Coluna da terça-feira

Anderson em céu de brigadeiro

Na quarta-feira passada, este blog, em parceria com o Instituto Potencial, da Bahia, divulgou a primeira pesquisa sobre a sucessão em Jaboatão apontando um cenário de reeleição para o prefeito Anderson Ferreira (PL) logo no primeiro turno. Na apresentação geral, ele aparece com 45% das intenções de voto. Quando são computados apenas os votos válidos, chega a 56%, liquidando a fatura logo no primeiro turno. A eleição, entretanto, ainda está distante, só ocorrerá agora em 15 de novembro, conforme PEC aprovada pelo Congresso.

Jaboatão não é um município fácil e tranquilo para administrar. Acumula problemas sociais e econômicos graves, que passam de geração a geração, típica de cidade grande, que perdeu seu ordenamento territorial e cresce sem planejamento, com imensas favelas, esgotos a céu aberto, sem a menor estrutura. Gargalos, aliás, que vão se perpetuando, aparentemente de difíceis soluções. Com mais de 700 mil habitantes, Jaboatão tem três cidades dentro dela, os distritos de Cavaleiro, Muribeca e Curado, com explosões em densidade demográfica.

Filho do pastor e deputado Manoel Ferreira, sabido, aprendiz veloz do glossário político e das artimanhas maquiavélicas, tanto que projetou mais um filho na política, o deputado federal André Ferreira, e de quebra um genro vereador do Recife, Fred Ferreira, Anderson só não será reeleito se cometer muitos atropelos e deslizes ao longo da campanha, o que parece se configurar numa possibilidade remota diante da falta de um ambiente eleitoral, consequência da pandemia do coronavírus.

Seus adversários pontuaram timidamente. O vereador Daniel Alves, pré-candidato pelo PSD, e Ulisses Tenório, do PSB, são os mais mencionados na pesquisa, mas num patamar muito inferior ao prefeito, exatamente 5%, dentro da margem de erro. O mais batedor e barulhento, que pode criar problemas para Anderson, o ex-deputado federal Silvio Costa, pontuou apenas 2%.

Como o cenário de agora em diante até 15 de novembro é de incertezas, pelo avanço ou recuou da pandemia, o fato é que os três anões da oposição terão que ocupar muito espaço na mídia até o pleito, único caminho que podem levá-los a serem mais competitivos, porque não haverá campanha de rua. O debate se processará, de forma engessada, convenhamos, pelas redes sociais, longe de atingir o povão.

Sinal amarelo – A TV-Globo, segundo o portal Terra, levou um choque de realidade. O canal mais poderoso do Brasil passa por uma reestruturação financeira a fim de tornar sua operação mais rentável. A ordem é cortar gastos e encontrar novas fontes de receita. A recente onda de dispensas de artistas – Renato Aragão, Zeca Camargo, Miguel Falabella, Vera Fischer, entre outros – ressaltou uma das estratégias da empresa para enfrentar a crise econômica provocada pela pandemia de covid-19. A emissora não pode mais se dar ao luxo de manter contratados que ficam 1, 2 até 3 anos recebendo alto salário sem trabalhar entre uma produção e outra. Apenas um pequeno grupo será mantido com vínculo em longo prazo. A maioria dos atores passa a atuar por obra certa. Esse sistema vai gerar economia milionária. O sinal amarelo acendeu na Globo no início do ano. O último balanço financeiro revelou queda de 8% na receita publicitária em 2019.

Não quebrou – O grupo Globo faturou R$ 14,1 bilhões, 4% menos do que no ano anterior. O lucro caiu de R$ 1,2 bilhão para R$ 752,5 milhões. Boa parte desse rendimento veio de juros de investimentos, e não de faturamento comercial. Ainda que receba a maior fatia da verba publicitária dos grandes anunciantes do País, a Globo sabe que os meios digitais são um concorrente cada vez mais forte à televisão. Diante da queda de receita, a empresa precisa se adequar aos novos tempos. A Globo não quebrou nem corre o risco de ir à falência. Apenas vai faturar menos, o que exige redução de gastos. Trata-se de uma reorganização interna a fim de suportar os desafios impostos pelo 'novo normal'.

