Bolsonaro usa Caixa para reduzir Juros

Bolsonaro usa Caixa para reduzir juros em cenário favorável a mais concorrência entre bancos. Segundo analistas, concorrentes privados devem reagir à iniciativa do banco público.

Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

O Globo - Por João Sorima neto

A estratégia da Caixa Econômica Federal de reduzir os juros cobrados nos financiamentos imobiliários e no cheque especial deve aumentar a concorrência nessas modalidades de crédito, já que no atual cenário de taxa básica no patamar mais baixo da história, os grandes bancos privados serão pressionados a reduzir o que cobram de seus clientes sob o risco de perder mercado.

Para analistas ouvidos pelo GLOBO, diferentemente do que aconteceu em 2012, quando a ex-presidente Dilma Rousseff determinou por "decreto" a redução dos juros nos bancos públicos, para forçar uma queda nas taxas praticadas pelos concorrentes privados, desta vez o cenário econômico permite que esse movimento seja feito: a Selic está em 4,5% ao ano e deve permanecer baixa por um longo período.

- É uma estratégia agressiva, tornando a Caixa mais competitiva nesses segmentos de crédito. É claro que ao baixar juros, o controlador, que é o governo, usa a instituição para aumentar a concorrência. Nesse momento atual de juro mais baixo, os spreads tendem a cair. E o momento é muito diferente de 2012, quando tínhamos Selic a 14,5% - explica João Augusto Salles, economista especializado no setor financeiro, que acredita que o cenário de Selic baixa deve permanecer nos próximos dois anos.

Ele observa que mesmo com esse movimento mais agressivo da Caixa, o banco público deve continuar tendo lucro, já que a tendência é conquistar mais clientes no crédito imobiliário, onde a instituição já abocanha 70% do mercado.

Para financiamento de imóveis o banco estatal reduziu sua taxa de 6,75% para 6,5% ao ano mais TR. Já lançou uma linha de crédito com reajuste pelo IPCA, a inflação oficial, e em breve deve lançar outra linha. No cheque especial, a taxa no banco caiu de 4,99% ao mês para 4,95% ao mês, para quem recebe salário pela instituição. O Banco Central fixou o teto da modalidade em 8% no mês passado.

- Os outros bancos já vêm se movimentando e oferecendo condições melhores no mercado imobiliário — diz Salles. Atualmente, já é possível encontrar taxas de pouco mais de 7% ao ano nos bancos privados para clientes que tem bom relacionamento com a instituição.

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Publicado em: 18/01/2020