Jaboatão vai conquistar você

14/01


2022

Índice de Atividades Turísticas registra sétima taxa positiva

Segundo estudo do IBGE, o Índice de Atividades Turísticas no Brasil cresceu 4,2% em novembro de 2021 ante o mês anterior (outubro) no país, a sétima alta consecutiva, gerando um ganho acumulado de 57,5% no período analisado.

Oito dos 12 locais avaliados acompanharam a expansão, especialmente São Paulo (8%), Paraná (6,3%), Rio de Janeiro (2,8%) e Minas Gerais (2,3%). Na comparação com novembro de 2020, o aumento chega a 25,5%, a oitava taxa positiva seguida, impulsionado principalmente por empresas de meios de hospedagem, restaurantes, transporte aéreo, rodoviário coletivo de passageiros, locação de automóveis, serviços de bufê e agências de viagens.

Os dados mostram que ações como a definição de protocolos sanitários, com o Selo Turismo Responsável, favoreceram a manutenção de atividades. “Medidas como esta são essenciais para proporcionar o contínuo desenvolvimento do ramo, até chegarmos aos níveis anteriores à pandemia”, disse o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto.


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Comentários

Joao

Esse gosta puxar!


Caruaru - Jan 2022

14/01


2022

Maior processo trabalhista do país está perto de se resolver

A falência do grupo Laginha, em Alagoas, gerou o segundo maior processo falimentar do país, com o impressionante volume de 111 mil páginas. Também ostenta o título de maior processo trabalhista ativo do Brasil em número de credores (3.402), e representa quase 10% do acervo de processos de execução existentes hoje no Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região.

O caso se arrasta desde 2008, com a recuperação judicial do grupo (em 2014 foi decretada a falência). Uma nova administração da massa falida assumiu em agosto passado e tem conseguido trabalhar de forma producente com a justiça alagoana. Como resultado, ontem foi renovado um acordo para o pagamento de todos os 3.402 credores trabalhistas em Alagoas que têm a receber valores de até 150 salários-mínimos.

O acordo de cooperação foi firmado entre o Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL) e a 1ª Vara de Coruripe, responsável pelo processo de falência da Laginha Agroindustrial no Judiciário de Alagoas.

O administrador judicial da massa falida, advogado Igor Telino, explica que todas as reclamações trabalhistas em tramitação receberão créditos extraconcursais até o limite de 150 salários-mínimos, definidos na Lei de Falências, como créditos preferenciais. “Mesmo quem tem a receber mais de 150 salários-mínimos terá o valor creditado até o limite, recebendo a diferença em um segundo momento”.

Já foi remetida para a Coordenadoria de Execuções a relação dos credores e respectivo valor a receber. Como há processos trabalhistas espalhados por 20 Varas do Trabalho, caberá à Coordenadoria enviar os recursos para que cada uma das varas realize os pagamentos.


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Cabo - Pavimentação e Drenagem

14/01


2022

Kaio Maniçoba anuncia ações para Arcoverde

Em entrevista à Rádio Independente FM, em Arcoverde, o presidente do IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco), Kaio Maniçoba, anunciou várias ações e projetos que o instituto deverá desenvolver para o município e em todo o estado até 2024, segundo o planejamento traçado pela instituição. Ao lado da vereadora Zirleide Monteiro, Kaio garantiu a abertura de poços, máquina para entidades rurais e investimento no laboratório de genética do IPA Arcoverde.

“O IPA fez um planejamento com o objetivo de que as atividades contribuam para o fortalecimento da instituição, especialmente na captação de novos recursos, que deverá ser realizada a partir da oferta de bens e serviços para o agronegócio pernambucano. Nessa área, temos a perfuração de poços, tratores para associações rurais, horas máquinas, implantação do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) entre outras ações”, afirmou, lembrando que, através do PAA, o IPA investe no agricultor familiar para ele produzir, adquiri a produção, paga e entrega a entidades sociais, hospitais públicos, entre outros.

