Eles descansam, nós pagamos

 O deputado Cândido Vaccarezza, do PT paulista, líder do Governo na Câmara Federal, é o autor da grande ideia (que, não tenha dúvidas, será rapidamente aprovada): Suas Excelências entram em férias - ou "recesso branco", como preferem - a partir de 10 de junho, para que possam assistir tranquilamente à Copa. Terminada a Copa, o recesso continua: os partidos realizam suas convenções, os parlamentares participam das festas juninas, aí entram na campanha e voltam à Câmara em novembro, depois do segundo turno. Isso mesmo: férias extras de junho a novembro, com tudo, tudo, tudo pago por quem trabalhou esse tempo todo.

Mas Cândido Vaccarezza não deve ser criticado: ao contrário, merece elogios por ter tornado público aquilo que iria acontecer de qualquer jeito, só que por baixo dos panos. Ninguém no Congresso vai trabalhar do dia 10 em diante, não - com ou sem a oficialização da proposta de Vaccarezza. E ninguém vai deixar de receber salários, jetons, auxílios, verbas de gabinete, verbas de passagens, franquias diversas, só porque não estará exercendo as funções pelas quais é pago.

E, pensando bem, o recesso branco até que é justo: como é que, tendo de trabalhar de dois a três dias por semana, Suas Excelências poderão acompanhar convenientemente a Copa, ou supervisionar a elaboração dos quitutes juninos? E, na verdade, Suas Excelências não suspenderão de vez o trabalho: uma ou duas vezes por mês irão à Câmara, para votar de cambulhada tudo que estiver na pauta e ganhar condições de cair fora o mais depressa possível, que ninguém é de ferro.(Coluna Carlos Brickmann)

Publicado em: 12/05/2010