Ipojuca 2021

17/04


2021

STF indecoroso

Por Cláudio Soares*                                               

É escandaloso ver o STF desmoralizar a Lava Jato por manobras jurídicas que sempre favorecem os bandidos de gravatas. Continuamos reféns dos corruptos. 

A roubalheira do erário faz sentido para corruptos porque ninguém fica preso neste país. A impunidade é invencível neste Brasil. As manifestações populares promovidas na Avenida Paulista, Rio de Janeiro, Recife e Brasil afora foram em vão?

O sistema de justiça trabalha a favor dos corruptos de colarinho branco e não permite mudança. O que é mais estarrecedor é que essa deliberação está naturalizada, que se posta acrítica e subserviente no seu patamar de um ambiente hierárquico.

O Brasil evoluiu, é inegável, mas este sistema de proteção pelo Supremo Tribunal Federal a ladrão do dinheiro da saúde, educação e estradas é vergonhoso. Estamos distantes da democracia cidadã (plena eficácia da moralidade); o sistema de impunidade deliberada incentiva a roubalheira. 

A revolta da população brasileira é patente. Nosso sistema é podre.

A reeleição frequente de políticos corruptos evidencia o quanto a sociedade civil, que sempre legitimou a extrema desigualdade, é sem dúvida responsável pela autorização para roubar dinheiro do povo. A banda podre da justiça em Brasília avaliza o esbanjamento do dinheiro público. 

É urgente e necessário mudar os critérios de escolha de ministros de instâncias superiores. A Suprema Corte delibera literalmente e permite que os lacaios do nosso dinheiro fiquem impunes.  

Aliás, quem tem certos "juristas" no STF não precisa de advogado. Isto é estarrecedor. Com essa proteção estatal, o criminoso age de uma frieza horrorizada. 

Nós, que estivemos nas ruas lutando para colocar na cadeia vagabundos corruptos, estamos vendo um os maiores bandidos da história do Brasil ficarem livres. As decisões de alguns ministros do STF são uma vergonha nacional. Nenhum brasileiro aguenta mais essas manobras desses abutres desprezíveis que enojam o povo brasileiro. 

Mas enquanto muitos vivem achando que tudo está perdido, e mesmo morrendo de vergonha de alguns vírus no STF, ainda devemos acreditar e lutar achando que o Brasil vale a pena.  

*Advogado e jornalista.


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Comentários

Wellington Antunes

Adevogado...

Ramilson Correia de Carvalho

Engraçado que não vemos indignação por conta das bandalheiras dos filhos de Bolsonaro. Não vemos ninguém manifeatar-se contra o ex-presidente Temer que por sinal vai muito bem solto e livre. Não vemos nenhuma manifestação quando o STF deixou Aécio Neves livre inclusive para ser eleito deputado. Cansa ver o discurso dessa direita que elege Sergio Moro herói e depois o joga no lixo . Não dá realmente para acreditar é na movimentação hipocrita por uma falsa ética que muitos andam pregando.

Wellington Antunes

Vá estudar mais um pouco, dr. cláudio.soares.

Wellington Antunes

Como pode uma pessoa da área jurídica, já que se declara advogado, se passar escrever um artigo desse? Eita povo sem noção!

adeildo antonio de moura

Lula 22 a vontade do povo Brasileiro Moro na cadeia já


Petrolina abril 2021

17/04


2021

Obras da fábrica da Masterboi avançam em Canhotinho

As obras do novo frigorífico da Masterboi em Canhotinho, no Agreste pernambucano, avançam e a estrutura do entorno da planta industrial vai ganhando corpo. Após a Prefeitura ter assegurado a terraplanagem da área, resultado de um investimento de R$ 3 milhões, o protocolo de intenções para a construção do anel viário que viabilizará o acesso à unidade foi assinado, ontem, pelo Governo do Estado. 

O governador Paulo Câmara (PSB), o presidente da Masterboi, Nelson Bezerra, e o diretor administrativo do grupo, Miguel Zaidan, participaram do encontro. Além deles, estiveram presentes o presidente da AD-Diper, Roberto Abreu, o secretário estadual da Fazenda, Décio Padilha, e o deputado estadual Antônio Moraes (PP).

