Ipojuca 2021 IPTU

25/02


2021

Senado adia leitura de relatório da PEC Emergencial

O Senado encerrou a sessão de hoje sem que fosse feita a leitura do relatório do senador Márcio Bittar (MDB-AC) sobre a proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC Emergencial.

A leitura é uma etapa necessária para a proposta poder avançar, e o adiamento representou revés para o Poder Executivo, que queria votar a PEC nesta quinta, o que não aconteceu. Depois, o líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE), defendeu a leitura nesta quinta, mas a etapa também foi adiada.

A PEC Emergencial prevê mecanismos em caso de descumprimento da regra do teto de gastos, que limita os gastos da União à inflação do ano anterior. O relatório de Bittar, no entanto, tem causado polêmica porque inclui o fim da regra que determina investimento mínimo nas áreas de saúde e educação.

Esse é um dos trechos defendido por governistas na proposta para que, além de medidas de ajuste fiscal, o texto possa abrir caminho para novos pagamentos do auxílio emergencial.

Contrário ao fim do piso para saúde e educação, o PT pediu que a PEC fosse retirada pauta e encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O pedido recebeu o apoio de outras legendas.


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Petrolina abril 2021

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11/04


2021

O dia em que o Recife recebeu a visita de um santo

Da coluna de João Alberto

No dia 7 de julho de 1980, às 15h45, João Paulo II chegava à Base Aérea do Recife, a bordo do avião da Força Aérea Brasileira, na primeira e única visita de um Papa a Pernambuco. Mais do que isto: foi o primeiro santo a estar no nosso estado, pois foi beatificado em 2014. Foi recebido pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara e pelo governador Marco Maciel. A bordo de um Papa Móvel, construído pela Imperial Diesel, que era concessionária Mercedes Benz no Recife,  seguiu pela Mascarenhas de Morais, General Mac Arthur, Antônio Falcão, Avenida Boa Viagem, Antônio de Góis, ponte do Pina até chegar ao Viaduto Joana Bezerra, um percurso de 24 quilômetros, que demorou uma hora e meia, com o carro a 20km por hora e uma multidão incalculável em todas as ruas, saudando o pontífice.

Na Avenida Boa Viagem, um espetáculo inesquecível, com as pessoas nos prédios acenando lenços brancos para saudá-lo. No viaduto (que durante alguns anos se chamou Viaduto do Papa) foi armado uma enorme estrutura, com um altar, onde ele celebrou a missa e um camarote, para 100 convidados, entre autoridades civis, militares e religiosas. Fui um dles e não esqueço da emoção de estar bem junto do Papa, mesmo não tendo a chance de beijar seu anel, como muitos conseguiram. A liturgia da missa foi organizada pelo padre José Augusto Rodrigues Esteves, pároco da Matriz de São José.

Na Missa, ficaram célebres suas palavras dirigindo-se ao arcebispo: “Dom Hélder, irmão dos pobres e meu irmão”. Na época, pensava-se que depois da declaração, Dom Helder seria nomeado cardeal, o que nunca aconteceu. Por razões que a própria razão desconhece. Já no aeroporto, o papa tinha dado um abraço carinhoso em Dom Helder e beijado sua testa.

Depois da Missa, o Papa seguiu para o Palácio dos Manguinhos, sede da Arquidiocese, onde foi à sacada falar para as pessoas que se aglomeram em frente. Já havia a fama de que João Paulo II gostava muito de doces e não abria mão deles nas refeições e Dona Fernanda Dias levou para o papa um bolo de frutas, preparado pela Casa dos Frios, que fica bem em frente e que também havia preparado o jantar.

O quarto em que o papa dormiu era extremamente simples, como ele havia pedido. No dia seguinte, ele se levantou cedo, celebrou uma missa pessoal, tomou café e seguiu para o aeroporto, para pegar o avião para a Teresina, a nova escala da sua visita ao Brasil, que durou 12 dias e teve visitas a Brasília, onde foi recebido pelo presidente João Figueiredo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza. Ao todo, percorreu 14 mil quilômetros. João Paulo II esteve quatro vezes no Brasil. Ele foi um grande peregrino: no seu papado de 26 anos, visitou 129 países.

A visita ao Papa reuniu no Recife, 500 mil pessoas, tendo atraído pessoas de vários estados do Nordeste, a começar de muitos bispos, padres e freiras, e transcorreu sem problemas para os 300 policiais responsáveis pela segurança. Tivemos apenas o atendimento a pessoas que passaram mal. A visita foi numa segunda-feira, que foi considerada feriado para que as pessoas pudessem participar da visita do Papa.

Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife recorda bem da visita. Na época, ele era monge no Mosteiro de São Bento e seguiu a pé, de Olinda até o Joana Bezerra para acompanhar, a Missa no meio da multidão. Depois, ele esteve três vezes com João Paulo II; em 2001, no Castel Gandolfo e no Vaticano, quando se tornou bispo auxiliar do Recife. No ano seguinte, esteve num encontro de bispos, quando cantou o “João de Deus” e fez um discurso para ele. Já naquela época, confessa, tinha certeza que estava diante de um santo, o que acabou sendo realidade. Hoje, Dom Fernando confessa que é devoto do Santo João Paulo II.

Outra curiosidade da visita: naquele dia, oito crianças que nasceram em maternidades do Recife ganharam o nome de João Paulo. Hoje, eles têm 41 anos. Conheci um deles, advogado, que me contou a origem do seu nome.

Estive outra vez com João Paulo II, junto com Jarbas Vasconcelos, que, então governador do estado, visitou no Vaticano, o sumo pontifícia já muito debilitado, mas que falou a palavra Recife, certamente recordando a forma carinhosa como foi recebido na nossa cidade. E pude beijar o anel papal, uma experiência marcante na minha vida.

Foi uma visita que durou poucas horas, mas que ficou marcado na vida de milheres de recifenses, que tiveram a chance de estar perto de um santo da Igreja Católica.


