Jaboatão

15/05


2021

Caso do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Por Cláudio Soares*

Por que ele quis tanto um habeas corpus preventivo e comparecer na CPI na condição de acusado em vez de testemunha? A diferença é que qualquer acusado pode mentir para exercer autodefesa e não comete crime. Pode, também, ficar em silêncio, artigo 5, inciso LXIII da constituição federal, e artigo 186 do código de processo penal brasileiro: Art. 186.

Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. Data vênia, além de não ser obrigado produzir provas contra si: artigo 8, II, alínea G do pacto são José da Costa. Já na condição de testemunha ele não pode nem ficar em silêncio tampouco mentir. 

Em seu artigo 342, o Código Penal (CP) brasileiro prevê o crime de falso testemunho ou falsa perícia, que se configura no ato de mentir ou deixar de falar a verdade nas seguintes situações: em juízo, processo administrativo, inquérito policial ou em juízo arbitral. Neste contexto supra mencionado, apliquei o princípio por analogia ao caso concreto da situação do ex-ministro da saúde, General Eduardo Pazuello. Veja: a doutrina brasileira permite a aplicação de princípios para nortear decisões judiciais.

Não obstante a respeitável argumentação do Pazuello e a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que decidiu baseado em jurisprudência do próprio STF, que outrora concedeu diversos habeas corpus para garantir o silêncio de indivíduos em outras CPIs, foi assim na CPI dos Correios e do Mensalão. A analogia significa aplicar a uma hipótese não regulada por lei a legislação de um caso semelhante.

Deve-se observar que não existe analogia de norma penal incriminadora – in malam partem. Utiliza-se analogia apenas para beneficiar o acusado – in bonam partem.     

*Advogado e jornalista.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Olinda

15/05


2021

Santos Cruz: Instituições não aceitarão aventura

Ex-ministro de articulação política do governo Jair Bolsonaro, o general Carlos Alberto Santos Cruz defende a vacinação como a saída para retomar a normalidade, inclusive econômica, elenca os efeitos da falta de respeito institucional no país e critica o que chama de “festa dos irresponsáveis”.

Santos Cruz concedeu entrevista à revista Política Democrática Online de maio (31ª edição), que acaba de ser publicada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), sediada em Brasília. Todos os conteúdos podem ser acessados, gratuitamente, no portal da entidade.

O general considera que a democracia brasileira “corre alguns riscos, mas não no sistema e, sim, em pontos específicos”. Ele diz não acreditar que uma medida aventureira qualquer venha a ter resposta positiva. “Não acredito porque as instituições, embora fracas e carentes de aperfeiçoamento continuado, existem e não vão aceitar ações aventureiras por parte do governante”, afirma.

Fanatismo

No caso das Forças Armadas, cujo apoio seria essencial em cenários desse tipo, Santos Cruz não vê a mínima condição de dar respaldo a qualquer proposta extrainstitucional. “Outros riscos decorrem de atos fomentados por grupos de fanáticos, cujo desenlace é sempre a violência. O fanatismo é de fato um risco, mas não o vejo capaz de contaminar a sociedade”, avalia.

As Forças Armadas, segundo o ex-ministro, têm dentro delas um sistema de liderança que abarca todos os militares. “Individualmente, são todos eleitores, e podem votar em quem quiser. Não há problema nenhum. Mas, uma vez de uniforme e dentro da instituição, o militar segue o comando institucional. Isso é uma cultura”, acentua.

Ao longo de 47 anos de carreira no Exército, o general diz nunca ter visto discussões de caráter político dentro da corporação. “Zero discussões acerca de política. É cultural. Entrou no quartel, acabou a discussão. Você pode ir discutindo no carro. Entrou no quartel, acabou”, destaca.

Na avaliação do ex-ministro, um governo que carece de planejamento, de respeito institucional, pessoal e funcional tem efeitos graves para a sociedade. “Isso tem efeitos multiplicadores preocupantes. Por exemplo, a conduta de fanáticos, de pequenos grupos de extremistas desqualificados, de baixíssimo nível. Essa conduta tem influência e não contribuirá para conduzir o país a boas soluções”, observa.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Uma das poucas pessoas decentes e corretas que fez parte desse desgoverno, não se submeteu aos arroubos autoritários e chiliques do Bozo, bem como as vontades de Tonho da lua, por isso saiu!


Ipojuca 2021

15/05


2021

Arcoverde: Siqueirinha nomeia cunhado para Finanças

O prefeito em exercício de Arcoverde, Wevertton Siqueira (PSB), mais conhecido como Siqueirinha, tirou Celina Vidal da secretária de Finanças. A exoneração foi oficializada por meio de um portaria publicada ontem. Emerson Gomes, que é cunhado do gestor, assume a pasta.

Celina é sobrinha da ex-primeira dama Rejane Maciel e foi uma das primeiras indicações do prefeito cassado, Wellington Maciel (MDB). Diferentemente de outros nomes dispensados, como o ex-secretário de Saúde Alvaro Neves, ela não deixará o governo. Vai assumir a Secretaria Municipal de Turismo e Eventos. 

Nos últimos dias, o prefeito Siqueirinha tem promovido mudanças na titularidade de pastas. O gestor é bastante ligado à ex-prefeita Madalena Britto (PSB). Prova disso é que André Britto, um dos filhos dela, foi nomeado como secretário de Obras e Projetos Especiais.

Outra exoneração promovida por Siqueirinha foi na Diretoria de Rendas e Tributos (Dirt): ele removeu Wanderson Lira, auditor fiscal concursado, para colocar o advogado Anselmo Pacheco Filho.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

CABO

15/05


2021

Médicos ressentidos com CPI

Por José Nivaldo Junior*

Já repeti inúmeras vezes que não tenho qualquer presunção de entender de medicamentos. Mas de controle ideológico, das tentativas, métodos e mutretas no sentido de formar um "pensamento único", desculpem, disso eu entendo. Combinando mais de 50 anos de atividades na área de comunicação com minha formação e ensino  de graduação e mestrado, como historiador de idéias, estudei a fundo alguns fenômenos. Por exemplo,  fui o primeiro a dizer que O PRÍNCIPE, o emblemático  roteiro  do maquiavelismo, não passa de um livro precursor do atual marketing político. Com essa tese, meu livrinho (no tamanho)  MAQUIAVEL, O PODER ganhou o mundo. É traduzido do inglês ao mandarim. É a única obra de autor vivo a integrar a coleção "A Obra-Prima de cada Autor". Só para citar uma credencial, para aqueles que não me conhecem.

