir uma candidatura própria a governador, usando, novamente, Anatólio Julião.

            Anatólio seria candidato a governador e Queiroz ao Senado?

                        Para se vingar do PSB, que preferiu apoiar a candidatura de Humberto Costa, Queiroz inventou a candidatura a governador de Anatólio, com a promessa de que seria candidato ao Senado, mas deixou Anatólio com o pincel na mão, retirando sua pré-candidatura. Nesse episódio, Anatólio criou um ódio terrível de Queiroz e, para não ter que apoiar Anatólio, em 2000, Queiroz teve que engolir a minha candidatura, porque, na prática, era uma forma dele derrotar Anatólio, novamente.

            Queiroz impôs alguma condição para apoiar o senhor?

                        Impôs a candidatura de Alberto Salazar como vice na minha chapa. Foi uma jogada maquiavélica dele, para impedir o crescimento da minha candidatura, porque era um técnico sem experiência política, sem votos, sem densidade eleitoral no Recife. No contexto, era apenas uma pessoa da confiança de Queiroz e esse foi o critério adotado por ele.

            O senhor queria colocar quem como vice?

                        A gente estava querendo Newton Carneiro, porque não tínhamos um nome do próprio partido. A gente queria discutir nomes e aí ele veio com uma exposição de motivos para emplacar Alberto Salazar. Por quê? Na realidade, ele queria travar a campanha, e isso é importante que você aborde, porque ninguém sabe disso. Ele queria travar a candidatura, porque ele temia, naquele momento, que a candidatura do PDT trouxesse a vitória, e trouxe, para João Paulo. Então, ele queria esvaziar a candidatura, queria enxovalhar toda a candidatura. Tanto é que ele não participou da campanha.

            Quer dizer que José Queiroz estava fazendo o jogo do candidato Roberto Magalhães?

                        De Roberto Magalhães, porque o primeiro suplente de deputado federal era Wolney Queiroz, seu filho, que poderia assumir o mandato em Brasília, caso Sérgio Guerra fosse eleito vice na chapa de Magalhães. Ele fez uma composição com Sérgio Guerra e se afastou do Recife. Não participou de nenhum ato da nossa campanha. Seu sonho mesmo era ver o filho deputado, no lugar de Guerra. Então, qual a razão que tinha de se envolver no Recife. No fundo, ele não trabalhou somente contra minha candidatura, mas contra a eleição de João Paulo.

            Ele se mandou para Caruaru, não foi?

                        Exatamente. Ele compôs com Sérgio Guerra na vice. Sérgio Guerra foi para vice.

                        Ele queria que Sérgio Guerra fosse o vice, e o Wolney Queiroz assumiria o mandato. Então, ele travou a minha campanha, não veio gravar o guia eleitoral, não participou de nada. Ou seja, me colocou num emaranhado, me tirou como presidente do partido, travou todas as ações políticas nossas.

            O senhor acha que teve acordo financeiro também?

                        Não posso dizer que houve isso, porque não tenho provas, mas que ele se entendeu com Sérgio Guerra eu não tenho a menor dúvida.

            Mas o senhor teve notícias, na época, de que teve alguma coisa desse tipo?

                        Não. Eu vou lhe ser muito sincero, a minha dignidade não permite acusá-lo dessa forma. Agora, eu preciso dizer que a genética tem se posicionado dentro do PDT, como uma posição política permanente do José Queiroz. Então, o José Queiroz fez isso porque ele queria casar os interesses. Eu era derrotado, passava a ser um camarada que, eleitoralmente, era um desastre, não ganhava. Foi quando nós tivemos Casa Amarela agora nas eleições. Nós entendemos que não tínhamos chances de disputar a eleição no Recife.

            Mas, vocês tinham o interesse de somar para João Paulo, não era isso?

