Lavareda

26/10


2020

Cumaru: Justiça nega pedido de registro de Eduardinho

O juiz da 91ª Zona Eleitoral, Altamir Cléreb de Vasconcelos Santos, indeferiu o pedido de registro de candidatura de Eduardinho Tabosa (PSD) à Prefeitura de Cumaru, no Agreste Setentrional pernambucano. Em sentença proferida ontem, o magistrado atendeu a ações de impugnação impetradas por duas chapas que concorrem ao pleito majoritário e pelo Ministério Público Eleitoral.

Para chegar à decisão, o juiz levou em consideração a rejeição das contas do exercício financeiro de 2014, quando Eduardinho Tabosa era prefeito de Cumaru. “As condutas irregulares apontadas pelo TCE, com nota de má gestão financeira e não respeito a metas fiscais, que ensejaram a rejeição das contas do exercício 2014 do impugnado pela Câmara, assinalam atos passíveis de serem considerados como atos dolosos de improbidade dotados de irregularidade insanável, para fins de inelegibilidade”, sentenciou.

O processo também cita a reprovação das contas de Eduardinho em 1998 pela Câmara de Vereadores de Cumaru e o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) julgar irregular o exercício financeiro de 2015 em razão do manejo de verbas repassadas pelo Ministério do Turismo. Nos dois momentos, ele ocupava o cargo de prefeito.

“O impugnado utilizou recursos públicos federais, no mínimo, para finalidades divergente do pactuados em Convênios e, pelo que se depreende, que ensejou omissão no dever de prestar contas e desvio de finalidade quanto aos recursos. Atos que prejudicaram a fiscalização dos recursos financeiros e a execução do objeto, segundo os julgados do TCU”, declarou.

Em contrapartida, o juiz Altamir Cléreb deferiu o pedido de registro da candidata a vice-prefeita, Nenê de Ameixas (PSD). Mesmo assim, julgou inapta a chapa da coligação


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ALEPE

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28/11


2020

O balaio da política

Por Marcelo Tognozzi*

No fim dos anos 1930 dois políticos trabalhavam diuturnamente para pavimentar o caminho até a Presidência da República. O paulista Armando de Sales Oliveira fora interventor em São Paulo, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas. Engenheiro formado pela tradicional escola Politécnica era um homem refinado, filho de senador e membro nato da oligarquia paulista certificado pelas cotas de sócio do jornal O Estado de S. Paulo, fundado e comandado pela família Mesquita. Sales apoiara a Revolução de 1930 contra o então presidente Washington Luís e seu candidato paulista Júlio Prestes, na esperança de que a força da nova economia e da nova elite industrial paulista se impusesse mais cedo ou mais tarde.

A 2.800 quilômetros de São Paulo, outro político refinado também apoiou a Revolução como governador da Paraíba eleito pela Aliança Liberal, o partido de Getúlio. Era José Américo de Almeida, que mais tarde seria ministro da Viação e embaixador. Diferentemente de Armando, homem da matemática e da engenharia, Zé Américo era poeta e escritor, autor do clássico A Bagaceira. Cada um ao seu estilo, Armando era pragmático, desenvolvimentista, pioneiro da geração de energia elétrica, autoritário e acreditava em progresso e dinheiro. Metia o dedo na tomada com gosto.

Zé Américo era o oposto: matreiro, sutil, capaz de conversar horas a fio sem sair lugar. Aquele tipo que conseguia tirar as meias sem tirar os sapatos. Mas não menos autoritário: comandou a repressão aos revoltosos de Princesa como secretário de Segurança do governador João Pessoa. Era uma espécie de coronel de fino trato, envernizado, perfumado e elegante. Em 1934 tentou seduzir o então tenente Ernesto Geisel, secretário de Fazenda da Paraíba, acenando com uma cadeira de deputado, mas o gaúcho, reto e direto, disse que preferia a farda. A bordo dela Geisel desembarcou na Presidência da República 40 anos depois.

Em 1936, Armando Sales saíra da condição de interventor para a de governador eleito. Zé Américo dava expediente como ministro do Tribunal de Contas da União. Estavam agora a 400 quilômetros de distância um do outro, mas o paraibano julgava ter certa vantagem porque trabalhava na Praça da República, a 3 quilômetros do Palácio do Catete, onde Getúlio despachava.