Com isso, o processo licitatório foi iniciado. A prefeita de Canhotinho, Sandra Paes (DEM), exalta o andamento da obra, que traz uma perspectiva de desenvolvimento para a região. “Já vemos sinais disso através do retorno do ISS que a obra vem gerando pro município, além de novos empregos para Canhotinho e região”, avalia.

O ex-prefeito Felipe Porto (DEM), cuja gestão viabilizou a ida do frigorífico para Canhotinho, externa sua satisfação com o progresso das obras: “Trabalhamos para criar as condições necessárias à vinda da Masterboi e temos a certeza de que fizemos a coisa certa.”

O deputado estadual Álvaro Porto (PTB), que tem sua base eleitoral na cidade, trabalhou na articulação para que a Masterboi instalasse o abatedouro em Canhotinho. "Num momento de tanta retração da economia, estamos todos comemorando a nova realidade que vem sendo construída com trabalho e alto investimento, gerando perspectiva de crescimento e possibilidade de melhores dias para a população do Agreste Meridional”, declara.

Empreendimento que envolve investimento de R$ 120 milhões, o frigorífico da Masterboi deve entrar em funcionamento em outubro deste ano, gerando 800 empregos diretos e outros três mil indiretos. A unidade terá capacidade de abater 500 bois e processar 250 toneladas de carne por dia, incluindo suínos, caprinos e ovinos. 

O sistema viário do entorno da unidade industrial tem orçamento de R$ 3 milhões e será custeado pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper).


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ALEPE

17/04


2021

Delegado do Brejo é morto ao cumprir mandado

O delegado Anderson Liberato faleceu, hoje, após ser baleado enquanto cumpria um mandado de prisão em Jataúba, no Agreste de Pernambuco. Fontes próximas confirmaram ao Blog o falecimento há pouco.

Liberato tinha 32 anos e era titular da Delegacia de Polícia Civil do Brejo da Madre de Deus. O delegado chegou a levar quatro tiros, um deles atingiu o coração. Ele foi levado para o Hospital de Jataúba, mas não resistiu. Os suspeitos de atirar no delegado foram presos.

A Polícia Civil de Pernambuco emitiu uma nota de pesar:

"A Polícia Civil de Pernambuco comunica, com profundo pesar, a morte do Delegado de Polícia Flávio Anderson Liberato Alves do Nascimento, que ocorreu neste sábado (17), durante o exercício de sua função no município de Jataúba, no Agreste, onde foi atingido fatalmente por disparos de arma de fogo.

Nascido em 07 de novembro de 1988, o Delegado ingressou na Corporação em 29 de janeiro de 2018, e estava lotado na Delegacia de Polícia de 107a Circunscrição - Brejo da Madre de Deus.

O Delegado Flávio Anderson vinha traçando uma importante trajetória na PCPE, tendo sido titular da 19a Delegacia de Polícia de Homicídios - Caruaru, da Delegacia de Polícia da 111a Circunscrição - Jataúba, e integrado a equipe de plantão da Delegacia de Polícia da 128a Circunscrição - Santa Cruz do Capibaribe.

A sua morte representa uma grande perda para a Corporação.

A PCPE manifesta as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e companheiros de trabalho nesse momento de profunda dor."


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Bandeirantes 2021

17/04


2021

Use pix e compre agora meu novo livro

Aos que esperaram e me cobraram: "A dor da pandemia", livro que reúne crônicas escritas neste intervalo de um ano da chamada era covid-19, será lançado na segunda-feira, às 19h30, por meio de uma live.

Esta primeira edição fica disponível aos leitores apenas no modelo digital. O livro impresso será lançado bem mais na frente, queira Deus, já com a população brasileira 100% imunizada deste mal do século, que nos roubou do convívio diário parentes, amigos, gente famosa, gente anônima, gente rica, gente pobre, enfim, homens, mulheres e crianças de forma indiscriminada.

Sugeri – e meus convidados aceitaram – uma live para haver interação com o público. Participarão os jornalistas José Nêumanne, do Estadão, em São Paulo, prefaciador da obra; e Paulo André Leitão, editor e responsável pela iniciativa.