CIÊNCIA É MOVIMENTO

A medicina não é uma ciência exata, muito menos pronta e acabada. Pelo menos desde Hipócrates está em permanente elaboração. Até um dia desses, era protocolo sangrar os doentes. O que é científico ou não, em todas as áreas, também é relativo. Há menos de 500 anos, para escapar da fogueira, Galileu Galilei teve que se retratar. Diante de uma solene CPI da época,  reunindo as sumidades astronômicas e eclesiásticas,  teve que afirmar que a terra não se move. "Eppur se muove" teria dito baixinho aos inquisidores. Traduzindo: apesar disso ela se move. Ciência, definitivamente, não combina com dogmas.

INTOLERÂNCIA

Desde o início da pandemia defendi  a aplicação da Declaração de Helsinqui, documento que pauta a ética médica no mundo. Lá diz que a prescrição de medicamentos é de livre decisão medico/paciente. Por isso, jamais entendi a fúria inquisitorial que se criou com relação a medicamentos usados para tentar amenizar o efeito da Covid. A Cloroquina se transformou em  símbolo dessa intolerância.
Aliás, jamais entendi é força de expressão. Entendi muito bem. Noves fora os muitos médicos que combatem o uso da Cloroquina, da Ivermectina, da Azitromicina para reforçar o organismo no enfrentamento do vírus,  por pura e legitima convicção, a maioria das oposições intolerantes decorrem dos fios invisíveis que movimentam  interesses bilionários em jogo. Simples assim.

A INQUISIÇÃO VENCE. POR  ENQUANTO

A luta contra os dogmatismo são, muitas vezes, seculares. Paciência. É assim que caminha a humanidade. Por isso, milhares de médicos que no primeiro momento se dispuseram voluntariamente a contribuir na luta pela humanidade, usando o que acreditam, como a Cloroquina, por exemplo,  recolheram seus flaps. Cansaram de apanhar. De serem tratados como "charlatões", como disse a deputada  Jandira Fregalli. De responderem a processos que se anunciam como longos, custosos e aborrecidos. Esse movimento silencioso  tem consequências. Por coincidência, após  o seu desencadeamento, a ocupação de UTIs e o número de casos  fatais, disparou no país. O que magoa profundamente milhares de médicos é a atitude dos seus colegas parlamentares, inclusive na CPI. Que além de não defenderem o Documento de Helsinqui criminalizam os colegas que fazem uso de suas prerrogativas. 

DESFECHO RUIM

Hoje, conversei com um cirurgião que na faculdade foi bom aluno em quase todas as cadeiras. Tem boa base. No início da pandemia, reciclou seus conhecimentos clínicos,  se fez voluntário. Tratou 600 pacientes com o coquetel básico (apelidado de tratamento precoce). Não perdeu nenhum. Uns três meses atrás,  jogou a toalha. Sentindo -se questionado  pelos  pacientes, contaminados pela grande de imprensa. Ressentido com os colegas parlamentares. Furioso com certas entidades médicas que se atrevem a por sub judice colegas que apenas usaram seus direitos universalmente adquiridos. Quando perguntei  se havia suporte para o uso da cloroquina no auxílio à resistência à Covid, foi enfático: " Não existe coisa mais comprovada na medicina. Mas essa batalha está perdida. Ganhou o obscurantismo. Ganharam os verdadeiros genocidas. Como Galilei fez, estou  esperando que a humanidade descubra, por ela mesma, que a terra se move. Eu vou é tentar sobreviver em paz".

Não digo que sim nem que não.

Jogo esse texto na cova dos leões, para crítica e reflexão.

*Publicitário. Texto publicado no jornal O Poder Brasil, do qual é fundador.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

MARCOS MORAIS

Que texto mais idiota. Deve ser mais um Bolsominion que quer deixar a população ainda mais insegura do que está. Se a medicina não é numa ciência exata e nela não devemos acreditar então o que vc sugere? Que acreditemos no Capitão Cloroquina? Tenha vergonha rapaz. Com uma doença dessas que já matou milhares de pessoas o que menos precisamos é de crendices. Precisamos dos médicos, das vacinas, da pesquisa e da ciência. É cada coisa que temos que ler nesse blog viu.

Roberto de Lima Barros

Toma o remédio e falar depois quais as consequências disso, quando a pessoa não sabe o que esta falando se calar aqui não é filosofia é um remédio que querem politizar, vai comer bosta e dizer que é cura contra a covid?



15/05


2021

Unicef premia Ceará por redução da mortalidade

Etapa destacada no livro O Nordeste que deu certo, de autoria deste escriba, há 28 anos editado, o Ceará enriqueceu um dos seus capítulos com a façanha de tratar a criança com a dignidade merecida. Escreveu uma página diferenciada no contexto regional da Educação.

O reconhecimento veio mais tarde com o prêmio Maurice Pat, dado por uma das instituições mais respeitadas do mundo: o Unicef  - Fundo das Nações Unidas para a Infância. Foi a forma de agradecer ao Ceará pelas políticas públicas que resultaram na redução das taxas alarmantes de mortalidade infantil, algo que parecia inatingível devido aos governos passados terem fechado os olhos para o futuro da humanidade, as crianças. Ao final deste capítulo, o último sobre o Ceará, dados referentes a tudo que foi abordado aqui 28 anos após. Confira! 

Com o aval do Unicef 

Capítulo 8

Numa festa solene transmitida para o mundo inteiro, o Ceará recebeu, em 26 de abril de 1993, o Prêmio Maurice Pat, outorgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em reconhecimento à bem-sucedida política de proteção à criança. Pela primeira vez um País da América Latina teve o mérito desse reconhecimento. Além do troféu, o Estado embolsou US$ 25 milhões do Unicef, para dar continuidade aos seus projetos nos próximos anos.

Mas, por que o Ceará, um Estado tão pobre, vitimado por distorções climáticas, tão populoso quanto Honduras, Nicarágua e Noruega, com mais de seis milhões de habitantes e dois terços de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, foi o agraciado do ano pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância?