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ALEPE

11/04


2021

Guerra diz que somou como vice e culpa Magalhães

Na sequência das entrevistas inéditas para o livro "A derrota não anunciada", de autoria deste escriba, reproduzido 21 anos após a histórica eleição de 2000 no Recife, o então senador Sérgio Guerra (PSDB) se defende de ter sido um dos responsáveis pela derrota de Roberto Magalhães (PFL). Nos bastidores, diziam que a troca da vice, substituíndo Raul Henry por ele, teria desagradado a gregos e troianos e servido de argumento para a militância do PMDB fazer corpo mole na campanha.

Guerra diz que sua presença na vice foi consequência natural das negociações para a entrada do PSDB na aliança e que Henry já havia comunicado a Roberto Magalhães que não queria mais compor a chapa. O senador fala dos bastidores também que levaram, um ano depois, Magalhães a se afastar da aliança jarbista pelo fato do filho André não ter sido escolhido secretário na equipe de Jarbas governador. Afirma que somou, ajudou a mobilizar mais estrutura para a campanha e que Magalhães perdeu por uma série de erros cometidos na campanha do primeiro turno. "Não nos preparamos para uma eventual eleição de dois turnos", avaliou. Para ele, o adversário que deixava Magalhães com os nervos à flor da pele não era João Paulo, para quem perdeu no segundo turno, mas Carlos Wilson. Confira! 

"Os que me culpam são invejosos”

Capítulo 15

Nem o próprio governador Jarbas Vasconcelos (MDB) acreditou que o hoje senador Sérgio Guerra – na época, um dos mais influentes parlamentares da bancada no Congresso – aceitasse compor a chapa de Roberto Magalhães como vice. Mas, no fundo, passava pela cabeça de Guerra que, reeleito prefeito, dois anos depois, Magalhães seria um candidato natural a governador e ele, eventualmente, assumiria a Prefeitura por dois anos, podendo ir à reeleição e garantir mais quatro anos de mandato. 

Coube ao senador a missão de desmontar, junto com o então presidente do PSDB, Luiz Piauhylino, a pré-candidatura de João Braga dentro da legenda tucana, o que poderia atrapalhar os planos de Magalhães logo no primeiro turno. Esse desmonte gerou consequências dentro da aliança, principalmente para o PMDB, que teve que abrir mão da vice, ocupada por Raul Henry.

A entrada de Guerra na chapa gerou uma grande ciumeira. Segmentos do PSDB, como o liderado pelo deputado Armando Monteiro Neto, hoje presidente da CNI – e na época ainda integrante da aliança - tiveram que engolir a seco.  O próprio Magalhães confessou que, com a saída de Henry, perdeu a euforia da militância do PMDB.

Dois anos depois, Roberto Magalhães e Sérgio Guerra, eleito senador da República, entraram em rota de colisão e hoje estão em palanques diferentes. A origem das divergências se deu quando Jarbas montou o secretariado para iniciar seu segundo mandato sem a presença de Carlos André, filho de Magalhães. Na briga, o PSDB ficou sem representante na Câmara, já que o deputado Luiz Piauhylino também saiu do partido e ingressou no PTB, em solidariedade a Magalhães. Colhi o depoimento de Sérgio Guerra em seu apartamento em Brasília, numa agitada quarta-feira, depois de um almoço regado a feijão verde, arroz, legumes e costeleta de porco.

Como o senhor avalia a derrota de Roberto Magalhães?

A campanha Roberto Magalhães estava estruturada sob uma base sólida. Seus principais fundamentos eram a força eleitoral do candidato, o apoio político estratégico do governador Jarbas e uma boa imagem administrativa.  Seus opositores, num primeiro momento, pareciam frágeis. Havia a expectativa de que Carlos Wilson pudesse somar setores diversos e se apresentar como candidato viável. Não havia expectativa de que João Paulo pudesse ser o primeiro adversário de Roberto Magalhães. Num primeiro momento, Carlos Wilson centrou sua campanha num discurso administrativo e num combate à personalidade do candidato Roberto.  Procurou passar a impressão de ser um candidato temperamental e autoritário. Não logrou êxito. Sua campanha não teve a consistência que ele esperava. Mas o fundamento do seu ataque à campanha de Roberto Magalhães manteve-se depois. Não através dele, mas do candidato do PT, uma pessoa de origem humilde, de vocabulário simples e com características de líder ´popular. Um candidato que foi favorecido imensamente pelos ventos do PT e pela tendência do recifense, dos pernambucanos e dos brasileiros de ficar naquele momento histórico do lado de algo que representasse a mudança. Foi esse o quadro que se foi desenhando e que ao longo da campanha permitiu que, apesar da força política e eleitoral de Roberto Magalhães e do grupo que o apoiava, esse grupo e essa força fossem derrotados.

O senhor também trabalhou com esse cenário na época?

Num primeiro momento, como acabei de afirmar, a noção de todos era a de que a eleição poderia se dar entre Roberto Magalhães e Carlos Wilson. João Paulo, dizia-se, apenas tratava de disputar uma eleição para ganhar conforto em eleições parlamentares. Todos nós, de uma ou outra maneira, trabalhamos, num primeiro momento, com esse cenário: de uma eleição entre Roberto Magalhães e Carlos Wilson Campos.

Ao longo da campanha, essa constatação foi se confirmando, no momento em que ele não ia aos debates, não é isso?

O fato de Roberto Magalhães não ter comparecido aos debates ainda no primeiro turno – foram três ou quatro – foi sem dúvida um erro. Fomos avisados – doutor Roberto de uma maneira especial – que o não comparecimento aos debates permitiria que por um bom período de tempo quatro ou cinco candidatos fizessem sucessivas acusações, denúncias e críticas ao candidato Roberto Magalhães. Ora, minutos de televisão - e não eram poucos – de combate incessante a um único candidato não poderiam favorecê-lo. Tenderiam a prejudicá-lo. Não tínhamos muita folga estatística que nos garantisse o direito de não participar dos debates. Houve a informação clara de que o não comparecimento de Roberto Magalhães nas discussões da televisão poderia remeter a eleição a um segundo turno. E que num segundo turno os resultados eram imprevisíveis.

