18/01


2021

As lições pós-pandemia de Fareed Zakaria

Por Maurício Rands*

Na última coluna, comentei os primeiros cinco temas tratados por Zakaria em seu recente livro (Ten Lessons for a Post-Pandemic World, 2020). Agora, trato das outras cinco lições.

1. Somos animais sociais. A ONU estima que em 2050 mais de dois terços da população viverão em cidades. Zakaria mostra por que as cidades proporcionam tantas vantagens às pessoas. Proximidade e diversidade potencializam a criatividade, a inovação e o comércio. Tudo isso aumenta a produtividade, que é o motor do desenvolvimento de animais sociais como os humanos. A pandemia legou-nos a percepção de que as cidades precisam mudar. De cidades compartimentalizadas podemos evoluir para cidades integradas na diversidade de suas múltiplas funções: residência, trabalho, comércio, indústria, serviços, lazer. Uma cidade de 15 minutos, como propõe o novo plano da prefeita Hidalgo para Paris. Em que todos estejam a uma distância viável a pé ou de bicicleta de todos os lugares em que precisam estar. Por isso, o antigo movimento do NIMBY (‘not in my backyard’) está sendo substituído pelo californiano movimento YIMBY (“yes in my backyard”) para que as cidades reúnam todas as atividades necessárias à vida. O isolamento durante a pandemia relembrou-nos das vantagens de termos cidades abertas onde possamos conviver.

2. As desigualdades vão aumentar. Estudos calculam que entre 70 e 430 milhões de pessoas voltarão à extrema pobreza nos próximos anos. Pelo elementar motivo de que a pandemia deslocou economicamente os que já eram desfavorecidos. Geográfica ou socialmente. Os países não desenvolvidos sofreram mais. E os pobres, em todos os lugares, foram mais duramente atingidos pela pandemia.

3. A globalização não está morta. A Covid-19, de início, impeliu governantes ao apelo fácil do populismo nacionalista e protecionista. “Temos que mudar a dinâmica das cadeias mundiais de suprimentos”, foi a resposta senso-comum. Ocorre que a reconstrução da produção doméstica contraria a grande força da vantagem comparativa. A especialização. E, portanto, a maior produtividade na criação dos mesmos bens e serviços. Afinal, a globalização surgiu do fato econômico óbvio de que é mais fácil para qualquer país se especializar em certas áreas. Ademais, a economia digital é global pela própria natureza. E ninguém desconhece que, para elevar seu padrão de vida, as nações precisam encontrar meios de vender e comprar do resto da humanidade.

4. O mundo está se tornando bipolar. Muito se fala de um declínio americano. Um país que tem mais mortes por armas de fogo e por violência policial discriminatória. A maior população carcerária do planeta. Sem sistema de saúde universal e com profunda divisão racial. Não obstante, o país segue sendo o mais avançado tecnologicamente. A reserva mundial de valor segue sendo o dólar e é seu o maior poderio militar do planeta. Por outro lado, a ascensão da China tem sido vertiginosa. Ela que, até o Século 14, sempre foi a maior economia. Voltará a sê-lo no máximo até 2050. Hoje, a parcela chinesa do PIB global é a segunda, maior que a soma dos quatro países que se seguem no ranking. Constatando que a corrente de comércio entre as duas atuais superportências chega a US$ 2 bilhões por dia (o mesmo valor que EUA e URSS, na guerra fria, faziam em um ano), ele deduz que existem fortes incentivos para a cooperação entre os EUA e China. Esta interdependência que abrange outras regiões produziu um mundo mais multilateral, embora com alguma dose de bipolaridade que pode ou não reproduzir uma situação de guerra fria.

