Uma policial militar de Pernambuco, identificada como Mirella Virgínia Luiz da Silva, foi expulsa após publicar na internet um vídeo em que criticava a corporação e dizia que o ambiente era “doente e tóxico”. A retirada da soldado está publicada na edição desta sexta-feira (1º) do Diário Oficial do Estado e foi assinada pela então secretária da pasta, Carla Patrícia Cunha, que deixou o cargo.
O vídeo foi publicado pela soldado no YouTube, em 16 de setembro de 2021. De acordo com a portaria, nele, a servidora disse que a Polícia Militar é “instituição doente, com jogo de poderes muito grande, composta de pessoas que se superestimam por terem postos superiores, muitas vezes, diminuindo, perseguindo, fazendo pouco caso, humilhando e coagindo aqueles que estão em posto inferior”. As informações são do g1.
Leia maisNa portaria, a SDS considera que o vídeo gerou repercussão negativa no “seio” da tropa da unidade militar onde a policial atuava.
Nas imagens, de acordo com a secretaria, a policial criticou o curso de formação da Polícia Militar e também afirmou que a hierarquia, disciplina e ordem da corporação “não passam de um grande argumento para a prática de inúmeras arbitrariedades” e, por isso, a Polícia Militar precisaria de conserto.
Na sequência em que justifica a expulsão da PM, a SDS reitera que a soldado afirmou que não haveria como o estado conceber uma segurança pública de qualidade “se os policiais estão adoecendo por uma questão de egoísmo de muitos que estão em postos superiores, que se vestem de uma realidade inexistente, sendo eles desumanos com os seus pares, inferiores e subalternos”.
Ainda de acordo com a secretaria, a policial não se adaptou à PM, uma vez que publicou o vídeo demonstrando os “descontentamentos” com a instituição.
Além disso, um parecer técnico feito durante o processo mostrou que, dos quase quatro anos como policial, ela trabalhou efetivamente cerca de quatro meses, por ter sido afastada por conta de uma licença de saúde.
Por fim, o processo apontou a soldado como culpada e ela foi considerada “incapaz de permanecer integrando” a Polícia Militar de Pernambuco. A expulsão está prevista no artigo 28, inciso V, do Código Disciplinar dos Militares de Pernambuco.
Na portaria, a SDS afirma ainda que a policial violou artigos do Regulamento de Ética Profissional dos Militares de Pernambuco, Estatuto do Militares de Pernambuco, Código Disciplinar dos Militares de Pernambuco.
Além da exclusão publicada, a policial responde a processo na Vara da Justiça Militar pelo crime previsto no artigo 166 do Código Penal Militar, de crítica indevida.
Soldado diz que sofreu perseguição
Ao g1, Mirella Virgínia disse que fez um vídeo de “pedido de socorro” para denunciar que estava sendo perseguida na corporação.
“Estavam acontecendo coisas e eu queria que a governadora soubesse e a Corregedoria ajudasse. Mas o que aconteceu foi totalmente o oposto. Eles encararam aquilo como uma afronta à instituição quando eu, na verdade, fui a maior vítima – e continuo sendo”, declarou, acrescentando que, no dia em que gravou o vídeo, estava afastada para cumprir um tratamento de saúde.
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