Nações de maracatu se reúnem no Marco Zero do Recife

Do G1 - PE

Em uma noite de muita música e celebração ao povo negro, o Tumaraca, encontro das nações de maracatu do estado, animou o Bairro do Recife, no Centro da cidade, na noite de ontem, véspera da abertura oficial do carnaval da capital pernambucana.

Continuando a festa iniciada pelo encontro dos grupos de afoxé, o cortejo das nações saiu da Rua da Moeda até a Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, lotando o local e proporcionando um dia a mais de festa na cidade.

Ao chegar ao Marco Zero, os mestres das 13 nações de maracatu vindas de diversos bairros da Região Metropolitana deram início à celebração. Eles pediram e agradeceram a energia dos mais antigos, pelos ensinamentos e tradição, e às futuras gerações, que continuarão perpetuando o maracatu.

As percussões de todas as nações fizeram o público que decidiu ir ao Bairro do Recife, na última noite que antecedeu o carnaval oficial da cidade, dançar durante todas as apresentações.

E se os grupos de afoxé levaram os jasmins, que regaram com ervas o chão do Marco Zero do Recife, para atrair boas energias para a folia de Momo da capital do estado, o maracatu mostrou o batuque marcante dos tambores para espalhar vibrações positivas.

Mestre Chacón, que comanda as batidas do Maracatu Nação Porto Rico, e é um dos maiores defensores do ritmo e da cultura negra no estado. Ele comemorou o sucesso da noite voltada para homenagear a cultura negra no carnaval do Recife.

"O Tumaraca é a persistência do povo negro, o povo que grita cada vez mais por representatividade. Esta noite linda só mostra que o maracatu, assim como o afoxé, pode fazer uma festa maravilhosa durante uma noite inteira", afirmou Chacón.

A rainha do Maracatu Nação Raízes do Pai Adão, Luciana Trindade, de 45 anos, destacou também que a noite de celebração também é um momento de enaltecimento à religião africana, em especial o candomblé, que é o alicerce das nações de Maracatu.

"É um privilégio para mim, como pernambucana e defensora da cultura de matriz africana, fazer parte dessa festa. É o momento que temos para defendermos candomblé, que ainda é visto com muito preconceito", comentou Luciana.

O casal integrante do Maracatu Nação Encanto da Alegria, Rosimery José de Barros, de 56 anos, e José Amaro da Silva, de 65, participa todos os anos do cortejo que antes abria e hoje antecede a abertura do carnaval do Recife e conta que a cada ano a celebração fica mais bonita.

“É muito gostoso ver tantas nações juntas, cada uma com suas cores. Esse é o colorido que o carnaval daqui tem. É bom demais fazer parte disso”, falou alegremente a auxiliar de serviços gerais que foi substituindo a filha como rainha da sua nação de maracatu.

“Ela está trabalhando e a gente não podia deixar o Encanto da Alegria sem rainha. Como mãe, eu vim substituí-la”, contou.

Impressionado com a beleza do espetáculo no Marco Zero do Recife, o italiano Giovanni Rondi, de 65 anos, acompanhado da mulher pernambucana Simone da Silva, de 42, e do filho do casal, Bruno Rondi, de seis, ele falou que nunca viu nada igual.

“É a primeira vez que venho ao Brasil durante o carnaval e estou encantado com a beleza da festa no Recife. Lá fora, a gente só fica conhecendo o samba e chega aqui e encontra uma maravilha dessas”, ressaltou o turista.

Na parte final da celebração, o cantor e compositor Marrom Brasileiro, também mestre de maracatu, subiu ao palco para se juntar aos mestres na noite do Tumaraca e homenagear o percussionista Naná Vasconcelos, grande representante e idealizador da celebração.

“É um imenso prazer fazer parte de um momento como esse. Ver e ouvir tantas nações juntas e poder fazer som junto com elas é algo que a gente leva para a vida”, comentou Marrom Brasileiro.

Publicado em: 21/02/2020