Ao falar sobre política, o ex-deputado Kaio Maniçoba confirmou sua pré-candidatura à deputado estadual e afirmou que sua presença em Arcoverde é antiga, desde jovem, e que seu compromisso com o município e seu povo é para agora e depois. Lembrou que sua história é marcada pela palavra “trabalho”, independente de mandato eletivo. “Arcoverde pode ter a certeza de que estaremos sempre presentes, como já estamos trazendo ações hoje, estaremos amanhã como representante desse povo na Assembleia Legislativa”, disse.

Falando de desenvolvimento e geração de empregos, Kaio ressaltou que o Governo do Estado, principalmente os que virão, deverão ter uma política pública voltada para o Sertão, já que o desenvolvimento em Pernambuco acontece em Suape, RMR, Caruaru e pula para Petrolina.

“Temos que cobrar do novo governador política públicas voltadas para o Sertão, de forma diferenciada, mais universidades, indústrias, uma política de desenvolvimento focada na região. Não se justifica as empresas vir aqui e por falta de incentivo não se instalarem. Precisamos debater isso e cobrar da gestão estadual, superar a questão populacional e de infraestrutura”, ressaltou Kaio.


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Petrolina Dezembro 2021

14/01


2022

Legista chama versão da Polícia sobre caso Beatriz de “fantasia”

O médico legista George Sanguinetti contesta a versão da Polícia Civil de Pernambuco de que o detento Marcelo da Silva, principal suspeito de assassinar a garota Beatriz Angélica Mota, em 2015, teria agido sozinho. Na última quarta-feira (12), o secretário Humberto Freire (Defesa Social) afirmou em coletiva de imprensa que não havia indícios de outros participantes no crime.

Hoje, Sanguinetti concedeu uma entrevista por telefone ao programa Super Manhã com Waldiney Passos na Rádio Jornal Petrolina. “É fraca a argumentação, a história não convence”, pontuou. O legista atuou em casos como a morte de PC Farias e da menina Isabella Nardoni. 

“Como ele vai exatamente naquele setor abandonado [do Colégio]. Não foi um trabalho solitário, alguém observava, alguém vigiava. Não me convenço desse pedinte, desse pobre homem que assusta uma menina de 7 anos, que vai constatar que ele está armado com uma faca e é vitimada por conta disso. Faltam muitos elementos para ter veracidade“, completou.

O médico também classificou as colocações do secretário como “fantasia”. “Estão querendo encerrar o caso Beatriz. Logo agora que o caso seria federalizado e teria condições de obter as respostas precisas", contestou.

Sanguinetti defendeu seu ponto de vista sem ter acesso aos laudos e materiais coletados no inquérito.


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14/01


2022

Produtores de Petrolina já amargam perdas

Mais de 2 mil produtores de frutas de Petrolina já contabilizam prejuízos da ordem de R$ 60 milhões com a perda de 30 mil toneladas de uva e manga em decorrência das chuvas que caem no município desde o dia 9 do mês passado. O anúncio foi feito hoje pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR).

A situação, que se agravou com as precipitações que ocorreram no último dia 25 (Natal), e atingiram até 300 mm em algumas localidades da zona rural do município, encharcou os pomares, aumentou as doenças a exemplo do míldio e vem comprometendo a produção das frutas nas etapas de poda, colheita e floração. No caso da uva, a fruta mais sensível às condições climáticas, o excesso de água gera quebra de produção, atraso de colheitas e, consequentemente, falta de produto no mercado. Segundo estimativas do SPR, os prejuízos com a uva já passam de R$ 33 milhões com a perda de 20 mil toneladas da fruta. Na cultura da manga, os produtores contabilizam prejuízos da ordem de R$ 27 milhões com a perda de 10 mil toneladas.

Ainda em consequência das chuvas registradas na região do Vale do São Francisco, algumas fazendas produtoras emitiram comunicados ao mercado, alertando inclusive que as precipitações podem perdurar por alguns meses, uma vez que a previsão climática atual aponta que os próximos quatro meses (estação chuvosa do Vale) terão chuvas acima da média, prejudicando as colheitas e floradas futuras.