Ambos comemoraram o Réveillon de 1937 em grande estilo. Tinham uma campanha pela frente, com a eleição marcada para janeiro do ano seguinte. Sales deixara o governo de São Paulo para mergulhar de cabeça no seu projeto de candidato de oposição ao governo. Zé Américo conseguiu articular apoio entre os principais membros do governo, embora Getúlio nunca o tenha chamado de “meu candidato”. O champanhe do Réveillon virou vinagre em novembro, 3 meses antes do pleito, quando Getúlio anunciou o Estado Novo, um golpe que endureceu o regime e mandou para o cemitério as candidaturas de Armando e Zé Américo.

Sales recebera um sinal de Getúlio quando foi até o presidente informar da sua candidatura irreversível e ouviu dele que o Brasil vivia um clima de guerra e as eleições poderiam ser inoportunas naquele momento. Ofereceu a Sales o Ministério da Fazendo ou o Banco do Brasil, que o paulista recusou polidamente.

O golpe de Getúlio tinha até Constituição pronta, escrita e revisada por Francisco Campos, o famoso Chico Ciência que 30 anos mais tarde também deixaria suas digitais na Constituição de 1967 formatada pelos militares. Getúlio não queria Zé Américo e nem muito menos Armando. Para ele faltava ao paulista um certo jogo de cintura, que sobrava no paraibano. E ainda havia a ameaça de um golpe integralista, que Getúlio registra em detalhes em seu diário numa anotação de 1º de dezembro de 1937.

O Estado Novo veio depois de intensa propaganda anticomunista e uma fake news chamada Plano Cohen. Fechou o Congresso, acabou com os partidos políticos, censurou a imprensa e encheu as cadeias de adversários políticos. Zé Américo ficou no TCU até 1947, votou a ser ministro da Viação no segundo governo de Getúlio e morreu em 1980 aos 93 anos. Sales foi exilado, morou nos Estados Unidos e Argentina, voltou ao Brasil em abril de 1945, fundou a UDN e morreu em 17 de maio aos 57 anos.

De fato, 5 meses depois daquela anotação no diário, em 11 de maio de 1938, os integralistas tentaram invadir o Palácio Guanabara, residência oficial do presidente, com objetivo de matá-lo. O intenso tiroteio durou horas e terminou com um saldo de 8 mortos e Getúlio guardando seu parabélum na cintura e fumando um charuto enquanto se refazia da refrega.

O Brasil nunca foi para amadores. Getúlio inaugurou uma nova era dos profissionais com a Revolução de 1930. Não havia outra opção: era ele ou ele. A tentativa de renovação política feita por Armando Sales e Zé Américo tinha um perfil de centro, com Armando um pouco mais à direita e Américo mais à esquerda, sendo que no caso deste último muito mais por oportunismo que por convicção.

Nas últimas décadas nossos políticos resistiram o quanto puderam à renovação. Ela veio pela força em 1964, mas envelheceu e caducou em 20 anos, deixando que os adversários dos idos de 1950 voltassem ao protagonismo. O PT foi algo novo, mas Lula seguiu ao pé da letra a cartilha getulista e manteve as duas opções: ele ou ele.

O sistema moeu os inocentes, politizou o serviço público, a Justiça e as forças de segurança, a ponto de nos últimos anos juízes e procuradores ocuparem mais espaço na mídia falando de política que aqueles eleitos para isso. Tudo que um dia foi novo envelheceu rápido.

Bolsonaro, Lula, João Doria, Rodrigo Maia, ACM Neto, Gilberto Kassab, Guilherme Boulos, Davi Alcolumbre, Ratinho Junior, Fabio Faria, Flavio Dino e outros políticos chegaram lá pela legitimidade do voto. Os ministros do Supremo, delegados, procuradores da República, sindicalistas e tantos outros ganharam seu naco de poder pela influência, amizade e também, claro, pelo concurso público. Todos trabalham dioturnamente pela conquista e manutenção do seu lote de poder. Uns com mais competência, outros menos.

A diferença entre o Brasil de hoje e o de 90 anos atrás é que a política virou um balaio superpopuloso, com todo tipo de gatos, muitos deles gatinhos herdeiros. Temos um poder cada vez mais dividido, cada um cuidando de segurar seu espaço naquilo que vulgarmente chamamos instituições, mas que no fundo são ilhas onde cada um foca nos seus próprios interesses e a renovação virou pura demagogia. Aquela habilidade de tirar a meia sem tirar o sapato, já faz tempo entrou para o folclore do século passado.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Poder360.