Uma live bem ampla. Atendendo a pedidos, abri a pré-venda do livro por um preço simbólico, apenas R$ 10, para cobrir despesas de edição. Quem tiver interesse, pode fazer o pagamento pelo meu Pix: 187870704-30.

Os que se dispuserem a adquirir a obra e ajudar este escriba receberão a versão e-book. Na live, os que quiserem adquirir depois saberão como utilizar a ferramenta para a compra pela Internet.


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17/04


2021

Delegado do Brejo é baleado fica em estado grave

O delegado Anderson Liberato foi baleado, na manhã de hoje, no momento em que cumpria um mandado de prisão em Jataúba, no Agreste de Pernambuco. Ele é titular da Delegacia de Polícia Civil de Brejo da Madre de Deus. As informações são do G1 Caruaru.

Testemunhas informaram que o delegado foi atingido por três tiros. Por e-mail, o G1 solicitou uma nota sobre o caso à Polícia Civil, mas ainda não recebeu resposta.

O delegado foi levado para um hospital do Recife pelo Grupamento Tático Aéreo. Os suspeitos de atirar em Anderson Liberato foram presos.


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Serra Talhada 2021

17/04


2021

Juíza cassa vereador e chapa do PSD Goiana por fraude

Blog do Jorge Lemos

A juíza eleitoral de Goiana, Maria do Rosário Arruda de Oliveira, deu uma canetada e cassou o mandato do vereador Marcos Alexandre Soares de Almeida, o Xande da Praia, os suplentes diplomados e toda a chapa do PSD que disputou o pleito eleitoral de 2020. A juíza declarou a prática de abuso de poder consubstanciada na fraude à norma constante no artigo 10, § 3°, da Lei n.° 9.504/1997, com fundamento no artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar n.° 64/90.

O partido fraudou a cota de gênero, colocando candidaturas laranjas. A decisão da magistrada é a primeira do Estado de Pernambuco. Uma mesma ação tramita em Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Igarassu e São José da Coroa Grande, conforme antecipado pelo Blog do Jorge Lemos.

A juíza declarou a inelegibilidade por  anos de, subsequentes à eleição em que se verificou, eleições municipais de 2020, de Elaine Pessoa da Silva, Angélica Patrícia de Melo, Cassia Chris Xavier Perez, Elizama Maria da Silva, Laura Juracy Alves do Nacimento, Yasmim Leandra Barros de Lima e Rode Tomé da Silva Santos. Elas concorreram no pleito e foi comprovada a prática de fraude à cota de gênero.

O vereador Xande da Praia, além de perder o mandato, ficou inelegível por oito anos por ser diretamente beneficiado pela fraude. A magistrada Maria do Rosário Arruda de Oliveira também cassou o diploma dos suplentes Joseilton Costa dos Prazeres, Levy Gonçalves da Silva e Robson Rodrigues de Souza.

A Justiça Eleitoral de Goiana também determinou que proceda a retotalização dos votos, com novo cálculo do quociente eleitoral a fim de se reajustar a distribução das vagas na Câmara de Vereadores de Goaiana, considerando os votos válidos remanescentes, excluídos os que foram declarados nulos em razão da fraude à cota de gênero.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

17/04


2021

Leilão de bens apreendidos

Da coluna de João Alberto 

Terça-feira, a Superintendência da Receita Federal em Pernambuco realiza leilão eletrônico de bens apreendidos. Tem automóveis, celulares, perfumes, relógios, notebooks, videogames, roteadores entre outros itens valiosos. Tem muita gente de olho...


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

17/04


2021

O legado de um gênio

Por Taísa Szabatura, da IstoÉ

Quase cinco décadas se passaram desde que o artista plástico Francisco Brennand transformou a antiga fábrica do pai em ateliê de trabalho. Sua rotina no local, produzindo esculturas e caminhando entre suas criações, permaneceu a mesma até ele completar 92 anos. Brennand morreu em dezembro de 2019, mas deixou como legado eterno ao Brasil e à cidade de Recife, em Pernambuco, a Oficina Cerâmica Francisco Brennand. Desde então, Marianna Brennand, diretora-presidente da instituição, cineasta e sobrinha-neta do artista, desenvolve um projeto para transformar o local em uma referência artística internacional, nos moldes do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).