A fazenda Agrivale, por exemplo, informou que tem feito o possível para minimizar as consequências, como investimentos em proteção e readequação da capacidade de produção e que segue empenhada em atender os clientes. A produtora reitera o compromisso de manter relação respeitosa e sustentável com parceiros e fornecedores.

A fazenda Labrunier também emitiu um comunicado ao mercado onde informa que mediante as circunstâncias, a equipe tem reprogramado constantemente as colheitas para atendimento de exportação e mercado interno, readequando os volumes de entrega de acordo com a capacidade de produção e colheita das unidades produtivas do grupo.

Segundo o gerente executivo do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Flávio Diniz, além dos prejuízos com as chuvas os produtores enfrentam ainda o aumento de despesas efetivas com insumos agrícolas, acondicionamento, comercialização, transporte, aduanas e folha de pessoal, comprometendo a produção do primeiro semestre desse ano e influenciando negativamente os resultados do setor agrícola do Vale do São Francisco em 2022.

O Vale do São Francisco, mais especificamente Petrolina, Juazeiro e Casa Nova (BA), é o terceiro maior produtor de frutas do mundo com uma produção de 43,8 milhões de toneladas por ano. As culturas de manga e uva são responsáveis respectivamente por 96% e 99,9% das exportações de frutas brasileiras.


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Arcoverde janeiro 2022

14/01


2022

Ministra Flávia Arruda é afastada para resolver assuntos particulares

A ministra da Secretaria de Governo da Presidência da República, Flávia Arruda (PL), foi afastada temporariamente do seu cargo. O afastamento foi assinado e publicado no Diário Oficial no dia 12, quarta-feira.

O afastamento está previsto entre o período de 13 a 21 de janeiro de 2022. Segundo o texto do Diário Oficial, a ministra foi afastada para “tratar de assuntos particulares”.

Flávia Arruda, que é deputada federal, foi empossada no dia 6 de abril de 2021 em uma reforma ministerial promovida por Jair Bolsonaro, que colocou no governo outros nomes como Walter Braga Netto (Defesa), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) e Carlos Alberto França (Relações Exteriores).

As mudanças ocorreram depois da divulgação da carta de demissão de Fernando Azevedo e Silva, então ministro da Defesa.


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Serra Talhada 2021

14/01


2022

PE recebe 60 mil doses contra a Covid-19 para crianças

Chegou a Pernambuco, hoje, o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos. Nove horas após o horário previsto inicialmente, o estado recebeu 60 mil doses do imunizante pediátrico da Pfizer, o único autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação nessa faixa etária. as informações são do portal G1/PE.

O lote chegou ao Aeroporto do Recife às 10h50. A carga ficou no local até ser transportada por uma empresa contratada pelo Ministério da Saúde para fazer esse serviço de deslocamento. As doses seguem para a sede do Programa Estadual de Imunizações (PNI), onde são conferidas e distribuídas para os municípios.

De acordo com o governo de Pernambuco, o envio das doses para todas as Regionais de Saúde, onde as prefeituras fazem a retirada, começa ainda hoje e é finalizado amanhã.

Nesta semana, o Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação definiu que a vacinação desse público vai começar com as crianças indígenas e aquelas que têm doença neurológica crônica ou distúrbios do desenvolvimento neurológico, priorizando a síndrome de Down e o autismo.

"Das 60 mil doses, 5.960 serão destinadas para 100% dos indígenas com essa faixa etária e 53.980 doses serão para 4,28% da população de crianças de 5 a 11 anos, dentro do grupo prioritário", informou o governo de Pernambuco, por meio de nota. A estimativa do governo estadual é de que haja 1,1 milhão de crianças nessa faixa etária no estado.

Para serem vacinadas, as crianças precisam estar acompanhadas pelo pai, pela mãe ou por responsáveis. No ato da imunização, é exigida a apresentação de um documento de identificação oficial dos meninos e meninas.