                        Exatamente, porque a gente acertou que todos os partidos teriam candidato próprio no primeiro turno e no segundo se juntariam. Foi uma estratégia que deu certo, para provocar o segundo turno. Criamos, na época um pacto de governo. Que seriam forças de esquerda para apoiar quem ganhasse, quem se saísse melhor, fosse Carlos Wilson ou João Paulo. Fizemos essa ‘arrumação’ política, que era legítima, para apoiarmos no segundo turno. No resultado final, você verá que a minha soma de votos com a de Carlos Wilson foi fundamental para forçar o segundo turno e eleger João Paulo.

            Mas, no segundo turno, o senhor vacilou entre apoiar João Paulo e Magalhães.

                        Não, a foi a maior injustiça que fizeram com a minha pessoa.

            Mas está nos jornais da época.

                        Eu vou lhe contar como foi o fato. Quando o resultado foi proclamado, no primeiro turno, com uma diferença de cinco mil votos, o que aconteceu? Recebi um telefonema de Raul Henry, perguntando se eu o recebia em meu escritório. Eu disse a ele que o recebia, porque, antes de político, ele era meu amigo. Nós militamos juntos, no MDB, temos uma posição política com história e que não havia nenhum problema recebê-lo. Só que, no dia em que Raul Henry veio, foi exatamente no mesmo dia em que João Paulo veio com Luciano Siqueira. O que acontece? Quando Luciano Siqueira e João Paulo chegaram em meu escritório, a Imprensa veio toda. E por uma questão de elegância, seria extremamente desagradável não receber João Paulo, também. Então, eu recebi Henry e em seguida informei que estava recebendo João Paulo e que daria o nosso apoio a ele, até porque não tinha nem o que discutir. Mas, como recebi Raul Henry naquele mesmo dia, a Imprensa colocou da forma que achou conveniente. Como se eu, na verdade, estivesse leiloando o apoio. O que foi que eu fiz?

            Raul não chegou a fazer nenhuma proposta?

                        Nenhuma proposta, nenhuma proposta. Foi um recebimento cordial, elegante, de um comportamento fino, ético. Na verdade, o nosso compromisso era com a esquerda e Raul Henry entendeu a nossa posição.

            Em depoimento, José Queiroz disse que o senhor foi a reboque do apoio do PDT, que o PDT chegou primeiro no apoio a João Paulo.

                        OIhe, José Queiroz não pode dizer que nós viemos a reboque, porque ele não participou da campanha. Ele veio participar da campanha exatamente no segundo turno, exigindo, fazendo exigências. Se você perguntar a Luciano Siqueira e a João Paulo, eles confirmam que eu telefonei para eles e disse: “Vamos selar já esse compromisso, porque não dá mais para a gente discutir. Porque a Imprensa está colocando uma versão que é muito ruim para mim”. Estão colocando ... Telefonei para Luciano, e marcamos, então, um encontro no Sindicato dos Jornalistas. Aí, nós fomos falar com Julião, com todo mundo, para ter uma unidade política e José Queiroz não quis conversa. Pelo contrário, fez reuniões paralelas, para traduzir o que a Imprensa disse, para poder tirar a fatia política. E observe que nessa posição política nós, sem barganhar cargos, não fizemos questão de nada. Nós participamos, apenas, do Governo, indo para o Geraldão. Eu fiquei no Geraldão, depois saí, porque meu objetivo era exatamente consolidar um governo que ajudei a criar. Eu ajudei a criar, José Queiroz não tem absolutamente nada, não tem caminhada, não tem uma gravação, não foi para programa nenhum. Agora, infelizmente, ele jogou com alguns dados e alguns resultados de matérias da Imprensa, porque não tinha votos no Recife.

            Mas ele foi lembrado pelo PDT para disputar a Prefeitura, transferindo o seu título de Caruaru para o Recife.

                        Quem lançou ele candidato, fui eu. Eu defendi a candidatura dele a prefeito do Recife. Mas muito antes, mas, quando chegou no prazo da troca de domicílio eleitoral, ele não fez a transferência. Hoje, eu sei qual foi a regra, o que levou ele a não transferir. Foi o acordo tácito que tinha com Sérgio Guerra, para seu filho assumir o mandato, em Brasília. Nós fizemos um documento, na época, redigido a quatro mãos, em defesa de um pacto de segundo turno. Chegamos a falar com João Braga, e era exatamente isso aqui, a gente tirou ele da internet. Era um pacto de unidade de esquerda, de apoiar o candidato da esquerda que chegasse ao segundo turno. José Queiroz ficou fora disso, porque ele não participou da campanha. Ele não discutiu nada. Ficou em Caruaru.

