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07/09


2021

Coluna de terça-feira

Enfim, o 7 de setembro

Cantadas em verso e em prosa pelos bolsonaristas, vistas como um divisor de águas na medição de forças entre Executivo e Judiciário, temidas até como um recado de ruptura institucional, as manifestações previstas para hoje no 7 de setembro em todo o País tendem a ser gigantescas. As atenções se voltam especialmente para Brasília e São Paulo, que serão as maiores e contarão com a presença do presidente Bolsonaro.

No Distrito Federal, a concentração ocorrerá pela manhã, na Esplanada dos Ministérios, sob grande foco da Segurança, que vai impedir o acesso à Praça dos Três Poderes, incluindo a preservação física do Congresso Nacional, STF e Palácio do Planalto. Centenas de caminhões adesivados estão concentrados na periferia de Brasília, além de grande quantidade de ônibus vindos de diversos estados.

Manifestação de esquerda também está programada para Brasília, em outra área reservada pelo Governo do DF. Em São Paulo, o encontro de grande número de partidários do Presidente Bolsonaro ocorrerá à tarde, na Avenida Paulista, com o mesmo teor: demonstração de solidariedade ao presidente Bolsonaro no seu confronto público com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Os atos têm tirado o sono dos que cuidam da segurança. As secretarias estaduais de Segurança Pública e o Congresso pediram reforço na segurança diante do risco de vandalismo e até invasão de prédios públicos. Na capital paulista, os atos já viraram caso judicial. O Tribunal de Justiça do Estado decidiu que o governador João Doria (PSDB) não pode proibir manifestações contra o Governo, desde que ocorram em locais distintos dos protestos a favor do Planalto convocados para a Avenida Paulista.

Doria havia dito que, para evitar risco de confrontos, atos contra o governo federal não seriam permitidos no dia 7. Líderes da oposição na Câmara assinaram requerimento para convocar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para explicar as medidas tomadas pela pasta para evitar ataques contra instituições no feriado. Senado, Câmara e o Supremo Tribunal Federal (STF) pediram ao governo do Distrito Federal reforço na segurança da Esplanada dos Ministérios.

A principal preocupação é com a presença de radicais bolsonaristas, incluindo policiais militares. O governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou ponto facultativo às vésperas do feriado para evitar aglomerações. Ele afirmou que “manterá a segurança da população e dos manifestantes pacíficos”, e que o plano de contingência está sendo elaborado pela Secretaria de Segurança.

Solavancos – Questionado sobre as manifestações, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou: "A gente tem que se esforçar para que os movimentos de rua aconteçam e sejam pacíficos. Grandes ou pequenos, isso é irrelevante. A gente tem trabalhado em Brasília para distensionar, diminuir, dirimir e exterminar com as versões". Segundo ele, o Brasil é "acostumado a solavancos" e que a antecipação do processo eleitoral "machuca o País". "Não cabe a qualquer político deixar de ser otimista ou tentar diminuir versões que são impostas", afirmou.

O recado de Bolsonaro – Na véspera do grande e esperado dia, o presidente Bolsonaro disse que o Brasil vive momentos não muito tranquilos. “Mas a certeza da resistência daqueles que têm acima de tudo a sua pátria conforta toda a nossa nação. Nos momentos mais difíceis da história, os sensatos se destacaram. O que está acima de tudo é o destino da nossa Nação. Não temos vaidades, ambições ou sede do poder. Mas temos uma inabalável vontade e disposição para que a nossa Constituição, a nossa democracia, e a nossa liberdade sejam mantidos a qualquer preço", afirmou.

Marco Civil – O presidente Jair Bolsonaro assinou, ontem, uma Medida Provisória que altera o Marco Civil da Internet a menos de 24 horas das manifestações pró-governo convocadas por apoiadores no 7 de setembro. Segundo publicação da Secretaria Especial de Comunicação Social, a medida visa assegurar a “liberdade de expressão “. A alteração beneficiará aliados do presidente, já que alguns – incluindo o próprio chefe do Executivo – são alvos de inquérito do Supremo Tribunal Federal por divulgar fake news. Nos últimos dias, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão de influenciadores bolsonaristas, entre eles o ex-deputado Roberto Jefferson.

Bloqueio – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou o bloqueio das contas nas redes sociais do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A decisão foi tomada no inquérito que apura a realização de supostos atos antidemocráticos no 7 de setembro. Eustáquio estava usando seu perfil no Twitter para divulgar declarações do caminhoneiro Marco Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, alvo de mandado de prisão preventiva e que atualmente está foragido. Oswaldo Eustáquio é formado em comunicação e autointitula-se “jornalista de alta performance”. Ele já foi preso duas vezes por ordem de Moraes. As suspeitas são a de que ele organizou atos antidemocráticos. A decisão do ministro está sob sigilo.

Grito dos excluídos – Neste 7 de setembro, no Recife, também está programada a 27ª edição da manifestação popular do Grito dos excluídos. Começa a partir das 10h, na Praça do Derby, e percorrerá a Avenida Conde da Boa Vista até a Praça do Carmo, no bairro de Santo Antônio. Este ano, o lema da manifestação será: “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”. A manifestação também realiza uma campanha de doação de alimentos para ajudar entidades que fazem apoio a pessoas em situação de rua. Para doar, é só levar 1 kg de feijão e entregar no coreto da praça, durante a concentração.

CURTAS

Bem de longe – Ao longo da última semana, o primeiro escalão do Governo procurou se desvencilhar das manifestações de 7 de setembro promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, ministros demonstraram desacordo com o acirramento institucional e constrangimento com a moldura autoritária dos protestos e a convocação feita por Bolsonaro para aderirem aos atos.

Incômodo – Boa parte dos ministros evitou até mesmo comentários em pronunciamentos e nas redes sociais sobre o convite público feito pelo presidente para eventos cuja pauta inclui a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal e a adoção do voto impresso, ambos assuntos superados no Congresso. Muitos podem aceitar o convite, mas não escondem incômodo.

Perguntar não ofende: Brasília ou São Paulo: quem fará o maior ato hoje?


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Cabo - Pavimentação e Drenagem


06/09


2021

Coluna da segunda-feira

O exército bolsonarista

A tropa de choque de Bolsonaro renovou a forma de fazer campanha de rua no País faltando ainda 13 meses para as eleições. Trata-se de um desfile diferente de uma gente em defesa de uma causa: a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Eles chegam de todos os cantos do País. Fecham estradas desfilando em motos possantes, usam as cores verde e amarela. Na largada, lembram uma nuvem de morcegos em revoada. Considerado santuário eleitoral de Lula, o Nordeste se rendeu às motociatas bolsonaristas.

A do último sábado, no trecho entre Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, que durante a semana é usada predominantemente por feirantes do maior polo de confecções do Nordeste, foi fenomenal, superou as demais realizadas em outras regiões do País. Segundo levantamento da Polícia, 50 mil aderiram ao evento, tendo como estrela o próprio presidente da República, candidato à reeleição, e apenas um ministro, o pernambucano Gilson Machado Neto, de Turismo, transportado por Bolsonaro em sua garupa.

Os organizadores, por sua vez, dão um plus. Calculam em mais 70 mil motociclistas. Se estiverem certos, superou a de Santa Catarina, a maior delas até então. Um evento desta magnitude assusta, dá calafrios até olhando na tela da TV. Mas há uma disciplina impressionante. Lembra eventos militares nos quais ninguém pode quebrar preceitos. Em quase três horas, 70 mil motociclistas não provocaram nenhum tipo de incidente na versão pernambucana.

Não houve, por exemplo, nenhuma agência bancária depredada, nenhum monumento queimado, nenhum patrimônio público pichado. Também não foi disparada nenhuma bala de borracha, muito menos jogado spray de pimenta na cara de ninguém. Homens, mulheres e crianças eram vistos em grupos dos mais diferentes municípios do Estado e até de outras regiões. Até do Sul foram vistos bolsonaristas fanáticos com sua bandeira verde e amarela.

Nunca algo aconteceu na história republicana. Em eleições que levaram milhares de pessoas às praças públicas, nada igual. Eis o fato novo. No processo de redemocratização do País, a campanha das diretas contaminou o coração dos brasileiros, encheu praças e avenidas, fez a juventude pintar seus rostos de verde e amarelo, mas nada que já não tivesse ocorrido antes no País. Comícios, carreatas e passeatas sempre existiram.

A página ainda inédita e aberta era a das motociatas, preenchida agora com o DNA bolsonarista. A campanha presidencial de 22 terá essa marca inovadora. Polarizando com Bolsonaro, Lula fará o quer em termos de inovação? Ninguém vai mais a comícios, antes só havia gente por causa das atrações musicais e não pelos candidatos. De agora em diante, os grandes atos da campanha de reeleição do presidente terão o controle absoluto dos idealizadores das motociatas. Longe, ocupando as estradas, o que se verá será o grande e assombrador “exército bolsonarista” pelas estradas do País.

Quem viver, verá!

Improcedente – Em alguns veículos de imprensa, circulou a versão de que três parlamentares pernambucanos que apoiam Bolsonaro foram barrados na solenidade da troca do comandante militar do Nordeste, na última sexta-feira (3). Entre os citados no suposto veto, os deputados estaduais Coronel Alberto Feitosa, Clarissa Tércio (ambos do PSC) e Joel da Harpa (PP). "Essa informação não procede. Estive presente com os demais colegas no evento. Há fotos e vídeos nas redes sociais que comprovam nossa presença no local. Lamento este grande erro de alguns jornalistas pernambucanos. Todos sabem que é papel da própria imprensa checar a veracidade das informações e ouvir os dois lados antes de publicar qualquer notícia", rebateu Feitosa.

Não vai sair – No encontro com empresários e apoiadores, sexta-feira passada, no Recife, o presidente Bolsonaro fez questão de fazer uma ligação para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Em viva voz, encostou o seu celular no microfone para o público ouvir. Freitas, o chamado tocador de obras do Governo, esqueceu de falar da principal obra que a bancada federal, aliás, faz uma grande mobilização: o ramal da ferrovia Transnordestina até Suape. Mas não foi lapso de memória. Na verdade, o Governo não vai tocar a obra. É conversa para inglês ver. Originalmente, a concepção do projeto foi errada e não há segurança que, se concluída, a ferrovia venha de fato a servir para alguma coisa.  

Chegou 7 de setembro – Esperado com grande expectativa, até mesmo como uma espécie de divisor de águas, o 7 de setembro, amanhã, vai pipocar de manifestações em todo o País. Os olhos da Nação, entretanto, estarão voltados para Brasília. Lá, todos os hotéis estão empilhados de bolsonaristas para o ato em defesa do Governo e em protesto contra as intervenções do Supremo, marcado para a Esplanada dos Ministérios. No Recife, as concentrações estão marcadas para Imbiribeira e o calçadão de Boa Viagem. Também haverá protestos de esquerda pelo centro da cidade.

Ameaça de morte – Às vésperas das manifestações do 7 de setembro e um consequente aumento da tensão entre o Judiciário e o Executivo, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro têm manifestado nas redes sociais ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e à sua família. Em uma live no TikTok, um homem afirma que um empresário oferece dinheiro “pela cabeça de Moraes”. Em post no Twitter, um ex-PM diz que vai assassinar o magistrado e toda sua família. “A partir de hoje, nós temos um grupamento no Brasil que vai caçar ministros [do STF] aonde (sic) quer que eles estejam”, diz um homem identificado como Márcio Giovani Nique ou “professor Marcinho” no TikTok.