Lucas Pessôa, Diretor-Geral da Oficina Brennand e ex-diretor do MASP, afirma que as semelhanças entre os institutos são restritas ao conceito de museu a céu aberto. “A coleção de Inhotim tem trabalhos produzidos em diferentes contextos, produzidos em outros locais do mundo. Nosso desejo é convidar artistas e a comunidade para que produzam suas obras dentro do Instituto”, afirma. Entre as semelhanças, Pessôa aponta a vocação para expor obras nacionais e internacionais, como exemplo, a escultura “Spider” de Louise Bourgeois, do acervo do Itaú Cultural.

Além de celebrar a coleção permanente de cerca de três mil obras de Brennand como pintor e escultor, o espaço passa a ser multidisciplinar e inicia uma ampla programação de exposições e residências artísticas, formação de professores e iniciativas digitais, com workshops e podcasts. Para que toda essa reestruturação fosse possível, foram contratados diversos profissionais gabaritados do universo das artes. Além de Corrêa, que em sua passagem pelo Museu de Arte de São Paulo socorreu o local de uma possível falência, veio a curadora Júlia Rebouças, ex-diretora artística de Inhotim entre 2007 a 2015.

Com o calendário ainda indefinido por causa da pandemia, o próximo projeto a sair do forno será uma instalação de Ernesto Neto. Pelo caráter interativo do seu trabalho, no entanto, a exposição da obra deve ficar para o ano que vem. Há uma única certeza no cronograma: em dezembro, quando o Instituto completa 50 anos, haverá uma megaexposição inédita de Brennand. Além das três mil obras, está prevista uma mostra com o acervo de colecionadores particulares, material inédito e obras que hoje estão em museus. Haverá ainda cursos de formação para professores da rede pública e um programa de residência que abrirá a oficina para sete artistas trabalharem no local. Os projetos escolhidos não precisam estar relacionados à cerâmica: vale toda forma de expressão artística, como dança e literatura. A organização do Instituto Oficina Cerâmica Francisco Brennand mostra que a arte brasileira, quando bem pensada e estruturada, pode sobreviver muito bem — mesmo durante os tempos mais sombrios.


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17/04


2021

Paulo e Geraldo Covidão estão em guerra

Fontes internas do Palácio do Campo das Princesas revelam que as raízes do movimento em favor de Zé Neto, lançado ao Governo de Pernambuco pelo líder do Avante na Câmara, Sebastião Oliveira, estão fincadas no conflito entre o governador Paulo Câmara e o seu subalterno Geraldo Júlio, conhecido agora como Geraldo Covidão por ser hepta em operações da Polícia Federal.

Como Covidão ajudou muito e muitas vezes Paulo Câmara nas duas eleições, inclusive correndo riscos pessoais, então se acha no direito legítimo de mandar em partes do Governo. Quer, a todo custo, usar de forma abusada e acintosa os tentáculos da máquina para preparar sua campanha para governador. 

Tem manifestado a aliados que vem sendo impedido pelo governador, a quem só se refere agora como um ingrato. Assim, o nome de Zé Neto passou a surgir forte como fruto da guerra de intestinos pelo poder estadual. Não é a primeira vez que Geraldo Covidão e Paulo se confrontam. Mas quem decide no final é a “dona do pedaço”, a viúva Renata Campos, que defende, com unhas e dentes, o seu pupilo Covidão, a quem trata de Geraldinho na intimidade.


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Comentários

Marcelo Diniz

O protagonismo de Geraldo Júlio dentro das articulações da gestão de Paulo Câmara condiz com a alta capacidade do mesmo. Esse boato não faz nenhum sentido. Geraldo tem sido um recurso potente para o Governador e Luciana Santos desde que voltou à gestão estadual. Me parece apenas uma tentativa de desgastar publicamente aquele que é o candidato óbvio do PSB ao governo em 2022.



17/04


2021

Querelas do Brasil

Por Marcelo Tognozzi*

Rule of the law, writ, agreement, common law, impeachment. dictartorship e outras expressões da língua inglesa se tornaram cotidianas no Poder Judiciário brasileiro. Moram nos bolsos dos ternos Armani, Hugo Boss, Zegna, Gucci ou Prada dos advogados e dos ministros das cortes superiores der Brasília.