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O Jornal do Poder

28/11


2020

Eleição em Brejinho na mira da Justiça

Por Cláudio Soares*

O resultado nas urnas foi possível saber, independente quem foi o vencedor, mas a Justiça Eleitoral deve realizar uma investigação sobre o uso de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico por parte do grupo que 'venceu' a eleição.

Não tenho dúvidas que a disputa agora, sobre as eleições na cidade de Brejinho, vai ser na Justiça.

1- Um ano antes das eleições, o candidato eleito e seu grupo já realizavam comícios, carreatas pelas ruas da cidade de Brejinho com carros de som e fogos de artifícios; 

2- Os crimes cometidos pela coligação do prefeito eleito estão registrados na Justiça Eleitoral local como a entrega de três ambulâncias para povoados com a nítida intenção de angariar votos. Nesta ação criminosa, o pré-candidato e seu grupo agitavam a cidade de Brejinho com carreatas, carros de som e comícios com fogos de artifícios, uma violação à legislação eleitoral diante de atitudes criminosas de abuso econômico; 

3- O grupo do candidato vencedor nas urnas, ainda esse ano, precisamente na semana santa, distribuiu uma carreta de cestas básicas no valor aproximado de 100 mil reais. Neste evento ocorreu de tudo, carreatas pelas ruas de Brejinho, discursos e fogos de artifícios.

Nestes eventos, ocorreram sempre aglomerações de pessoas violando as regras da vigilância sanitária e, o pior, os pré-candidatos gesticulando o número 10 que viria ser o número oficial  do candidato.

A Justiça já sabe de tudo isso mediante um farto conjunto de provas probatórios. O setor jurídico da campanha de José Vanderlei (PSB) prepara um conjunto de ações para nos próximos dias ingressar na justiça eleitoral (TRE) para pedir a impugnação da diplomação dos eleitos que abusaram economicamente e transgrediram as regras eleitorais.                                                                       

"Recurso Contra Diplomação (art. 262, I, do Código Eleitoral):

Cabe somente nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza constitucional e de falta de condição de elegibilidade. Deve ser ajuizado no prazo de 3 (três) dias da diplomação no intuito de cassar o diploma do candidato."                                                 

A eleição em Brejinho foi escandalosa e esperamos que a Justiça Eleitoral não feche os olhos para as aberrações como a compra de votos com provas robustas e o abuso econômico violento que ocorreram naquela cidade. Os crimes eleitorais que anteciparam o processo eleitoral constam sobre a batuta da justiça eleitoral local na comarca de Itapetim, uma vez que Brejinho é termo de Justiça em instância na cidade vizinha.

Nos encontros, movidos à propaganda eleitoral antecipada, estava sempre presente o senhor Gilsomar Bento de Souza com gestos do número 10 de seu partido político Republicanos,  incentivando seus cabos eleitorais - e se dizendo candidato a prefeito. As filmagens e fotos são provas consistentes do abuso econômico e propaganda política eleitoral antecipada.   

É notório que nos quatro cantos de Brejinho: o que não faltaram foram os pré-candidatos republicanos solidários, numa vergonhosa política antecipada, algo até intrínseco a eles, mas que deve ser observado pela Justiça com rigor.

A solidariedade é sempre bem-vinda, contudo, se utilizar dela para fazer promoção pessoal ou até mesmo campanha antecipada não deve ser permitida ou admissível.

Além de moralmente reprovável, pelo Direito Eleitoral esse tipo de vantagem também é coibida através das condutas vedadas aos agentes políticos em tempo eleitoral, além de ser um indicativo de farta prova de abuso de poder econômico. 

O juiz Carlos Henrique Rossi, da 99ª Zona de Brejinho, e o Ministério Público já estão com todas as denúncias contra mais de 10 pessoas e agora aguardamos a punição contra as aberrações dos crimes eleitorais acontecidos naquela cidade.

*Advogado e jornalista.


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Abreu no Zap

28/11


2020

A guerra pelo voto

Na véspera da eleição de segundo turno, Recife amanheceu, literalmente, de cabeça para baixo, revirada pelas correntes de militantes de ambos os lados, de João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). O confronto de vermelhos e amarelos ocorre nos sinais de todas as vias movimentadas da cidade. Chama atenção a falta de policiamento no caso dessa briga pelo voto descambar para a briga no campo físico.