5. Às vezes os maiores realistas são os idealistas. Uma primeira resposta à pandemia foi a de um esforço nacional individual. Mas, em seguida, viu-se que as cadeias produtivas globais tinham que ser acionadas. Assim como a cooperação internacional. Aprendendo com o multilateralismo dos presidentes americanos Woodrow Wilson, Roosevelt, Truman e Eisenhower, Zakaria conclui que mesmo líderes que chegaram ao poder com forte dose de pragmatismo depois descobriram que a cooperação pode produzir resultados mais concretos do que o protecionismo nacionalista. Os países com lideranças responsavelmente idealistas (e pragmáticas) saíram-se melhor na crise da Covid-19. Outros, com lideranças fracas, incompetentes e pouco idealistas, como EUA, Reino Unido e Brasil, não conseguiram reduzir o impacto da pandemia. Zakaria conclui seu livro enfatizando que as escolhas estão abertas. Ao invés de acentuar confrontações como a dos EUA vs China, podemos fazer escolhas. Tentar criar a vontade política para viabilizar a cooperação para enfrentar as próximas pandemias, as mudanças climáticas, a pobreza e as guerras cibernéticas. Por sabermos que não existem destinos previamente escritos e definidos.

*Advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford


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Cabo 2021

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01/03


2021

Petrobras anuncia reajuste de 5% na gasolina e no diesel

A Petrobras anunciou, na manhã de hoje, novo reajuste de preços dos combustíveis. A gasolina sofrerá uma alta de R$ 0,1240 nas refinarias, o que equivale a 5%. Já o diesel teve acréscimo de R$ 0,1294, ou 5%. As informações são do Poder 360.

Eis os preços:

  • gasolina – era de R$ 2,48. Foi para R$ 2,60.
  • diesel – era de R$ 2,58. Foi para R$ 2,71.

O aumento de preços de combustíveis foi o pivô de uma troca no comando da Petrobras, anunciado pelo seu acionista majoritário, o governo federal. O presidente Jair Bolsonaro decidiu não renovar o contrato com o atual presidente da estatal, Roberto Castello Branco. Ocorre que o mandato de Castello Branco só termina em 20 de março de 2021 e até lá a empresa poderá continuar a aplicar sua atual política de alta nos preços.

Hoje, para compor os valores, a Petrobras considera o preços internacionais e a cotação do dólar, entre outros itens. O governo federal gostaria que a Petrobras considerasse uma espécie de média móvel desses indicadores ao longo de um período mais longo, de 10 ou 12 meses, e que desse mais previsibilidade aos aumentos dos combustíveis. Castello Branco se negou a fazer esse ajuste e não teve seu mandato renovado. Deve ser substituído no final deste mês pelo general Joaquim Silva e Luna. Até lá, novos reajustes podem ser adotados.

Bolsonaro ficou irritado com o aumento do dia 18 de fevereiro e anunciou, no mesmo dia, que zeraria por 2 meses todos os impostos federais que incidem sobre o óleo diese a partir de hoje (1º.mar). Ocorre que com os aumentos aplicados pela Petrobras, o efeito de menos impostos pode ser neutralizado pelos reajustes.

A preocupação do Palácio do Planalto é que os aumentos no diesel acabem precipitando um movimento de paralisação de caminhoneiros. Essa eventual greve tem sido sempre anunciada, por causa dos reajustes nos preços dos combustíveis.


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01/03


2021

Deputado denuncia ser alvo de Eduardo Bolsonaro

Depois da troca de mensagens ríspidas com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o também deputado federal paraibano Julian Lemos (PSL) disse que é o principal alvo da “Gestapo” do filho do presidente, numa referência à polícia secreta oficial da Alemanha Nazista e na Europa ocupada pelos alemães. O parlamentar paraibano completou: “Eu sou o alvo da Gestapo de Eduardo Bolsonaro. O principal deles, se algo me acontecer já sabem”.

No Twitter, Lemos compartilhou uma manchete sobre pagamentos em espécie do filho do presidente para compra de imóveis do Rio de Janeiro. O caso é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).


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Banner Jaboatao 2021

01/03


2021

Caruaru: Raffiê propõe criação de auxílio para artistas

Levando em consideração a quase nula possibilidade de ser realizado a edição do São João de Caruaru deste ano, o presidente do PSD municipal, Raffiê Dellon, encaminhou um ofício ao Poder Executivo propondo a criação de um grupo de trabalho, envolvendo as Secretarias de Planejamento, de Finanças, o Conselho Municipal e a Fundação de Cultura, no intuito de elaborarem a implementação do auxílio emergencial para os artistas da cidade. 