Livro aberto – Rosangela Wolff Moro, esposa do ex-ministro Sérgio Moro, está aproveitando a quarentena para adiantar páginas do livro que escreve sobre o período de um ano e quatro meses em que o marido esteve à frente do Ministério da Justiça. E, assim, ela justifica não se aprofundar em avaliações sobre o governo Bolsonaro – nome que, aliás, a advogada não pronunciou uma só vez. “Tô escrevendo pra dar a minha percepção sobre esse período”, conta. É a primeira vez que ela fala publicamente após a demissão de Moro, em 24 de abril. O ex-juiz da Lava Jato apareceu no vídeo rapidamente apenas para dar atenção à Yorkshire da família, recém-operada de um tumor. O casal Moro está recluso com os dois filhos em Curitiba, cidade que voltou a ter restrições mais rígidas pela covid-19.

Enfeite – Por falar em Moro, ele disse ao programa Globonews Debate que o Partido dos Trabalhadores (PT) deve reconhecer os erros do passado se quiser ser competitivo nas eleições de 2022. “É muito difícil avançar se não olhar para trás e corrigir seus erros. O presidente [Jair Bolsonaro] também tem esse lado que erra ao negar a pandemia. Não que não tenha feito coisas positivas. O PT tem esse lado que acha que não aconteceu o mensalão, que não houve crimes na Petrobras, que a culpa disso é minha… Uma forma de recuperar a confiança é reconhecer o que fez de errado no passado”, disse. Conforme o ex-ministro, ele resolveu sair do Governo quando percebeu que não tinha condições de cumprir a agenda que ele defende. “Não ia ficar lá de enfeite”, desabafou.

CURTAS

RECORDE – Em meio à pandemia do coronavírus, a Bolsa de Valores movimentou R$ 25,9 bilhões por dia em 2020 no primeiro semestre, no maior valor diário da história do mercado acionário brasileiro. Esse resultado se estende para o volume financeiro total negociado nos seis primeiros meses do ano, que chegou a R$ 3,19 trilhões, equivalente a 84,6% do volume negociado em todo o ano de 2019, de acordo com dados Economatica. O fotógrafo Luiz Claudio Carvalho foi um dos novos investidores que ajudaram a engordar o volume de negociações da B3. “Entrei na Bolsa em fevereiro, quando ainda estava naquela alta que se iniciou em 2019”, diz ele. “Não entendia muito bem e tomei um susto quando começou a cair, mas tive paciência e agora recuperei os prejuízos, e também voltei a comprar ativos.”

SAINDO DO POÇO – Apesar da pandemia, a equipe econômica não perdeu o rumo fiscal e o fundo do poço para a atividade econômica pode ter sido em abril, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes. O primeiro capítulo para a retomada da atividade, na sua avaliação, era o ataque às despesas, antes de o País ser atingido por um "meteoro" (em referência à pandemia), e que agora o Brasil está no segundo capítulo, descrito por ele como de descentralização de recursos. Para Guedes, em se confirmando expectativas dos dois últimos ministros da Saúde, em dois ou três meses o Brasil estaria entrando em um novo capítulo --em que a primeira onda da pandemia seria superada.

PESQUISA – A primeira pesquisa Potencial/Blogdomagno para prefeito de Olinda será postada amanhã exatamente à meia noite neste blog com exclusividade. Trará o cenário não apenas eleitoral, mas também da avaliação do prefeito Lupércio (SD) e as gestões de Paulo Câmara e Jair Bolsonaro. Já na próxima semana, também de quarta-feira à meia noite, postaremos o resultado da pesquisa sobre a sucessão do prefeito do Recife, Geraldo Júlio. O start da série pesquisas Potencial/Blogdomagno foi dado com Jaboatão, na semana passada, apontando um quadro confortável para a reeleição do prefeito Anderson Ferreira (PL).

Perguntar não ofende: E a pesquisa Simplex foi tão simples para assimilar Daniel Coelho bombado?

Publicado em: 06/07/2020