Mas ele, com uma certa razão, dizia que seria trucidado, porque teria que enfrentar cinco candidatos.

Roberto Magalhães tinha razão quando previa que todos os candidatos se somariam contra ele. É preciso não esquecer que vários desses candidatos não eram verdadeiramente candidatos. Eram laranjas dos candidatos reais da então oposição. Ele estava certo nisso. Roberto Magalhães temia, por outro lado, uma radicalização de uma maneira especial com o candidato Carlos Wilson. E que essa radicalização o prejudicasse nas discussões. Ele tinha uma lógica que presidia sua opinião. Um confronto direto com Carlos Wilson podia perturbar a sua paciência, não permitindo o desenvolvimento de uma lógica tranquila na discussão. Mas foi um erro não ter comparecido aos debates, porque eu tenho uma convicção de que os próprios argumentos da nossa campanha eram muito mais fortes do que os argumentos das campanhas dos adversários.

O senhor chegou a defender a participação dele em debates?

Defendi todo o tempo. Sempre achei que haveria grandes chances de em debates nós nos saímos bem.

Para o senhor, ele se comportava de uma maneira arrogante? Nos bastidores, internamente?

Roberto Magalhães é uma personalidade especial. É um homem afirmativo. Em várias situações ele era harmonioso. Em outras, nem tanto. 

As campanhas, hoje, são fruto de um bom marketing. Seus marqueteiros não viam isso?

O marketing da campanha foi acertado. Mas quem acertou mais do que o nosso marketing foi a campanha do adversário. Que atuou de forma agressiva sobre o nosso candidato. Esse ataque produziu alguma instabilidade, demonstrada em episódios como, por exemplo, o da vaia da avenida Boa Viagem. Na medida em que os adversários conseguiram perturbar o nosso candidato, eles foram bem sucedidos na estratégia de dar alguma consistência à sua crítica e valorizar o aspecto da humildade e da conciliação que estavam espelhados – e legitimamente espelhados – na campanha de João Paulo.

Mas, ele se queixa de Lavareda, achando que ficou alijado das decisões do guia...

Respeito, mas tenho outra opinião.

Por quê?

Porque acho que Lavareda fez, durante todo o tempo, uma campanha que tinha três sinais. O primeiro sinal era afirmação administrativa de Roberto Magalhães, confirmando-o como um bom gestor público. O segundo sinal era sua identidade e sua união com Jarbas Vasconcelos e com a aliança que o apoiava. O terceiro sinal era a noção de que Roberto Magalhães era um homem tranquilo, capaz de enfrentar de forma absolutamente segura desafios que se apresentassem. Nosso candidato muitas vezes deixou-se levar pelas provocações dos adversários. E nisso errou.

Ele subestimou João Paulo?

De uma forma ou de outra, todos o subestimamos. Eu próprio. Mas o que nós devíamos ter feito, mais do que fizemos, era uma campanha que reproduzisse nosso candidato num ambiente de maior harmonia, solidariedade, tranquilidade. Isso, de uma ou outra forma, nos faltou.

Ele acha que o episódio de Boa Viagem não teve muita importância no contexto da derrota, mas sim a greve da PM.

O episódio de Boa Viagem teve importância na medida em que dava consistência a acusações feitas a Roberto Magalhães no plano da sua emoção. Aquele ato confirmou esse tipo de denúncia do ponto de vista público. Por isso não foi favorável.

Para o senhor, então, entre a arrogância, o episódio de Boa Viagem e a greve da Polícia, o que pesou mais na derrota?

Quando se perde uma eleição por poucos votos, muitos fatores podem ser alegados. E todos são, de uma ou outra forma, verdadeiros. É claro que a greve da polícia não ajudou. Como não ajudou o episódio de Boa Viagem. Como não colaborou o fato de não termos nos preparados para um resultado negativo no primeiro turno. Como não fomos capazes de demonstrar ao povo inteiro que o nosso candidato era um homem pacífico e construtivo. Vários fatos influíram numa derrota milimétrica. Que poderíamos ter evitado. 

Que tipos de fatos?

Nós não nos preparamos para o fato de que poderíamos não ganhar no primeiro turno.Tanto que não soubemos o que dizer na hora em que constatamos que a nossa vitória não foi suficiente para decidir a eleição ali. É bom recordar que em várias capitais brasileiras candidatos que lograram votações insuficientes no primeiro turno para ganhar a eleição deles foram capazes de ganhar no segundo turno. Não foi assim no nosso caso. Quando deixamos de ganhar no primeiro turno, passamos a impressão de que tínhamos perdido a eleição. Esse cenário foi tão drástico que logo a seguir tivemos uma queda enorme de participação nas pesquisas e João Paulo teve um crescimento exagerado também, porque não nos preparamos essa transição do primeiro para o segundo turno. Na medida em que não ganhamos no primeiro, todos ficaram com a impressão de que tínhamos perdido a eleição.

Magalhães disse que, 48 horas após o primeiro turno, João Paulo estava com 17 pontos na frente e só aí percebeu que havia chegado o momento de entrar na briga para valer.

Não deveríamos ter ficado suscetíveis às provocações dos adversários, porque tínhamos um candidato com mais base popular e eleitoral e tínhamos uma força maior. Era o caso de ouvir as forças e fazer uma campanha tranquila.

Ele diz, inclusive, que, na escolha de Raul Henry para vice, o PMDB faltou a ele. O PMDB fez o corpo mole e não participou da campanha. Com exceção do Governador, que ele elogia bastante.   

A minha opinião, é que, senão todos, muitos dos aliados do governador participaram fortemente, fizeram a sua campanha. Poderia lembrar o esforço de Cadoca, que coordenou a campanha no segundo turno. Ou de João Negromonte, que eu vi fazendo campanha para ele em todo lugar.