De acordo com Raffiê, quanto antes isso for trabalhado, menos os profissionais irão sofrer. “Caruaru é um celeiro de artistas e talentos, que já em 2020 ficaram com uma mão na frente e outra atrás. São famílias, são pais, mães que dependem desse trabalho para a sobrevivência, que esperam o ano todo pelo mês de junho. Do repentista ao trio pé-de-serra. Três meses, apenas, nos separam do mês junino”, comentou.


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01/03


2021

Governadores afirmam que Bolsonaro promove conflito

Poder 360

Em nota divulgada na manhã de hoje, 16 governadores criticaram o governo federal por “priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população” ao publicar “má informação” e promover conflitos entre a sociedade e Executivos estaduais.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro e órgãos do governo federal publicaram nas redes sociais dados sobre repasses feitos pela União aos Estados para o combate à pandemia do novo coronavírus no país.

Na nota, os governadores afirmam que as informações divulgadas estão “distorcidas” e têm o objetivo de “gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”. Eles ainda manifestaram“preocupação em face da utilização, pelo governo federal, de instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público” para ações que vão contra os Executivos estaduais.

No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro postou no domingo os valores que cada ente da Federação recebeu em 2020 levando em conta os repasses sem relação direta ao combate à pandemia. Engloba tanto valores diretos (saúde, por exemplo) quanto indiretos (como suspensão de dívidas).

No total, o governo federal informou que R$ 847 bilhões foram repassados aos governos regionais até 15 de janeiro de 2021, segundo o presidente. Em auxílios, foram R$ 293,8 bilhões.

“Adotando o padrão de comportamento do Presidente da República, caberia aos Estados esclarecer à população que o total dos impostos federais pagos pelos cidadãos e pelas empresas de todos Estados, em 2020, somou R$ 1,479 trilhão. Se os valores totais, conforme postado hoje, somam R$ 837,4 bilhões, pergunta-se: onde foram parar os outros R$ 642 bilhões que cidadãos de cada cidade e cada Estado brasileiro pagaram à União em 2020?”, questionam.

“Mas a resposta a essa última pergunta não é o que se quer. E sim o entendimento de que a linha da má informação e da promoção do conflito entre os governantes em nada combaterá a pandemia, e muito menos permitirá um caminho de progresso para o país”, defendem.

De acordo com os governadores, os valores apresentados por Bolsonaro são repasses obrigatórios previstos na Constituição.

“Nesse sentido, a postagem hoje veiculada nas redes sociais da União e do Presidente da República contabiliza majoritariamente os valores pertencentes por obrigação constitucional aos Estados e Municípios, como os relativos ao FPE, FPM, FUNDEB, SUS, royalties, tratando-os como uma concessão política do atual Governo Federal. Situação absurda similar seria se cada Governador publicasse valores de ICMS e IPVA pertencentes a cada cidade, tratando-os como uma aplicação de recursos nos Municípios a critério de decisão individual”, dizem na nota.

No valor total, os gestores estaduais afirmam ainda que foram incluídos montantes utilizados para pagamento do auxílio emergencial, que definem como uma “iniciativa do Congresso Nacional”, além de suspensões de pagamentos de dívida federal por decisão judicial antes da pandemia.

Eis os governadores que assinam o texto:

  • Renan Filho (MDB), governador de Alagoas;
  • Waldez Góez (PDT), governador do Amapá;
  • Camilo Santana (PT), governador do Ceará;
  • Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo;
  • Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás;
  • Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão;
  • Helder Barbalho (MDB), governador do Pará;
  • João Azevêdo (PSB), governador da Paraíba;
  • Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná;
  • Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco;
  • Wellington Dias (PT), governador do Piauí;
  • Cláudio Castro (PSC), governador do Rio de Janeiro;
  • Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte;
  • Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul;
  • João Doria (PSDB), governador de São Paulo;
  • Belivaldo Chagas (PSD), governador de Sergipe.


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Petrolina 2021

01/03


2021

Que as águas de março carreguem o vírus da morte

Março chegou hoje, literalmente, com suas águas inundando Recife. Quem nunca cantou Elis Regina e Tom Jobim: "É uma cobra, é um pau, é João, é José. É um espinho na mão, é um corte no pé. São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração".