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28/11


2020

Coronel Feitosa está com Covid-19

O deputado estadual Alberto Feitosa (PSC), que concorreu à Prefeitura do Recife nesta eleição, foi diagnosticado com Covid-19 ontem. O parlamentar informa que está com sintomas leves e cumpre isolamento domiciliar.

Leia a nota na íntegra:

"Através desta nota, informo que testei positivo para a Covid-19. Comecei a sentir os primeiros sintomas e, imediatamente, procurei orientação médica. Busquei a ajuda da Dra. Cristiana Altino Almeida, coordenadora do Projeto Médicos pela Vida em Pernambuco, que reúne profissionais da saúde de diferentes áreas em busca de oferecer o tratamento precoce para a doença. Conheci a médica, ainda em março, que é especialista em medicina nuclear, após realizar uma live em minhas redes sociais para esclarecer porque e como se dava o tratamento feito à base da Hidroxicloroquina, Azitromicina, Vitamina D e Zinco.

Acometido por sintomas leves, iniciei de pronto o protocolo médico do tratamento. Estou em isolamento domiciliar e graças a Deus, a Dra. Cristiana e aos medicamentos estou muito bem. Como pessoa pública, me sinto na obrigação de comunicar aos pernambucanos o resultado do meu teste e o tratamento a que estou sendo submetido, diferente de outras autoridades do estado que silenciaram como se trataram."


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Wellington Antunes

Sem problemas, não precisa se preocupar, é só uma gripezinha como diz o guru dele, o mito dr. bozo. Tem também a cloroquina, a salvação.


Banco de Alimentos

28/11


2020

Na véspera da eleição, Geraldo paga comissionados

O juiz da 149ª Zona Eleitoral de Recife acatou o pedido de medida liminar formulado pela coligação Recife Cidade da Gente na Ação Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que condena a chapa de João Campos por abuso de poder econômico e político, consubstanciado na intensa convocação de servidores públicos municipais, inclusive terceirizados, para participarem de reuniões em que a Coligação Frente Popular do Recife busca angariar votos ilicitamente.

A propósito, o blog foi informado que a Prefeitura do Recife antecipou para hoje, já estando na conta, o pagamento de todos os 3.513 servidores comissionados. Quanto à decisão do juiz, as provas dos autos evidenciam que servidores da Prefeitura do Recife estão sendo convocados por suas chefias para participarem da campanha. Assim, deferiu a liminar de urgência para determinar que os agentes públicos investigados se abstenham, imediatamente, de convocar servidores públicos municipais, inclusive terceirizados, para participarem de atos de campanha, sob pena de multa de R$ 100.000,00 (cem mil reais).


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Wellington Antunes

O bozo é tão canalha que quer agora zerar o reajuste do piso do magistério. O bozo não tem dó e nem piedade dos mais pobres, pois também acabou com o reajuste que garantia um ganho real do salário minimo, que se valorizava a cada ano, e o percentual era baseado no crescimento PIB brasileiro, afora a reposição da inflação. O PIB, como sabemos, é a soma de toda a riqueza produzida no país, o ganho real do salário mínimo tomava esse parâmetro como índice de acordo com o aumento da riqueza nacional, era como se esta riqueza estivesse sendo distribuída entre os mais pobres desse país. A besta fera tb acabou com essa politica salarial do mínimo. As vezes me pergunto como ainda existem pobres, inclusive alguns que habitam esse blog, que defendem um sacana desse. Tem que ser muito jumentóide e gostar de comer merda.

Wellington Antunes

Derrubar o PT tem um custo que todos pagam, bom seria que só os bozolóides pagassem, mas sobra para todos, infelizmente. Em 2019 a extrema pobreza foi 44,4% superior a de 2014. Em 2015 o PIB era de UU$ 1,8 tri (oitavo do mundo), em 2020 é de US$ 1,4 tri (décimo segundo). Em 2020 perdemos R$ 250 bi da renda de consumo da classe média. E 75% do Pré-Sal é de estrangeiros.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Magno, estamos no final do mês. Você queria que a Prefeitura atrasasse o pagamento? Fazer disso uma bandeira não dá. É ridículo. Não tem o que bater coloca esses posts sem sentido. O desespero faz as pessoas perderem o raciocínio e o senso crítico. O PT não fará do Recife sua sede. A sede de uma Organização Criminosa comandada pelo maior ladrão de todos os tempos e padrinho político da Marília, o Lula ladrão.

arnaldo luciano da luz alencar ferreira

O PSB perdendo a Eleição no Recife a casa vai cair pra muita gente, é bom a POLÍCIA FEDERAL arrumar mais espaço nas dependências dela aqui em Recife, pois não vai caber o ALTO ESCALÃO DA PREFEITURA NA SEDE DA PF NÃO.

arnaldo luciano da luz alencar ferreira

É muito triste vc ver um Blog Sério como esse e depois e dar uma olhada no blog de Edmar Lira, totalmente Governista, só falta colocar a propaganda do candidato do PSB.