            O senhor não apoiou João Paulo no primeiro turno porque os partidos de esquerda se dividiram justamente para provocar o segundo turno.

                        A minha estratégia era, não só minha, mas de todos os partidos da oposição, de se dividir para provocar o segundo turno. Havia uma pressão muito grande para que a gente retirasse a candidatura, que a gente não fosse candidato. Mas, isso não de pessoas ligadas aos partidos de esquerda, mas interessadas na eleição de Roberto Magalhães logo no primeiro turno.

            O senhor não apoiaria Roberto Magalhães em hipótese alguma?

                        Eu quero dizer a você o seguinte: recebi, no segundo turno, um telefonema do nosso presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, que disse: “Olhe, Vicente, Roberto é um homem sério, é um homem que, biologicamente, tem essas coisas. Mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão. Pense nisso, para ver se a gente pode ficar do seu lado”. Mas, na verdade, nós tínhamos de defender o interesse da esquerda, da luta que travamos de 20 anos de combate à ditadura.

            Brizola tem ligações no Estado com José Queiroz. Será que ele não agiu a pedido de Queiroz, que, como o senhor disse, tinha interesse que o filho assumisse o mandato na Câmara no lugar de Sérgio Guerra?

                        É possível, mas eu disse a ele o seguinte: “Olhe, governador, eu quero dizer ao senhor que a linha aqui é apoiar o João Paulo!. E aí ele argumentou: “Não, mas você sabe que se trata de um rapaz que não tem muita experiência, a gente pode fazer uma participação”. Mas, a gente tinha uma posição política previamente definida e não me curvei às pressões do doutor Brizola.

            No primeiro turno o senhor teve o apoio de Brizola? Inclusive financeiro? 

                        Tive, mas só para propaganda.

            Quanto foi que ele deu?

                        Não, propaganda. Só propaganda. Ele mandou imprimir umas propagandas e mandou para mim.

            É verdade que, no primeiro turno, o senhor procurou também o apoio financeiro de Garotinho?

                        Veja bem, Garotinho era do PDT. Nós fomos a São Paulo para pedir ajuda. Ajuda financeira. E o Garotinho nos recebeu muito bem, mas não definiu. Não tinha recursos para, naquele momento, na altura da campanha, que a gente fosse buscar ajuda, porque ele não tinha.

            O senhor lembra quem foi o contato?

                        Claro. Ele mesmo. Eu fui conversar com Garotinho mesmo. Fui eu e Júlio Ferreira.

                        Nós tivemos lá e conversamos diretamente com Garotinho. Eu sou do PDT Jovem, eu acompanhei o PDT na sua base.

            Mesmo sabendo das divergências com Brizola, o senhor pediu dinheiro a Garotinho?

                        Mas as divergências de Garotinho com Brizola não impediam que a relação política existisse entre nós, até porque o próprio Garotinho telefonava para o Brizola. E nós fomos procurá-lo, porque o partido não tinha estrutura, e ele era meu amigo. Então eu fui lá buscar uma ajuda, e o que eu consegui, também dele, foi propaganda. Trouxemos a propaganda no avião.

            Eu tenho informações de que o senhor recebeu ajuda financeira.

                        Ajuda financeira nós não recebemos. Fizemos a campanha com todas as dificuldades financeiras.

            Quem pagou o seu guia?

                        Quem pagou o guia? O guia foi produzido no fundo do quintal lá de casa, um guia doméstico, com uma câmera doméstica. Foi feito assim.

            Quanto custou sua campanha?