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SESC - Férias de Janeiro

14/01


2022

Justiça dá prazo para Governo responder sobre IPVA

O desembargador Erik de Sousa Dantas Simões, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), determinou, hoje, que a Procuradoria-geral do Estado se pronuncie sobre o mandado de segurança coletivo impetrado pelo PTB e pelo movimento Não vou pagar sobre a base de cálculo do Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Antes que isso ocorra, os impetrantes terão de apresentar em até cinco dias o "ato coator", ou seja, a ação ou omissão da autoridade pública no exercício de atribuições que ameace ou viole direito líquido e certo. "Em apreciação à petição inicial do Mandado de Segurança Coletivo em epígrafe, não se verifica a indicação do ato coator, o que revela falta de interesse jurídico para a impetração do writ [mandado de segurança]", escreve o desembargador.

Decorrido o prazo, o Governo de Pernambuco terá até 72h para se pronunciar sobre o pedido de liminar feito pelos impetrantes. Na peça, apenas o secretário estadual da Fazenda, Décio Padilha, aparece como impetrado.


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Bandeirantes novembro 2021

14/01


2022

Carro de vice-prefeito de Ibimirim é alvejado

O vice-prefeito de Ibimirim, Charles do Paulistão (Podemos), diz ter sido vítima de um atentado na manhã de hoje. Enquanto se deslocava para o programa que apresenta em uma rádio da cidade, seu carro, um Fiat Toro cinza, foi alvejado por um tiro. O veículo era dirigido por Francisco Lopes, um de seus assessores.

De acordo com Charles, um Fiat preto se aproximou do carro em que estava entre os distritos de Moderna, em Sertânia, e Lagoa da Areia, em Ibimirim. Ao Blog, ele disse acreditar que há motivação política no caso e enfatizou que está rompido com o atual prefeito, Welliton Siqueira (PCdoB) há seis meses.

Charles está com o assessor na Delegacia de Arcoverde, no Sertão do Estado.


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Pousada da Paixão

14/01


2022

Sempre gostei de pinga!

Falecida em julho de 2021, a jornalista Fabiana Queiroz, esposa do meu amigo e também jornalista Gabriel Garcia deixou um livro de crônicas incompleto. Amante da vida e das palavras, a moça do sorriso largo não concluiu seu livro, mas apostava que as histórias sobrevivem enquanto alguém tiver interesse em lê-las. Ainda bem que o seu marido tem absoluto apreço pelos textos da mulher. Abaixo, um dos textos primorosos de Fabiana enviado por Gabriel. Confiram!

“Não, essa história não é sobre mim, mas preciso de passar pela pinga, ou pela minha queridíssima fornecedora da melhor pinga dos goyases para que entendam de onde tirei tudo o que venho apresentar para vocês nessas crônicas adaptadas!

Por cerca de seis meses, viveria em Goiás Velho para levantar mais informações e entrar no ambiente da cidade que foi objeto de minha tese de mestrado.

Voltando à pinga, um dia, ao conversar com seu Nenzim do bar, soube que as cachaças que ele servia eram produzidas ali mesmo na região, num alambique bem artesanal que havia cerca de 15 quilômetros ao norte da cidade. A representante comercial por assim dizer morava na cidade, numa casinha bem modesta de fachada branca com portas azuis claras, passando a ponte da batata, seguindo a rua torta e ascendente que levava à paróquia.

Era Dona Menão, uma viúva como tantas outras, cuja personalidade havia sido reduzida e desidratada por décadas de um casamento prático com o Seu Menão, falecido há plácidos 8 anos. Ela havia sido dele por tantos anos que nem conseguia mais fazer valer seu próprio nome, nem na vizinhança nem na cidade. Mas era uma senhorinha muito simpática que aproveitava a visita dos clientes para longas conversas sobre a Goiás de outros tempos. Sempre contava as coisas com uma leveza tão crível que a gente pensava que tinha sido tudo tão bom como ela fazia parecer.