Três alternativas – Há quem diga que o presidente Bolsonaro, ao levar o ministro Gilson Machado Neto (Turismo) na garupa da sua moto na motociata de sábado passado, tenha sinalizado pela candidatura do aliado a governador de Pernambuco. Aos que não conhecem Gilson, ele tem também inserção politica em outros dois Estados em que está sendo convidado a disputar o Senado: Alagoas, onde tem emissora de rádio, fazenda de coco e hotel, e Tocantins, Estado que investe na pecuária. “Farei o que for melhor para o projeto do presidente”, diz Machado, ao confirmar a versão.

CURTAS

Queixa – O caminhoneiro bolsonarista Marcos Antônio Pereira Gomes, o “Zé Trovão”, postou, ontem, um vídeo pedindo que seus seguidores não ataquem o ministro Alexandre de Moraes. A fala vem depois de uma série de vídeos em que o bolsonarista desafia a ordem de prisão contra ele dada por Moraes. Ontem, o ministro prestou queixas por ofensas ouvidas em um clube em São Paulo. No sábado passado, Zé Trovão disse que Moraes deveria prendê-lo na Avenida Paulista, amanhã, no ato pró-governo de 7 de setembro.

Terceira via – Pesquisa PoderData realizada entre 31 de agosto e 1 de setembro mostra que 15% dos brasileiros não votariam em Bolsonaro nem em Lula nas eleições de 2022. O percentual subiu seis pontos em dois meses. Retomou patamar próximo ao do início do levantamento (12%), em março. Os que rejeitam Bolsonaro e Lula se dividem entre Ciro Gomes (PDT), Luiz Mandetta (DEM) ou João Doria (PSDB), que empatam na margem de erro.

Perguntar não ofende: O que será do Brasil amanhã? 


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Comentários

Joao

Será o mesmo: desemprego, preço de gás nas alturas, gasolina o litro a quase 7 reais, energia elétrica aumentando todos os dias....pior, muitos blogueiros puxa sacos e a boiada lambendo botas!


Petrolina setembro 2


04/09


2021

Coluna do sabadão

Foto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
Bolsonaro procura Pernambuco

Por Houldine Nascimento – interino

Na passagem por Pernambuco, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem evitado dar declarações polêmicas. O chefe do Executivo dará sequência à agenda logo mais, a partir das 8h, quando participa de uma motociata no Agreste do Estado. O Moda Center, em Santa Cruz do Capibaribe, é o ponto de concentração.

A escolha pela cidade faz todo sentido: foi o único município pernambucano em que Bolsonaro venceu os dois turnos das eleições em 2018. Mesmo sendo uma “ilha bolsonarista”, o prefeito Fábio Aragão (PP) já externou que não receberá o presidente, sob a justificativa de que é adventista, ou seja, seus sábados são reservados para atividades religiosas.

Outros dois municípios que estão na rota do passeio de moto são Toritama e Caruaru, onde ocorre a dispersão. O único prefeito que se dispôs a encontrar Bolsonaro foi o toritamense Edilson Tavares (MDB), que estará a postos no Parque das Feiras. Já a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), deixou claro que não se reunirá com o presidente e que nenhum integrante de sua gestão estará no ato.

A expectativa é de que ministros e aliados locais acompanhem Bolsonaro nesse passeio pelo Agreste. Ao desembarcar na Base Aérea do Recife, ontem, alguns parlamentares prestigiaram o presidente. A lista incluiu os deputados federais Fernando Rodolfo (PL) e André Ferreira (PSC) e os deputados estaduais Alberto Feitosa, Clarissa Tércio (ambos do PSC), Cleiton Collins (PP) e Romero Sales Filho (PTB). Além deles, o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, esteve presente. 

Na comitiva, o presidente Bolsonaro esteve acompanhado dos ministros Carlos França (Relações Exteriores), Gilson Machado Neto (Turismo), João Roma (Cidadania) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura), do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e do presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Frevou – A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também veio ao Recife. Na área externa da Base Aérea, um grupo de apoiadores esperava a comitiva, com direito a uma orquestra de frevo e bonecos gigantes – dois deles representavam o casal presidencial. Houve aglomeração e várias pessoas estavam sem máscara. Em um momento de descontração, Michelle pegou uma sombrinha e arriscou alguns passos de frevo. À coluna, o deputado Alberto Feitosa informou que a orquestra foi chamada por ele.

Inauguração – O primeiro compromisso da comitiva presidencial em Pernambuco foi a inauguração da nova Escola de Formação de Luthier e Archetier da Orquestra Criança Cidadã, no Recife. Este foi o único evento em que Michelle esteve. Autoridades civis e militares participaram da solenidade, que contou com uma apresentação musical e com o ministro Gilson Neto tocando sanfona. O projeto sociomusical é patrocinado pela Caixa Econômica.

Reivindicações – Ainda no Recife, representantes da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e a Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (Acic) entregaram ao presidente Bolsonaro um documento com algumas reivindicações, demonstrando preocupação com a infraestrutura local. Entre os pleitos, a construção do Ramal de Suape na ferrovia Transnordestina, a vinda da Escola de Sargentos do Exército e a conclusão do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima, bem como um Refis nacional.

Promessa – Por telefone, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse a estes empresários que está nos planos do Governo Federal retomar o controle da BR-232 e abrir leilão para proporcionar a recuperação da via. Segundo ele, uma consulta pública será feita a partir de novembro e a concessão deve ocorrer em agosto de 2022. Tarcísio também falou sobre a viabilidade do Arco Metropolitano e a recuperação da BR-104. Ao final, foi aplaudido por quem estava na plateia, sob a vigilância de Bolsonaro.

Climão – O presidente Bolsonaro e o governador Paulo Câmara (PSB) voltaram a se encontrar na noite de ontem, durante a cerimônia que oficializou o general Richard Fernandez Nunes como novo comandante militar do Nordeste, no Recife. Os dois ficaram lado a lado durante quase toda a solenidade, embora praticamente não tenham dialogado. Horas antes, nas páginas amarelas da revista Veja, Câmara definiu o Governo Bolsonaro como “absoluto retrocesso” e “desastre”. Alguns ministros também foram ao evento.

CURTAS

RACHADINHA – Um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou ao portal Metrópoles que era obrigado a entregar 80% do salário de R$ 7.326 na época em que o parlamentar era deputado estadual no Rio. Segundo a denúncia, a quantia era repassada para a advogada Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan e então casada com o presidente Bolsonaro

PRISÃO – A Polícia Federal prendeu, ontem, o blogueiro bolsonarista Wellington Macedo e está à procura do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão. Os dois estão entre os suspeitos de articular um ato antidemocrático no próximo dia 7. A Procuradoria-Geral da República solicitou a prisão e o ministro do STF Alexandre de Moraes expediu os mandados.

Perguntar não ofende: O que esperar das manifestações no Dia da Independência?


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Sindicontas


03/09


2021

Coluna da sexta-feira

Um crime inacreditável

Na era PT, de Lula a Dilma, especialmente Lula, que alguns desinformados ainda acham que é o pai dos pobres, o dinheiro do contribuinte não chegou na ponta apenas para financiar o Bolsa Família, reduzindo as desigualdades sociais. Chegou também – e muito – para os ricos. Líder do Podemos no Senador, o senador Álvaro Dias trouxe ao plenário da Casa um assunto que, se não tivesse documentação, seria inacreditável.

Dias, na verdade, levantou informações do caso JBS, especialmente no Governo Temer, interpretadas no Congresso como uma verdadeira exumação nos empréstimos do BNDES, entre 2008 e 2014, quando o banco injetou dinheiro barato em empresas selecionadas pelos governos Lula e Dilma (os “campeões nacionais”) para que pudessem comprar outras empresas no exterior.

O senador apresentou, em discurso no plenário, resultados de uma análise preliminar que, sem dúvida, é para deixar qualquer brasileiro de bom senso, que paga seus impostos em dia, de queixo caído. Segundo ele, em um período de seis anos, a União emprestou ao BNDES um total de R$ 716 bilhões. Como o Tesouro Nacional não dispunha do dinheiro, o Governo foi ao mercado privado.

Tomou recursos pagando juros de mercado a 14,25% ao ano pela taxa Selic, e repassou à JBS, Odebrecht e outras empresas ao custo entre 5% e 6%, pela TJLP. Negócio de mãe para filho. O resultado, lembrou, é um subsídio sem precedentes, de R$184 bilhões. “A sociedade vai pagar por isso até o ano de 2060”, disse Dias.

Essa farra do PT é um apenas uma gota do oceano de falcatruas da era PT no Brasil. Lula e Dilma nunca tocaram nesse assunto e precisam explicar como pegar dinheiro no mercado a juros exorbitantes e repassar para empresas cheias de rolos com juros 50% menores. Quem vai pagar essa conta? Eu, você, todos nós, contribuintes. Só para deixar bem claro o tamanho desse golpe aos cofres públicos: faltam 42 anos para liquidar a conta.

Inconstitucional – O senador Álvaro Dias está no pé do BNDES por essa e outras operações suspeitas. Ele considera inconstitucionais empréstimos feitos pelo banco, de maneira sigilosa, a países como Cuba e Venezuela. Por isso, impetrou mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para obter acesso aos contratos celebrados pela instituição financeira. Segundo ele, os empréstimos deveriam ter passado pela avaliação do Senado, e, além disso, a recusa em fornecer informações desrespeita a Lei de Acesso a Informação.

Os dois bicudos – A relação entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), piorou. A divergência foi exposta depois de os senadores rejeitarem uma medida provisória que havia sido aprovada pelos deputados na sessão da última quarta-feira. “A gente fica muito triste quando vê uma medida provisória como a 1.045 ser rejeitada no Senado”, disse Lira. Na Casa Alta, a MP teve apenas 27 votos, contra 47. “Nós chegamos a fazer um acordo com o líder do Governo, Fernando Bezerra Coelho. O Senado suprimiria toda a parte da CLT, que foi pedido aqui pelo governo para ser incluído na MP na Câmara”, acrescentou.

Tom mais ríspido – Foi perguntado ao presidente da Câmara se a rejeição da medida provisória pelo Senado havia causado tensão entre as duas Casas. “Não tem tensão. Se tivesse tensão eu estaria falando de maneira mais ríspida. Estou aqui lamentando a falta de sensibilidade”, respondeu Lira. “Nós cumprimos os nossos acordos. Nós não temos acordo nenhum que não seja respeitado com a oposição, com o centro ou com base nessa Casa. Nós respeitamos os regimentos tanto da Câmara quanto do Senado. Respeitamos os acordos e cumprimos com nossas palavras”, disse o deputado.

Vacinação avança – Em agosto passado, o Brasil bateu recorde do total de doses aplicadas em 1 mês: foram 51,9 milhões. Houve alta de 26% frente a julho, maior marca anterior. Os números são da plataforma coronavirusbra1, que compila os dados das secretarias estaduais de Saúde. Também foi o recorde de só primeiras doses e de só segundas doses administradas em 1 mês. Só as aplicações de doses únicas (Janssen) caíram. O número de segundas doses, administradas em agosto, cresceu 87% em relação a julho. Passou de 11,2 milhões para 20,8 milhões. As aplicações de 1ª dose cresceram 17%.

