Óleo derramado: crise diminui, mas preocupa estados

Crise do derramamento de óleo diminui, mas ainda preocupa estados. Com situação próxima da normalidade, esforços são para manter monitoramento das áreas atingidas e conseguir ressarcimento dos gastos decorrentes da limpeza das praias.

Derramento: resíduo de óleo no litoral do Sergipe Foto: Adema / Sergipe

O Globo - Gabriel Shinohara 

Órgãos do governo federal e dos estados tendem a concordar que o pior da crise do derramamento de óleo na costa nordestina já passou. No entanto, a questão ainda parece longe do fim, pois o monitoramento das áreas continua e algumas pendências burocráticas e orçamentárias entre o governo federal e os estados precisam ser resolvidas.

Na última semana, o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) divulgou uma nota em que afirmava que a situação “caminha para a normalidade”. Segundo o texto, grande parte do óleo já foi retirada e, por isso, o foco do trabalho é no monitoramento das áreas. O grupo é formado pela Marinha,  o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). 

Gilvan Dias, diretor-presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) de Sergipe, compartilha do entendimento do grupo. De acordo com ele, a chegada de óleo na costa realmente diminuiu, apesar do monitoramento da Adema ter encontrado novos vestígios na última quarta-feira.

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Dias conta que o trabalho de limpeza está sendo feito principalmente por empresas contratadas pelos municípios. Segundo ele, por causa da redução da quantidade de óleo, houve também uma diminuição da mobilização. O diretor criticou o trabalho conjunto com o GAA, que chamou de “precário”.

 — É muito precária, os órgãos federais fazem as suas ações ao arrepio da participação dos estados — disse.

José Bertotti, secretário de meio ambiente de Pernambuco, evita usar a palavra “normalidade”. Não há registro de novas chegadas de petróleo na costa este ano, mas o estado ainda monitora cinco áreas contaminadas com vestígios do óleo.

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 — Eu não uso a palavra normalidade, uso a palavra monitoramento, ação. A gente continua trabalhando em cima desse que foi o maior crime ambiental que a gente viu. E até hoje a gente não descobriu a origem disso.

Além do trabalho em campo, o estado abriu outras frentes. Em dezembro, o Fundo de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) anunciou a lista de 12 projetos de pesquisa que receberão apoio financeiro do estado para estudar os efeitos da contaminação por óleo. Os temas variam de estudos sobre o impacto nos ecossistemas costeiros, como manguezais e recifes, até pesquisas sobre os efeitos na saúde dos pescadores.

Em Alagoas, a situação está melhor, segundo o diretor-presidente do Instituto do Meio Ambiente do estado, Gustavo Lopes. O instituto não mantém mais equipes de coleta específicas para o trabalho, já que também não há registros de novas chegadas de petróleo na costa desde o ano passado. 

 — Na nossa ótica há um tempo está na normalidade.  Não temos mais equipes de coleta há algum tempo  e quem está mais a frente agora é o Ibama, fazendo apenas vistorias  — explicou Lopes.

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Publicado em: 18/01/2020