Coluna do sabadão

Lóssio passa a borracha no passado

A política é uma usina de surpresas e de interesses próprios, acima das causas coletivas. Com raras exceções, os políticos só costumam olhar apenas do umbigo para baixo. Em Petrolina, o ex-prefeito Júlio Lóssio (PSD) apareceu, ontem, feliz da vida, exibindo um sorriso Colgate numa foto ao lado do governador Paulo Câmara e de dois adversários históricos no PSB, o deputado federal Gonzaga Patriota e o deputado estadual Lucas Ramos.

Qual a simbologia política da imagem? As eleições municipais serão em outubro, as oposições em Petrolina estão divididas e Lóssio, principal liderança oposicionista, saiu da toca para dar um aviso: se for para derrotar o prefeito Miguel Coelho (MDB), que vai à reeleição com amplo favoritismo, será capaz de tudo, inclusive passar uma borracha nas divergências do passado com adversários, buscando uma candidatura consensual com combustão política e eleitoral.

Teoricamente, Lóssio seria o candidato mais competitivo, mas enfrenta dificuldades pelo isolamento político e um problema de natureza pessoal: seus bens, compreendendo todo patrimônio construído ao longo da vida, estão penhorados pela justiça. Diante disso, o que se diz é que poderá deixar as indiferenças de lado com o PSB, apoiando o pré-candidato socialista Lucas Ramos, filho do conselheiro do TCU, Ranilson Ramos.

Ao passar o dia ontem em Petrolina, o governador deu uma demonstração, também, de que o município, maior colégio eleitoral do Sertão, é prioridade. Ali, a campanha municipal tende a ser estadualizada e até nacionalizada, porque o que estará em jogo é a disputa do Palácio com as forças que integram o grupo do líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Uma briga que promete capítulos emocionantes.

Miguel, quadro para 2022 – No confronto com o grupo de FBC em Petrolina, o PSB quer unir todas as forças de oposição, capitaneadas por Júlio Lóssio, para impedir a reeleição de Miguel Coelho, quadro que o pai vem preparando para um projeto majoritário no Estado. Um dos gestores mais populares de Pernambuco, alavancado por transformar a capital do São Francisco no maior canteiro de obras do Estado, Miguel, se reeleito, tem chances de disputar o Palácio das Princesas pelo bloco de oposição. Com isso, FBC adiaria, mais uma vez, o velho projeto de um dia governar o seu Estado.

Odacy isolado – Ainda em se tratando de Petrolina, o que se diz por lá é que batendo o martelo no apoio à candidatura de Lucas Ramos, Lóssio indicaria Andréia, sua esposa, para fechar a chapa do socialista como vice. O acordo isolaria, consequentemente, o pré-candidato do PT, Odacy Amorim, ex-prefeito, também forte candidato do bloco oposicionista. Amorim, aliás, aceitou posar, também, na foto de ontem com o governador, Lóssio, Lucas e Patriota. Aos mais próximos, o petista diz que será candidato de todo jeito, mesmo que Lóssio e Lucas venham a se entender num palanque único.

Surubim dividida – A prefeita de Surubim, Ana Célia (PSB), diz que não toma tranquilizantes para dormir, porque está com a consciência em paz pela obra administrativa que vem tocando. “Trabalho tanto que quando chego em casa, já tarde da noite, boto a cabeça no travesseiro e apago”, relata. Célia, ao contrário do que foi noticiado ontem neste espaço, tende a tirar proveito de duas candidaturas no campo oposicionista, no caso Túlio Vieira e Flávio Nóbrega. Como lá não tem segundo turno, a divisão da oposição pode facilitar o seu projeto de reeleição.

Quarteto militar – Com as novas mudanças na Esplanada dos Ministérios, sobrou algum “superministro” na gestão Bolsonaro? Pelo jeito, não, nem o presidente, a esta altura do campeonato, teria interesse em fortalecer algum auxiliar em detrimento dos demais. Entre os ministros, que brigam na surdina, como fica agora o Bolsa Família sob o comando de Onyx Lorenzoni? Depois de um processo de fritura, Onyx sai da Casa Civil e sua vaga passa a ser ocupada por Braga Netto, general que agora forma com outros ministros um quarteto militar no Planalto.

CURTAS

TOMOU DORIL – O deputado paraibano Wilson Santiago (PTB), que teve o mandato restabelecido pelo Plenário da Câmara Federal na semana passada, após ser afastado por decisão do ministro Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Pés de Barro, não foi visto em nenhuma sessão ordinária ou extraordinária ao longo da semana no Congresso. Segundo levantamento feito pelo Portal MaisPB, Santiago só esteve presente no Plenário no último dia 6. Nesta sessão, a Casa iria votar propostas que tratam sobre a autorização de serviços aéreos entre o Governo Brasileiro e Governos de outros países.

NO ENFRENTAMENTO – A Procuradoria Geral do Estado (PGE) protocolou, ontem, na 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca do Recife, requerimento solicitando o julgamento imediato e simultâneo de duas ações que pedem a dissolução definitiva da personalidade jurídica das chamadas “torcidas organizadas” em todo o Estado. As ações têm como réus a Torcida Jovem, a Fanáutico e a Inferno Coral, e objetivam, em definitivo, a proibição do acesso, permanência ou reuniões das “torcidas organizadas” dentro e fora dos estádios.

QUEM TEM RAZÃO? – O deputado Fernando Rodolfo (PL) não gostou da nota de ontem nesta coluna contestando a sua versão de que perdeu o programa de TV no SBT em Caruaru por pressão do governador Paulo Câmara. “A ordem veio de cima, no comunicado pelo qual perdi o emprego”, disse. Já a TV-Jornal, em nota, informou que afastou o então âncora por ter a certeza de que estava sendo assediado por um partido para disputar um mandato na Câmara dos Deputados.

Perguntar não ofende: Só a benção do Papa será capaz de apagar todos os pecados das maldades que Lula fez com o Brasil?

Publicado em: 14/02/2020