Que as águas de março tragam paz aos corações que se encontram aflitos e muito amor aos que precisam. Que preserve a felicidade àqueles que já as possuem e seja um mês de grandes conquistas a todos.

Março é das mulheres. Celebram o seu dia internacional. 

Aos que não sabem nem se detém a detalhes, o nome "março" surgiu na Roma Antiga, quando era o primeiro mês do ano e  chamava-se Martius, de Marte, o deus romano da guerra. Em Roma, onde o clima é mediterrânico, março é o primeiro mês da primavera, um evento lógico para se iniciar um novo ano, bem como para que se comece a temporada das campanhas militares.

Março marca o início dramático, há um ano, do agravamento da pandemia, que nos roubou afeto, carinho, distanciou a humanidade, jogou tristeza onde havia alegria. Nos roubou para a eternidade gente que amávamos, entre amigos, parentes e ídolos.

Este é o março ainda tênue e doloroso, de sofreguidão, mas, diferente do março passado, abriu a janela da esperança depositada na vacina. Que todos possam se imunizar, que as dores desta doença do fim do mundo fiquem no passado.

A pandemia não pode continuar a maltratar nossos corações. Que março chegue diferente, capaz de levar a razão a andar de mãos dadas com os sentimentos, não permitindo nenhum tipo de aproximação com ilusão. Que seja um março em que as folhas que caem como a marca de um novo tempo deem espaço a coisas novas. 

Eu, particularmente, começo março feliz. No seu quinto dia o sol brilhará com mais intensidade em comemoração aos 13 aninhos do meu filho Magno Martins Filho, que Deus assim o batizou para continuar minha obra. Eu amo meus filhos com tamanha intensidade que as vezes não me contento apenas com suas presenças. Toco neles o tempo todo, com abraços e beijos. Faço declarações de amor. É o maior amor do mundo. Nada igual.

Viver ao lado de filhos é amar sem limites. É sempre entender onde estão os recomeços. Espero que março traga uma novidade, a chegada de uma estação que limpe o que está velho e exalte o que é novo. Que possamos dizer: as águas de março e suas folhas venham cair, mas renovando e expurgando o vírus da morte. É março trazendo águas calmas para a vida de quem quiser enxergá-lo como ele realmente é.


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Serra Talhada 2021

01/03


2021

Candidato da oposição denúncia casuísmo na UVP

Escolhido candidato das oposições para a eleição da UVP – União dos Vereadores de Pernambuco, depois de vários candidatos chegarem ao um consenso em torno do seu nome, Zé Raimundo (PP), vereador de Serra Talhada, denunciou, hoje, que a eleição da entidade, da forma que foi convocada, está com fortes indícios de casuísmo, visando beneficiar  a chapa governista, impondo graves riscos à saúde dos vereadores(as) e da população.

De acordo com a convocação publicada, a eleição foi marcada para dia 12/04, em um Hotel na praia de Gaibu, município do Cabo de Santo Agostinho, cujas reservas de hospedagens para a data da eleição foram todas estranhamente e antecipadamente bloqueadas pela chapa governista.

O tempo da eleição é curto, das 7:00 às 13:00, fato que ocasionará aglomerações, devido a obrigatoriedade do voto presencial. “Neste exíguo tempo, a aglomeração será grande, com sérios riscos, devido as condições de agravamento da pandemia da COVID-19 e o grande número de vereadores com direito a voto. Na verdade, o que eles querem é favorecer a chapa governista, facilitando a participação de apenas os vereadores que estão hospedados no hotel e beneficiados com hospedagem gratuita. É casuísmo  que tenham bloqueado todo o hotel antes mesmo de publicarem o edital da eleição” declarou Zé Raimundo.

“A UVP precisa de novos tempos, de transparência, pois atualmente não presta contas de suas finanças de nenhuma forma, precisamos recuperar sua respeitabilidade, e não será com um processo eleitoral temerário que vai recuperar seu respeito”, afirmou também o vereador João chaves do município de São Caetano, candidato a vice na chapa de Zé Raimundo.