Parece muito simples a resposta: em três anos, entre 1986 e 1989, o Ceará reduziu em um terço sua taxa de mortalidade infantil, cortou em um terço o número de mortes causadas por diarreia, elevou em até 40% seus níveis de imunização, e ainda reduziu em um terço as taxas de desnutrição infantil. O número de mortes de crianças com até um ano de vida caiu de 95 para 65 em cada grupo de 1.000. O Ceará, ao arrebatar o troféu pelas mãos do governador Ciro Gomes, naquela tarde de 26 de abril, era reconhecido como “exemplo para o mundo”.

O Governo do Ceará fez um “pacto pela criança” e destina atualmente 26% de todo o seu orçamento ao setor de Educação, e 10% à área de Saúde. São 7,3 mil agentes de saúde que cortam em média, a cada mês, 400 mil km de estradas no Estado, usando os mais diferentes meios de transportes comuns no interior do Estado, como cavalo, bicicleta, pequenos barcos ou até mesmo a pé, para prestar assistência aos menores desamparados. Pelo trabalho, eles recebem um salário mínimo mensal e, na zona rural, são considerados bem-remunerados para a realidade do Estado, onde 58,6% dos trabalhadores nas áreas metropolitanas percebem menos do que isso.

No tocante à imunização, o Ceará saltou do 2º lugar dos piores, para o 3º na escala dos melhores. Desde 1989 não é registrado um só caso de poliomielite no Estado, e até 1994 a meta é erradicar também os casos de neonatal. O soro caseiro, feito à base de água, sal e açúcar, reduziu as mortes por diarreia em 54%. Entre 1987 e 1990, o peso médio dos bebês entre 0 e 11 meses sofreu um aumento positivo de 168%.

A cada dois dias é inaugurada uma creche no Ceará, com os mais diferentes tipos de gestão. Até 1986, quando os coronéis perderam o poder para Tasso Jereissati, o governo mantinha apenas oito creches na capital e nenhuma no interior, segundo dados da Secretaria de Assistência Social. No início do governo Ciro Gomes, já como resultado das ações feitas a partir de 87, o número de creches tinha passado para 204. Hoje, elas somam mais de 320 e devem chegar a 600 até o final da atual administração. Com isso, em vez de 17.840 crianças atendidas até 1990, o universo beneficiado chegará a 68.674 crianças.

Nova mentalidade

“Se o Ceará, um dos Estados Mais pobres do Brasil, tem o privilégio de receber o reconhecimento e o estímulo internacional do Unicef, é porque, antes de qualquer coisa, o Brasil tem, na sua população, no seu povo – desde que trabalhando seriamente e apoiado pela cooperação e solidariedade internacionais – toda a condição de superar, gradual, mas velozmente, os seus problemas sociais e econômicos”.

O desabafo, em tom de recado aos mandatários do país, é do governador Ciro Gomes, para em seguida advertir: “A vida das crianças e adolescentes do Ceará não é um mar de rosas. Os espinhos ainda são muitos. Crianças deixam a escola antes da educação básica e se transformam em meninos de rua, a mortalidade infantil detém índices altíssimos, e os cuidados com a saúde certamente ainda não estão dento dos padrões exigidos. Essa realidade, no entanto, nós estamos enfrentando com o compromisso de atingir todas as metas até o ano 2000”.

E continua: “O que houve no Ceará foi uma mudança de mentalidade, para dar vazão a um amplo processo de mobilização social. O mérito do reconhecimento do Unicef deve-se à união do governo estadual, às organizações não governamentais (ONG’s) e toda a sociedade organizada. Com esta junção de esforços, conseguimos salvar milhares de crianças”.

Se o Ceará não apresenta nenhuma vantagem especial em relação aos demais Estados da Federação e ainda sofre sérias consequências em decorrência de secas periódicas, como pode realizar tudo isso? A resposta vem do próprio governador, hoje considerado o mais popular do País, segundo o Ibope: “Além da vontade política de colocar a criança como prioridade absoluta e de não permitir que as piores consequências da recessão brasileira caíssem sobre os mais jovens, o Estado partiu, aliado ao Unicef e às ONG’s, para a proteção total ao desenvolvimento físico e mental da criança cearense”.

“A Educação – acrescenta o governador -, através do projeto “Escola Pública (a Revolução de uma Geração)”, e o saneamento básico, com o Programa de Infraestrutura Básica – Saneamento de Fortaleza – não foram esquecidos. Pelo contrário, o Governo sabe que apesar dos avanços a vida das crianças cearenses não é perfeita. As taxas de mortalidade infantil, mesmo tendo sido reduzidas de 95 para 65 em cada 1.000 crianças, ainda continuam altas. Os cuidados básicos com saúde ainda estão longe dos padrões universais e a metade das crianças deixa a escola sem receber sequer educação básica”.

Vacinação

A prioridade dada à criança no Ceará foi uma decisão política do ex-governador Tasso Jereissati, diante de uma pesquisa que assustou o País em 1987: O Ceará apareceu com a mais elevada taxa de mortalidade infantil dos Estados: 95 mortes para cada 1.000 crianças com menos de um ano de idade.

Na época, foi constatado que 58% das crianças mortas em 1985 e 1986 não haviam recebido nenhum tipo de assistência médica antes de completar um ano de vida. As estatísticas que tanto embotavam a visão do futuro para quase a metade da população cearense – formada por crianças e adolescentes na faixa de 0 a 18 anos – revelavam um Estado desnutrido, onde dois terços da população viviam abaixo da linha de pobreza.

No mesmo ano, 400 mil crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, trabalhavam, substituindo 15,5% da força de trabalho total; cerca de 46% desse contingente era formado por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, portanto em idade inferior à prevista na Constituição Federal. 

O Ceará, que em 1986 apresentava as mais baixas coberturas de imunização do País, encontra-se atualmente com elevadas taxas de vacinação, estando as doenças imunopreveníveis em franco declínio. Além disso, as coberturas com BCG contra formas graves de tuberculose passaram de 30% em 86, para 100% em 92, enquanto a cobertura contra o sarampo passou de 58% em 86, para 93% no ano passado.

