Coluna da segunda-feira

Cenário favorável a Zeca

As chances do candidato do PTB a prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, voltar a governar o município são amplas, segundo a primeira pesquisa do Instituto Opinião, com exclusividade para este blog, postada acima. Muitos fatores contribuem para isso, entre os quais o dele já ter governado sua terra natal por duas vezes com tamanho grau de aprovação que elegeu a atual prefeita Madalena Britto (PSB), escolhida entre os seus auxiliares e que, pouco tempo após tomar posse, com ele rompeu de forma irreversível.

Depois do rompimento, Madalena passou a encarar o então criador como adversário figadal, entrando numa relação de ódio mortal. E derrotou o seu grupo em 2016, emplacando a reeleição. Naquele pleito, o grupo de Zeca enfrentou a prefeita lançando Nerianny, esposa dele. Madalena teve 60,73% dos votos contra 39,27% da postulante trabalhista. Reeleita, a socialista não conseguiu fazer uma boa gestão. Segundo o levantamento, quase metade dos entrevistados desaprovam a sua administração.

Com tamanha rejeição, não é fácil conduzir o andor de ninguém e parece que o que escolheu, no caso o empresário Wellington Maciel, conhecido como Wellington da LW, do MDB, é de barro. Quando de barro, o santo, por mais forte, não faz milagres. O fator aprovação de gestão pesa muito numa eleição, principalmente municipal, a que a população mais se envolve, porque é o governo que está mais próximo a ela, no qual o eleitor depende de tudo, da sua rua calçada, sem lama e bem cuidada a uma escola de qualidade.

Pesa, também, o fator candidatura. Por mais que seja um empresário bem sucedido, Wellington foi escolhido de última hora, se meteu numa seara estranha à sua rotina de vendedor depois que a prefeita tentou emplacar outros nomes, entre eles o da vereadora Cibely Roas, sua primeira opção. Doutora Cibely, como é conhecida, só não virou a candidata da prefeita porque não se submeteu às pressões para trocar o Avante, seu partido, pelo PSB, partido da prefeita. Isso está registrado no noticiário da época.

Como está registrado também que a prefeita ensaiou um namoro político com o delegado Israel Rubis, do PP, considerado o grande algoz dos vereadores que integram o Legislativo de Arcoverde. O namoro não prosperou, mas o delegado acabou aceitando ser o vice de Wellington para a infelicidade dos vereadores, entre os quais a presidente da Câmara, Célia Galindo. Embora do mesmo partido da prefeita e aliada dele de primeira hora, Galindo não votará no empresário.

Os ventos não sopram favoráveis ao candidato da prefeita por outro motivo ainda bem fresquinho na mente do eleitorado: objeto de uma operação fiscal do Governo do Estado em seus negócios, Wellington tem horror ao governador Paulo Câmara, aliado da prefeita. A rejeição do Estado também é grande em Arcoverde, segundo a pesquisa, porque o município, apesar de ser gerido pelo PSB, foi, literalmente, abandonado na era Câmara.

ESCOLHA ERRADA – Ao escolher Isabella de Roldão para vice, o pré-candidato do PSB a prefeito do Recife, João Campos, usou a estratégia para disputar diretamente com Marília Arraes o voto de esquerda. PSB/PDT é chapa puro sangue esquerdista, um ensaio para se reproduzir em 2022 na eleição presidencial, desta feita o PDT na cabeça com Ciro Gomes. Analistas da política recifense acham, entretanto, que João errou na estratégia. A chapa mais competitiva deveria ter um vice com perfil de centro-direita, já que existe um universo expressivo do eleitorado nesse campo, que não aprova radicalização nem de direita nem de esquerda.

BOA SACADA – Se a médica Sarita Pessoa de Melo, esposa do presidente da Embratur, Gilson Neto, se confirmar na chapa do pré-candidato do PSC a prefeito do Recife, Alberto Feitosa, o presidente Bolsonaro estará com os dois pés na campanha, contrariando a estratégia inicial dele de não se envolver na eleição municipal. Feitosa jogou certo. Aliado de primeira hora do presidente, Gilson tem como envolver o chefe na campanha. De largada, segundo analistas, Bolsonaro transferiria em torno de 15% dos votos do seu eleitorado cativo para Feitosa, deixando-o como alternativa competitiva do eleitorado conservador.

DISSIDÊNCIA – Até quarta-feira, prazo final para realização das convenções, se aguarda também o desfecho da novela envolvendo o namorado da apresentadora global Fátima Bernardes. Desgastado com o affair da vice de João, Túlio Gadêlha tende a ficar neutro na eleição, mas há quem admita que possa abrir entendimentos em apoio à candidatura de Marília Arraes, do PT. Gadêlha foi, por muito tempo, o vice dos sonhos de Marília, mas a direção nacional do PDT preferiu alinhamento ao PSB. Se Gadêlha declarar apoio a Marília não será oficial. Abre uma dissidência dentro do partido, levando filiados e eleitores que não querem votar no candidato do PSB na capital.

E DANIEL? – Outra definição aguardada é do deputado Daniel Coelho, que jogou a toalha, saindo do páreo na disputa pela Prefeitura do Recife pelo Cidadania. A principio, estaria propenso a apoiar Patrícia Domingos, pré-candidata do Podemos, mas não teria obtido ressonância nas bases nem tampouco a delegada teria feito qualquer movimentação para tê-lo em seu palanque. O que se diz é que pode voltar ao páreo ou lançar um candidato do faz de conta para favorecer os postulantes a vereador. Reabertura de negociações com o bloco da oposição, fechado com Mendonça, estaria fora da sua agenda.

INDECISÃO – Em Caruaru, o deputado e ex-prefeito José Queiroz deve anunciar hoje se será de fato candidato à sucessão de Raquel Lyra pelo PDT. Desde o início da semana, ele está sendo orientado por uma equipe de marqueteiros do eixo Rio-São Paulo. O rumo dele dependerá, também, de uma pesquisa que contratou para aferir o seu potencial eleitoral numa disputa isolada, num primeiro cenário, e outro com o apoio do grupo do deputado Tony Gel, do MDB. Saindo para o jogo, Queiroz pode oferecer a vice ao Tonynho, filho de Gel, empresário de eventos e bem relacionado na cidade, com chances de atrair o voto da juventude.

LIVE – A live do blog desta segunda-feira será com o diretor-técnico do Dieese, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, Fasto Augusto Júnior, cientista social. Ele vai falar sobre as avaliações que estão sendo feitas pelo órgão em relação à proposta de Reforma Administrativa que está no Congresso e também sobre as análises em relação à alta do preço do arroz, que foi objeto de estudo do Dieese ao longo da última semana. Acontece às 19 horas pelo Instagram do blog. Se você ainda não nos segue lá, anote o endereço: @blogdomagno.

Perguntar não ofende: O misterioso Daniel Coelho diz hoje ou amanhã o que fará nas eleições do Recife?

Publicado em: 13/09/2020