Pegou mal – De olho no Senado, por achar que tem chances no complicado tabuleiro da montagem da chapa majoritária governista, o jovem deputado Sílvio Costa Filho, do Republicanos, irritou aliados do senador Jarbas Vasconcelos (MDB), quando afirmou que o Senado não poderia continuar sendo uma Casa para fomentar e acolher aposentadorias de políticos. A declaração, numa coluna de jornal, foi entendida como um recado a Jarbas, sobretudo, porque os eventuais e naturais possíveis concorrentes de Silvio Filho estão longe de engrossar a fila dos que irão vestir o pijama.

 

CURTAS

Desembarque – Os manifestos assinados nas últimas semanas por empresários, figuras do agronegócio e do mercado financeiro são o lado visível de um "desembarque silencioso" de parte da elite econômica da base de apoio do governo Bolsonaro. A avaliação é do economista José Roberto Mendonça de Barros, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, fundador da consultoria MB Associados, em funcionamento desde 1978, e membro do conselho de diferentes empresas.

Selo internacional – Fernando de Noronha recebeu, na última quarta-feira, o selo internacional Safe Travels, certificação de que a ilha tem um turismo seguro. O principal motivo para o destino receber o certificado foi o trabalho desenvolvido no combate à pandemia da Covid-19. O selo Safe Travels foi criado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo para reconhecer municípios e empresas que seguem todos os protocolos sanitários estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Perguntar não ofende: Rodrigo Pacheco foi picado pela mosca azul da corrida presidencial?


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Comentários

Joao

E os crimes inacreditáveis, praticados contra a democracia, as finanças públicas e principalmente a VIDA, que este senador não menciona no atual governo, e que também o blogueiro bolsonarista não fala?




01/09


2021

Coluna da quinta-feira

Engenheiro desacredita Ferrovia

Um dos temas que abordarei na entrevista exclusiva que farei, hoje, aqui em Brasília, com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, será a paralisação do eixo da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco. A bancada federal já esteve com o ministro, mas tudo ainda está muito nebuloso, até porque o Governo Federal desconfia da eficácia do projeto.

As desconfianças se dão a partir do erro de engenharia na obra até a capacidade exportadora de Pernambuco. Num brilhante artigo, ontem, neste blog, o engenheiro Edson Félix Costa questionou a eficácia econômica da Ferrovia no trecho pernambucano. “Fala-se que o ramal de Suape servirá para exportar o gesso do Araripe, mas parece que essa produção de gesso não tem volume que a credencie a acessar o mercado internacional e, mesmo que tivesse volume, faz alguma diferença para o consumidor internacional que o produto saia de Suape ou de Pecém?”

A pergunta dele vem com a resposta a seguir: “Falava-se que o ramal de Suape seria viabilizado com a exportação do minério de ferro vindo do Piauí. Aí o buraco é muito mais em baixo. O Piauí tem duas jazidas de minério de ferro (São Raimundo Nonato e Paulistana). A primeira, com 6 bilhões de toneladas, fica bem próximo da ferrovia Norte-Sul, que acessa a ferrovia da Vale, indo até o porto de Itaqui, no Maranhão, por onde escoará a produção, já que a logística do projeto Carajás está pronta e operando”.

Edson acrescenta: “A jazida de Paulistana é pequena: são 800 milhões de toneladas. Não tem perfil para acessar o mercado internacional e, muito provavelmente, será absorvida pela Companhia Siderúrgica do Pecém, pertencente a um grupo coreano que já está em operação. A concessão da ferrovia é da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma gigante do setor de aço. Alguém duvida que a CSN terá facilidades em negociar com os coreanos ou, fomentar a implantação e um polo Siderúrgico em Pecém?

Segundo o engenheiro, é preciso perceber, ainda, que a exportação de minério de ferro se dá com emprego de enormes navios, de calado muito profundo que, no Brasil, praticamente, só o porto de Itaqui (MA) tem canal de navegação com essa profundidade.

Dono de TV na CPI – Na lista de próximos depoentes da CPI da Covid há o nome do empresário Marcos Tolentino, considerado por alguns senadores como sócio oculto do Fib Bank. O Fib Bank participou, como garantidor, das negociações da vacina Covaxin com o Ministério da Saúde”, segundo o site do Senado. Advogado e jornalista, Tolentino consta como dono e presidente da Rede Brasil de Televisão, canal instalado no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. Teve como sócio no negócio o apresentador e deputado federal Celso Russomano (Republicanos-SP).

Uso ilegal do dinheiro – No Ceará, o Tribunal de Contas do Estado aprovou as contas do governador Camilo Santana (PT) referente a 2020, o ano da pandemia da Covid-19. Um dos pontos alvos de debates entre conselheiros e membros da gestão estadual foi o uso de recursos federais na pandemia da Covid-19 para pagar pessoal. O debate gerou polêmica nas redes sociais após o presidente Jair Bolsonaro acusar governadores de usarem os recursos enviados pelo Governo Federal para quitar débitos da folha de pagamento.

Novo candidato – Projetado nacionalmente pela atuação na CPI da Covid, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) decidiu apresentar sua candidatura à Presidência por não aceitar a polarização da disputa entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como defensor da construção de uma candidatura de terceira via, o senador, que é delegado da Polícia Civil, reconhece que resolveu entrar na corrida eleitoral por não ver no centro do debate político a defesa do combate à corrupção e ações para a redução da miséria no País.

Contra Moro – O Ministério Público Federal em Mossoró abriu uma ação civil pública (ACP) contra a União por danos morais coletivos causados pela Operação Lava Jato, especialmente pela atuação do então juiz Sergio Moro, considerada pelo documento como antidemocrática. Na ação, o MPF argumenta que Moro influenciou indevidamente as eleições presidenciais de 2018, das quais se beneficiou posteriormente ao ser nomeado para o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. O documento reitera ainda que o ex-juiz agiu de forma parcial na condução da Operação Lava Jato.

Racionamento – O vice-presidente Hamilton Mourão disse, ontem, que existe a possibilidade de ocorrer um “algum racionamento” de energia no País. Segundo ele, o Governo acompanha a situação para evitar que ocorra um apagão. Devido à crise hídrica, a Agência Nacional de Energia Elétrica anunciou uma nova bandeira tarifária no valor de R$ 14,20 por 100 kWh, que ficará em vigor até 30 de abril de 2022. “O Governo tomou as medidas necessárias, criou uma comissão para acompanhar e tomar as decisões a tempo e a hora no sentido de impedir que ocorra isso, que haja apagão. Agora, pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento. O próprio ministro [Bento Albuquerque, de Minas e Energia] falou isso, né? Vamos torcer […]”, disse em conversa com jornalistas.

CURTAS

Repercussão – A crise hídrica no País tem levado ao aumento do preço da conta de luz e se transformou em mais uma pressão inflacionária para a população – que já sofre com a alta de combustíveis e alimentos. A indústria também enfrenta um reajuste no custo de produção num cenário em que a há pouca margem de manobra para absorver novos choques.

Viva o Galo! – As festas de carnaval em 2022 ainda não foram liberadas oficialmente, mas o avanço da vacinação contra a Covid-19 deixou quem trabalha com a folia otimista. O Galo da Madrugada está entre os que começaram a planejar o desfile e anunciou, ontem, seus homenageados e o tema da sua 44º edição: "Viva a Vida, Viva o Frevo!”. O cantor Claudionor Germano será o grande homenageado.

Perguntar não ofende: O Senado arquiva o projeto do Código Eleitoral ou rejeita em plenário?


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Ipojuca - Microempreendedores


31/08


2021

Coluna da terça-feira

Coligações já eram

Deputados que se animaram com a aprovação da volta das coligações partidárias para as eleições de renovação dos seus mandatos, ano que vem, que caiam na real: falando com empresários num encontro em São Paulo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que o Senado não aceitará as mudanças nas regras eleitorais aprovadas pela Câmara. Também não pretende levar adiante o novo código eleitoral, em análise pelos deputados.

Deve segurar o projeto, se a Câmara conseguir mandá-lo à Casa, para que não seja possível aplicar qualquer nova regra nas eleições de 2022 — outubro é o limite para qualquer alteração. Pacheco sofre pressões para se mostrar efetivamente como candidato à sucessão de Jair Bolsonaro. Primeiro, porém, deve trocar o DEM pelo PSD de Kassab em outubro. No mês seguinte, as prévias do PSDB também serão importantes para definir os próximos movimentos.

No calendário político-eleitoral, há ainda dois momentos-chave para a definição de alianças: outubro, prazo que vai ditar as normas da disputa; e abril, a “janela” que permite que deputados mudem de partido. Enquanto isso, a avaliação dos que gostariam de ver o senador na arena é que há espaço para crescer e que boa parte dos eleitores está fora do campo dividido entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula.

Essas análises levam em conta ainda a alta taxa de abstenção das últimas eleições. A corrida até as urnas — eletrônicas — é longa, mas Pacheco entrou na pista. Pacheco passou dois dias em São Paulo na semana passada e, ao lado do presidente do PSD, Gilberto Kassab, teve encontros com políticos, advogados, empresários, médicos e representantes do agronegócio.

Deixou boa impressão, sobretudo com a decisão que se seguiu a essas conversas — a rejeição do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apresentado por Jair Bolsonaro. Na avaliação de alguns desses interlocutores, o senador mostrou que sabe exercer a autoridade, pré-requisito para um candidato ao Planalto.

Empenho por Aras – Na volta a Brasília, Pacheco cuidou pessoalmente de apressar a votação que deu mais dois anos de mandato ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Negociou com Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, para que a mensagem presidencial pela recondução do procurador passasse à frente da indicação de André Mendonça para o STF. No roteiro traçado por Pacheco, essa etapa era fundamental para o passo do dia seguinte, a rejeição do pedido de impeachment de Moraes. Pacheco certificou-se de que haveria quórum e acertou com os 20 senadores que não puderam ir à sessão — que, regimentalmente, era presencial —, para que se manifestassem virtualmente.

Os influentes – A bancada pernambucana na Câmara Federal contribuiu com nove parlamentares para a lista dos mais influentes do Congresso. Integram a elite pensante e destacada do parlamento brasileiro os deputados Danilo Cabral (PSB - foto), Fernando Coelho Filho (DEM), Luciano Bivar (PSL), Renildo Calheiros (PCdoB), Silvio Costa Filho (Republicanos), Tadeu Alencar (PSB) e Wolney Queiroz (PDT). No Senado, Fernando Bezerra Coelho e Humberto Costa, o primeiro líder do Governo Bolsonaro na Casa Alta.

Os esquecidos – Ocupar função na mesa diretora da Câmara não pesa nos critérios do Diap – o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Se tivesse alguma influência, Marília Arraes (PT), segunda-secretária da Câmara, e André de Paula (PSD), quarto-secretário, não teriam sido excluídos da relação dos notáveis. Igualmente esquecido, o senador Jarbas Vasconcelos (MDB), que nunca deixou de figurar na lista dos cabeças do Congresso, anda muito sumido, calado e, há pouco, anunciou que estará se licenciando para tratamento de saúde.

Mudança de tom – Ministros do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) dizem apostar numa mudança de postura do presidente depois das manifestações de 7 de setembro. Comandantes de pastas que mantêm um bom relacionamento com o Congresso e com o Judiciário afirmam, inclusive, que Bolsonaro concorda que a pacificação o beneficiaria na corrida eleitoral de 2022. Segundo a Folha de S. Paulo, tanto os auxiliares quanto Bolsonaro reconhecem que a instabilidade política afeta a economia, dificultado a retomada. Uma melhora do quadro poderia recuperar os pontos perdidos pelo atual presidente nas pesquisas de intenção de voto.