Trabalho abrangente

São diversos programas voltados para o atendimento da criança no Ceará. O “Criança feliz” estimula a criação de creches através das prefeituras municipais ou diretamente com as comunidades e associações comunitárias. Visa a atender crianças na faixa etária de 0 a 6 anos e atende hoje mais de 50 mil menores, contribuindo para o desenvolvimento físico, intelectual, afetivo e social da população infantil.

Outro que faz igual sucesso é “Vivendo e Aprendendo”, para os que ficam na faixa etária de 7 a 17 anos e precisam de amparo. Para atender esse universo foi preciso dividir o programa em três subprogramas, através dos quais 40 mil crianças e adolescentes são atendidos. Há nessa mesma linha o projeto ABC (Aprender, Brincar e Crescer), com atuação em centros integrados na capital e no interior, tendo já sido implantados em todo o Estado 10 projetos, sendo seis na capital e quatro no interior, segundo a secretária de Trabalho e Ação Social, Fátima Catunda.

O ABC é gerido pela Fundação Estadual do Bem Estar ao Menor do Ceará (FEBEMCE) juntamente com as comunidades, e oferece cursos profissionalizantes de mecânica de autos e motos, serigrafia, instalação predial, conserto de eletrodomésticos e até informática para crianças de 7 a 17 anos. “Nos ABC’s, cerca de 13 mil crianças e adolescentes cearenses já estão sendo beneficiados com atividades que variam entre oficinas de trabalho, esporte, cultura e lazer”, diz Fátima.

Outro projeto – Circo Respeitável Turma – se dedica, segundo ela, a exercer uma política social de prioridade à população infanto-juvenil, e é voltado para o atendimento aos que ficam na faixa etária de 7 a 17 anos. Até o momento, foram instalados dois circos em bairros periféricos, cada um atendendo a 500 jovens diariamente, com atividades como saltos acrobáticos, malabarismos, corda indiana, oficina palhaço, trapézio e monociclo.

De todos, segundo Fátima, o que mais se destaca é o Programa SOS Criança, um serviço de atendimento telefônico que funciona 24 horas por dia, através do número 1407. A Secretaria do Trabalho e Ação Social, juntamente com o Ministério Público, PM Criança e Delegacia da Criança e do Adolescente, integra um sistema de atendimento para fornecer informações sobre equipamentos sociais disponíveis para prestação de serviços aos jovens.

Pelo telefone, são recebidas também denúncias de negligências e maus tratos contra a criança. No SOS são recebidos crianças e jovens vitimados, em situação de abandono, ou sob suspeita de infração. Já o programa “Viva Criança” faz um trabalho de prevenção e tratamento das crianças, através do emprego de cinco ações básicas de saúde: aleitamento materno, imunização, terapia e reidratação oral, infecção respiratória aguda e crescimento e desenvolvimento.

Outro charme é o programa “Agentes de Saúde”, composto por 7.300 profissionais da área, que se mobilizam pelo interior prestando assistência ao menor. Cada agente atende até 200 famílias e usa, como arma contra a mortalidade infantil, uma bolsa em jeans com medicamentos básicos, como antitérmicos, material para curativos e higiene, além de balanças e soro caseiro.

28 ANOS DEPOIS 

- A população do Ceará chega hoje a 9,2 milhões (estimativa populacional 2020) de habitantes. Em 1993, eram 6,5 milhões.
- O Ceará possui 13,6% (2019 – 15 anos ou mais) de analfabetos , número que mostra redução expressiva da taxa de analfabetismo, que chegava a 40% da população em 1993.

- Taxa de desemprego no Estado chega a 14,4% (4 trimestre 2020). Em 1993, eram 40% de desempregados ou subempregados.
- O PIB cearense continua crescendo mais que o do Brasil, como ocorria em 1993. Para este ano, a estimativa é que chegue a R$ 140,9 bilhões.

- O PIB do Brasil registrou, em 2018, um valor de R$ 7.004.141milhões, enquanto o PIB do Ceará alcançou, no mesmo ano, um montante de R$ 155.904 milhões. O Ceará apresentou, em 2018, uma participação de 2,23%, ocupando a décima segunda posição no país e a terceira na região Nordeste. (Os dados de PIB são divulgados com dois anos de defasagem, por isso os mais atuais disponíveis são pra 2018).

- O Ceará conta com R$ 93,9 milhões, liberados pelo Governo Federal, para construção de redes conectoras relativas às obras de Transposição do Rio São Francisco. Milhares de pessoas ficarão livres do racionamento d’água. Em 1993, além do Interior, a capital Fortaleza sofria com a falta d’água. Durante o Governo Ciro Gomes (1991 – 1994), foi construído um canal de 100 km para transportar água do rio Jaguaribe. A Obra custou US$ 36 milhões e livrou Fortaleza do colapso no abastecimento d’água.

- Em 2021, as tão sonhadas águas provenientes da transposição do Rio São Francisco chegaram ao Ceará por meio do Cinturão das Águas. As obras visam beneficiar mais de 4,5 milhões de cearenses e proporcionar segurança hídrica ao Estado. (Fonte: https://www.ceara.gov.br/2021/03/11/aguas-do-rio-sao-francisco-chegam-ao-acudecastanhao/) 

- O Banco do Estado do Ceará (BEC), fundado em 1964, não existe mais. Em 2005, foi privatizado, passando a pertencer ao Grupo Bradesco. Ao longo dos 184 municípios do Estado, há mais de 460 (BACEN, 2019) agências bancárias, entre bancos públicos e privados.

- O Ceará continua atraindo muitos investimentos. Nos últimos 8 anos (2007 – 20015), em que esteve sob o comando de Cid Gomes (irmão do ex-governador Ciro Gomes), o Estado atraiu dezenas de empresas dos mais variados ramos da atividade econômica. E também importantes obras federais. Empresários italianos investem na construção civil, no turismo e no setor de energias alternativas. A FriSabor, empresa pernambucana de sorvetes, investiu R$ 1,5 milhão para abrir seu primeiro Centro de Distribuição fora de Pernambuco. A Resource IT, empresa de Tecnologia da Informação, investiu R$ 40 milhões para abrir uma filial em Fortaleza. Além de outras dezenas de investimentos. Em relação às obras do Governo Federal, apesar das críticas pelo atraso no repasse de recursos, o Orçamento da União 2016 garante verbas destinadas ao Cinturão das Águas, às reformas dos Campus da UFCE em Crateús, Russas e Itapagé, à duplicação da BR 116 (trecho Pacajús/Cristais), e à duplicação do Anel Viário Out Let até a entrada do Porto do Pecém.