                        A campanha custou R$ 80 mil. O pior é que ninguém acredita numa história dessa, mas a campanha custou 80 mil. Oitenta e uns quebrados. Real, verdadeiramente, de amigo. O Alberto Salazar não conseguiu, absolutamente, nada para a campanha, nenhuma ajuda, embora fosse ligado ao Clube de Engenharia. A gente achava que, com ele na chapa, o setor empresarial nos ajudaria. Nós não conseguimos absolutamente nada, como se houvesse um programa para travar os recursos e as ajudas financeiras.

            O senhor acha que pode ter dado a vitória de João Paulo, já que seu reduto, em Casa Amarela, votou fechado no candidato do PT?

                        Eu não tenho dúvida nenhuma que todas as forças ajudaram João Paulo no segundo turno: agora, como a minha base eleitoral é Casa Amarela, e foi, exatamente, na quinta, sexta e nona zonas que João Paulo mais teve votos, nós tivemos uma participação decisiva. Eu acho que nós tivemos uma contribuição importante.

            Foi o senhor que garantiu a eleição?

                        A diferença foi de apenas cinco mil votos. Você acha que eu não tinha condições de dar três mil votos em Casa Amarela, numa campanha daquela, polarizada, discutida, daquela maneira que a campanha foi? Nós temos a convicção. Nós não iremos assumir nunca essa posição de que a vitória foi só nossa. Agora nós entendemos que a contribuição que nós demos ao companheiro João Paulo é histórica. Ninguém pode questionar. Eu acho que nem o presidente José Queiroz, hoje, questiona.

            Vicente, então em nenhum momento você vetou a candidatura do João Monteiro, nome lembrado antes por José Queiroz?

                        Não, em momento nenhum. Fui, inclusive, ao seu escritório, para dar apoio a ele, numa articulação de José Queiroz. Em momento algum, alcancei qual era o objetivo dele. Na verdade, João Monteiro não alcançou o que estava por trás desse interesse de Queiroz. Ele queria expor João Monteiro, puxar o seu tapete, porque ele tinha um projeto familiar. Aliás, é o que ele tem feito, ao longo do tempo, quando usa o partido, os programas do partido, em benefício próprio, do filho. E foram todas essas razões ... Eu não saí do PDT para ir para a direita não. Eu saí do PDT para ir para o Partido Comunista. Como é que a gente poderia criar um rumo diferente, do que ele nos acusa? A nossa linha sempre foi ao lado da esquerda, ao lado daquilo que a gente acredita.

            O senhor acreditou, em algum momento, que haveria segundo turno no Recife?

                        Eu sempre, desde o início, defendi a tese de que ira haver segundo turno. A tese eu até entendo, mas veja bem: na eleição anterior, em 1996, em que João Paulo disputou a Prefeitura do Recife e havia outros candidatos, como João Braga, Roberto Magalhães foi eleito com uma diferença apenas de 2%. Então, com base nisso, achava que não tinha como a gente não crescer eleitoralmente. E as pesquisas chegaram a dar, para o PDT, 6%. Eu tinha certeza que nós estávamos contribuindo para a realização do segundo turno. Depois do fechamento da campanha – com a falta de recursos, com o guia eleitoral sendo colocado sem, na verdade, a gente ter uma boa performance eleitoral, porque a gente não podia ter uma caminhada boa faltando recursos, faltava isso, faltava aquilo outro – a gente centralizou em Casa Amarela, como uma estratégia de consolidar. Não adiantava eu ir para o Jordão, não adiantava eu ir para canto nenhum, e consolidamos em Casa Amarela para poder contribuir com a realização do segundo turno. Se eu tivesse diluído no Recife, não teria tido 0,5% e isso seria mais uma eleição sem nenhuma referência. Nós usamos a estratégia “Casa Amarela, agora, vai ter prefeito”, usamos esse marketing exclusivo para Casa Amarela.

            É verdade que o senhor queria ser secretário de Saúde no lugar de Humberto Costa?