Ele alega que, na eleição de 96, o PMDB realmente vestiu a camisa, tirou o corpo fora em 2000 e que secretários não votaram nele.

É possível que alguns secretários de Jarbas não tenham votado em Roberto (O voto é secreto e pessoal). Mas as reuniões a que eu assisti, várias delas, da campanha de Roberto Magalhães, sempre tiveram o comparecimento de dezenas e dezenas de quadros da administração pública, de lideranças do PMDB que estavam no governo e se envolveram na campanha. Acho que houve energia e empenho na campanha.

A retirada de Raul Henry da vice foi pelo fato dele (Raul) ter alegado que queria passar uma temporada nos Estados Unidos?

Raul não foi vice porque disse que não queria ser. Se ele tivesse confirmado desde o começo a sua intenção de disputar a vice, seguramente teria sido o candidato de Roberto Magalhães, que sempre desejou isso.

A versão oficial é que Raul não quis ser. Procede ou ele foi rifado?

Ninguém rifou Raul. Havia o consenso de que ele era um bom candidato e tinha sido um bom vice. Mas havia um problema: uma candidatura pelo PSDB de um candidato que tinha votos e capacidade de campanha. Ele que remeteria de forma compulsória a eleição para o segundo turno. Então, houve um esforço para agregar o PSDB ao palanque de Roberto Magalhães, retirar esse candidato e dar mais consistência à aliança que o apoiava.

Existe uma versão de que o senhor aceitou ser vice, porque Magalhães eleito, dois anos depois, seria indicado candidato a governador e Jarbas ao Senado. Houve acordo nessa direção?

É provável que Roberto Magalhães, tendo sido reeleito na época, fosse o candidato natural à sucessão de Jarbas, já que Jarbas, como todo mundo sabe, não desejava disputar a sua reeleição. Sendo assim, era também provável que eu pudesse assumir a Prefeitura do Recife. Mas não houve nenhum acordo nesse sentido nem essa versão nunca foi colocada dessa forma por ninguém.

Por que o próprio governador não acreditava que o senhor aceitaria ser vice, deixando de ser deputado influente em Brasília para ser vice aqui?

Eu aceitei ser vice de Roberto Magalhães porque julguei que podia colaborar com o governo dele. Os problemas do Recife só podem ser resolvidos com ampla mobilização de recursos. E eu ia fazer isso.  O Recife não se equaciona com menos de R$ 150 milhões por ano de investimentos. Eu aceitei ser vice também porque era preciso de maneira definitiva incorporar o PSDB na aliança. E essa incorporação deu resultados.Tanto que dois anos depois me elegi senador. Eu aceitei também porque desejava participar de uma eleição majoritária.  A opinião do meu amigo Antônio Lavareda contribuiu muito para que eu aceitasse essa indicação...

Qual foi o argumento que ele usou?

O argumento de que era uma forma de eu me lançar no plano majoritário e também de incorporar de forma definitiva o PSDB na aliança.

Quer dizer, mesmo derrotado naquela chapa, o senhor acha que construiu sua candidatura para o Senado a partir dali?

Sem dúvida. Nossa candidatura para o Senado se consolidou naquela campanha majoritária da qual participamos, insiderindo o PSDB para que, dois anos depois, a aliança tivesse o seguinte contorno:  Jarbas, PMDB, governador: Marco Maciel, PFL, senador: Sérgio Guerra, PSDB, senador: Mendonça Filho, PFL, vice-governador.

E aqueles que atribuem a derrota de Roberto Magalhães à sua presença na vice?

São invejosos.  

E aonde é que o senhor somou na condição de vice?  

Somei agregando o PSDB.  Somei evitando que a eleição fosse compulsoriamente para o segundo turno. Somei ajudando na mobilização de recursos para a campanha.  Fiz o esforço que me foi permitido fazer. E não produzi nenhuma forma de dificuldade à campanha. Ao contrário.

E a sua presença na campanha?

O problema é que campanhas de prefeito normalmente não divulgam candidatos a vice. Eu apareci na televisão uma ou duas vezes. Eu me lembro que nos outdoors da campanha meu nome era quase invisível. Então, não era por aí que eu podia contribuir na campanha. Eu poderia contribuir na campanha na forma que eu contribuí: com a incorporação do PSDB, colaborando na mobilização de recursos de campanha e dando o máximo do meu esforço para que tudo pudesse se desenvolver de forma correta.    

O personagem Mané Chinês criou algum tipo de problema na campanha? Tirou Magalhães do sério em algum momento? Ele disse que não, que até se divertia...   

Mané Chinês teve um papel, mas era um personagem que no final confundiu a campanha de Carlos Wilson.  As virtudes do candidato ou seus eventuais defeitos eram menos relevantes do que a aparição pitoresca do chamado Mané Chinês.

O senhor acha que Roberto Magalhães foi vítima de uma grande armação na campanha, a começar pelo episódio de Brennand?

Não acredito em conspiração. Não acredito em teorias conspiratórias.

Qual foi o maior prejuízo dessa derrota da Aliança?

A História nos dá lições.  Os fatos devem ser instrutivos, de forma mais que possível informativos, para que novos padrões se definam e a evolução continue a se dar. A derrota no Recife foi instrutiva para a aliança. Tomamos consciência de que a nossa união, dois anos depois, era mais do que necessária. É claro que era melhor ter ganho, que a vitória de 2000 tivesse sido nossa. Mas o fato de não termos ganho nos ensinou bastante. E, sob a liderança de Jarbas, termos amadurecidos e vamos continuar assim.

O senhor chegou a ter algum atrito sério com Magalhães durante a campanha?

Não. Nunca tive atrito sério com o doutor Roberto Magalhães. Nem antes, nem durante, nem depois da campanha. Nada tenho de pessoal contra ele.

O senhor assumiu esse compromisso de fazer o filho dele secretário?

Não. Eu não nomeio secretários.