No começo, eu comprei três garrafinhas pequenas com diferentes sabores para provar. Foi uma aquisição lenta. Por mais de 50 minutos houve relatos adoráveis naquela voz macia, que falava um português meio truncado, mas com gosto de interior, de roça. Cada sabor tinha uma história, cada fruta vinha de um lugar mais para dentro da Serra Dourada. Tinham em comum o segredo daquelas bebidas tão únicas: todas eram curtidas ali mesmo, no quintal de Dona Menão, e ela fazia tudo sozinha!

Visitas familiares baixaram meu estoque daquelas atrevidas bebidinhas. Voltei à meia-porta da ladeirinha com meu irmão para mais daquele sabor para mim e para que levassem de volta à Brasília para presentear alguns amigos apreciadores. Os cabelinhos brancos se viam de longe, naquele fim de tarde quente. Fomos recebidos com festa. O volume das vendas entusiasmou Dona Menão, mas houve pouca conversa. Era hora de preparar a janta e ela não podia se demorar.

Quando fiquei sozinha com as minhas novas garrafinhas na casa novamente vazia, ajeitei-as calmamente sobre a mesa da cozinha para beber delas só daí a alguns dias. Meu paladar estava um tanto alterado pelas cervejas e comilanças da véspera e não queria desperdiçar aqueles sabores.

Eram 7 no total. Jaboticaba, tamarindo, buriti, cagaita, cajuzinho-do-cerrado, pitomba e pequi. Aqui as menciono na ordem decrescente de minha preferência. Jaboticaba era adocicada, licorosa, tinha um tom arroxeado bem bonito se colocada contra o sol. Foi a que acabou primeiro. Pequi já não gostei. Cheiro e gosto fortes demais. Só o amarelo do líquido era atrativo. Pena que as garrafas eram tão bagunçadas, cada uma de um formato diferente. Por rolha, um pedaço de sabugo de milho. Não serviam para decoração.

Voltei no final do meu primeiro mês na cidade para comprar mais pinga com jabuticaba, agora numa garrafa grande, para durar mais tempo. Encontrei Dona Menão mais disposta e dessa vez falamos até a noitinha. Ela até perdeu a hora da janta. Dei corda para suas histórias e não pude pensar em oradora mais orgulhosa e animada. Só quando falava do marido que os olhos baixavam da linha do horizonte, mas foram poucas vezes que o mencionou.

Contou de Cora Coralina. Disse que tinham sido um pouco amigas, mas que depois que ela se perdeu e a cidade inteira lhe virou as costas, quando ela se amasiou com aquele cavalheiro e mudou para longe para escapar da maledicência, perderam contato. Quando a poeta voltou para a cidade décadas depois, ainda carregava a pecha de leviana e Dona Menão, por ordem do marido, manteve-se à distância. Por não cortar completamente os laços com aquela mulher que ela admirava pela coragem e ousadia, vez que outra conseguia um portador que lhe fizesse chegar a Cora uma de suas garrafas mais saborosas, a qual fazia acompanhar de um curto bilhete com o seu nome em garatujas. Era tudo que podia escrever e sabia que a destinatária gostava muito de palavras.

Prometi que voltaria para prosear mais daí uns dias, mesmo que não precisasse de mais bebida. Era só para ouvir dela as anedotas de uma vida tão longa quanto trivial. Como podia haver tanta coisa para contar nunca cheguei a entender. Mas era delicioso passar algum tempo imersa num passado marinado pela distância, amolecido e açucarado. Diziam que ela contava 93 anos, mas nunca achei momento para confirmar a informação.

As visitas passaram a ser mais frequentes, voltava lá quase toda semana, quase sempre às quintas, que era o dia mais sossegado na casa. Levava bolo, biscoitos de pacote (como ela mesma falava!), pequenas guloseimas que ela comia com parcimônia entre uma historinha e outra. Ela perguntava como iam meus estudos com curiosidade. Expliquei que trabalhava em um documento muito antigo, de muito antes dela nascer, da época em que ainda havia ouro pelas redondezas. Tinha que entender o que estava escrito e adaptar para a linguagem dos nossos dias. Recebi um olhar brilhante de quem teve uma grande ideia. Fez menção de se levantar, mas desistiu. Logo engatou na história do Mascate João Damasceno, de quem havia comprado umas panelas muito pesadas havia mais de trinta anos, mas que ainda serviam como se fossem novas.

