Experiência fantástica com fé e axé baiano

Acabei de chegar de moto ao hotel em que estou hospedado em Salvador. Não foi fácil cobrir a Lavagem do Bonfim, a maior festa popular religiosa do Nordeste. Fiquei com a mesma sensação de estar nas ruas do Recife sob o frevo rasgado da nossa cultura.

Mas foi bem diferente. É uma mistura do profano com o sagrado, a fé que sai energizada, no grito e no canto dos milhares de fiéis do Senhor do Bonfim. Não dá para calcular, mas falam em dois milhões de pessoas. Elas chegam de todos os cantos e ladeiras de Salvador. Negros, brancos, caboclos, índios, enfim, a mais genuína miscigenação própria de uma Bahia com 80% de almas negras. Depois da África, é na Bahia onde se observa a maior negritude do mundo.

Gente linda e feliz, que irradia uma energia contagiante. Eu já sabia que o baiano era bairrista, porque tenho parentes por cá. Só não imaginava o tamanho sem limite do amor à sua terra, suas raízes e cultura afros.

Teve alguns momentos do percurso que imaginei que não alcançaria a Igreja do Bonfim. A caminhada é de 8 km, que parecem mil, porque o caminhar é lento e em todos os ritmos baianos.

Encontrei até os bonecos de Olinda e não resisti a ensaiar uns passos de frevo tocado por orquestras tipicamente pernambucanas. A procissão é religiosa, mas bem que parece um carnaval fora de época em solo de animação baiana.

Se por um lado as vezes falta ar e o calor é capaz de torrar a cuca, por outro a beleza da chama do amor aceso da irmandade baiana nos prende pelo visgo da magia do axé.

Viva a Bahia!

Publicado em: 16/01/2020