28/11


2020

As eleições e o rio que corre pela minha aldeia

Por Arnaldo Santos*

Amanhã, em sete das nove aldeias do Nordeste, haverá segundo turno.  Em seis delas, predominam candidatos dos partidos de centro e centro- esquerda em disputa, o que revela clara rejeição do eleitor ao direitismo negacionista que viceja no Brasil, exceção feita a Fortaleza, onde um dos candidatos na disputa, apesar de ter escondido e negado por três vezes seu “mito”, e tutor político-ideológico, se filia ao que há de mais obscuro na direita brasileira. 

Registre-se o fato de que, embora os partidos de esquerda tenham se dividido no primeiro turno, o que há de ter sido determinante para que a ex-prefeita Luizianne Lins, candidata do PT, tenha ficado de fora da disputa no segundo turno (diferente do ocorrido no Recife, onde Marília Arraes, do PT, disputa com João Campos do PSB, com chances de vitória), agora a esquerda está unida em uma frente ampla, em apoio a José Sarto, do PDT, para enfrentar o candidato da direita bolsonarista, representada pelo capitão Wagner.  

Comum a essas aldeias, um caudaloso rio de problemas sociais e econômicos corre por todas elas, irrigando o solo sobre o qual se cultiva o histórico apartheid social, adubado com o agrotóxico da intolerância de uma sociedade embrutecida, preconceituosa e racista, (embora negado pelo vice- presidente da República, Hamilton Mourão), e pelo descaso de uma elite dirigente, em geral, culturalmente ignorante, politicamente analfabeta e corrupta, e socialmente insensível, que, à extensão tempo, deixou explodir a miséria e um grau de violência sem precedentes. 

Divisa-se um obscuro cenário, onde a vida do outro já não vale muito, os pretos e pobres são as maiores vítimas, como ocorreu com o João Alberto, assassinado na última semana, na frente da esposa, no estacionamento de um supermercado, por dois celerados seguranças brancos, com a cumplicidade dos que assistiam e filmavam aquelas cenas de barbaria, colidindo com o movimento mundial de proteção da vida, segundo o qual vidas negras importam. “Em verdade, em verdade vos digo”, importam muitíssimo!

Pela importância política do dia de amanhã, e do seu significado a começar em 01 de janeiro de 2021, neste artigo, a reflexão será sobre a realidade social e econômica de minha aldeia, Fortaleza, e acerca da complexidade dos problemas que aguardam aquele que será eleito nesse domingo, que, em maior ou menor grau, se assemelham ao desafio a ser enfrentado pelos que serão eleitos  nas  demais aldeias.

Fortaleza, como tantas outras capitais do Nordeste, é uma bela aldeia de quase 2,7 milhões de habitantes, (IBGE - 2020), banhada por verdes mares. Presenteia-nos com lindas praias, adornadas por jangadas com suas velas coloridas, e extensas dunas de areias brancas, e do que restou dos outrora vastos coqueirais, donde sopram ventos constantes que desalinham os negros, castanhos, loiros e ruivos cabelos das suas belas mulheres, tornando-as ainda mais lindas, exuberantes e sensuais!

Por esse panorama, “navegar é preciso”, para superar milhas e milhas de   águas turbulentas e tempestades de carências sociais, que afligem a população menos favorecida, sob o infortúnio da covid-19, que agravou a já combalida economia, aumentou o desemprego, causando a pauperização de parcela significativa da classe trabalhadora, gerando o mais caudaloso e revolto rio de problemas econômicos-sociais e urbanos da história recente de todas as aldeias brasileiras. 

Escudado no poeta Fernando Pessoa, que em um dos seus líricos poemas escreveu que, “[…] o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. Nesse ambiente de lirismo, como “poucos sabem qual é o rio da minha aldeia”, me permito advertir que o eleito amanhã terá que localizar e georreferenciar os pontos longitudinais, onde nasce o rio que corre pela minha aldeia,  “para onde ele vai”, e “porque ninguém nunca pensou no que há, para além do rio da minha aldeia”, ao ponto de deixar que ao longo do tempo os sedimentos de pobreza trazidos por suas águas fossem se acumulando a montante de sua foz, e fortalecendo as raízes das nossas desigualdades e misérias, até atingir o grau e a extensão que vivenciamos hoje, como veremos nos parágrafos subsequentes. 