Eles fazem parte de um Brazil que manda muito e presta muito pouca conta dos seus atos, gasta muito, fala sobre tudo a qualquer momento, quer legislar e ao mesmo tempo aplicar a lei. Juiz de tribunal superior não precisa de concurso público; precisa de networking e uma pitada de marketing pessoal.

Juízes sempre fizeram parte do grupo que Raimundo Faoro chamou de donos do poder. Até o início dos anos 2.000 eram uma ala de donos discretos. Os falastrões e os ostentadores pertenciam a outra classe de donos: os políticos e alguns endinheirados. Juízes não se misturavam com esse pessoal, pelo menos à luz do dia. De repente, com o escândalo do Mensalão no primeiro governo de Lula, os magistrados do Supremo começaram a ocupar um espaço maior do que aquele a eles reservado na Praça dos Três Poderes. Descobriram da noite para o dia que podiam mandar prender aqueles que os nomearam. E gostaram disso.

O Supremo tinha um juiz negro, o ministro Joaquim Barbosa, lembrado todo o tempo muito mais pela sua etnia do que pela indiscutível competência jurídica. Um século antes dele, Pedro Lessa, também afrodescendente, foi mandado ao Supremo pelo presidente Afonso Pena e, em seguida, veio outro também afro, Hermenegildo Barros. Mineiros. O 1º, do Serro. O 2º, de Januária. Nenhum deles era lembrado pela etnia –aliás, só deram importância a isso depois da nomeação de Barbosa.

Tanto Lessa como Barros foram referências no mundo jurídico do século 20. Lessa morreu jovem, em 1921, com 61 anos. Barros foi “aposentado” pelo Estado Novo em 1937 e morreu em 1955. Os dois ensinaram que juiz só fala nos autos, na sala de aula das universidades ou em conferências sobre temas jurídicos. Tinham noção do limite dos seus poderes e da importância do equilíbrio para aquela República em formação da qual faziam parte. O Judiciário deles falava latim e francês.

O de hoje faz parte do Brazil e não conhece o Brasil, como na música de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, lançada em 1978 no álbum “Transversal do Tempo”, de Elis Regina. Esta música se chama “Querelas do Brasil”.

Querela no juridiquês, segundo Antonio Houaiss, é queixa-crime, confronto judicial. Quando o Brazil do STF se mete a governar o Brasil não corremos o menor risco de as coisas darem certo.

Recentemente, o ministro Nunes Marques decidiu que os templos do Brasil poderiam funcionar livremente. Depois, o tribunal se reuniu para decidir se o que o ministro decidira estava certo. Uma perda de tempo desnecessária. Nós vivemos um momento de pandemia, cada cidade do país tem uma realidade diferente. Quem sabe se igreja, templo, terreiro ou centro pode funcionar é o prefeito. Há muita gente sem poder enterrar seus mortos e o tribunal vai se meter no direito da pessoa rezar na igreja?

O STF tem abusado do seu poder. E o faz ostensivamente e sem o menor pudor. Dilma foi impedida pela corte de nomear Lula seu ministro. Temer foi perseguido pela Procuradoria-Geral da República e impedido de exercer sua prerrogativa constitucional de indultar. Bolsonaro também foi impedido de nomear um diretor da Polícia Federal e sofreu inúmeras interferências indevidas por parte de juízes do Supremo, numa clara extrapolação de limites.

São inúmeras as tentativas de mudar a Constituição passando por cima do Legislativo, como aconteceu com a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. O tribunal mandou prender o senador Delcidio do Amaral em 2015 e o deputado Daniel Silveira este ano, passando solenemente por cima da Constituição, a qual diz que para prender parlamentar sem flagrante de crime inafiançável é preciso pedir permissão ao Congresso. Prenderam primeiro e pediram permissão depois. Mandam instalar CPI e querem obrigar o presidente da Câmara a despachar pedidos de impeachment contra o presidente da República, quando esta é uma decisão que cabe única e exclusivamente ao próprio presidente da Câmara e a mais ninguém. Está no Regimento Interno da Casa, o qual é uma lei. O Legislativo vem engolindo os sapos do STF faz tempo, mas essas coisas não duram para sempre.