- O Estado do Ceará, em função de seus privilegiados condicionantes ambientais naturais, conta com massivos investimentos em energias renováveis, sendo entre essas a eólica e solar.  

- Atualmente, o potencial de geração de energia eólica no território cearense é de 211 GW, sendo 94 GW onshore (em terra) e 117 GW offshore (no mar). Já o potencial de geração de energia solar no Ceará é de 643 GW. (Fonte: https://www.ceara.gov.br/2021/02/03/energiasrenovaveis-uma-cadeia-que-ganha-forca-no-ceara/)

- Ainda no que diz respeito aos investimentos em energias renováveis, o Ceará pode se tornar fornecedor global de Hidrogênio Verde por meio da criação do HUB do Hidrogênio Verde a ser instalado no Complexo do Pecém, contribuindo assim para a redução dos níveis de CO2, além de atrair novos investimentos e gerar empregos no Estado, impulsionando a economia. A previsão inicial é que os valores de investimentos em parcerias cheguem a U$ 5,4 bilhões de dólares. (https://www.ceara.gov.br/2021/02/19/governo-do-ceara-e-instituicoesparceiras-lancam-hub-de-hidrogenio-verde/)

- A Yamacom Nordeste S/A, fábrica de máquinas de costura, inaugurada em 1993 e que usufruiu de isenções do Governo do Ceará, foi envolvida em série de denúncias após o empresário taiwanês Chhai Kwo Chheng ser condenado pela Justiça Federal no Ceará.

- O Marina Park Hotel, inaugurado em Fortaleza como o maior investimento hoteleiro do País e sensação nos anos 1990, continua atraindo turistas para a capital cearense, com destaque para os tripulantes dos iates que cruzam o Atlântico Sul rumo ao Caribe. Esse Hotel cinco estrelas continua sendo um marco na cidade, com seus 26.000 m2 de área construída e infraestrutura completa distribuída num terreno de 40.000 m2.

- A Grendene Calçados, que se instalou em Fortaleza em 1990, continua líder na exportação de calçados do Brasil. Com sede em Sobral (CE), onde instalou fábrica em 1993, a Grendene também construiu fábrica no Crato (CE) e em Teixeira de Freitas (BA). Foi fundada em Farroupilha (RS). 

- O Grupo Votorantim, que também era destaque no Ceará nos anos 90, firmou parceria com o Governo do Ceará para mais duas fábricas no Estado: a segunda em Sobral e outra em São Gonçalo do Amarante, no Pecém. 

- A M. Dias Branco foi fundada em 1936 e em 1990 inaugurou a primeira unidade de moagem de trigo em Fortaleza. Hoje, continua líder no ramo de massas alimentícias do Brasil, com 26,1% do mercado de biscoitos e 25,4% do mercado de massas.

- O Ceará cresceu no setor de confecções e hoje tem até uma fábrica que produz jeans da famosa marca Diesel. A fábrica fica no município de Horizonte e conta com 450 operários.

- O Grupo Vicunha, que tem quase 40 anos de experiência no mercado, continua liderando o setor e mantém sua fábrica no Ceará, além do Rio Grande do Sul e São Paulo. É considerada a maior indústria têxtil da América Latina.

- A fábrica de jeans Vilejack era de propriedade do cearense José Sérgio de Oliveira Machado, administrador de empresas que coordenou a campanha vitoriosa de Ciro Gomes à Prefeitura de Fortaleza (1988). Foi deputado e senador. Em 2003, foi nomeado presidente da Transpetro. A Vilejack foi vendida e hoje continua com forte atuação no mercado. 

- A Indústria Têxtil do Ceará continua se destacando e o Estado aparece como um dos principais produtores do País, contando com um total de 1.123 indústrias (SEFAZ, 2019). 

- A taxa de mortalidade infantil caiu 82,33% no Ceará nos últimos 30 anos. O Ceará anotou no ano de 2019 uma taxa de mortalidade infantil igual a 12,15 por mil nascidos vivos. Em 1993, o Estado também era destaque nessa área e recebeu o Prêmio Maurice Pate, do Unicef. Naquela época, o Governo conseguiu reduzir o número de mortes de crianças (com até um ano) de 95 para 65 em cada grupo de 1.000.

- A capital Fortaleza tem uma população de 2,7 milhões de habitantes (Estimativa populacional IBGE 2020). No Censo de 1991, tinha 1,7 milhão de habitantes. Continua sendo a 5ª cidade do Brasil em população.

- O turismo não para de crescer na capital cearense. Em2019, a cidade recebeu mais de 3,7 milhões de turistas. No verão de 1993, o número de turistas foi de 200 mil. Mas, ao contrário do que ocorria na década de 90, a cidade hoje enfrenta o problema de constantes assaltos a moradores e turistas, colocando em xeque a segurança pública do Estado.

- A imponente construção onde funcionava o Hotel Caesar Park, cinco estrelas inaugurado em 1992 em Fortaleza (investimento de US$ 22 milhões), agora abriga um também luxuoso hotel administrado pela Rede Sol Meliá: o Gran Marquise. A reforma do hotel custou R$ 20 milhões.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Petrolina abril 2021

15/05


2021

Paulo: Temos de cobrar que Governo não erre mais

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), fez críticas à atuação do Governo Federal no combate à pandemia. O gestor disse que "vai cobrar" a União para que "não erre mais". Ele também reclamou do ritmo de vacinação.

"A gente tem que fazer muita cobrança ao Governo Federal, que infelizmente não se preparou para a vacinação, não cuidou da pandemia. Isso realmente prejudicou muito os estados e municípios e agora a gente tem que cobrar para que o Governo Federal não erre mais. Que daqui para a frente busque acertar", declarou em entrevista ao radialista Alberes Xavier durante a semana.

Paulo Câmara também criticou diretamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "As atitudes do presidente prejudicam o trabalho dos estados e municípios", disparou. "Infelizmente o presidente insiste em não usar máscara, em não respeitar o isolamento social, em não dizer para a população que o vírus continua a circular e que pode matar, como tem matado tantos brasileiros", prosseguiu.