André na vantagem – Se prevalecer o peso partidário, principalmente no plano nacional, o deputado André de Paula (PSD) tende a levar a vantagem numa eventual queda de braço com o republicano Silvio Costa Filho pela vaga de candidato a senador na chapa governista a ser liderada por um nome do PSB a governador. É o que ouve nos bastidores do Palácio, também corre solto na bancada federal. Como Lula quer o PSD em seu palanque, Kassab passaria a exercer influência no fechamento de algumas alianças estaduais, inclusive em Pernambuco. André, para ele, virou mais que um amigo.

CURTAS

Boneco – O educador pernambucano Paulo Freire ganhou uma versão em boneco gigante de Olinda. A homenagem foi feita em comemoração ao centenário de nascimento do patrono da educação brasileira, que ocorre no próximo dia 19. A alegoria foi apresentada, ontem, na abertura do semestre letivo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Teste gratuito – A Prefeitura do Recife começou, ontem, uma testagem em massa da população para rastrear casos da Covid-19. Cada ponto volante deve ter capacidade para realizar 200 testes diários. A testagem é feita gratuitamente. Podem ser feitos no Polo da Academia da Cidade de Brasília Teimosa, na Estação Joana Bezerra e na Associação dos Moradores do Barro, na Zona Sul da cidade, das 8 às 16 horas.

Perguntar não ofende: Sem a volta das coligações, quem se salva na bancada federal de Pernambuco?


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Caruaru volta as aulas 2021


31/08


2021

Coluna da quarta-feira

Lula quer Marília senadora

Se couber ao PT a indicação do candidato a senador na chapa majoritária do PSB em Pernambuco, alternativa número um na cabeça de Lula, o nome do coração da cúpula nacional petista, incluindo o ex-presidente, é o da deputada federal Marília Arraes. O que não se sabe é se Lula fala isso apenas da boca para fora, apenas para agradar Marília e aliados, ou se é de fato intenção verdadeira.

Ao exigir a vaga para o Senado e não a de vice-governador, a preocupação do PT é eleger o maior número possível de senadores. Lula raciocina já com a eleição presidencial no papo e quer, assim, ter uma bancada expressiva não apenas na Câmara dos Deputados, mas, principalmente no Senado, a chamada Casa Alta, que exerce o papel de revisora no que passa pelo plenário da Câmara.

Marília lidera todas as pesquisas de intenção de voto para governadora, mas não terá apoio do PT, que já firmou compromisso em apoiar o candidato ao Palácio das Princesas indicado pelo PSB. Nesse jogo, o interesse de Lula é nacional, garantindo mais um partido dentro da sua aliança no enfrentamento ao presidente Bolsonaro. As questões paroquiais ficarão em segundo plano no bojo da construção da candidatura Lula.

É sabido que Marilia teria enormes dificuldades de subir no palanque de um candidato a governador do PSB, porque as feridas não são apenas da eleição passada, quando enfrentou e perdeu a eleição para o seu primo João Campos, mas também de ordem familiar. Pesa também a má vontade do grupo do senador Humberto Costa em a apoiar, restando como opção apenas o projeto de disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

Se o PT não indicar o senador e sim o vice, será oferecido pelo PSB, diante da avalanche de partidos aliados de olho no Senado, o nome da deputada Teresa Leitão, que está sendo cogitado, também não é palatável para a corrente humbertista, que já fixou nome do ex-presidente estadual da legenda, Dílson Peixoto.

Aliança impossível – Quanto às especulações de que a vaga de senador estaria reservada para o PSD, na hipótese do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, apoiar a candidatura de Lula, o que se ouve em Brasília é que o partido de Kassab tende a disputar o Governo de vários Estados enfrentando o PT, como é o caso de São Paulo. Ali, o ex-governador Geraldo Alckmin, desapontado com o velho ninho tucano, está de malas prontas para fazer a travessia para o PSD. Assim, se inviabiliza qualquer cenário em que PSB e PT possam caminhar juntos no plano nacional.

Um voto faz falta – O Senado, casa revisora do Congresso, está funcionando apenas com 80 senadores, porque Jarbas Vasconcelos (MDB), ao requerer licença para tratamento de saúde, optou por apenas 90 dias e não 120 dias, o que abriria espaço para Fernando Dueire, seu primeiro suplente, assumir. Caduco esse regimento do Senado. Em qualquer hipótese de licença de um parlamentar deveria ser obrigatório o suplente assumir. Fica o vácuo da falta de um voto.

 

 

É recordista – Com um índice de 21,6%, Pernambuco atingiu no segundo trimestre deste ano sua maior taxa de desocupação desde 2012. O dado, revelado, ontem, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Trimestral, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca, pela segunda vez consecutiva, o Estado em primeiro lugar no ranking que mede a desocupação no Brasil. O resultado é ligeiramente superior ao obtido no primeiro trimestre do ano, quando a taxa de desocupação ficou em 21,3%.

Sem reajuste – O Governo Federal decidiu não incluir reajuste para os servidores públicos na proposta de orçamento de 2022, segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal. Enviada ao Congresso, a proposta prevê, porém, autorização para novos concursos públicos. No ano passado, o governo autorizou reajustes somente para os militares, em razão do processo de reestruturação das carreiras. O último reajuste para os servidores públicos foi anunciado em 2018, pelo então presidente Michel Temer.

Palavra empenhada – Por onde ando, seja no Interior ou em Brasília, e encontro prefeitos, ouço rasgados elogios ao comportamento do deputado federal Fernando Rodolfo (PL) com suas bases. Segundo um desses gestores, Rodolfo não cumpre apenas a palavra na distribuição das emendas federais para os municípios como usa seu prestígio no Governo Federal no abre portas nas negociações para celebração de convênios e repasses da União aos projetos municipais que tramitam em Brasília.

CURTAS

Noronha – A Administração de Fernando de Noronha deu início aos trabalhos de elaboração do Plano de Capacidade de Carga, estudo que estabelece o limite de visitantes. Além do limite da capacidade de carga, a ideia é trabalhar com o Plano Diretor, o Plano de Manejo da Área de Proteção (APA) e a proposta da Lei de Uso e Ocupação do Solo a ser encaminhada para apreciação da Assembleia Legislativa.

Premiada – A ex-empregada doméstica e estudante de direito Mirtes Renata Santana de Souza, de 34 anos, foi a vencedora do prêmio Faz a Diferença 2020, promovido pelo jornal O Globo, na categoria Diversidade. A mãe de Miguel Otávio de Santana, menino que faleceu após cair de um prédio de luxo no Recife, contou que luta por justiça e atribui ao filho a conquista do reconhecimento.

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Serra Talhada 2021


30/08


2021

Coluna da segunda-feira

A ditadura de Lula

Lula é a vanguarda do atraso, como diria o ex-ministro Fernando Lyra, um dos melhores frasistas que o País conheceu. Não tem proposta para o País, seu discurso é uma cantilena de 89, quando disputou pela primeira vez e perdeu para Collor. Tem hora que fala para agradar ao centro e a direita, outra exagera na dosagem para atender aos radicais de esquerda e aos petistas raízes.

Está mais perdido do que cego em tiroteio. Sua mais recente pérola foi a regulação da mídia, caso venha a ser eleito, tremenda derrapada na tentativa de se apresentar como centro. Regular o quê? Lula ainda raciocina no tempo em que a Imprensa era monopólio de grupos que detinham a informação no Brasil, da Rede Globo aos então chamados jornalões – Estadão, Folha, JB e Globo.

Globalizado, o mundo da comunicação, hoje, é da internet, das redes sociais, dos grupos de Whatsapp, de gente que dá pitaco e forma opinião com liberdade em variadas plataformas, sem precisar recorrer aos então donos da informação. A regulação dos meios de comunicação, somada à defesa do regime cubano e da Venezuela e à ideia de reestatizar a Eletrobras e de revogar a reforma trabalhista, mostra que Lula só caminha para o centro da boca para fora, ou seja, na “narrativa”.

Na tentativa de deletar a derrapada do ex-presidiário, que tenta calar a mídia certamente ainda magoado com os tempos de prisão pelo maior assalto aos cofres públicos da história republicana, a operação Lava Jato, que resultou numa gatunagem de mais de R$ 40 bilhões, interlocutores andaram soprando que não passa pela cabeça de Lula censurar veículos de comunicação e que, na verdade, ele defende um modelo regulatório “democrático”, como acontece na Inglaterra.

O que os petistas classificam de modelo é uma aberração. Os ingleses criaram o Press Recognition Panel, painel que supervisiona um órgão de autorregulação e tem poder de aplicar multas de até um milhão de libras (R$ 4 milhões) às publicações, além de impor direito de resposta e correções a jornais, revistas e site noticiosos.

A filiação dos veículos ao sistema não é obrigatória, mas há diversos “incentivos” para que façam parte. O veículo que não integrar o órgão, é bom lembrar, precisa pagar as custas judiciais dos processos de acusação, mesmo se sair vencedor. Este é o modelo que os petistas raízes julgam democrático, mas não é ele, na verdade, o que Lula deseja. Se for eleito, Lula vai copiar o modelo chavista ou cubano de Fidel, ou seja, com ele, liberdade de expressão já era.

Bandeira petista – A regulação da mídia é uma bandeira histórica do PT. Já na campanha de Dilma à Presidência, o partido pressionou para que encampasse a discussão em um eventual segundo mandato. Após sua reeleição, a petista deu algumas declarações defendendo a regulação econômica da mídia. Ela negou repetidamente a intenção de regular conteúdo. Dilma chegou a defender a regulamentação de alguns artigos da Constituição que falam do setor pelo Congresso. Eles proíbem monopólios e oligopólios, estabelecem que a programação deve atender a critérios regionais e determinam regras para publicidade.

A primeira tentativa – Então presidente do PT, ligado ao grupo de Lula, Rui Falcão (foto) chegou a defender, abertamente, a censura e a regulação da mídia. “A democracia se aprofunda em ambientes onde há mais diálogo, onde a diversidade de ideias, as diferenças regionais, têm espaço equilibrado na mídia em geral. O que nós queremos, em resumo, é mais democracia. E o caminho é a criação de um marco regulatório moderno", disse. Em 2010, o então ministro Franklin Martins, hoje um dos principais assessores de Lula, chegou a apresentar um projeto de regulação da mídia. Diante da reação da sociedade, Dilma engavetou.

No muro – O grupamento tucano em Pernambuco continua seguindo fielmente o preceito básico do partido de viver em cima do muro. Com a vinda de João Doria Calcinha Apertada, sábado passado, já é o segundo presidencial que a turma bate palminhas e paparica no Estado, mas não se decide. Teve o mesmo comportamento em relação ao governador Eduardo Leite, o fora do armário do Rio Grande do Sul. Traduzindo, ninguém ainda decidiu em quem votar nas prévias do partido que escolherão o candidato ao Planalto, marcadas para novembro.  

Aliança engole? – Ainda não se sabe o futuro do governador Paulo Câmara. Em nota, a revista Veja informa que está inclinado a disputar o Senado, mas ninguém no PSB confirma. É improvável, entretanto, que, diante de uma aliança tão ampla, com uma multiplicidade de partidos, já estando na chapa com o candidato a governador, a legenda socialista venha bater o pé e emplacar também o candidato a senador. MDB, PT, PCdoB, PSD e, principalmente, PP, que tem a maior bancada na Alepe, vão engolir governador e senador de um mesmo partido?