Mas o senhor acenou para ele com essa possibilidade, na condição do principal líder do PSDB?

Eu sempre afirmei que Jarbas Vasconcelos encontraria com Roberto Magalhães uma saída adequada para esse assunto.

Então, foi o governador que não quis?

O governador e o governo estabeleceram critérios para a organização do governo e, nesses critérios, Carlos André Magalhães não pôde ser enquadrado.

O senhor acha que ele foi injusto com o senhor?

Até o presente momento, tudo o que Roberto Magalhães afirmou publicamente é que teria deixado o partido por ter comigo divergência.


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Bandeirantes 2021

11/04


2021

PF prende dupla em operação contra pedofilia no Sertão de PE

A Polícia Federal, através de sua delegacia em Salgueiro (PE), deflagrou na manhã de hoje a Operação Protect I, para cumprimento de dois mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão, na intenção de coibir prática de crimes de estupro de vulnerável e pornografia infantil contra uma criança de apenas 5 anos de idade. A ação ocorreu nas cidades de Araripina (PE) e Caldeirão Grande do Piauí (PI).

A investigação contou com o auxílio da Interpol e retratou um gravíssimo caso de abuso sexual infantil intrafamiliar. A suspeita é de que o crime venha sendo praticado desde agosto de 2020 pelo pai da vítima.

Os abusos contra a menor eram registrados em vídeos e imagens e posteriormente compartilhados na rede mundial de computadores através da chamada DeepWeb. O material pornográfico era produzido pelos próprios investigados e difundido entre outros usuários da rede.

A Interpol mantém um banco de dados de imagens de abuso sexual infantil, o qual é alimentado por policiais de 61 países membros e pela Europol. O Brasil faz parte dos países autorizados e certificados para a utilização do sistema desde 2009.

Nesse contexto, a Polícia Federal instituiu uma Força Tarefa composta de policiais federais e civis, treinados na referida ferramenta da Interpol, que tem por objetivo a identificação das crianças brasileiras vítimas de abuso.

Salienta-se que o Brasil, como país membro da Interpol, aderiu à resolução 08 da Assembleia Geral da Interpol em 2011, por meio da qual se comprometeu a promover o gerenciamento de material de operações voltadas ao combate ao abuso sexual infanto-juvenil de maneira centrada na vítima. 

Os dois presos foram conduzidos à Delegacia da Polícia Federal em Salgueiro, onde foram autuados pelos crimes de Estupro de vulnerável e produção e difusão de pornografia infantil. 


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11/04


2021

Blog completa hoje 15 anos de sucesso

Neste domingo, 11 de abril, este blog vira, oficialmente, debutante. São 15 anos levando ao leitor a melhor, mais instantânea e mais abalizada informação, trazendo bastidores da política nacional e regional. Vanguarda no Norte e Nordeste, um dos pioneiros no País, nunca perdeu a liderança em acessos. Em 2020, ano de eleição, agregou três milhões de novos leitores, saindo de 12 para 15 milhões de seguidores, marca imbatível no Norte e Nordeste na especialização em política, segundo o Google Analytics, site que mede a visibilidade dos sites e blogs.

Em razão dos tempos cruéis pontificados pela pandemia, infelizmente não teremos festa. A que assinalou os dez anos, em 2016, ainda está presente na nossa memória. Foi linda, prestigiada e refinada, tendo como cenário a Arcádia, uma das casas de recepções mais chiques do Recife, em Boa Viagem, Zona Sul da cidade. 

Na ocasião, foi editada uma revista contando a história do blog focada no seu pioneirismo. Se Deus virar essa triste página que o mundo vive hoje, quem sabe, mais à frente, não possamos promover um evento para comemorar essa debutância. Por enquanto, ficamos apenas na torcida, imbuídos do propósito de continuar deixando nosso público bem informado, em primeira mão, de todos os fatos da cena nacional e regional.

Minha equipe é top no jornalismo: Ítala Alves, editora; Houldine Nascimento, repórter especial e plantonista de fim de semana; Hylda Cavalcanti, correspondente em Brasília, além dos colaboradores permanentes, como os jornalistas José Adalberto Ribeiro, Tonico Magalhães, Ângelo Castelo Branco e José Nivaldo Júnior, este meu sócio no jornal O Poder. 

Também colaboradores permanentes as advogadas Diana Câmara e Mariana Teles, esta grande poetisa. Na retaguarda administrativa, Geisa Souza, minha secretária, e Marcel Tosta, contato publicitário. O jornalista Nivaldo Araújo, o mais antigo da equipe, que viu o blog nascer e prosperar, por causa de problemas de saúde, não está mais no batente. Faz uma grande falta.

Nos últimos anos, o blog cresceu fortemente nas redes sociais, com destaque para o Facebook, Instagram e Twitter. O canal do YouTube ainda está engatinhando, com cerca de 10 mil seguidores. Faz parte dos nossos planos criar atrativos, como um programa semanal de entrevistas, para atingir a marca de 100 mil seguidores.

Ano de pandemia, 2020 abriu, por outro lado, a janela para entrevistas via live pelo Instagram. Entrevistei personalidades da política nacional da maior relevância, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro, live esta que, vez por outra, ganha destaque na mídia, como o Jornal Nacional e o Fantástico, da Globo.

Novos tempos virão, se Deus quiser, mas tudo com a única preocupação: deixar nosso público leitor cada vez mais bem informado e satisfeito. Agradeço a toda minha equipe, especialmente nossos leitores, nossa razão de tanto trabalho.


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Serra Talhada 2021

10/04


2021

Recife tem maior taxa de mortalidade por Covid na RMR

Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog

Uma reportagem publicada na edição de hoje do Jornal do Commercio revela que o Recife tem a maior taxa de mortalidade por Covid-19 da Região Metropolitana desde o início da pandemia, enquanto o Cabo de Santo Agostinho aparece no topo com a mais elevada letalidade da doença na mesma região.