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01/03


2021

Partidos Políticos e Integridade: a ética não tem partido

Por Mariana Teles*

Governança, Compliance e Integridade são conceitos que embora se diferenciem na forma como se desenvolvem, encontram-se no mérito do que propõem: a ética. No primeiro instante relacionados à atividade empresarial, todos invadiram a gestão pública modificando desde à legislação até a própria dinâmica organizacional, conferindo de uma só vez, mais eficiência, transparência e controle social. As práticas de governança, as medidas de conformidade e os programas de integridade são mecanismos de estratégia, liderança e controle que buscam internalizar altos padrões de conduta e conferir às relações mais confiabilidade, capacidade de resposta dos serviços e internalizar a ética como pressuposto de qualquer comportamento.

Os partidos políticos, “ferramentas” indispensáveis ao exercício da democracia são ao mesmo tempo causa e consequência da crise de representatividade que o Brasil atravessa nas últimas décadas. Disciplinados com natureza jurídica de direito privado nos termos dos art. 17, §  2º da CF e art. 1º da Lei dos Partidos Políticos são responsáveis não só pela arregimentação de pessoas em torno de um mesmo projeto  (já que dizer ideologia é ironizar com a quantidade de partidos registrados no TSE), bem como o uso de recursos públicos e sua organização estatutária. Possuem forma e organização de “empresa”, mas dialogam e atuam junto com o que há de mais caro no direito público: a democracia.

Não obstante, em 2019 o instituto DATAFOLHA aferiu em pesquisa o grau de confiabilidade dos brasileiros nas agremiações partidárias. Dentre 10 instituições, três relacionadas ao universo da representação política lideram empatadas como as menos confiáveis do país. Sete em cada dez (68%) declararam não ter confiança nos partidos políticos, 67% declararam não ter confiança no Congresso Nacional (o índice mais alto da série histórica), e 64%, na Presidência da República.

É urgente entender que a crise de representatividade oriunda dos escândalos de corrupção na gestão pública não começa dentro do exercício dos mandatos. Tem raízes profundas e nasce muito antes. Cresce e se afirma na atividade partidária, no desvio de recursos dos fundos partidário e eleitoral, na captação ilícita de verbas e de sufrágio, e naturalmente quando chegam ao poder operacionalizam a engrenagem pública para retroalimentar os esquemas, invadindo estatais, comprometendo ministérios e afastando definitivamente o cidadão brasileiro da saudável e necessária participação na vida democrática do pais.

Mas o que isso tem a ver com Compliance, Governança e Integridade? Todas essas ferramentas buscam em comum a internalização de posturas éticas em nossas relações, maior grau de controle e transparência e, sobretudo, a eficiência. Se já se consolidaram como indispensáveis na atuação privada e avançam a passos largos para cultura organizacional da administração pública, portanto, qual a lógica de se excluir os partidos políticos desse movimento civilizatório?

O PL 429/2017 busca justamente alterar a Lei dos Partidos Políticos (9.096/1995) com a finalidade de exigir destes o cumprimento de normatizações relativas à programas de integridade. Pronto para deliberação do plenário desde dezembro de 2019, elege ainda como objetivo determinar que cada partido fique obrigado a prever o programa de integridade em seu respectivo estatuto, com a definição de um conjunto de mecanismos internos de controle, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades, bem como uma estratégia para aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta, política e diretrizes. Tudo isso para que seja possível detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e outros ilícitos praticados ou atribuídos ao partido.

O combate à corrupção não pode nem deve começar pelos fins sem atingir os meios. Os partidos políticos estão invariavelmente no meio de todo esse percurso entre a corrupção e a impunidade, entre o período eleitoral e o exercício do mandato. Tem vida própria, e mais que vida, os partidos tem recursos próprios. Corrigir um déficit ético atemporal não é um movimento de fora para dentro, muito menos solucionado com a aprovação de mais uma legislação. É um fenômeno cultural e sistêmico, que precisa ocorrer também de forma pedagógica e preventiva, pois, na pior das hipóteses, se não salvar uma geração inteira, estará plantando sementes de uma nova cultura de pensamento político para as próximas.

