Conflito em SP: um ferido, 17 presos e 6 carros queimados

O Batalhão de Choque da Polícia Militar ocupou na manhã deste domingo, 22, a área de 1,3 milhão de metros quadrados do Pinheirinho, em São José dos Campos, em São Paulo. A operação surpresa de reintegração de posse começou às 6h da manhã, e a comunidade onde viviam 1,5 mil famílias - cerca de 6 mil moradores - foi tomada em 40 minutos. Ao longo do dia houve vários confrontos, segundo o site do Estadão.

Uma pessoa ficou ferida, seis veículos foram incendiados - entre eles, um carro de reportagem da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo. Até as 20h, 17 prisões haviam sido feitas. Manifestantes fecharam a Via Dutra por 30 minutos, provocando lentidão entre os quilômetros 133 e 162.

De acordo com a PM, os moradores não ofereceram resistência na reintegração de posse do terreno. Os conflitos teriam ocorrido com manifestantes que não faziam parte da comunidade. O Pinheirinho ganhou repercussão nacional quando, na semana passada, moradores se armaram com porretes, escudos e caneleiras de canos de PVC para resistir à reintegração. A área, ocupada desde 2004, pertence à massa falida do grupo Selecta, do investidor Naji Nahas.

Os moradores ainda dormiam quando os milhares de barracos começaram a ser desocupados. As famílias que tinham algum abrigo na cidade foram encaminhadas para ônibus. Quem não tinha onde ficar era levado para o centro de triagem, montado em um centro esportivo.

Sem rumo. Rodrigo Henrique Gonçalves, de 30 anos, foi um dos primeiros a deixar a área com a família. "Fomos pegos de surpresa, nem temos para onde ir", disse.

Jenifer Moreira, de 18 anos, grávida de cinco meses, aguardava a chegada da polícia para identificar sua casa e seguir para a triagem. Ela estava dormindo quando a PM chegou. "Foi uma gritaria. Os policiais chegaram jogando bomba e atirando spray. Fiquei com os olhos ardendo", contou.

Informações desencontradas aumentavam ainda mais a tensão dos moradores. "Disseram para ir para a triagem, mas já rodei tudo e não consigo chegar lá", reclamava o comerciante Saaid Ahmad Ali, há três anos no assentamento.

Sandra Maria Lopes, grávida de oito meses, chegou a discutir com os policias por causa do impasse. "Já estamos no olho da rua e agora ficam com essa palhaçada", disse a dona de casa, momentos antes de ter sua passagem liberada pela PM."Só Deus para nos ajudar nesse momento", disse Marcos Roberto Claro, que levava cinco crianças e a esposa em um Chevette com o pneu furado.

Publicado em: 22/01/2012