Enganador – Dizem que um cínico é um homem que olha o mundo com um monóculo na sua mente. Assim é João Doria, governador de São Paulo. Na maior cara de pau, o tucano disse em Caruaru, na visita de sábado passado, para apresentar sua plataforma presidencial, que a Transnordestina seria uma das suas prioridades, caso viesse a ser eleito. Ora, “Calcinha apertada”, como o apelidou Bolsonaro, não sabe nem de onde parte o projeto. De tamanho conhecimento da realidade nordestina, confunde alhos com bugalhos, ou seja, não sabe distinguir um bode de um carneiro.

CURTAS

Entrevista – Por falar em Transnordestina, esta será uma das pautas da entrevista que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, concederá à Rede Nordeste de Rádio, com transmissão automática pelas redes sociais, na próxima quinta-feira. Depois do presidente Bolsonaro, entrevistei o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Com Freitas, o modelo será o mesmo: ao vivo, direto do seu gabinete, em Brasília.

In loco – Diferente do governador João Doria, o ex-prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), incluiu a conclusão da ferrovia Transnordestina entre as suas bandeiras de luta, caso seja eleito deputado estadual, mas foi lá mostrar num vídeo, pelas redes sociais, o trecho paralisado, destacando a sua importância para a economia do Estado.

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Pousada da Paixão


28/08


2021

Coluna do sabadão

O engessado Código Eleitoral

A Câmara dos Deputados deve começar a analisar na próxima semana o projeto que cria o novo Código Eleitoral e altera parte das regras sobre o tema. O texto, que reúne toda a legislação vigente sobre o assunto, tem 905 artigos na versão atual. O pedido de urgência para que ele seja votado diretamente pelo plenário da Casa deve ser analisado na próxima semana. É possível que haja deliberação sobre o mérito.

Apesar de ter sido debatido com os partidos em um grupo de trabalho, deputados ainda discutem alterar pontos específicos do texto, entre eles o adia para 2026 a regra que impõe quarentena de cinco anos para militares, policiais, juízes e integrantes do Ministério Público que quiserem disputar eleições. “Muita coisa não muda. Se traz ao status de lei o que era resolução do TSE”, disse o especialista em direito eleitoral Marcelo Weick Pogliese, da Abradep. (Academia Brasileira de Direito Eleitoral Político).

Segundo ele, “80%, se não for mais” do projeto é uma compilação de regras vigentes. Ele é um dos consultores externos que acompanha a elaboração do projeto. As propostas em discussão têm sido criticadas por organizações da sociedade civil, principalmente as relativas à prestação de contas de partidos. Segundo os críticos, as alterações reduzem a transparência e diminuem demasiadamente punições por irregularidades.

O texto contém a criação das federações partidárias, mecanismo que já foi aprovado pelo Congresso em outra proposta e que Jair Bolsonaro provavelmente vetará. Trata-se da união de 2 ou mais partidos para tentar eleger vereadores e deputados e atingir o desempenho mínimo requerido nas eleições para acessar o Fundo Partidário e o tempo de TV.

As siglas integrantes de uma federação precisariam se comportar como um único partido durante ao menos 4 anos. Teriam, por exemplo, a estrutura de uma única bancada na Câmara. As federações têm semelhanças com as coligações para eleições proporcionais, que atualmente não encontram respaldo na Constituição. A Câmara aprovou a volta das coligações, mas a ideia não deve prosperar no Senado.

Contas partidárias – A proposta também altera regras relativas aos partidos políticos, principalmente em suas prestações de contas. Hoje, essas prestações são jurisdicionais e Justiça Eleitoral tem até cinco anos para julgá-las. O projeto transforma o processo em administrativo e fixa o prazo em três anos. Atualmente, tanto as contas das siglas quanto as das campanhas são prestadas por sistema do TSE. A proposta passa o fornecimento de informações das siglas para um sistema da Receita Federal, menos detalhado.

Confusão nas bases – Nos bastidores da oposição em Pernambuco, ninguém entendeu a acolhida do grupo do senador Fernando Bezerra Coelho pelo DEM, até porque, comentam, os democratas têm linhagem e mais identificação com o PSDB, a começar pelo presidente estadual Mendonça Filho. Mas este, segundo avaliação de outros setores, jogou bem, porque tendo candidato a governador o DEM tem muito mais chances de eleger Mendonça federal e mais dois ou três deputados da aliança.

Em campanha – Pré-candidato à Presidência da República, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), cumpre, hoje, intensa agenda em Caruaru e no Recife. Chega ao Estado no início da manhã, em Caruaru. Lá, será recebido pela prefeita Raquel Lyra no aeroporto da cidade. Também devem estar presentes o ex-governador de Pernambuco, João Lyra (PSDB), e o ex-senador e ex-presidente da CNI, Armando Monteiro Neto (PSDB). De lá, o governador de São Paulo visita a Feira de Artesanato de Caruaru e a Via Parque. No Recife, tem encontro agendado com o governador Paulo Câmara (PSB).

Mudança de vida – Renan Bolsonaro, filho '04' do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e sua mãe, Anna Cristina Vale, se mudaram para uma mansão localizada no Lago Sul, uma das áreas mais nobres de Brasília. O imóvel é avaliado em R$ 3,2 milhões. Antes, os dois viviam em um apartamento registrado no nome do chefe do Executivo, de 70 metros quadrados. As informações são da colunista Juliana Dal Piva, do UOL.

Sem tumulto – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, ontem, que “não haverá nada” em 7 de setembro. O deputado participou de evento on-line da Federação Brasileira de Bancos. Lira disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), “de uma maneira ou de outra”, é quem pauta o Brasil. “Certo ou errado, pautou com a situação do voto impresso e agora com o 7 de setembro. Nunca se falou tanto no 7 de setembro na história do País, pelo menos desde que eu me entendo como gente”, disse Lira. “O humor das bolsas, do mercado está na hipótese do 7 de setembro. Pelo amor de Deus, não haverá nada no 7 de setembro. A gente tem que se esforçar para que os movimentos de rua aconteçam e sejam pacíficos. Grandes ou pequenos, isso é irrelevante”, assinalou.

CURTAS

Vacinação – O Recife ampliou para adolescentes a partir de 14 anos, sem doenças pré-existentes, a campanha de vacinação contra a Covid-19. O agendamento começou, ontem, no site e aplicativo Conecta Recife, e a aplicação, a partir de hoje. Ao todo, 49.935 pessoas integram o novo grupo, de idades entre 14 e 15 anos, que será imunizado com doses da Pfizer. O Estado recebeu, ontem, mais 133 mil doses desse tipo de vacina.

Energia solar – Por causa dos consecutivos aumentos da conta de luz e da crise hídrica, cresce a procura por uma forma de energia sustentável e mais barata: a energia solar. E o consumidor comum, residencial, está no topo da lista dos geradores da própria energia, representando 80% do total. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovotáica, o Brasil tem mais de 520 mil casas com sistemas de geração de energia solar. Pernambuco é o décimo primeiro estado na produção residencial, com 8,3 mil empregos e R$ 1,4 bilhão em investimentos.

Perguntar não ofende: Quantos motociclistas acompanharão Bolsonaro, no próximo sábado, no evento de Santa Cruz do Capibaribe para Caruaru?


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SESC Agosto 2021


27/08


2021

Coluna da sexta-feira

Xadrez em Pernambuco

Por Houldine Nascimento – interino

O anúncio da filiação do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, ao Democratas já movimenta as peças do tabuleiro político pernambucano. Um encontro em Brasília, na última quarta-feira (25), com as participações do presidente nacional da sigla, ACM Neto, e de Mendonça Filho, que lidera a legenda em Pernambuco, definiu a saída de Miguel do MDB, ratificando sua intenção em disputar o Governo. O deputado federal Fernando Filho (DEM), irmão de Miguel, também esteve no ato.

A ida do gestor petrolinense à capital federal não se restringiu a esta reunião. No mesmo dia, ele almoçou com a cúpula do PDT. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e o vice, deputado André Figueiredo (CE), estiveram neste encontro, além do líder pedetista na Câmara, Wolney Queiroz, que também é presidente do PDT em Pernambuco.

Embora incipiente, a conversa traça uma possibilidade de aliança entre DEM e PDT não só no Estado, mas envolvendo a conjuntura nacional. Isso abre caminho para que o pré-candidato pedetista à Presidência, Ciro Gomes, tenha um palanque para chamar de seu em Pernambuco. Houve elogios mútuos no encontro.

À coluna, Miguel afirmou que está ouvindo diversas lideranças partidárias e que espera estreitar a relação com os pedetistas: “O PDT é uma das legendas que queremos avançar em uma aliança. O DEM, é bom lembrar, já tem uma relação com o PDT em várias cidades importantes como Salvador e provavelmente isso se estenderá para a campanha estadual. Aqui em Pernambuco temos uma excelente relação com o deputado Wolney e creio que seja possível uma aliança entre os dois partidos para mudar Pernambuco e oferecer um novo rumo. A conversa foi boa.”

Carlos Lupi, por sua vez, expôs a pretensão do PDT de ocupar uma das vagas majoritárias na chapa. “Ele (Miguel) considera essa questão de Ciro com muito carinho. Nós também estamos discutindo com ACM Neto. Avaliamos o quadro de Pernambuco: ele colocou o desejo de ter o apoio do PDT e nós colocamos nossa prioridade, que é o palanque nacional e uma vaga na chapa majoritária, ou de vice-governador ou senador. A questão dos estados é muito amarrada à nacional. De qualquer maneira, abrimos essa primeira conversa e fiquei muito bem impressionado com a determinação do prefeito Miguel, com a sua competência. É jovem, muito preparado”, afirmou ao Blog.

Em Pernambuco, o PDT compõe a Frente Popular, encabeçada pelo PSB, mas as lideranças pedetistas estão assistindo com atenção à reaproximação entre socialistas e o PT. O recente desembarque de Lula no Estado, com direito a um jantar montado pelo governador Paulo Câmara (PSB) no Palácio do Campo das Princesas, acendeu o alerta. “À medida que o PSB se aproxima do PT, somos obrigados a buscar alternativas na mesma proporção. Estamos dialogando com outras forças e o PSB tem conhecimento disso. É uma realidade que se impõe ao nosso partido para construir esse palanque de Ciro”, declarou Wolney à coluna.

A considerar também nesse xadrez o fato de o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), pai de Miguel, estar na liderança do Governo Bolsonaro no Senado, o que faz com que toda essa movimentação seja bastante cautelosa.

Apoio – O PSD fechou questão em prol da indicação do ex-advogado-geral da União André Mendonça para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao menos oito dos 11 senadores da legenda e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, participaram de um jantar que formalizou o apoio. O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), também esteve presente. “Não tenho nada contra ele. Não misturo as coisas. É uma pessoa do bem. Tem que aguardar a sabatina”, declarou Aziz à jornalista Basília Rodrigues, da CNN Brasil.

Sem guerra civil – Na entrevista que concedeu ao comunicador Geraldo Freire, ontem, na Rádio Jornal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi questionado sobre uma declaração do deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), um de seus aliados, que disse que o Brasil terá uma guerra civil: “Qualquer pessoa que fala algo, exagera, extrapola, se ela tem qualquer ligação comigo, se tem um plástico no seu carro escrito 'Bolsonaro', o pessoal vincula a mim como se aquela pessoa fosse meu porta voz (...) Não acredito em guerra civil, não provocamos e nem queremos isso daí.”