"No Recife, são 210 mortes pelo novo coronavírus a cada 100 mil habitantes. É um índice maior do que o do Estado (131) e também de capitais mais populosas, como Salvador (175) e São Paulo (194). O indicador do Recife ainda é maior do que o nacional: 161 mortes por 100 mil habitantes. Em relação à letalidade, entre cidades do Grande Recife, de todos os 3.905 casos de covid-19 no Cabo de Santo Agostinho, 9,16% foram a óbito. Já na capital pernambucana, esse índice é de 3,75%", escreveu a repórter Cinthya Leite.

O JC se baseou nos números divulgados, na última quinta-feira (8), no boletim da Secretaria Estadual de Saúde.


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10/04


2021

Bolsonaro vai à periferia do DF e critica novamente STF

Folha de São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu na manhã deste sábado (10) um roteiro de ataques e de desprezo pelas regras sanitárias.

Bolsonaro realizou neste sábado um passeio de moto pela periferia do Distrito Federal e visitou uma casa onde estava um grupo de venezuelanas que migraram recentemente ao Brasil por conta a crise econômica e política da Venezuela, governada pela ditadura de Nicolás Maduro.

Ele e seus auxiliares no local não usaram máscara de proteção facial na conversa com o grupo. Em fala transmitida em suas redes sociais, Bolsonaro atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a quem chamou de 'patife', e reafirmou que não pretende adotar um lockdown nacional para conter a disseminação do coronavírus – medida defendida por especialistas como necessária para frear a disseminação da Covid-19.

O presidente disse ainda que o "nosso Exército" jamais cumpriria uma determinação do tipo e acusou o STF (Supremo Tribunal Federal) de ter conferido "superpoderes" a governadores e prefeitos. "Eu tenho o poder de, numa canetada, fazer um lockdown no Brasil todo, mas isso não será feito. O nosso Exército não vai para a rua para obrigar o povo a ficar em casa. Quem está fazendo isso tudo são governadores e alguns prefeitos. Eu acho que chegou no limite, essa política não está dando certo."

"O nosso Exército nunca irá à rua para forçar você a ficar em casa, nunca. O nosso exército [não] fará qualquer coisa contra a liberdade individual de vocês. E vocês sabem que em todos os momentos que vocês precisaram das Forças Armadas do Brasil, elas estiveram do seu lado; e não ao lado de possíveis governantes com viés ditatorial", afirmou.

Na fala, Bolsonaro aproveitou a presença das venezuelanas para criticar os governos Lula e Dilma, aliados do chavismo na América do Sul. "São pessoas, a grande maioria vindas da Venezuela, o regime que o PT queria impor no Brasil. Jovens, a maioria são mulheres, que fugiram da fome , da violência e da ditadura venezuelana", afirmou, em transmissão no Facebook.

Bolsonaro criticou em diferentes ocasiões governadores e prefeitos que determinaram o fechamento de comércio e restrições de movimentação, numa tentativa de frear a disseminação do vírus. "Dá para admitir no Brasil essa política de lockdwon feche tudo? Toque de recolher?", disse Bolsonaro. "Tudo tem um limite. Eu e todo o meu governo estamos ao lado do povo. Todos os 23 ministérios estão ao lado do povo. Não abusem da paciência do povo brasileiro", complementou. 

Ele citou diretamente Doria e afirmou que o resultado das ações de fechamento de comércio em São Paulo será um pico inflacionário que, segundo o presidente, o governador responsabilizará o governo federal. "Parece que esses caras querem —como esse patife de São Paulo quer — quebrar o estado, quebrar o Brasil para depois apontar um responsável. É coisa de patife, que é esse cara que está em São Paulo e que usou o meu nome para se eleger", disse Bolsonaro.

A fala de Bolsonaro é uma referência ao slogan "BolsoDoria", que marcou o segundo turno das eleições de 2018 e ajudou o atual governador a vencer a eleição. Posteriormente Doria e Bolsonaro romperam.

O presidente se queixou ainda da decisão do STF desta semana que autorizou estados e municípios a fecharem tempos religiosos para impedir aglomerações durante a pandemia. "Lamento superpoderes que o STF deu a governadores e prefeitos para fechar inclusive salas e igrejas de cultos religiosos. É o absurdo dos absurdos".

Na conversa com o grupo de venezuelanas, Bolsonaro voltou a defender o que chama de "tratamento imediato" contra a Covid-19. A expressão, semelhante ao "tratamento precoce", é usada por defensores do uso de substâncias ineficazes para a doença, como a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina.

Bolsonaro é um defensor desses medicamentos, mas tem evitado se referir diretamente a eles diante das diversas críticas de que o tratamento precoce não só é ineficaz como está associado a efeitos colaterais. Dessa forma, o presidente tem mantido o apoio ao uso das substâncias argumentando que os médicos têm liberdade de receitar remédios, mesmos os que não têm eficácia comprovada.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

10/04


2021

Sete homens sem destino

Por Weiller Diniz*

Seis atores políticos se agruparam para ensaiar uma peça em defesa da democracia. Um sétimo personagem teria se recusado a entrar em cena. Não subscreveu o roteiro alegando discordâncias dos diretores que lhe pagam um polpudo cachê mensal. O elenco reunido sugere uma dramaturgia da exclusão, script improvisado, cenário mal iluminado e diálogos desconexos. O cast reduzido e o conteúdo chamam atenção mais pelas ausências e omissões do que pelas assinaturas e afirmações. Vários democratas foram ignorados para a avant première e alguns dos protagonistas não são democratas na vida real, apenas dublês prospectando audições para pantomimas futuras.

No texto, os vilões autoritários não são identificados, não há uma vírgula sobre a defesa da vida, bem supremo da humanidade, e não se propõe nada para encurtar o longa metragem genocida que também gangrena a democracia. Participam do mise-en-scène (“Manifesto pela consciência Democrática”) Ciro Gomes, João Dória, Eduardo Leite, João Amoedo, Luciano Huck e Luiz Henrique Mandetta.