Um pouco frustrada pelos parcos avanços da tese, aceitei o fato de que teria de prolongar minha estada por pelo menos mais seis meses na antiga capital goiana. Reduzi minhas incursões às cachoeiras, ao bar de seu Nenzim e à casa de Dona Menão para me dedicar de forma quase exclusiva, um tanto alucinada ao documento que me levara à pequena cidade.

Numa tarde de quarta, já à beira da insanidade, decidi dar uma volta. Ia rumo à casa da minha amiga nonagenária quando divisei, de longe, a porta toda fechada e a janela apenas entreaberta. Nunca me havia deparado com aquela configuração na faixada. Bati e veio me receber a vizinha carrancuda, Dona Mariana. Contou-me com tristeza que a amiga estava adoentada e que havia dormido, pelo que me pediu que voltasse no dia seguinte.

Fiquei com o coração apertado e custei dormir aquela noite. Depois do meu café da manhã e antes de o sol estar muito alto no céu, cruzei ansiosa a ponte da batata. Senti uma espécie de alívio quando vi a meia porta aberta e a janela fechada. A cara de Dona Mariana se projetava com um olhar mais animado. Quando me viu já disse logo que Dona Menão estava melhor e que queria me ver se eu aparecesse.

No quarto quente, com pouca luz, a senhorinha descansava sua velhice e lutava sem muita disposição para melhorar e seguir nesse mundo dos vivos. Demostrou alegria ao me ver com um sorriso tímido e pediu que me aproximasse. Disse que não ia fazer rodeios e que tinha poucas esperanças de chegar à época das chuvas, período favorito do ano, quando o cheiro de vida e terra molhada tomava conta da cidade e a possibilidade de que o rio transbordasse trazia sempre alguma estranha expectativa.

No banquinho à esquerda da cama, que servia de criado mudo improvisado, apontou para uma espécie de pasta rústica, em couro engraxado. Falou que não tinha muito na vida, mas que queria deixar de herança para a amiga da cidade um dos seus tesouros mais preciosos, mas que pouca gente saberia dar valor. Peguei o vulto e quando ia abrir, ela pediu que não o fizesse, que levasse como estava e guardasse num canto seguro e que só visse o conteúdo depois que ela já não pudesse nem fabricar e nem beber as deliciosas cachaças. Que jeito leve de se despedir ela arranjou!

Conversamos um pouco ainda, mas ela parecia exausta. Antes de sair, ainda olhei com toda a ternura que pude para aquele rosto singelo, emoldurado pelos cabelinhos ralos e brancos, e mandei um beijinho de longe, tentando imitar o gesto que ela tantas vezes havia feito para mim quando começava a descer a ladeira depois de nossas agradáveis tardes.

Soube logo cedo, pelo caixa da padaria, que Dona Menão havia falecido na madrugada e que o enterro seria às quatro da tarde. Havia bastante gente naquele funeral simples. Eram vizinhos, clientes, amigos e as senhoras da igreja, que nunca perdiam a chance de ver o Padre Hipólito falar, fosse qual fosse a ocasião. O caixão era simples e as flores, em sua maioria, colhidas e não compradas como quando o defunto era rico. Choro houve pouco. A senhora era muito querida, mas já estava bem velha e a doença ajudou a preparar as pessoas para a despedida.

Levei ainda umas semanas para ver o que havia na pasta de couro que Dona Menão me havia presenteado com tanta ponta e orgulho. Terminei de escrever o texto para o mestrado e já me preparava para deixar a cidade quando, num fim de tarde, perto da hora em que costumava ir ver minha amiga, sentei-me no alpendre, com a derradeira garrafa de pinga com jabuticaba e um copinho na mesa em frente e a bolsa no colo.