A necessidade de aplicação de programas de compliance ou de integridade no âmbito das organizações privadas e públicas é um caminho sem volta, desde a vigência da lei anticorrupção (lei 12.846/13). Atingir as instâncias partidárias através da obrigatoriedade gerada em lei é um passo cultural importante na caminhada que almeja recuperar a essência perdida da representatividade. Se bem souberem os partidos e seus respectivos reis e rainhas, é chegada a hora de um reset interno, que deve atingir todos os outros pontos sensíveis (que não são poucos), mas de partida começar sobretudo pelo que mais importa recuperar no momento: a ética.

É hora de um movimento suprapartidário para salvar os partidos de suas próprias armadilhas, construídas pelos seus próprios líderes e alimentada por um sistema ordenado e cíclico que aluga a democracia e leiloa a representação. Numa soma que todo mundo perde, ou se mexe nas estruturas ou não se vencerá a crise de confiabilidade e reputação que não tem cores, nem extremos. É de direita, de esquerda, de centro e partilham das mesmas estratégias e vicissitudes. Investir em um sólido programa de integridade é mais do que uma alternativa para os partidos políticos, é a única saída para começar a recuperar a dignidade das siglas, o respeito às normas e aos cidadãos. O gestor corrupto do mandato não nasce depois da posse, quem é governo hoje é partido sempre, o bom exemplo de ética deve começar internamente, na direção dos partidos, e no respeito ao dinheiro público.

Em pouco tempo a exigência partirá da legislação e só assim os diretórios nacionais, estaduais e municipais partirão para cumprir a obrigatoriedade. Haverá programas de compliance voando a céu aberto, ou como se diz na minha terra, “de se puxar com o rodo”. É necessário, entretanto, que os dirigentes compreendam que estarão diante de uma oportunidade única dada pela lei para iniciarem uma verdadeira transformação cultural. Devem investir tempo, energia, recursos e articulação na construção de um sólido plano de integridade, uma verdadeira “arregimentação’’ dos seus filiados para internalizarem a cultura de conformidade e as boas práticas de conduta. Não existe solução fácil para problema difícil, nem é com “ctrl c” e “ctrl v” que se recupera a integridade de uma agremiação.  É chegado o tempo de passar a limpo a ‘’administração’’ dos partidos e finalmente devolver a sociedade o ideal de representatividade arrastado pelos vendavais da corrupção.

Compliance comunica antes de tudo os valores de determinada organização. Uma ousada reforma partidária precisa comunicar quais os valores que lhe formam e que fazem sentido para o Brasil real. Os valores que dialogam com os anseios da população e que rompem definitivamente com as velhas práticas. Não é mais uma questão de opção. É o caminho para reencontrar o exercício pleno da cidadania, o vigor da militância e construir uma nova era dos partidos políticos para o fortalecimento da combalida democracia brasileira.

*Advogada com atuação em Compliance Público. Coordenadora de Compliance da Escola Superior de Advocacia de Pernambuco. Membro da Comissão de Estudos sobre Compliance e Combate à Corrupção da OAB PE. Consultora de Compliance e Integridade da Assembleia Legislativa de Pernambuco.


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Jornao O Poder

01/03


2021

Semana começa com chuva forte e alagamentos

A segunda-feira (1º) começou com muita chuva e pontos de alagamento no Recife. A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu alerta para a possibilidade da sequência de chuvas fortes em quase todo o Estado. As informações são do Portal FolhaPE

Segundo o monitoramento da Apac, choveu 49,20 mm nas 24 horas contadas até 8h10 na região do Porto do Recife.

Na região do bairro de Santo Amaro, na área central do Recife, a precipitação foi de 46,54 mm no mesmo intervalo. Já na área do Alto do Mandú, na Zona Norte, a chuva foi de 35,14 mm.

Pontos de alagamento foram registrados em áreas como as avenidas Agamenon Magalhães, dr. José Rufino, Caxangá e Mascarenhas de Moraes e a rua Agamenon Magalhães Melo, no bairro do Rosarinho. 