Quando examinamos o rio da desigualdade medida pelo índice de Gini, com os dados do IBGE, referentes a 2019, portanto bem antes da pandemia, verificamos que, no Brasil, a taxa era de 0,543; na região Nordeste, esse índice era de 0,559; no Estado Ceará, a taxa era de 0,561; e, em Fortaleza, a desigualdade era de 0,574, sendo uma das mais agudas entre todas as aldeias -  o que evidencia o tamanho do problema a ser enfrentado por aquele que será eleito amanhã. 

Essas abissais desigualdades em minha aldeia, evidenciadas pelos índices apresentados pelo IBGE, demarcam a linha do tempo, revelando os indicadores sociais que o eleito encontrará depois das eleições, para que, daqui a quatro anos, possamos avaliar os avanços ou retrocessos no mapa da pobreza, permitindo-nos inferir a noção de que, com algumas poucas variações, esse também será o desafio a ser enfrentado pelos (as) chefes das demais aldeias que serão eleitos(as) amanhã, especialmente na região Nordeste. 

Em relação ao mapa da pobreza, segundo a linha de corte estabelecida pelo Banco Mundial, que é de 5,5 dólares per capita (PPC) dia, meu rio pessoano (via heterônimo Alberto Caeiro) é ainda mais largo, profundo e turbulento. Dados da PNAD, divulgados pelo IBGE, agora no início de novembro, também referentes a 2019, quando a maioria da população nem sabia o que era pandemia, informam que a pobreza em todo o Ceará já atingia 3,8 milhões de pessoas, 41,3% da população, e em Fortaleza eram 624.517 mil pessoas, algo em torno de 23,5% da sua população, à época, que viviam nessas incômodas circunstâncias.  

Adicionem-se a esses números do mapa da pobreza as pessoas que vivem na extrema pobreza, cujo valor per capita definido pelo Banco Mundial é de 1,9 dólar/dia. Em todo o Estado do Ceará, tínhamos 12,4% da população sobrevivendo nessa difícil realidade, o que correspondia a 1,13 milhão de pessoas na extrema pobreza antes da pandemia, e, em Fortaleza, esse percentual à época era de 3,8%, equivalente a 100.986 mil pessoas vivendo nessa subumana situação. Ante tão precária realidade, imagino quão grave é o problema que aguarda o eleito amanhã, no primeiro dia do próximo ano.

Nessa contextura de tão vulnerável realidade que evolui em minha aldeia, a reflexão que se impõe sobre os graves problemas econômicos e sociais que enfrentamos - e que deverão se agudizar na pós-pandemia - diz respeito ao desemprego, a exigir uma inadiável ação de geração de renda para a camada  da população, que considero o mais grave e urgente. 

Aqui o objetivo é cobrar daquele que será ungido nesse domingo, que, ao assumir em 01 de janeiro, mobilize a sociedade e o setor produtivo, das áreas do comércio, indústria e serviços, para a formulação de um amplo programa de geração de trabalho e renda, ancorado em um modelo de economia solidária, contemplando desde o financiamento dos pequenos negócios nos próprios territórios (um dos candidatos está apresentando essa proposta), até a contratação de mão de obra direto da comunidade por meio das associações comunitárias, para executar serviços de reforma dos equipamentos públicos (hospitais, escolas, postos de saúde etc.), e do seu mobiliário, potencializando a economia e o desenvolvimento locais.

Como somos uma urbe que vivencia o paradoxo entre os índices de extrema pobreza e a modernidade, evidenciada pela ciência produzida pelas nossas universidades, e pelos hubs aéreos, e cabos submarinos, estendidos aos vários continentes que a conectam ao mundo, transformando-a em uma aldeia global, na outra ponta, o eleito terá que aproveitar essa infraestrutura tecnológica, para modernizar sua economia, mediante criação de um estruturado programa na área da economia criativa, para promover, efetivamente, uma ação de inclusão digital, especialmente para a nossa juventude, apoiando e estimulando seu potencial criativo, para, assim, preparar nossa aldeia a fim de ter competitividade econômica em escala global, nesse setor. 