Ao abrir o fecho, um cheiro de papel velho subiu forte e espesso. Eu realmente gostava daquele odor. Puxei uma pilha de folhas em formatos vários e diversos tons de amarelo e marrom. Eram recortes de jornal com fotos, cartas, bilhetes e documentos de família que a velhinha havia colecionado durante anos, na vã esperança de um dia poder lê-los com seus próprios olhos e habilidades. Numa revisão rápida percebi 1950, 1962, 1970. Eleições, certidão, crônica. Letras e números fervilhavam em minha cabeça.

Filhos eu não teria, por opção. Árvores já havia plantado umas quantas. Daqueles pedaços de história nasceria o tão sonhado livro. Das funduras daquele Goiás, guardado numa gaveta improvável, o tesouro de Dona Menão se tornaria o volume Crônicas Adaptadas em que ainda estou trabalhando e cujo delicioso conteúdo espero poder compartilhar com todos os que como eu sabem apreciar uma boa chachaça, um bom fim de tarde e algumas histórias que o tempo amarela, mas que sobreviverão enquanto alguém teimar em relê-las!”


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14/01


2022

Anvisa deve aprovar até terça a venda de autotestes de Covid

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trabalha para aprovar os autotestes no Brasil até a próxima terça-feira. Fontes da agência informaram à Globonews que os técnicos adiantaram o trabalho burocrático e de regulamentação, antes mesmo da chegada formal dos documentos do Ministério da Saúde sobre os autotestes.

O ministério informou que enviou o pedido para a liberação dos autotestes ontem. A Anvisa diz que ainda não recebeu. Diante da explosão de casos da variante Ômicron, a agência entendeu que a resolução atualmente em vigência no país, que proíbe esse tipo de testagem para Covid, tem que ser revista a partir de políticas formuladas pelo Ministério da Saúde.

A reportagem apurou com técnicos que as negociações para aprovar o autoteste no Brasil começaram em dezembro de 2021, em reunião com o secretário executivo da pasta, Rodrigo Cruz.

Neste mês de janeiro, com o avanço rápido das infecções pela nova variante, a agência acelerou esse processo. Segundo fontes, “a aprovação será rápida" e a agência já está "trabalhando na redação das novas regras”.

A liberação pode ser feita “ad referedum”, ou seja, pelo diretor-presidente, Antonio Barra Torres, e depois pela diretoria colegiada. Isso ainda está sendo discutido.

Os termos da política de autotestes da saúde ainda não são conhecidos pela agência, mas, a princípio, assim que a Anvisa aprovar a venda dos autotestes, a testagem em casa estará liberada.


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14/01


2022

Federação entre PSDB e Cidadania avança

O PSDB e o Cidadania devem anunciar, até meados de fevereiro, a formação de uma federação partidária. Os presidentes nacionais das duas legendas, Roberto Freire (Cidadania) e Bruno Araújo (PSDB), reuniram-se na noite de terça-feira em Brasília.

“Pelo andar da carruagem, parece que não vai ter nenhuma outra alternativa. O movimento para a federação andou mais”, disse Roberto Freire em entrevista ao Valor Econômico.

Se confirmado o acordo, a primeira consequência é a retirada por parte do Cidadania da pré-candidatura do senador Alessandro Vieira à Presidência da República.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as legendas têm até o dia 1º de março para solicitarem o registro formal da criação das associações. O Cidadania pretende reunir a Executiva Nacional até o dia 19 de janeiro para definir posicionamento sobre o tema. A Executiva do PSDB deve se reunir até o dia 25 de janeiro.


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14/01


2022

O Pai Nosso

O cantor Alcymar Monteiro regravou a canção Pai Nosso, versão inicial já com mais de dez anos em dueto com Teca Calazans. Neste momento triste de pandemia, a música é um convite à uma oração bem reflexiva. Ouça!


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