Até o momento, não houve registro de ocorrências de destaque atendidas pela Defesa Civil do Recife.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

01/03


2021

Promotores vão ganhar auxílio saúde de R$ 2 mil

EXCLUSIVO

Em tempos de pandemia, com a economia sangrando e o desemprego em ritmo avassalador, o procurador-geral de Justiça de Pernambuco, Paulo Augusto, recentemente nomeado pelo governador Paulo Câmara, baixou uma resolução imoral, na qual concede um auxílio de saúde no valor de R$ 2 mil para todos os promotores, servidores do quadro na ativa e pensionistas.

Segundo o blog apurou, o benefício pode contemplar mais de duas mil pessoas por mês, levando-se em conta que só promotores são mais de 400, enquanto os servidores ativos passam de 1 mil. "Uma vergonha", relatou um servidor da casa. Segundo ele, Paulo Augusto age como se os promotores não tivessem, coitadinhos, um salário digno para pagar plano de saúde.

A resolução, que o blog teve acesso e publica com exclusividade, não precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa. A imoralidade, portanto, é de responsabilidade do próprio procurador geral.


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Comentários

Daniel Pena e Torres

Prezado Magno, bom dia. Gostaria de esclarecer, como servidor da casa que a informação \"concede um auxílio de saúde no valor de R$ 2 mil para todos os promotores, servidores do quadro na ativa e pensionistas\" está incorreta. Nenhum SERVIDOR receberá esse valor. Há duas tabelas para os servidores, em relação à faixa etária e ao limite a ser recebido, sendo obrigatória a comprovação de gastos com o plano de saúde. Como você pode ver nas duas tabelas ainda que o servidor tenha 59 anos (Anexo III) ele está sujeito ao limite do Anexo IV. E obviamente, como servidores, não chegamos ao valor da última linha do Anexo IV. Apenas para ressaltar os servidores já recebem um auxílio e a resolução do MPPE se adequa à Resolução do CNMP. Pode ser questionado qualquer fato em relação a isso, mas não pode se dizer, em nenhuma hipótese, que todos os servidores receberão o valor noticiado pelo blog. Certo de sua compreensão e grato pela atenção.



01/03


2021

Nelson e Brecht, o feijão e o sonho

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O dramaturgo alemão Bertolt Brecht e o poeta russo Maiakovski, ambos gurus dos vermelhos e infravermelhos, e o teatrólogo cronista Nelson Rodrigues, guru da direita, são personagens do bicho-grilo Adalbertovsky em sua cantoria nas montanhas da Jaqueira. “Há homens que lutam um dia, e são bons;/ há outros que lutam um ano e são melhores;/ há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons;/ porém há os que lutam toda a vida;/ estes são imprescindíveis”. 

“Revolucionário nas artes, Brecht lutou contra a opressão nazista na Alemanha, década de 1930, e reinou acima das misérias da humanidade na primeira metade do século passado. Hoje reina como guru dos vermelhos e infravermelhos em todas as latitudes. Os poetas e artistas sonhavam com o “assalto aos céus” para implantar a utopia socialista”. Os tiranos, os genocidas e seus sequazes assaltaram o poder para implantar o terrorismo comunista".

“O poeta revolucionário Maiakovski matou-se de tristeza por sua bela amada Lilitchka e de desencanto diante das tragédias da revolução bolchevique. Brecht seguiu na estrada em busca da salvação dos “proletários do mundo, uni-vos!” O comunismo e o nazismo se equivalem em genocídios na história da humanidade". 

“Brecht foi um Nelson Rodrigues marxista que falava alemão. Ou ao contrário, o genial Nelson foi um Brecht que falava português. De pensamento político conservador, Nelson revolucionou o teatro brasileiro, modéstia à parte”. 

“A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade”. Hoje este pensamento nelsonrodrigueano está sendo aplicado à Internet. Provérbio de Nelson: “O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas”. 

“Nelson também foi um desses homens imprescindíveis que batalhou a vida inteira contra a farsa do igualitarismo socialista. Viva Nelson! Nelson vive!". A crônica do bicho-grilo Adabertovsky está postada no Menu Opinião.


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