É de saber geral a noção de que quem se elege tem o dever político-administrativo e a responsabilidade social de governar, espacialmente, para toda a cidade, tendo como horizonte a melhoria das condições de vida dos seus cidadãos, especialmente para os mais pobres que compõem a maioria da sua população historicamente esquecida e aviltada em seus direitos. 

No contexto da multidimensionalidade da pobreza e das desigualdades, é imperioso que o eleito se ocupe da formulação de políticas públicas factíveis, considerando a magnitude desses problemas, e consoante as condições econômico-financeiras da Prefeitura, mormente nesse contexto de encolhimento da economia. Esta exprime queda brusca da arrecadação, porquanto uma política pública, para ser viável e ter efetividade, tem que responder a pelo menos quatro indagações: quais são as evidências que justificam sua estruturação, quanto custa, de onde vêm os recursos e quem vai pagar. 

Durante toda a campanha, com raras exceções, o que assistimos foi a um festival de promessas genéricas, e não propostas de governo, inclusive pelos dois postulantes a chefe da aldeia, no segundo turno, sem evidências de sua exequibilidade e sem qualquer fundamentação.

Com os olhos e as atenções dirigidos para os indicadores de pobreza,  para os altos índices de desemprego e informalidade, que, ao lado de tantos outros, formam o mais caudaloso, profundo e furioso rio que corre pela minha aldeia, o eleito amanhã tem o dever político-social e humano de por em execução  um amplo programa de inclusão e geração de renda para acudir esse contingente da população, pois, nessa perspectiva, não estamos falando de filantropia, (concessão de benefícios) e sim de economia. 

*Jornalista e doutor em Ciências Políticas. Comentários e críticas para: [email protected]


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28/11


2020

Jurídico de Marília tenta barrar caravanas do Interior

Partido sem militância no Recife, mas detentor do poder em vários municípios da Região Metropolitana e Interior, o PSB usou da estratégia de impressionar com maior volume de pessoas nas ruas de amarelo, para fazer também boca de urna para o candidato João Campos, que disputa amanhã, em eleição de segundo turno, a Prefeitura da capital contra Marília Arraes (PT). 

O blog apurou que, desde cedo, vários ônibus estão chegando do Interior ao Recife transportando militância paga para encher a cidade amanhã, dando a impressão de que Recife amarelou. A assessoria jurídica da coligação de Marília, no entanto, já tomou algumas providências para inibir mais um abuso de poder e uso da máquina.

Neste sentido, entrou com representação e pedido de tutela inibitória, junto à Justiça Eleitoral, para impedir o abuso, com a apreensão de todo e qualquer ônibus suspeito nas principais vias de acesso ao Recife. O blog já recebeu até vídeos, como este, comprovando a movimentação de ônibus no comitê de João.


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Comentários

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Realmente, tem de barrar as caravanas do MST. Movimento sem registro de Pessoa Jurídica, Movimento fantasma igual aos funcionários da Marília que está sendo cobrada pelo Ministério Público.

Sergio Murilo Pereira Araujo

João Mijão, pode fazer o que ele quiser, Amanhã vai dá Marília. O povo já cansou dessa gangue.



28/11


2020

Marília foi firme, João emparedado

O debate da Globo foi engessado, mas a candidata do PT, Marília Arraes, soube tirar mais proveito. Diferente do anterior, na rádio Jornal, foi firme e partiu para o ataque, deixando o adversário encurralado, com respostas vazias em sua grande maioria, principalmente no quesito corrupção na gestão Geraldo Júlio e no PSB.

Disse que se há alguém que não tem moral nem autonomia para acusar alguém de mal feitos é João, cuja família está com os bens bloqueados pela justiça federal por causa do envolvimento do pai, o ex-governador Eduardo Campos, na operação Lava Jato.

Igualmente o deixou sem resposta sobre a compra de um prédio superfaturado na gestão do prefeito e aliado Geraldo Júlio. O referido prédio foi comprado por R$ 7,5 milhões, mas Geraldo queria pagar R$ 38 milhões. Incrivelmente, João disse que essa cobrança deveria ser feita a Geraldo e não a ele, que não tinha responsabilidade sobre tal ato, derivando depois para transformação digital. E, em nenhum momento, João Campos defendeu Geraldo das acusações.

João parece um robô. Apresenta-se no debate com as mesmas frases pontuadas por seus marqueteiros em debates anteriores. Foge das respostas e formula mal as perguntas.