                        Não, não pedi para ser, mas é uma área que está mais ligada a mim. Eu sou médico. Eu faço política em cima da ajuda social e da saúde. Então, eu tinha um projeto. Eu lhe digo, com toda a sinceridade, que se João Paulo me convidasse para ser secretário de saúde, eu aceitaria, porque, de fato, era algo que estava dentro de um projeto – eu não digo um sonho – mas, um projeto executável, podendo ser executado por mim, sem, na verdade, inventar. Inventar sem criar nada de novo. Então, o projeto, na área de saúde, poderia contribuir efetivamente com o Recife. Eu acho que poderia ... Com a população carente do Recife. Se bem que eu acho que a Secretaria tem feito alguma coisa, como o programa Saúde da Família. O outro seria na área de esportes. Eu queria implantar, aqui, um trabalho social para portadores de deficiência, na faixa da terceira idade. Diante disso, aceitei a direção do Geraldão como uma contribuição, um gesto de contribuição à gestão de João Paulo.

Sua aposentadoria como deputado federal não é ilegal?

                        Não existe nenhuma ilegalidade. Aliás, eu sou o primeiro suplente de deputado estadual. Se assumir, recusarei o subsídio, porque já recebo como deputado aposentado, diferente de alguns políticos, como o vereador Clóvis Corrêa, que recebe como juiz aposentado. Eu não acho que fique eticamente bem disputar a eleição para deputado e receber para isso. Então, eu protocolei , na eleição de prefeito, um documento que, se fosse eleito, não receberia os proventos de prefeito. Aí, Roberto Magalhães veio me atacar. Eu respondi com documentos em cartório, dizendo que, quando eu me propus a ser candidato a prefeito do Recife, eu fui em cartório registrar a minha promessa. Que crime há nisso? Agora ele, apesar de aposentado, continuava a receber o subsídio de deputado federal. Ele já era aposentado como prefeito, governador. Doutor Roberto não sabe, mas eu tenho uma grave lesão no coração.

            Mas, por que, então, continua trabalhando e disputando cargos?

                        No momento, estou estável, mas continuo tendo dores. Outro dia peguei um avião e quando cheguei no Rio comecei a me sentir mal. Então, evito fazer esse tipo de coisa. Mas lembro que Teotônio Vilela, com um câncer na cabeça, era senador e nem por isso renunciou. Continuou andando, com aquele câncer. Quer dizer, na verdade, eu faço esse trabalho político-social, porque se eu não fizer isso, eu morro de inanição. Eu me sinto gratificado em fazer esse trabalho político, que não tem nenhum objetivo financeiro. Você não me vê com histórias de benefícios pessoais, não é nada disso. Fui para o Geraldão, nunca coloquei nenhum filho em cargo público, na minha história não pratiquei nepotismo. Fui deputado federal, nunca levei nenhum parente para colocar no meu gabinete, eu não tenho essa história na minha vida. Eu faço isso porque eu me realizo, e vou continuar fazendo até enquanto vida eu tiver. É um direito meu de ser candidato. E enquanto eu tiver o direito da cidadania preservado eu vou disputar.

            Qual episódio o senhor acha que foi mais decisivo para a derrota de Magalhães?

                        Eu acho que Roberto Magalhães foi muito infeliz em sucessivos comportamentos.

                        Um homem público, na verdade, não pode ter o comportamento que ele teve, de dar “bananas” para o público. Eu sei que isso, às vezes, vai do homem, e não do político, mas o homem público, quando faz isso fica muito exposto. Acho que isso contribuiu. E acho que a greve da polícia também. Faltou uma certa habilidade do governador de conduzir um processo eleitoral, mas Jarbas sempre foi muito autêntico, não é um homem de fazer para agradar. Naquele momento, ele tinha esse comportamento, esse litígio político com a polícia. E ele é um homem que toma posições, muitas vezes, independente de conseqüências que possam ter. Eu acho que aquilo também contribuiu para a derrota de Roberto Magalhães. Acho que foi um somatório. Roberto Magalhães podia não ir para os debates, mas não podia ser um camarada tão autoritário nas colocações dele, nos debates. Acho que tudo isso foi somando ao perfil dele. Mas eu quero dizer que eu tenho um carinho muito especial pelo doutor Roberto Magalhães. Uma certa vez eu, como médico, socorri ele no avião, durante um vôo para Brasília, quando ele se sentiu mal. Foi aí que eu me aproximei mais de Roberto. Roberto Magalhães é uma pessoa que, quando a gente conversa, quando a gente tem uma relação mais próxima dele, a gente tem uma impressão muito melhor, do que a imagem que ele traduz. Através dos meios de comunicação, ele traduz um sentimento muito ríspido. Agora mesmo eu vi um depoimento dele, no jornal, dado a você, dizendo que se seu candidato não for para o segundo turno, pega um avião e sai do Estado. Isso é coisa do perfil dele mesmo. E olha que o filho dele é candidato na chapa de Joaquim.

