A crise na saúde pública de Serrita ganhou mais um capítulo ontem, quando o vereador Chico Romão (PSD) foi desacatado durante uma visita à Unidade Básica de Saúde Maria Andrelina, no Conjunto Habitacional da cidade. O parlamentar foi até o local em busca da vacina contra a gripe, mas encontrou a unidade sem doses, sem informações claras e sem a presença da enfermeira responsável. Ao tentar obter dados sobre o estoque de vacinas, teve o acesso negado.
A visita, que deveria ser de fiscalização, terminou em confusão. Segundo relato de moradores, a funcionária Kaliane da Silva, contratada como faxineira, mas apontada por moradores como responsável por outras funções na unidade, insultou o vereador com a frase “vereador de bosta”. A ofensa foi ouvida pela esposa do parlamentar, que acompanhava a visita. Ao retornar à unidade para confrontar a funcionária, Chico exigiu respeito e reagiu com ironias, o que levou a novos insultos.
O episódio foi parcialmente gravado e divulgado por aliados do prefeito Aleudo Benedito (MDB), com edições que, segundo o vereador, distorcem os fatos e expõem pessoas que sequer estavam presentes no momento da confusão.
Leia maisO caso inflamou ainda mais os ânimos numa cidade já polarizada entre funcionários da Prefeitura e parte da população que não apoia o prefeito e defende o vereador. A recente postagem de Aleudo nas redes sociais, em que relembra que desacatar servidor público é crime, foi vista como provocação por muitos moradores. A publicação, feita logo após o episódio, foi interpretada como tentativa de proteger a funcionária e desviar o foco do debate — ignorando que ela é contratada, não concursada, e acumula funções de forma irregular.
“Ainda, Aleudo tem o direito de gritar com os funcionários?”, questiona a serritense Fátima Canejo, lembrando o episódio recente no lançamento da grade da Festa do Jacó, em Recife, quando o prefeito teria gritado com membros da equipe. A situação foi tão constrangedora que, segundo ela, três funcionários pediram desligamento logo após o evento.
A população denuncia que a confusão apenas evidencia o caos vivido na saúde do município. “Faltam remédios nas farmácias, nas UBS, não tem nem gazes nos hospitais. Não tem sala de raio-X. E eles mentem, maquiam as coisas. Tem muita gente reclamando”, relatou Fátima. Ela também criticou a falta de organização no Dia D da vacinação contra a gripe, quando a UBS sequer estava aberta e não havia qualquer aviso à população sobre onde as vacinas estariam disponíveis. Chico Romão registrou boletim de ocorrência e promete acionar a Justiça tanto contra a funcionária quanto contra os responsáveis pela divulgação irregular das imagens. O caso agora aguarda o posicionamento da equipe da UBS e da coordenação de imunização do município.
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