Chamuscado, quem evitou as luzes abrasivas do palco foi Sérgio Moro. Ele é da trupe do filme noir, de tramoias obscuras, trapaças sombrias, responsáveis por um serial killer estar no Planalto batendo todos os recordes de mortes por Covid-19. Graças a seus enredos transgressores, onde atuou como pistoleiro político, a turnê democrática corre riscos.

As locações facciosas de Moro foram censuradas: condução coercitiva sem prévia intimação, monitoramentos de advogados, divulgação de áudios ilegais, atuação ilícita para evitar a soltura de Lula, suspensão do sigilo da delação de Antônio Palocci na eleição, prisões preventivas abusivas e a investidura no cargo de ministro, decorrente da sua sentença condenatória.

Antes Moro operou outras claquetes delinquentes. No artigo sobre a operação “Mãos limpas”, relativizou a presunção da inocência, defendeu a publicidade opressiva, invocou uma “legitimidade” fictícia da Justiça e propôs deslegitimar a classe política, indistintamente. No tablado de Bolsonaro encenou a licença para matar e a prova ilícita, de boa fé. São as lentes fascistas e justiceiras, no pior estilo western. Suas interpretações sempre desfocaram a democracia.

Os 1534 caracteres do texto revelam algumas peculiaridades. No primeiro parágrafo assevera: “a Democracia brasileira é ameaçada”. Os mocinhos mantiveram no anonimato o bandido de tão gravosa intimidação. “A Democracia é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar. Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da Democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado.” Por fim, o manifesto convoca os brasileiros que “apreciam” a liberdade para a união pela defesa da consciência democrática.

Apreciar é um verbo para filmes e peças, mas excêntrico para conjugar com liberdade. As expressões “excesso”, “abuso” e “transgressão” podem explicar a preferência de Moro pelos bastidores do espetáculo. O manifesto é mais um desdobramento da elegibilidade do ex-presidente Lula. Ela tem obrigado vários atores a reverem seus papéis e esconder os figurinos usados para a trama macabra atual. É um ensaio para a terceira via, que já fracassou em bilheterias pretéritas. Além das deslembranças dos principais responsáveis pelo cine-catástrofe do momento, o manifesto é também atrasado. As ameaças democráticas vêm de temporadas passadas.

O capitão ensaiou a ruptura de maneira despudorada em 5 oportunidades no ano passado. Os monólogos autoritários desavergonharam-se em 19/4/2020, em frente ao quartel general do exército. O canastrão, em um teste inicial, disse que não negociaria “nada” e repeliu a “velha política”. Se referia ao centrão, elenco de fominhas refestelados nos camarotes da nova política. No dia 3/5 afirmou no Planalto ter as Forças Armadas. Em 22/5, o contra regra Augusto Heleno ameaçou: “O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Depois de capitular diante do veto a Alexandre Ramagem na PF, em 28/5/2020, vociferou: “Acabou, porra”. Em 27/5, Eduardo Bolsonaro gravou que a ruptura não era “se”, mas “quando”. Em 17/6 a bravata atingiu o ápice ao se insurgir contra a quebra do sigilo de aliados: “Eles estão abusando… está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”. O capitão se referia aos protagonistas do STF, onde perde todas. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro recusou “radicalizar”. No dia seguinte Fabrício Queiroz foi enjaulado. O gênero pornográfico das “rachadinhas” forçou o recuo, silenciou os corneteiros da quartelada e o golpe saiu de cartaz até ser relançado recentemente, abrindo uma crise militar. Ela redundou no rompimento do capitão com o Alto Comando das Forças Armadas, que recusou a dublagem na película golpista.

No passado estes mesmos astros do manifesto democrático não davam tanta audiência às trilhas golpistas. Dois deles foram vedetes do fiasco no ministério de Bolsonaro: Sérgio Moro (MJ) e Luiz Henrique Mandetta (MS). Os dois governadores tucanos, que agora legendam o libelo, coadjuvaram em vídeos eleitorais com o capitão. Outros dois, João Amoedo e Luciano Huck, são figurantes na cena política, mas macacas de auditório de Bolsonaro desde sempre. Apenas Ciro Gomes é oposição original, embora na panorâmica eleitoral que elegeu o malfeitor e antidemocrático, o cearense tenha optado por se esconder em outras salas de exibição mais refrigeradas. Em algum lugar do passado ele preferiu passar a meia noite em Paris.

Alguns querem esquecer o verão passado, mas são cúmplices das mãos que balançaram o berço em 2018. Nos 27 anos de quase absoluta vadiagem, o capitão ficou famoso por falas e enredos autoritários. Foi cortado do exército por ameaças de explodir quartéis. Concedeu entrevistas admitindo golpes, pregou o “fuzilamento” de adversários e faz da apologia a ditaduras e carniceiros um seriado de terror: “Eu louvo o AI-5”; “O erro da ditadura foi torturar e não matar”; “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim”; “Desaparecidos do Araguaia? Quem procura osso é cachorro”; “No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique”; “Pinochet devia ter matado mais gente.”

Os homens do panfleto aplaudiram, contribuíram ou assistiram a montagem dos episódios ditatoriais. Até os assistentes atuando no escurinho do cinema, na Lava Jato, reconheceram suas atuações medíocres. A procuradora Jerusa Viecili enviou o alerta a Deltan Dallagnol: “Temos que entender que a FT (força tarefa) ajudou a eleger Bozo, e que, se ele atropelar a democracia, a LJ (Lava Jato) será lembrada como apoiadora”.

Além da reprise do triller, a procuradora reconheceu: “Agora, com a ‘comemoração da ditadura’…estamos em silêncio nas redes sociais. Não prezamos a democracia? concordamos, como os defensores de bozo, que ditadura foram os 13 anos de governo PT? a LJ (Lava Jato) teria se desenvolvido numa ditadura?”. Viecili parece ser carne e osso e não só personagem. Ela, única a reconhecer os diálogos, se desculpou com Lula pelo deboche na morte da ex-primeira-dama: “Errei”.

