Coluna desta sexta na Folha

Toffoli evita confronto com Moro

Na entrevista vapt-vupt ao Frente a Frente, ontem, o presidente do STF, Dias Toffoli, que cumpriu agenda por dois dias em Pernambuco, encheu os pulmões para afirmar que, se não fora o papel desempenhado pela corte, a Lava Jato, conduzida pelo então juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, não tinha ido a lugar algum.

Toffoli interrompeu a entrevista, no entanto, quando quis saber dele as razões das divergências com Moro quanto à proposta do juiz das garantias incluída no pacote anticrime enviado para apreciação do Congresso. Toffoli certamente nada quis responder porque é fiador de uma medida que afasta Bolsonaro de parte do seu eleitorado.

Os bolsonaristas são fiéis ao presidente, independente do que ela faça. Já os lavajatistas são fiéis a Sérgio Moro. Há uma briga nas redes sociais entre os dois grupos, porque os bolsonaristas acreditaram no discurso de endurecimento do combate à corrupção do então candidato Jair Bolsonaro.

Viés esquerdista – Lavajatistas dizem que Bolsonaro traiu o povo ao adotar uma medida identificada com a esquerda (um dos defensores da novidade no Congresso é o deputado federal Marcelo Freixo, do PSol-RJ). Bolsonaristas desdobram-se em argumentos para provar que os lavajatistas é que são esquerdistas disfarçados, pois ficam tentando achar pelo em ovo em tudo o que Bolsonaro faz.

Pessoal – O juiz das garantias beneficiaria o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente enrolado no caso das “rachadinhas” da Assembleia Legislativa do Rio. Se for instituído para os processos já em andamento, um juiz de garantias substituiria o atual magistrado linha-dura que conduz o caso de Flávio. A motivação do presidente, portanto, seria de ordem pessoal.

NOVOS PROCESSOS – O presidente do Supremo garante, porém, que a figura do juiz de garantias só passaria a vigorar nos processos futuros, não nos que já estão em abertos, como é o caso do de Flávio Bolsonaro, que não seria beneficiado. A questão é que, como o próprio Toffoli afirmou, foi ele que deu o “aval” para Bolsonaro sancionar a medida, em vez de vetá-la, como queria Moro.

Elogios – Disposto a levar projetos aos mais longínquos rincões, o secretário de Trabalho, Alberes Lopes, comprou uma bota de sete léguas. Varreu, nos últimos dias, os sertões do São Francisco e Araripe, ganhando elogios até de prefeitas que apoiaram a oposição em 2014, como Josimara Cavalcanti, de Dormentes.

Nem aí – O presidente do Detran, Roberto Fonteles, faz vista grossa às decisões do Tribunal de Contas do Estado de acabar com o monopólio no registro de contratos de financiamentos de veículos. Hoje, só uma empresa responde por esse milionário mercado. Para Fonteles, não existem autoridades no Estado para dobrá-lo.

E Recife? – Os deputados da bancada pernambucana na Câmara Federal prestam contas das emendas impositivas já liberadas. Líder do SD, Augusto Coutinho saiu na frente informando que em 2019 liberou R$ 8,6 milhões para diversos municípios do Interior e Região Metropolitana. Só esqueceu Recife, onde teve 10,5 mil votos.

Perguntar não ofende: Por que o presidente do STF, Dias Toffoli, evita o enfrentamento com Sérgio Moro?

Publicado em: 10/01/2020