Bolsonaro lembra um pouco Delfim Moreira

O Globo - Coluna de Ancelmo Gois

Fale a verdade. Até dias atrás, Delfim Moreira (1868-1920) era mais conhecido como o nome de uma avenida à beira-mar de um bairro de bacanas do Rio. Foi a Covid-19 que fez relembrar a Gripe Espanhola e, por tabela, esse político mineiro que chegou a ser governador de seu Estado. Afinal, Delfim, vice na chapa de Rodrigues Alves, teve de assumir a Presidência do Brasil em 15 de novembro de 1918 — quando o titular morreu vítima daquela pandemia — e ficou até julho do ano seguinte.

“Delfim Moreira era um pouco desequilibrado, via alucinações no Palácio do Catete”, lembra a economista Hildete Pereira de Melo, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O então presidente ficava, vez por outra, totalmente desconcentrado da realidade e desligado de suas tarefas, sendo que, na prática, quem tomava as decisões era o ministro Afrânio de Melo Franco (1870-1943), o grande político e diplomata, então ministro de Viação e Obras Públicas.

Bolsonaro lembra um pouco, com todo o respeito, Delfim Moreira. Mas... sem Afrânio. Mas essa é outra história...

Publicado em: 05/04/2020