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Comentários

Wellington Antunes

A maioria do povo recifense não vai votar no 40 porque sabe que estará fortalecendo Geraldo Júlio para governador em 2022, o pior prefeito da história do Recife. Só mesmo bozolóide imbecil e sem noção é que não enxerga isso.

Sergio Murilo Pereira Araujo

Será se a viúva irá depois da lapada de amanhã candidatar João Mijão para governador?

Sergio Murilo Pereira Araujo

Estamos meu bem por um triz, pro dia nascer feliz. É Marília!!!

Sergio Murilo Pereira Araujo

Amanhã João Mijão perderá. O império de Renata Campos começa a desmoronar. Daqui há dois anos perderá o governo do estado também e sobrará no futuro para essa gangue somente muita cadeia.

Fernandes

É um bozoloide.



27/11


2020

Marília lembra que sofreu ataques à fé no guia de João

Houldine Nascimento, da equipe do blog

Ainda no segundo bloco do debate da TV Globo, a candidata a prefeita do Recife Marília Arraes (PT) rebateu o adversário João Campos (PSB) sobre a declaração dele de que não faz ataques pessoais e foi categórica sobre os questionanentos feitos pela campanha do socialista à sua fé. "Candidato, vocês chegaram até a questionar a minha fé na televisão. Isso que é discurso de ódio. Isso é dividir a cidade. A gente não vai fazer isso. Inclusive, dou graças a Deus que a minha filha não tem idade suficiente ainda para presenciar e entender todas as agressões que vocês colocaram essa semana contra nós", disparou.

Mais adiante, na pergunta sobre diversidade, Marília Arraes indagou o prefeiturável João Campos sobre propostas para o setor. “Fui o primeiro candidato a anunciar que 50% dos cargos serão ocupados por mulheres. Vamos ampliar o acolhimento das mulheres vítimas de violência”, disse o socialista.

Na sequência, Marília voltou a cobrar o adversário por ataques que sofreu quanto à fé. “É muito importante haver o respeito à diversidade e individualidade. Quem me conhece sabe disso, da tolerância. Respeito muito a fé das pessoas, coisa que vocês não fizeram comigo. O candidato falou muito sobre inclusão da mulher, não era essse o tema, mas pode ter certeza que vou me sentir honrada em representar as mulheres como a primeira prefeita do Recife", declarou.


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Fernandes

Marilia preparadissima voto nela 13!!!

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Não, não sofreu ataques. Quem sofreu foi o João Campos, inclusive sua família. Agora, dizer que Marília foi contra ler trechos da Bíblia na Câmara dos Vereadores, que o Ministério Público está cobrando a rachadinha, que não fez absolutamente nada como vereadora e deputada é mentira, não pode. Contra fatos não existe argumentos. Amanhã o recife confirmará 40 para não deixar o nefasto PT voltar a assombrar nossa cidade.



27/11


2020

João diz que PT nacional construiu candidatura de Marília

Houldine Nascimento, da equipe do blog

No segundo bloco do debate promovido pela TV Globo, os candidatos tiveram de fazer perguntas com base em temas sorteados. Em dado momento, o postulante do PSB a prefeito do Recife, João Campos, respondeu à adversária Marília Arraes (PT) sobre contradições apontadas nas declarações do socialista. Para o prefeiturável, a candidata petista se contradisse em propostas apresentadas e foi além ao falar sobre a candidatura de Marília.

"As contradições estão nas candidaturas de Marília. Ela diz que faz uma coisa, depois ela desdiz, como foi o caso das palafitas, em que todo mundo viu que ela faltou com a verdade. Mas sobre a candidatura dela: não era a gente que não queria que ela fosse candidata, mas o próprio partido dela. No Recife e em Pernambuco, foram contrários à candidatura dela, que foi construída em São Paulo pelo diretório nacional do PT. Por isso que está o sonho dos figurões do PT nacional para que possam vir ao Recife, mas o Recife não fará isso porque o Recife quer andar para a frente", disse João.


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Fernandes

Marilia preparadissima voto nela 13!!!

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Construiu sim. Simplesmente por querer fazer do Recife a sede de sua organização criminosa tendo o maior ladrão do mundo, o bandido julgado e condenado Lula, como seu chefe. Não, os recifenses, mulheres e homens de bem, nunca permitirá que nossa cidade se dobre as mazelas do Partido da Trambicagem. Que Deus nos proteja.


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