Críticas a Pacheco – Bolsonaro também comentou o arquivamento do pedido de impeachment dele contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu rejeitar o pedido: “O presidente do Senado, o senhor Pacheco, entendeu e acolheu uma decisão da advocacia do Senado. Agora, quando chegou uma ordem do ministro Barroso para abrir a CPI da Covid ele mandou abrir e ponto final. Ele agiu de forma diferente da que agiu no passado. Vocês sabem que nessa briga eu estou praticamente sozinho. Lamento a posição de Rodrigo Pacheco.”

Sorte no amor – O presidente do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Kaio Maniçoba, falou sobre a saída de uma de suas subordinadas, a influenciadora digital de Serra Talhada Raiane Lima. Ela deixou o cargo em comissão no órgão para morar na Inglaterra com o jogador de futebol Gabriel Jesus, do Manchester City. “Raiane está na Inglaterra amando e querendo bem. Ela tinha um vínculo com o IPA, mas já foi desfeito. Ela seguiu o seu caminho, não tem muito o que a gente discutir. Ela foi morar com o namorado e que siga em frente, que leve o nome de Serra Talhada, tenha bons frutos e quem sabe a gente não traz Gabriel Jesus qualquer dia para jogar no Pereirão (nome do estádio de Serra)”, cogitou em entrevista à TV Farol.

Sigilo derrubado – A Justiça atendeu a um mandado de segurança impetrado pela cúpula da CPI da Pandemia. Em decisão proferida ontem, o juiz federal substituto da 2ª Vara do DF Anderson Santos da Silva deferiu a liminar para suspender o sigilo do processo administrativo envolvendo Ministério da Saúde e Precisa Medicamentos na compra da vacina Covaxin. A informação foi compartilhada no fim da noite pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos autores do mandado. Ele celebrou a derrubada do sigilo: “Mais uma importante vitória da CPI da Covid!”

CURTAS

ATENTADO – Pelo menos 90 pessoas morreram e quase 140 ficaram feridas em um duplo atentado no aeroporto de Cabul, no Afeganistão, de acordo com informações obtidas pela Agência France-Presse. Entre os mortos, há 13 militares dos EUA. O grupo extremista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do crime.

RETALIAÇÃO – Poucas horas depois das explosões, o presidente Joe Biden (EUA) fez um pronunciamento à nação e prometeu retaliar o Estado Islâmico. “Nós não vamos perdoar, não vamos esquecer. Nós vamos caçá-los e fazê-los pagar", disse em referência aos militantes do Isis-K, filial do EI no Afeganistão e rival do Talebã.

Perguntar não ofende: Ciro Gomes vai conseguir algum palanque robusto em Pernambuco?


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Bandeirantes Agosto 2021


26/08


2021

Coluna de quinta-feira

Cai mais um arauto  

Vestais na politica enganam hoje, amanhã, mas não a vida inteira. Um dos casos mais simbólicos nos últimos anos foi o do ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Enquanto no exercício do mandato, ninguém escapou da sua metralhadora giratória: nas sessões do Congresso, nas comissões temáticas e até em CPIs apontava o seu dedo incriminando atores políticos. Apresentava-se como o verdadeiro arauto da moralidade.

Com o passar do tempo, o mundo desabou sobre a sua cabeça, envolvido com um doleiro corrupto, Carlinhos Cachoeira. Perdeu o mandato e virou réu pelos crimes de corrupção passiva. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás, de junho de 2009 a fevereiro de 2012, Demóstenes se beneficiou de favores de Cachoeira e recebeu benefícios e vantagens do bicheiro, como viagens em aeronaves particulares e pagamentos em dinheiro.

Foram mapeados pelo menos três depósitos, nos valores de 5,1 milhões de reais, 20.000 reais e 3.000 reais, além de benefícios luxuosos. Na CPI da Covid, presidida pelo senador Omar Oziz (PSD-AM), com uma ficha mais que suja, imunda, e um relator, o alagoano Renan Calheiros (MDB-AL), que responde a 18 processos na justiça por corrupção, o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) tem atacado todos os depoentes e apontado o dedo em direção ao Planalto, julgando Bolsonaro sócio da gatunagem.

Como o senador goiano, Randolfe também tem cara de vestal, que, traduzindo, é o político que, em público, mantém um comportamento virtuoso, mas sem uma prática honesta. O site R7 descobriu que o atual chefe de gabinete do parlamentar, Charles Chelala, doou R$ 2 mil em serviços de motorista para a campanha do chefe e que outros familiares dele, também fizeram doações que, totalizadas, chegam a R$ 9 mil.

Conforme a mesma matéria, quatro fornecedores da campanha de Randolfe ao Senado em 2018 foram contratados para prestar serviços a ele depois de eleito, pagos com dinheiro público. Uma delas, a Eco Serviços, teria cobrado R$ 26.208,00 por pesquisas eleitorais e recebido do gabinete R$ 29.222,00 desde janeiro de 2019. O site também informou que, pelas notas fiscais que constam na prestação de contas dos gastos, os serviços da Eco são de consultoria na área de pesquisa socioeconômica, mas a última pesquisa feita foi em outra área.

Procurado pela repórter Hylda Cavalcanti, do jornal O Poder, em Brasília, o senador disse que “nunca existiu nenhum tipo de contribuição financeira de qualquer empresa privada na sua campanha. Explicou que Charles Chelala é um militante político que o acompanha há 25 aos e sempre contribuiu, com sua militância e financeiramente, todas as vezes em que ele concorreu.

Ele lembrou, ainda, que tais contribuições “nunca foram associadas a qualquer benefício futuro” e que a doação não foi em espécie, mas de serviços estimados em R$ dois mil, assim como de outros familiares deles, em contas prestadas e aprovadas pela Justiça eleitoral.

Acredite se quiser!

Serra inocentado – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, trancou, ontem, uma ação penal contra o senador licenciado José Serra (PSDB-SP) por suposta corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras do Rodoanel, em São Paulo. O magistrado também anulou apreensões e quebras de sigilo. A extinta Lava Jato paulista ofereceu denúncia contra Serra em julho do ano passado. O MPF (Ministério Público Federal), em parceria com o MP (Ministério Público Eleitoral) investigou suposto caixa 2 de R$ 5 milhões na campanha do político ao Senado em 2014.

Grupo FBC no DEM – Está confirmada a revoada do grupo politico do senador Fernando Bezerra Coelho, líder do Governo no Senado, do MDB para o DEM. A filiação ao novo partido será no próximo mês. Presidente estadual da legenda, o ex-ministro Mendonça Filho deu régua e compasso também para o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, filho de FBC, embalar seu projeto majoritário em 2022. Uma das revelações como gestor público, com apenas 30 anos, Miguel é candidato a governador.

Travessia natural – Ao ingressar no DEM, o senador FBC perde, mais uma vez, a batalha política contra o grupo do senador Jarbas Vasconcelos para controlar a legenda no Estado. A travessia para o Democrata foi natural pelo fato do filho Fernando Bezerra Filho, deputado federal, já ser filiado à legenda e gozar de trânsito fácil no partido em Brasília, além da boa relação com Mendonça Filho.

Código contra Moro – Às vésperas de ter sua urgência votada pela Câmara, uma nova versão do Código Eleitoral traz agora uma quarentena de cinco anos para militares, policiais, juízes e promotores que quiserem disputar eleições. A novidade entrou em uma versão apresentada, ontem, do projeto com mais de 900 artigos e 371 páginas, relatado pela deputada Margarete Coelho (PP-PI). Caso aprovada e sancionada desta forma até outubro deste ano, a medida veda eventuais candidaturas como a do ex-ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro e também do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Olhando para o pijama – Com a saída do grupo do senador Fernando Bezerra do MDB, quem sai mais prejudicado é o deputado federal Raul Henry, presidente estadual da legenda. Se o Senado derrubar a volta das coligações, já aprovada pela Câmara na minima reforma eleitoral, Henry não se reelege por falta de cauda eleitoral. Todos os partidos enfrentarão dificuldades de montar chapa na conjuntura atual. Como não ficou ao lado do grupo FBC, Henry corre risco de encerrar sua carreira politica antes do que imaginava.

CURTAS

Flexibilização – O Governo do Estado anunciou, ontem, que vai liberar, a partir do próximo mês, a realização de eventos culturais, como shows e peças de teatro, com até 1,2 mil pessoas que estejam vacinadas contra a Covid-19 com duas doses ou com uma dose mais teste negativo para a doença. Também foram anunciadas flexibilizações nas regras para realização de eventos e competições esportivas.

Passe seguro – No último dia 19, o Governo anunciou a criação do selo “Passe Seguro PE”, para validar a presença de pessoas em eventos, incluindo os de grande porte, com informações sobre vacinação e testes de Covid. De acordo com a secretária-executiva de Desenvolvimento Econômico, Ana Paula Vilaça, as primeiras autorizações serão para eventos-teste. A lotação máxima é de 1,2 mil pessoas ou 50% da capacidade do local, o que for menor.

Perguntar não ofende: Por que Pacheco não colocou adiante o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF?


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Joao

Como é vergonhoso o blog e o blogueiro , caráter de isenção ZERO. Na casinha de 6 milhões que agora virou 14, não falam, na lavanderia de chocolate idem....não se fazem jornais e jornalistas como antes!




25/08


2021

Coluna de quarta-feira

A energia do futuro já

Nem só de notícia de crise institucional vive o Brasil. Tem muita coisa acontecendo de bom na economia e para o Nordeste uma excelente informação: o Brasil ultrapassou marca de 10 GW (gigawatts) de potência instalada em energia solar e passou a ocupar a 14ª posição na lista de países com mais capacidade de produção desse recurso.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica afirma que o crescimento é resultado de investimentos no setor. Os investimentos em geração de energia solar foram superiores a R$ 52,7 bilhões desde 2012. Estima-se que eles continuem a crescer devido à aprovação do marco da geração distribuída. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda para ser votado no Senado.

O marco garante benefícios aos atuais produtores e àqueles que registrarem a atividade até 12 meses depois da publicação da lei. Eles terão descontos no uso de tarifas da rede de distribuição de energia até 2045. A ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) estima que o projeto vai levar à instalação de mais 10 GW nos próximos 2 anos. O texto também oferece incentivos para a instalação de painéis em unidades consumidoras de baixa renda.

Só em julho, a produção de energia solar registrou dois recordes: geração instantânea, com um pico de 2.211 MW, no dia 19; e geração média em um dia, com 682 MW médios, no dia 30. O aumento da produção de energia solar é impulsionado, principalmente, pela geração centralizada de empresas que venceram leilões do governo e por geração distribuída, quando os consumidores geram a sua própria energia ou compram de condomínios ou consórcios.

Em geração centralizada, o Brasil tem 3,5 GW de potência instalada em usinas solares, o que equivalente a 1,9% da matriz elétrica do País. Nos últimos quatro leilões realizados pelo Governo, de 2019 a 2021, a fonte teve os preços mais baixos, sendo a mais competitiva. Já em geração própria, o Brasil conta com 6,5 GW de potência instalada. É considerada geração própria desde painéis instalados em telhados de casas ou prédios comerciais, a indústrias e fazendas solares.

O presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, cita a energia solar como a solução para a falta de chuvas, que esvaziou os reservatórios das hidrelétricas, obrigando o acionamento de termelétricas, que são mais caras e poluentes. “Parte da solução para o problema está diante de nós, basta olhar para o céu “, escreveu em nota.