O libreto da trupe, portanto, não é uma narrativa da defesa conceitual da Democracia. São efeitos especiais políticos, biombo para tentar reagrupar ambições do campo da direita ou daqueles maquiados de centro direita. Representam os personagens de Luigi Pirandello que, recusados pelo criador, buscam outros autores para novos scripts e melhores projeções. A defesa da democracia é imperativo da cidadania, sempre será necessária, mas quando é circunstancial ou casuística adquire tons burlescos. Nas sondagens eleitorais recentes, os 7 homens do centro, ainda não encontraram um destino. Somados, eles se igualam ou ficam abaixo dos dois nomes que lideram as pesquisas. Até aqui, a plateia não se empolgou com eles.

O manifesto é ainda um curta metragem voluntarioso. Os signatários têm pouca ou nenhuma influência no enredo de suas legendas. Os tucanos, com dois governadores assinando o documento, se bicam para enfraquecer Aécio Neves. João Dória perdeu dois duelos pela expulsão do mineiro e, recentemente, amargou a recondução de Bruno Araújo ao comando do PSDB. O DEM, de Mandetta, tem ministros no governo e o presidente da sigla fortaleceu Bolsonaro ao derrotar o candidato de Rodrigo Maia na Câmara. O prestígio de Amoedo envelheceu no Novo, de posturas tão arcaicas que lembram o cinema mudo, em preto e branco. Huck se inclina pelos estúdios televisivos, onde a claque é dócil e previsível. Ele não tem partido (especula-se o Cidadania) e Ciro Gomes depende de Carlos Lupi.

Iluminando a retrospectiva dessas legendas em votações de interesse do governo no Congresso, um zoom revelador. Os campeões de fidelidade a Bolsonaro, após o PSL (97%) e Patriotas (94%), estão no DEM (93%), Novo (92%), PSDB (92%) e Cidadania (87%). Os percentuais referem-se aos votos convergentes com a orientação do líder do governo. Exceto o PDT, as legendas do manifesto apresentaram altas taxas de lealdade ao governo nas votações decupadas pelo site “Congresso em foco”, divulgadas no final de 2020. O divórcio entre os caubóis do filme “Sete homens e um destino” e os colonos da base partidária, torna a ambição dos primeiros em uma refilmagem de “sonho de uma noite de verão”.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no portal Os divergentes.


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10/04


2021

Sebá viabiliza instalação de poços artesianos no Sertão

"Água representa vida, liberdade e comida na mesa. Na região do Sertão, principalmente, a seca causa sofrimento e morte. Por isso, uma das principais prioridades do meu mandato é beneficiar o maior número possível de famílias, com a oferta de água”, destacou o deputado federal Sebastião Oliveira (Avante), que conseguiu implantar, através de recursos oriundos de emendas parlamentares de sua autoria, mais dois poços artesianos em Tacaratu, município do Sertão do Itaparica.

Desta vez, as localidades contempladas foram os Sítios Agreste e Barriguda. Apenas, do ano passado para cá, o esforço do parlamentar resultou na instalação de poços artesianos em 23 cidades pernambucanas. A iniciativa beneficiou centenas de famílias. Todos os equipamentos utilizam energia solar, que contribuem com a proteção do meio ambiente e levam economia para o bolso de quem mais necessita.

De acordo com Sebastião, em 2021, o ritmo acelerado de perfuração de poços será mantido: “Assegurei novos recursos para que mais pernambucanos e pernambucanas sejam beneficiados. Vamos garantir água para a lavoura e para a criação de animais, isso significa garantir geração de renda e melhoria para a qualidade de vida, sobretudo, nesses tempos difíceis de pandemia”, concluiu Sebá.


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10/04


2021

Jaboatão isenta 44 mil famílias de pagar iluminação pública

Aproximadamente 44 mil famílias de baixa renda do município do Jaboatão dos Guararapes ficarão isentas da Contribuição de Iluminação Pública (CIP). A medida é válida para os próximos meses de maio e junho e beneficia consumidores cadastrados no CadÚnico com consumo mensal de até 220 kw/mês. A lei foi sancionada pelo prefeito Anderson Ferreira (PL) e publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Município.

“É dever do poder público procurar alternativas para minimizar os impactos causados na sociedade pela pandemia do novo coronavírus. Nossa gestão tem implementado uma série de medidas fiscais, econômicas e sociais com o objetivo de aliviar o peso que as ações para conter o vírus têm imposto. Essa busca por alternativas tem sido um exercício diário e um compromisso meu como prefeito do Jaboatão”, disse Ferreira.


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10/04


2021

PM afirma que coronel Tavares foi promovido

Envolvido em uma confusão com o deputado estadual Joel da Harpa (PP), com quem chegou a trocar empurrões na última quinta-feira (8), o ex-comandante do 6º Batalhão da Policia Militar de Pernambuco, Alexandre Tavares, foi promovido. É o que atesta a própria PM por meio de nota.

Oficialmente, esta foi a razão para Tavares deixar o posto de chefia do 6º BPM. Antes, ele ostentava a patente de tenente-coronel.

Confira o comunicado na íntegra:

"Desde sexta-feira (02), quando foram publicadas as promoções anuais da Polícia Militar de Pernambuco, já estava definido que todos os tenentes coronéis que foram alçados ao posto de coronel, o mais alto do oficialato, deixariam o comando de suas Unidades, como aconteceu com Alexandre Tavares ( 6º BPM), Cleto (5º BPM), Evangelista (1º BPM) e Câmara Júnior (BOPE), por uma questão de ordem legal, pois o comando de Batalhão é cargo exclusivo para tenentes coronéis, e em algumas exceções, majores.

O coronel Tavares estará assumindo uma função estratégica na cúpula da PMPE, inerente ao seu novo posto, onde poderá contribuir com sua experiência para otimizar o desempenho da Corporação."


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