A Corte não presta contas a ninguém. No sistema de freios e contrafreios do equilíbrio dos Três Poderes no Brasil, o Senado é o único com prerrogativa para processar e cassar um ministro do STF. O processo não difere muito do impeachment do presidente da República, previsto na Lei 1.079/50, porém é feito sem a participação da Câmara dos Deputados e o julgamento final comandado pelo presidente do Supremo num plenário do Senado transformado em tribunal. No Brasil nunca houve um ministro da Corte processado pelo Senado desde que Deodoro proclamou a República em 15 de novembro de 1889.

Nos Estados Unidos, o juiz Samuel Chase sofreu um processo de impeachment em 1805, numa época em que a Suprema Corte adotara postura excessivamente política e de confronto com o presidente Thomas Jefferson. Por 73 votos a 32, a Câmara decidiu autorizar o Senado a processar Chase. Quando o processo foi julgado no Senado, ele escapou por pouco, porque, mesmo perdendo por 18 votos a 16, foi absolvido por não terem sido atingidos os 2 terços de votos necessários para a condenação.

Pouco antes do impeachment de Chase tramitar, em 1803, a Suprema Corte julgara inconstitucional uma lei federal e isso somente se repetiu mais de meio século depois. Há quem entenda que Jefferson perdeu por não ter conseguido cassar Chase, mas o fato é que o embate acabou servindo para que se demarcasse claramente onde começava e onde terminava o poder de cada um dos Três Poderes. E isso tem valido até hoje, porque a Suprema Corte americana negou-se a entrar na briga de Trump com Biden depois da eleição do ano passado.

Não estou defendendo que o Senado emparede o Supremo, nem que se casse este ou aquele ministro da Corte. Mas não há como deixar de reconhecer que a intromissão indevida dos juízes do STF tem sido um fator gerador de crises políticas e institucionais, seja pela falta de bom senso ou excesso de vaidade –ou por ambos. A Corte de Moreira Alves, Paulo Brossard, Sidney Sanches, Néri da Silveira, Sepúlveda Pertence ou Octávio Gallotti era muito diferente desta atual. Judiciário não atropelava Executivo ou Legislativo e vice-versa. Cada macaco no seu galho, como diz o ditado.

Ministros de cortes supremas de países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha ou qualquer país onde a Justiça e política não se misturam, não têm conta no Twitter nem dão entrevistas a torto e a direito. Eles falam nos autos, são ciosos dos seus limites e não abrem mão disso. Nesta época de pandemia, o Brasil vem sendo governado ao mesmo tempo pelo Executivo e o Judiciário. Assim, o Brazil que não conhece o Brasil ocupa cada vez mais espaço e vai exercendo seu governo por cima do governo, sem que tenha voto e prerrogativa para tal.

A democracia acaba sendo um detalhe ou um ingrediente da retórica daqueles que a violam disfarçados de seus defensores. Os sinais de incômodo são cada vez mais visíveis e a pressão por uma reação aumenta a cada dia. Mas a fome de poder é insaciável, especialmente quando este poder é exercido sem freios.

Pedro Lessa veio do Serro, no sertão de Minas, bem no meio do Brasil com S. Venceu em São Paulo e chegou ao topo da carreira de juiz. Pouco antes de assumir sua cadeira no Supremo, discursou para os formandos de 1906 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde também estudara. Deixou duas lições importantes para os dias de hoje.

A 1ª: a independência de um juiz não pode ser vista como um escudo que o protege das censuras da opinião pública. Um juiz também deve levar em consideração as opiniões sensatas, porque se não for assim, corre o risco de se transformar “num tirano que ninguém sustenta e todos repelem”.

A 2ª: se você verificar com isenção e segurança que as decisões de um juiz foram inspiradas pela amizade, gratidão, vingança, ódio, interesse ou pela subserviência aos poderosos “zurzi-os (bata, açoite) desapiedadamente, sede implacáveis, cruéis, por amor à Justiça”.

O Brasil, como diz a letra de Aldir Blanc, nunca foi o Brazil. E, pelo visto, não pretende ir tão cedo.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no Poder360.


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