Mudanças – Em 2019, a Aneel abriu consulta pública para discutir o modelo atual que regula o setor, criticado por repassar aos consumidores mais pobres, que não têm condições de investir em energia solar, o custo com manutenção e uso do sistema, já que quem os utiliza recebe incentivos. Há resistências dos que consideram que retirar os incentivos existentes seria “taxar o sol”. O presidente Bolsonaro foi um dos que endossaram a crítica e ameaçou demitir os servidores que tratassem do assunto. Os produtores defendem que os incentivos garantem o crescimento de uma fonte de energia limpa e menos demandante de investimentos em linhas de transmissão, já que pode ser instalada perto dos grandes centros consumidores.

Festival de mentiras – Na entrevista que concedeu ao Roda Viva, segunda-feira passada, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que estará no próximo fim de semana em Pernambuco, disse que “2022 não será uma eleição para bonzinhos”. “2022 não será uma eleição para bonzinhos, será uma eleição difícil, de extremismos e de muita dificuldade. Se preparem para um festival de fake news”, disse o tucano. Doria disse ainda que “se preparou” para disputar as eleições prévias de seu partido “respeitando” os outros candidatos, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite e o senador cearense Tasso Jereissati, que acontece em novembro.

Nem horror nem terror – Doria também bateu duro em Bolsonaro. Disse que o governo é “muito pior” do que foram as administrações dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. “Escolhemos o remédio errado para resolvermos o problema histórico do PT. Por isso que nas próximas eleições, nem PT nem Bolsonaro. Nem Lula nem Bolsonaro. Nem horror nem terror. O que o Brasil vai precisar é de um bom gestor, para precificar o país, para criar harmonia e entendimento”, afirmou.

Boa notícia – O Brasil chegou a 60,4% da população vacinada com ao menos uma dose de um imunizante contra a covid-19. O número representa 128.819.906 pessoas vacinadas com a primeira dose ou dose única.  O número de habitantes totalmente vacinados já ultrapassa 55,9 milhões, chegando a 55.958.956, ou 26,2%. É o total de pessoas que completaram o ciclo da imunização. Ao todo, 180.173.488 doses foram administradas no país. Os dados são da plataforma coronavirusbra1, que compila registros das secretarias estaduais de Saúde. As vacinas aplicadas no Brasil com duas doses são a CoronaVac, o imunizante Oxford/AstraZeneca e o da Pfizer. Também está em uso a vacina da Janssen, que requer só uma dose.

Covarde e mafioso – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), determinou o afastamento do chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 da Polícia Militar de São Paulo, coronel Aleksander Lacerda. A decisão foi tomada após o jornal Estado de São Paulo revelar publicações do oficial em rede social com críticas ao Supremo Tribunal Federal insuflando a participação de “amigos” nas manifestações de 7 de setembro, uma postura que tem se espalhado em ao menos seis Estados. Em suas postagens, o oficial afirma que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é “covarde”, que Doria é uma “cepa indiana” e que o deputado Rodrigo Maia (RJ), recém-nomeado secretário de Projetos e Ações Estratégicas de São Paulo, é beneficiário de esquema “mafioso”.

CURTAS

Nordeste acolhe – O Consórcio Nordeste, formado pelos governadores dos nove estados da região, lança, hoje, em Natal (RN), um auxílio financeiro voltado a crianças e adolescentes que ficaram órfãs durante a pandemia de Covid-19. O benefício do programa “Nordeste Acolhe” será de R$ 500 por mês, pagos até os 18 anos dos beneficiários. A estimativa é que há cerca de 26,5 mil órfãos em consequência da pandemia da Covid-19, apenas no Nordeste.

Experiência maranhense – Os projetos que criam o programa serão enviados, nos próximos dias, às Assembleias Legislativas dos estados. O programa é inspirado na experiência do Maranhão, governado por Flávio Dino (PSB), o “Programa Cuidar”, que também concede R$ 500 por mês a crianças em situação de orfandade bilateral até a maioridade. 

Perguntar não ofende: O 7 de setembro que se aproxima será um divisor de águas no País?


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R.Soares

Bozo só trouxe miseria e desunião para o BR

Joao

Divisor apenas para os IMBECIS bolsotontos, gado de manobra do acéfalo!




24/08


2021

Coluna de terça-feira

Corrupção com rosto

Depois de mais uma absolvição, desta feita no caso do sítio Atibaia, pelo andar da carruagem só falta a justiça brasileira declarar, com ofício passado em cartório, que o ex-presidente Lula é santo e que os pecadores somos todos nós, a sofrida Nação brasileira, que teve surrupiada dos seus cofres R$ 40 bilhões somente num dos escândalos da era petista, a operação Lava Jato. Juízas, como Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Lins, da 12ª Vara Criminal de Brasília, acham que Lula é inocente.

Eu perguntaria a mesma juíza, que acha que Lula não é pecador, de onde saíram os R$ 100 milhões que Palloci, seu ex-ministro Fazenda, ex-ministro também da Casa Civil de Dilma, devolveu no acordo da delação premiada? Do mesmo assalto aos cofres públicos não apenas do esquema Lava Jato, mas de outras investidas ao meu, seu e nosso dinheiro suado e surrado que pagamos de impostos, desviados das estatais.

Não tenho a menor dúvida de que há um complô entre o Judiciário, o Ministério Público, os órgãos de controle, parte do Congresso e da mídia, para sacramentar a inocência de Lula, porque, segundo as pesquisas, ele se apresenta como o nome mais competitivo na disputa contra o presidente Bolsonaro. É verdade que Bolsonaro, com um estilo todo próprio e pelo mau assessoramento, se desincompatibilizou com as instituições, fere de morte ferida quem o desafia.

Mas se Bolsonaro está sendo massacrado por isso, como passar a mão na cabeça de um político, com as qualificações de Lula, que se não roubou, como ele diz em sua defesa, deixou roubar. Sua gestão, mais do que a de Dilma, foi marcada por verdadeiros assaltos ao dinheiro da Nação. Deixou quebrar estatais, como os Correios, a primeira vítima, pivô do escândalo do Mensalão, que quase acabou no impeachment de Lula.

Maus políticos, como Lula, carregam consigo uma aparência de humildade fingida, e na prática abusiva de uma linguagem serena, assume a liderança de mais um hipócrita. A corrupção de governantes, como ele, ao contrário do que julga a justiça brasileira, começou com a corrupção dos seus princípios. Dizem que corrupção é um crime sem rosto. Com Lula, teve rosto, mãos, cabeça e tronco.

A condenação – Segundo a tese da acusação do sítio Atibaia, agora negada pela juíza, o ex-presidente teria recebido vantagens em contratos da Petrobrás, utilizadas para a realização de reformas no sítio, de propriedade de Fernando Bittar. Como resultado, por prescrição ou inexistência de provas, o ex-presidente está livre do processo, pelo qual havia sido condenado a 12 anos e 11 meses de prisão e multa pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, em sentença confirmada em prazo recorde, por unanimidade, e ampliada para 17 anos e mês e 10 dias de prisão, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região.

Freio da decolagem – O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou, ontem, tranquilizar participantes de um seminário sobre a possibilidade de quebra institucional entre os Poderes. Na avaliação dele, o Brasil estava “decolando”, mas a antecipação das eleições atrapalha a retomada econômica. Até algumas semanas, o ministro dizia que o Brasil estava em uma “recuperação em V”, com retomada tão forte quanto a queda registrada na pandemia. Agora, diz que o “barulho” em torno do pleito de 2022 impacta o mercado financeiro e afeta o andamento de reformas estruturantes no Congresso.

Culpa na eleição – “Essa antecipação das eleições, naturalmente, prejudica. Causa muito barulho. Mas eu reafirmo a confiança nas nossas instituições, na Presidência da República, no Supremo, no Senado, na Câmara dos Deputados”, disse Guedes, acrescentando: “Nós confiamos que a ação ou excessos eventuais de alguns atores não se transformem em desvirtuamento das instituições. Essas palavras são muito para tranquilizar”, afirmou. As declarações foram durante participação on-line do 41º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual. “Com confiança na democracia brasileira e principalmente nas instituições, esperamos que os excessos que sejam moderados”.

Bolsonaro recua – Após reconhecer que as emendas de relator-geral atrapalham a política fiscal e podem prejudicar a condução de políticas públicas, o presidente Jair Bolsonaro recuou e sancionou a previsão de pagamento dessas emendas, identificadas no Orçamento sob o código RP-9, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022. Com isso, os parlamentares poderão indicar esses recursos no Orçamento do ano que vem, em pleno período eleitoral.

O modelo vem sendo usado pelo governo para cortejar deputados e senadores aliados com repasses do Orçamento da União a municípios e Estados de seus redutos eleitorais, sem que seus nomes sejam divulgados, diminuindo a possibilidade de controle social.

Pacificação – Sem consenso em torno da divulgação de uma nota contra as ameaças feitas por Jair Bolsonaro à democracia, governadores de 24 Estados e do Distrito Federal decidiram, ontem, propor ao presidente e aos outros chefes de Poderes uma espécie de reunião de pacificação e de normalização institucional do País. No encontro do Fórum dos Governadores, realizado em Brasília – com a maioria dos presentes participando de forma virtual –, não faltaram críticas ao comportamento de Bolsonaro e foi unânime a tese de que o atual clima de instabilidade política é prejudicial para todos. A ideia de divulgar um manifesto formal contra o presidente, no entanto, dividiu opiniões, especialmente porque poderia apenas ampliar o clima de instabilidade, sem resolver a situação.

CURTAS

PDV municipal – A Prefeitura do Recife publicou a regulamentação para o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) para funcionários de cinco empresas municipais, contratados sob o regime da Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT). Mais de 2,5 mil servidores se enquadram nas regras do plano, segundo a gestão. A medida faz parte de um pacote econômico proposto pelo prefeito João Campos (PSB), enviado em caráter de urgência, que inclui a reforma da Previdência municipal e aumento da taxa de contribuição previdenciária para servidores.

Sem pagamento – Com a ampliação do Bolsa Família e aumentos dívidas judiciais, a equipe econômica pressiona o Congresso Nacional para a aprovação da PEC dos Precatórios. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, sem aprovação da PEC pode faltar dinheiro para o pagamento dos salários dos funcionários públicos.

Perguntar não ofende: Quando o processo da Lava Jato, suspenso em Curitiba, será reaberto em Brasília para julgar Lula? 


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Joao

Lula a tara dos Augustos, Garcias, Fiuzas, Magnos, Antônios.....esse povo só esquece do acéfalo. Creio que seja melhor ser canonizado pelo papa, do que por Malafaia, RR Soares, Edir Macedo e o vendedor de feijão, não esquecendo do mártir bolsonarista Roberto Jeferson!

Joao

O blogueiro parece que sente uma comichão nos dedos para falar mal do Lula, porém não toca nas rachadinhas , nos gastos dos passeios idiotas do acéfalo bancados com dinheiro público, bem como na casinha de 14 milhões do 02, de onde vem tanta grana?

Rafael C.Soares Quintas

O Papa Francisco devia cononizar o Santo Lula da Silva ????????????