Ainda segundo Paulo, a CPI da Covid surgiu "para que erros não sejam repetidos". Na entrevista, o governador se esquivou sobre a disputa ao Palácio do Campo das Princesas em 2022. "Vamos deixar essas questões mais para a frente. Assim exige o momento atual", declarou.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio, é o favorito para disputar a sucessão pelo PSB. Já o secretário da Casa Civil, José Neto, teve seu nome defendido por algumas lideranças da Frente Popular.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Bandeirantes 2021

15/05


2021

Realidade e metáfora em tempos de pandemia

Por Arnaldo Santos*

O termo república – não é ocioso repetir - procede do latim – res pública, que significa “coisa pública”, “coisa do povo”. Nessa perspectiva, um governo que se paute, entenda e respeite o republicanismo em um contexto democrático, para cumprir com o dever constitucional que se lhe impõe, deve buscar por todos os meios satisfazer e prover os interesses coletivos, para promover o bem comum do País, onde o direito à vida é o bem e o maior valor de um povo. Quanto a isso, parece não haver divergência ou, pelo menos, não deveria.

No republicanismo brasileiro, não é bem assim! A julgar pela experiência aprendida na realidade em curso, com amparo nas ações dos integrantes do governo, nomeadamente do presidente da República, remansam claros, não apenas a discordância e a rejeição aos princípios referidos, como também o entendimento manifesto se revela o oposto do conceito moderno de república. Isso mesmo, porque, por essas bandas dos trópicos, a vida não parece ser um direito, como reafirmado em todos os tratados internacionais de direitos humanos.

Metaforicamente, na república bolsonarista, viver está deixando de ser um direito para se tornar uma conquista, e muito difícil de ser alcançada, pois as pessoas, dentre outros requisitos, deverão, primeiro, ter a sorte de não se infectarem pelo coronavírus. Segundo, em se infectando terão novamente de contar com a sorte para não serem tratadas à base de cloroquina, que, sem eficácia para a doença - como restou provado pelos cientistas em todo o Mundo - vai agravar os sintomas, levando-as a concorrer com outros milhares, a um leito de UTI. Terceiro, os vitoriosos nessa disputa deverão rezar fervorosamente para que não faltem oxigênio e remédios para entubação. Ante de tão mórbida realidade, o resultado já contabiliza quase 450 mil mortos, e esse número cresce a cada dia.

Aprofundando o capítulo da negação dos direitos civis, assim como a saúde, no pacto internacional pelos direitos econômicos, sociais e culturais, a educação se insere como parte integrante e fundamental à dignidade da pessoa humana, mas, na república dos trópicos esse também é um valor exclusivo, pertencente apenas à casta dos ungidos; pelo menos no que depender da vontade do Ministro da economia, para quem os filhos de porteiros não têm direito a cursar o ensino superior. Ainda no contexto da supressão dos direitos do cidadão, a Medicina está sendo considerada a culpada pela desestruturação da economia, afinal por aqui todo mundo agora quer viver cem anos, e o Estado não suporta bancar os direitos desses pobres miseráveis por tanto tempo assim - protestou o Ministro - para quem o ideal seria que estes miseráveis nem deviam ter nascido.

Voltemos um pouco no tempo, precisamente a fevereiro de 2020, quando a comunidade científica brasileira informou que aqueles tempos vividos já eram de pandemia e, seguindo as recomendações e protocolos sanitários, por vários estados, os governadores começaram a editar os primeiros decretos de isolamento social, e de restrições a algumas atividades econômicas não essenciais, com o objetivo de conter a disseminação do coronavírus.

Entendendo a gravidade da pandemia e preocupado com a extensão e as consequências do que estava por vir, como cidadão e jornalista, passamos a acompanhar com responsabilidade e atenção os desdobramentos da nova e desconhecida crise sanitária que começava a se configurar.

Desde então, aqueles que semanalmente nos honram com a sua leitura, acompanham o esforço que temos desenvolvido para observar com o rigor que nos impõe o dever de informar, as ações do governo, da comunidade científica brasileira e internacional, assim como a bravura dos médicos e demais profissionais da saúde, no sentido de registrarmos os fatos desse período, deixando pegadas para a história dessa dramática realidade.

Diferentemente do teor das críticas que nos são assacadas pelos que integram a tribo dos embrutecidos, formada em sua maioria pelos chamados neoinsensatos, que por padecerem de dupla ignorância e escassos recursos mentais, são incapazes de entender a tragédia que estamos vivendo no País, nosso objetivo não é outro, senão analisar as ações ou a falta delas, que deram causa, a esse morticínio.

Como jornalista o que nos move é tão somente a responsabilidade que temos para com a sociedade, que nos impõe o dever de buscar desvendar e entender sua gênese, além de mostrar as consequências, algo que aliás é relativamente facilitado pelo que observamos no dia a dia, resultante do comportamento dos protagonistas dessa que já é a maior tragédia da nossa história recente.

Como é de sabença coletiva, as mais visíveis são o colapso no sistema de saúde, a desestruturação da economia com altíssimo índice de desemprego e empobrecimento da população, pelo simples fato de que um dos integrantes da tribo - talvez o de maior responsabilidade por essa situação de caos que estamos vivenciando, que atende pela alcunha de “posto Ipiranga”, não satisfeito em ser contra que os filhos dos trabalhadores entrem para universidade, também se mostra indignado contra a longevidade.

Essa revolta do Ministro posto Ipiranga contra as pessoas viverem mais, nos permite inferir que tenha sido essa a razão que o levou a não fazer o menor esforço para a compra de vacinas, como declarou o ex-Ministro da saúde, Henrique Mandetta, e o diretor da pfizer para América Latina, Carlos Murillo, em depoimento na CPI, da Covid, configurando crime de omissão, ante as decisões que a realidade impunha.

Vituperam alguns integrantes da tribo que apoiam esse (des)governo, alguns até pretensos letrados, mas igualmente embrutecidos e indiferentes às quase 450 mil vidas perdidas, vítimas desse descaso e do tal tratamento precoce, agravado pela falta de leitos de UTIs, e medicamentos para entubação e outras patologias, e até de oxigênio. Tudo isso somado aos milhares de famélicos, deixados ao abandono e a míngua de tudo, pela incúria daqueles que constitucionalmente têm a responsabilidade de cuidar das pessoas.