            Por que o senhor fazia questão de exibir a mão deficiente?

                        Deixe eu lhe contar o que foi aquilo. Eu toco violão, mesmo com um braço só. E bato palmas ‘assim’ (batendo com a mão perfeita no braço com defeito); eu não tenho outra mão para bater palmas. Então, num debate, na Rádio Jornal do Commercio, eu fiz ‘isso’. O cara me perguntou se eu tocava violão. “O que é que o senhor faz? O que é que o senhor gosta de fazer?” E ... “Eu gosto de muitas coisas, entre elas, gosto de uma seresta, de um violão...” aí o jornalista: “Você gosta de violão?” Isso no rádio ...

            Como é que você toca violão?

                        Vou explicar, da forma que disse ao radialista. Olhei para ele e disse: “Está pensando o quê? Que isso aqui não é uma mão, não? Isso aqui é uma mão”. E quando fiz ‘isso’, estava a platéia lotada, e todo mundo riu. E a pessoa que estava comigo disse: “Vamos colocar isso, vai ser uma marca sua”.

            As pessoas não levaram na gozação?

                        Pode ser , mas criei uma identificação. O grande objetivo da gente era criar uma marca. Quando eu fazia ‘isso’, passou a ser a referência minha. Ainda hoje eu chego e ... o cara bate no braço.

            Como o senhor perdeu o braço?

                        Eu nasci desse jeito. Fui o primeiro filho. O cordão umbilical passou e impediu a circulação. São coisas da minha vida que ... Eu passei no vestibular de Medicina em décimo lugar. E quando fui me matricular a faculdade não aceitou. Porque eu só tinha uma mão.

            Puro preconceito.

                        Não, porque achavam que eu não podia ser médico. Como é que eu ria operar?

                        Quando eu fui trabalhar, já formado, sabe o que disseram? “Como é que você vai entubar o doente?” Eu tive que provar, com uma agente especial, como fazia.

            E para dirigir?

                        Eu fui tirar a carteira de motorista todo cuidadoso, porque o Detran não permitia que eu dirigisse com uma mão só. E eu não sei fazer outra coisa. Eu opero, se for necessário, boto o bisturi ‘aqui’ e opero. Eu como, eu corto a carne ‘assim’ ... E não ia deixar de bater na mão porque o cara dizia que estava “dando uma banana”. Porque o pessoal de Roberto Magalhães começou a dizer que eu estava dando “banana”. Chegaram a fazer adesivos: “A banana do PDT”, para ver se eu pirava. Eles fizeram uns adesivos “banana do PDT”, para poder me identificar como se eu tivesse dando uma “banana”. Todo mundo sabia que ‘isso’ não era uma “banana”, mas uma identificação, que fazias as pessoas me identificarem. Quando eu tinha 13 anos – no Sítio da Trindade – levei uma porrada do guarda municipal, que foi atrás da gente porque o cara que tinha roubado o Sítio, os passarinhos, era um ‘cotó’. Quando eu estava jogando bola lá embaixo, disseram a ele: “Olha, o ‘cotó’, ele está lá embaixo jogando bola”. Era um outro ‘cotó’. Aí me pegaram e deram uma porrada em mim ... Me levaram preso. Me levaram para o juizado. Eu tinha 13 anos de idade. Então, esse defeito físico me identifica.


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