R.Soares

Falar mal de Lula é facil, por acaso o bozo é santo




23/08


2021

Coluna da segunda-feira

O candidato de Bolsonaro 

No campo da oposição, quando se trata de sucessão estadual, analistas e até institutos de opinião têm incluído apenas três nomes: os dos prefeitos Anderson Ferreira (Jaboatão), Raquel Lyra (Caruaru) e Miguel Coelho (Petrolina). Nenhum deles se insere no perfil bolsonarista nem faz questão do apoio da corrente, muito menos tem algum tipo de relação com o presidente Jair Bolsonaro, que terá palanque em todos os Estados.

No universo bolsonarista em Pernambuco, nem a deputada-pastora Clarissa Tércio, do PSC, nem o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, goza da simpatia e da confiança do presidente da República. O nome da preferência de Bolsonaro é o do ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, auxiliar do primeiro time que goza da confiança e tem, na verdade, não apenas relação de trabalho, mas sobretudo de amizade e pessoal. São amigos há mais de 20 anos, desde quando se conheceram no aeroporto de Brasília.

À espera do avião para Tocantins, Estado em que exerce a atividade de fazendeiro, Gilson lia notícias na sala de embarque quando o então deputado federal Jair Bolsonaro, rumo ao Rio, pediu o jornal emprestado. A partir dali, uma amizade foi selada, mais adiante Bolsonaro foi conhecer a fazenda de Gilson e este começou a usar suas duas rádios, uma em Gravatá e outra em Maragogi, em Alagoas, Estado que planta coco e tem um hotel, para defender o projeto presidencial do hoje chefe da Nação.

Na campanha de 2018, Gilson cruzou o País com Bolsonaro. Eleito, Bolsonaro fez Gilson presidente da Embratur. Conhecedor da área, o pernambucano deu conta do recado, fez muito mais do que se esperava. Em pouco tempo, virou ministro do Turismo e deixou seu sucessor na Embratur, Carlos Brito, o que revela sua força com o chefe. Afinal, são dois cargos extremamente visados pela base de apoio do Governo no Congresso e Gilson não tem mandato eletivo. Seu mandato é a confiança cega que o chefe tem nele.

Se Bolsonaro não lançou ainda o nome de Gilson para o Governo de Pernambuco é porque, naturalmente, o timing não é o ideal. As apostas em Brasília, entretanto, se dão na direção de que o candidato do bolsonarismo no Estado para entrar na briga da sucessão de Paulo Câmara atende pelo nome de Gilson Machado Neto. E aconselho os institutos de opinião a incluir o seu nome em todas as pesquisas a partir de agora. 

Senado - Na entrevista exclusiva que deu a este editor do blog, há 30 dias, Bolsonaro chegou a falar no nome de Gilson Machado Neto para o Senado, quando provocado a comentar a possibilidade de oito ministros renunciarem em abril para disputar as eleições de 2022. Um bolsonarista convicto entendeu que naquela ocasião o presidente não se referiu ao Governo do Estado para não antecipar o processo de discussão do candidato da sua base partidária em Pernambuco. É bom observar que Gilson tem tido uma presença muito mais constante no Estado e entrado na mídia quando há tiroteio em defesa do presidente e do Governo.

Memorial Agamenon - Repercutiu intensamente a ideia da construção do Memorial Agamenon Magalhães, em Serra Talhada, lançada em discurso que fiz, sexta-feira passada, em agradecimento ao título de Cidadão Honorário, na Câmara de Vereadores. Em contato com o blog, a prefeita Márcia Conrado (PT) disse que vai elaborar o projeto, já abraçado em nível federal pelos deputados Sebastião Oliveira (Avante), Fernando Monteiro (PP) e Marília Arraes (PT). Em nome da família e na condição de neto, o ex-senador Armando Monteiro disse que recebeu a sugestão com muita emoção e que se depender da família todo o arquivo do estadista será doado ao Memorial.

Longe do PSB - Candidato a deputado estadual pelo PT, o ex-prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, não quer nem ouvir falar na hipótese de uma aliança do PT com o PSB nas eleições para governador. Defensor da tese de candidatura própria, vai insistir no nome de Marília Arraes. "Se o partido tem Lula disparado na preferência popular para presidente e Marília na mesma situação em Pernambuco, conforme todas as pesquisas, chegou a hora de pôr abaixo a supremacia do PSB no Estado", prega Duque.

Triunfo em alta - Embora junho e julho, período da estação mais fria em Triunfo já tenham passado, a cidade vive um agosto com a mesma intensidade no fluxo de turistas. No fim de semana que passei por lá, vi hotéis lotados, restaurantes e bares apinhados de visitantes, o que comprova que o pior da pandemia já passou, a vida está voltando ao seu curso natural e o turismo, fundamental para cidades com o perfil de Triunfo, retomou num ritmo promissor.

O verdadeiro forasteiro - Ao chamar o deputado federal Fernando Rodolfo de forasteiro, o também deputado federal e líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz, antecipou um processo natural da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 22: a polarização na disputa pelo voto na briga do pleito proporcional entre ele e Rodolfo como verdadeiros representantes da terra. Quem, como Rodolfo, colocou R$ 20 milhões em emendas para Caruaru está longe de ser forasteiro. Wolney deveria ter apontado o dedo para Daniel Coelho, este sim não tem nada a ver com Caruaru, é o forasteiro importado por Mainha Raquel Lyra, como é conhecida a prefeita.

CURTAS 

Jungmann ressuscitado - O ministro da Defesa e da Segurança Pública no Governo de Michel Temer, Raul Jungmann, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro determinou que jatos Gripen sobrevoassem o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja. Questionado sobre a demissão dos três comandantes das Forças Armadas, em março, Jungmann afirmou que a ordem sobre os jatos estava por trás das motivações.

Recessão em 22 - O ex-secretário de Política Econômica do governo de FHC, José Roberto Mendonça de Barros, não tem uma boa notícia aos brasileiros sobre o início de 2022. Ele prevê uma “pequena recessão” no período. Para todo o ano eleitoral, ele projeta crescimento de apenas 1,4%, enquanto a média das estimativas do mercado continua em 2,0%. “O cenário desenhado é de situação fiscal complicada, juros mais altos, inflação elevada, risco de apagão. Nada de revolução liberal”, afirmou. 

Perguntar não ofende: O ministro Alexandre de Moraes, do STF, merece sofrer impeachment?


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Wellington Antunes

Um lembrete: para governador ou senador de PE o blogueiro faltou citar o nome do bolsonarista Coronel 1,18% Feitosa (só teve 1,18% de votos para prefeito do Recife). Como se vê, ele é um nome muito forte e não pode ficar de fora.

Wellington Antunes

Se esse Gilson Machado for candidato ao senado ou a governador de PE só vai ter dois votos: o dele mesmo e o do blogueiro. E outra, o blogueiro não sabe que Bolsonaro nem partido tem pra chamar de seu? Como é que vai lançar candidatos em todos os Estados? Dá tempo?




21/08


2021

Coluna do sabadão

Uma crise sem fim

Por Houldine Nascimento – interino

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou adiante a promessa que havia feito no último sábado e apresentou ao Senado um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação tomada ontem é inédita na história republicana. 

O documento destinado para apreciação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), faz críticas diretas ao Judiciário, chegando a afirmar que é “um verdadeiro ator político” e que "deve estar pronto para tolerar o escrutínio público e a crítica política, ainda que severa e dura”. Bolsonaro também acusa Moraes de “atuar como um verdadeiro censor da liberdade de expressão” e de estar "ruindo com os pilares do Estado Democrático de Direito”.

Na peça, o presidente questiona o inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes e que incluiu o próprio Bolsonaro entre os investigados. O procedimento foi aberto de ofício, ou seja, sem a participação da Procuradoria Geral da República (PGR) por decisão do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Contudo, o artigo 43 do regimento do STF prevê a abertura de inquérito nesses moldes e o plenário validou a investigação em junho de 2020 por 10 votos a 1.

Pouco tempo depois de o pedido ser protocolado por um funcionário do Planalto no Senado, o STF emitiu uma nota em repúdio à medida do chefe do Executivo: “O Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal.”

“O STF, ao mesmo tempo em que manifesta total confiança na independência e imparcialidade do Ministro Alexandre de Moraes, aguardará de forma republicana a deliberação do Senado Federal”, prossegue o comunicado. Um aditivo para a já explosiva crise entre os poderes.

Sem fundamentos – De São Paulo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se pronunciou ainda ontem sobre o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Ela afirmou que vai analisar a peça, mas que não antevê fundamentos: “Sinceramente não antevejo fundamentos técnicos, jurídicos e políticos para impeachment de ministro do Supremo, como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República. O impeachment é algo grave, algo excepcional, de exceção, e que não pode ser banalizado. Mas cumprirei o meu dever de, no momento certo, fazer as decisões que cabem ao presidente do Senado.”

Trava – O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vai manter suspensa a sabatina do ex-advogado-geral da União, André Mendonça, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A medida é uma reação ao pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes feito pelo presidente Bolsonaro. Alcolumbre disse que não será possível avaliar alguma indicação do presidente caso a relação entre os poderes da República se mantenha tensa.

Reações no Parlamento – Vários congressistas se manifestaram contra a atitude do presidente. “Bolsonaro, vá procurar o que fazer! Nós estamos com mais de 14 milhões de desempregados, 19 milhões de famintos, inflação descontrolada! Cuide dos problemas reais do país”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); “Vergonha! Um presidente da República que ameaça a independência entre os poderes, desrespeita a Constituição e atenta contra o Estado de Direito”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE); “O destino provável e justo do pedido de Bolsonaro será o arquivo”, explanou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE); “A fragilidade técnica da peça do pedido de impeachment deixa claro que nessa atitude está apenas o desejo de criar uma nova bandeira mobilizadora para sua militância”, declarou o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).

“Forasteiro” – O deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE) reagiu de forma ríspida a uma colocação atribuída ao colega de Câmara Fernando Rodolfo (PL-PE) sobre ter sido o parlamentar que destinou mais emendas para Caruaru, cidade natal do pedetista. “Isso é mentira e conversa pra boi dormir. Primeiro que Fernando Rodolfo é de Garanhuns, não é daqui. É um forasteiro que está se apropriando do voto de Caruaru. Não tem nada que se assemelhe, que chegue perto dos recursos que eu boto em Caruaru”, disse em entrevista ao comunicador Cesar Lucena, na Rádio Cultura do Nordeste.

Resposta – O deputado Fernando Rodolfo rebateu a declaração de Wolney: “Eu não sabia que ele faz esse tipo de política baixa. Tinha outra impressão. Caruaru não merece isso. Caruaru merece trabalho e esse recado ele ainda não entendeu, por isso penaliza a gestão municipal simplesmente porque não simpatiza com a prefeita. Até agora já destinei para a cidade cerca de R$ 20 milhões em apenas dois anos e meio de mandato. Me chamar de forasteiro é uma agressão barata, desnecessária e covarde. Quero debater Caruaru com ações, com ideias, com trabalho e não com politicagem rasteira.”

CURTAS

NÚMERO ESPERANÇOSO – O Ministério da Saúde repassou para Pernambuco mais de 9 milhões de vacinas contra a Covid-19. O Estado recebeu 401.330 novas doses ontem: 215.300 da Coronavac/Butantan e 186.030 da Pfizer/BioNTech.

COMEMORAÇÃO – O governador Paulo Câmara (PSB) celebrou a quantidade de doses enviadas ao Estado até o momento. “Esse é um número que nos estimula a continuar firmes no enfrentamento à doença”, declarou.

Perguntar não ofende: Quando o Brasil vai sair dessa grave crise institucional?


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