Reclamam estes que a crítica que fazemos é injusta, pois não reconhecemos o esforço que tem sido feito para minimizar os efeitos da pandemia. Observem a contradição desses meus críticos! O que trago na reflexão de hoje nada mais é do que um amplo registro do que é feito e deixado de fazer por esse governo. Aliás, essa uma outra característica do presidente e de seus apoiadores, intolerância aos que pensam de forma diferente.

A esses, mesmo aqueles que fazem as críticas mais desqualificadas, mas que respeitamos o direito de fazê-las, metaforicamente, o que nos cobram é que devamos atribuir ao governo uma aura de bondade e competência, que efetivamente não possui, muito pelo contrário, mas que seus defensores e os próprios ocupantes do poder vivem esse deslumbramento.

Ante os fatos, recorro ao que nos ensina o poeta paraibano Chico César, na bela canção e oração, “[…] Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa, da bondade de pessoa ruim, Deus ‘nos’ governe e guarde ilumine e zele assim”!

*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas. Comentários e críticas para: [email protected]


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Fernandes

Esse marcos de camaragibe, é uma merda só sabe queimar o Boga, deixa de ser safado.

marcos

Esse Arnaldo escreve muita merda, só as Mortadelas pra ler tanta bosta.


Serra Talhada 2021

15/05


2021

Coluna do sabadão

Tragédias dos Santos

De tudo que apurei ao longo desta série, cuja primeira etapa chega ao seu final amanhã, o que mais me chocou foram as histórias levantadas em cima dos episódios na família Santos pontuados por tragédias, extremamente chocantes, daquelas que ninguém consegue segurar o choro. Vindo ao mundo em 1907, na Serra Talhada de Lampião, o rei do cangaço, o patriarca João Pereira dos Santos ficou órfão de pai em 1909, com apenas dois anos de idade. Na sequência, todos os bens da família foram destruídos e ocupados.

De classe média alta do Sertão, João Santos viveu o infortúnio, chegando a ser jogado no mais deplorável estado de miséria, a tal ponto que a viúva se viu forçada a migrar, como retirante das terras secas de Euclides da Cunha, autor dos contos doloridos de Os Sertões, para as Alagoas, em busca de um novo Eldorado. Em seguida, o filho, que viria a criar um dos impérios do cimento no País, também é forçado a trabalhar ainda criança.

Sua história já começa surpreendente até em se tratando dos primeiros patrões quando ainda não entendia de mundo: o destino o transforma, na mesma Alagoas que acolheu a sua mãe em desespero, em garoto de recados do lendário e admirável Delmiro Gouveia, um dos pioneiros da industrialização do País, construtor da primeira usina hidrelétrica do Nordeste, com apenas oito anos. Ainda nesta mesma fase da vida, vira operário na seção de etiquetas da Fábrica de Linhas da Pedra, em Paulo Afonso (BA).

Depois das mais fantásticas superações da pobreza, João Santos ganha a oportunidade que poucos sertanejos daquela época tinham de ser educado no Recife, num curso paroquial. Nunca teve o direito de se dedicar apenas aos estudos, como os filhos de nobres. Ao mesmo tempo em que queimava as pestanas nas tarefas do colégio num turno, no outro trabalhava duro como funcionário de uma multinacional.

Mais tarde, já cursando o superior, torna-se “guarda-livros”, o contador na versão atual. Daí, cria asas e coragem para se aventurar no mundo empresarial, primeiro como usineiro, depois magnata do cimento. Dos seis filhos, escolhe o primogênito João Pereira dos Santos Filho como seu sucessor, responsável pela expansão do grupo no Sudeste brasileiro, com destaque para Espirito Santos que depois avançaria em São Paulo.

Não sabia que estava diante da segunda grande tragédia da sua vida. De olho no mercado exterior, o filho predileto do patriarca morre num acidente de avião no Paraguai, sepultando ali mesmo os sonhos de conquistar o mundo. Isso provoca um abalo profundo no fundador do grupo, que carregou pelo resto da vida a dor incontida de perdas irreparáveis. Dizia que perdeu não apenas a principal carne da sua carne, mas também aquele que havia preparado para consolidar o grupo no Sul do País, mais tarde, também, no grande comandante do plano de internacionalização.

Mas ficou com a esperança de que o filho do seu filho João Filho, viesse a ocupar o espaço do pai tragicamente desaparecido. Ocorre que anos depois vive outra dor quando exatamente o neto, que seria o sucessor do primeiro sucessor, também perde a vida em outras circunstâncias, num acidente de automóvel no bairro do Espinheiro, no Recife. Foi a dor dentro da dor, perdendo o filho do filho predileto. A escuridão da alma tomou conta de João Santos, que ficou um homem ainda mais reservado e contido.

Um dos poucos espaços de alegria estava no Rio de Janeiro, onde morava a filha Maria Clara e seu genro preferido, Eduardo Tapajós (foto), dono do lendário Hotel Glória, onde se hospedavam presidentes e estrelas da política e do poder. Mas num dia de nuvens negras, mais uma tragédia familiar: cai o helicóptero que transportava Tapajós, cujo corpo foi lançado ao mar para nunca mais ser encontrado. O velho João Santos recebeu essa renovada violência do destino e mergulhou ainda mais na sua solidão e dedicação obcecada ao trabalho.

Poucos anos depois, o coração do velho volta a sofrer fortemente, com a notícia de que um BMW de luxo, blindado, havia sido lançado no canal da avenida Agamenon Magalhães, logo após o viaduto da Avenida Norte. Para desespero do patriarca, no carro estava Fernando Pereira dos Santos Filho, o único filho biológico de Fernando Santos. Conhecido por Fernandinho, foi preparado pelo pai para ser um grande executivo internacional, tendo estudado nas melhores escolas da Suíça e da Inglaterra, formando-se com brilho e destaque na Universidade de Londres.

O patriarca, por fim, expressou as mais dilacerantes dores por tantas mortes e tragédias ao seu redor. Na verdade, viu o fim de um pedaço de três gerações: o pai, a quem nem chegou a conhecer; o filho predileto; o genro dos sonhos; o neto que iria resgatar o sonho destruído nos ares do Paraguay. Para completar, o neto que mais estudou e se preparou para ser o primeiro executivo da família de padrão internacional.

Que destino de tristeza e história de horror!

Chorava por dentro – João Santos era muito reservado e pouco contava da sua vida. Conseguimos resgatar alguma memória por meio de raras pessoas que trabalharam com ele e conseguiram saber um pouco do que o gigante nascido em Serra Talhada guardava na alma. O patriarca dos Santos sentia muita tristeza por não ter conhecido o pai. Só sabia através das histórias contadas pela sua mãe, mulher de muita bravura e sabedoria. Pelo que lembra, seu pai era um homem de imensa fibra, destemido e incansável trabalhador. João Santos falava com o olhar distante, mirando para além do horizonte, chorando por dentro.

Iluminado e hábil – Sobre o filho Joãozinho, considerava uma pessoa iluminada, hábil, sedutora, que foi para o Espírito Santo e lá criou bases humanas profundas, praticamente se tornando um capixaba. Recuperou uma usina de cimento quebrada e a transformou numa das melhores do Brasil. O velho nunca deixou de lembrar desse filho que para ele foi que o deu mais alegria, porém que no final deixou a mais insuperável dor pela partida súbita.

Uma dor insuportável – João Santos considerava Tapajós, o seu genro, verdadeiro filho, uma pessoa fina, acolhedora e carinhosa. Tinha o espaço não apenas do antigo e inesquecível Hotel Glória, mas também uma casa de praia que era uma das mais belas do Brasil. O sogro tinha imenso orgulho do genro e nunca recuperou o desaparecimento que se deu de forma tão absurda, segundo falava. Quanto aos netos João e Fernando, que também perdeu, dizia serem potentes olhos-d’água, que nunca puderam chegar a ser rios. Não conseguia aceitar que fossem levados tão cedo, ambos em acidentes de automóvel de formas banais e inteiramente evitáveis. “Por que? Por que? Como explicar o inexplicável?” E isso o deixava ainda mais introspectivo e voltado para o trabalho.

Positivo sem ter esperança – João Santos era um homem que lia muito e tinha uma curiosidade infinita. Desenvolvia conversas de alta profundidade sobre o sentido da vida e a missão de cada um. Achava que todos devem ser positivos, mas não faz sentido ter esperança porque ninguém controla o destino. Cabe agir, lutar, trabalhar sem repouso. Não temer nada nem ninguém, mas sempre desconfiar de todos, até da própria sombra. Sua visão de vida era prática e sofisticada. Dizia que qualquer coisa pode não dar certo e mesmo dando certo, a tendência seria no final virar ruínas. Porém, cada um tem o dever de fazer o máximo além do possível para que acertar. Só assim é possível enfrentar as frustrações e quando alcançar conquistas saber que sempre são passageiras.

A abjeta natureza do ser – Para o patriarca, as pessoas tendem ao mal, o que vem da origem animal dos seres humanos. A luta pela sobrevivência e a ganância, segundo ele, transformam as pessoas em entes sórdidos. Dizia que tantos os mais pobres quanto os mais ricos agem de forma predatória. As religiões, para ele, surgiram com o propósito de controlar esses impulsos destruidores, sem nada resolver esse mal que faz parte da essência do existir. Nada, para ele, podia ser mais forte do que trabalhar de maneira inteira, intensa, completa. Essa era, no seu entender, a terapia adequada para minimizar os males. “Só o trabalho redime, eleva, constrói. O restante é o vazio que suga e devora as precariedades do existir”, repetia.

O genro ministro – João Santos não era apenas um homem de ação, mas um construtor de sonhos, vivenciador dos mais temíveis pesadelos. Era também um pensador, mergulhado na mais profunda reflexão. Ele tinha um genro que elogiava muito, o ex-ministro Thales Ramalho (foto), do Tribunal de Contas da União, também ex-deputado federal, intelectual refinado. Leitor de Dostoiévski, dizia que “Seu” Santos, como chamava o sogro, foi o homem mais inteligente e arguto que conheceu na vida inteira.

Perguntar não ofende: Por que o destino reservou tantas tragédias na vida de João Santos?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Fernandes

marcos de camaragibe, é conhecido como Fresco!

Fernandes

Mas por que Bozo depois de velho está dando o Boga?

Fernandes

Quem dá mais cu, bozo ou marcos de camaragibe Fresco, o Nazista Fresco de camaragibe?

marcos

Mas por que Lula depois de velho está dando o Boga?

marcos

Quem dá mais cu, Lula ou Nehemias Fernandes o Nazista Fresco do Cabo?


Anuncie Aqui - Blog do Magno

14/05


2021

Uma família marcada por tragédias

No capítulo que dá sequência à série dos bastidores explosivos sobre o Grupo João Santos, que chega aos leitores na coluna postada à meia noite, revelações sobre episódios trágicos na vida do patriarca, que perdeu o pai com dois anos de idade, um filho em acidente de avião, dois netos e um genro amado.

Imperdível!


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

14/05


2021

Maia ataca ACM: “Baixinho, sem caráter”

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está saindo do DEM e indo para o PSD, fez uma série de críticas ao presidente do partido, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, na tarde de hoje, por meio do Instagram. As informações são do Poder360.

Mais cedo, em uma série de posts no Twitter, ACM Neto disse que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é despreparado para “liderar um projeto nacional”. Também afirmou que o tucano tem “postura desagregadora” e “inabilidade política”.

O ex-prefeito também criticou a filiação do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, ao PSDB. “Fruto de uma inexplicável imposição estabelecida pelo governador de São Paulo, João Doria, cuja inabilidade política tem lhe rendido altíssima rejeição e afastado os seus aliados”.

As publicações de ACM Neto foram repostadas no Instagram oficial do DEM. No post, Maia fez uma série de comentários em crítica a ACM Neto.

“Oportunista. Você avisou que não apoiaria o Doria”, começou. “Neto. Vai pra casa. Na política você perdeu o respeito”, disse depois.

Em outro comentário, disse: “Este baixinho não tem caráter. E ainda tem um pouco de pessoas que acreditam nele”.

Também afirmou que ACM Neto “está ficando apenas com bolsonaristas”. E acrescentou: “Vice do Bolsonaro. Sobrou isso”.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Coluna do Blog
Publicidade

TV - Blog do Magno
Programa Frente a Frente

Aplicativo

Destaques

Publicidade

Opinião

Publicidade

Parceiros
Publicidade
Apoiadores