Ipojuca 2021

12/04


2021

Editorial analisa crise institucional por causa da CPI da Pandemia

No Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o meu editorial foi sobre a nova crise instaurada no País. O Brasil agora passa a enfrentar uma crise institucional entre o Executivo e o Judiciário por causa da criação da CPI da pandemia. Vale a pena conferir!

O Frente a Frente tem como cabeça de rede a Rádio Hits 103,1 FM, em Jaboatão dos Guararapes.


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Comentários

Wellington Antunes

Magno, vc diz que o Executivo Federal é quem menos tem a ver. Vê ai, listado abaixo, os esclarecimentos que o Senador Randolfe deseja saber: 1 O atraso na compra de vacinas da Pfizer. 2 Falha grosseira na aquisição de seringas, insumos, equipamentos e na estruturação do Sistema de Saúde. 3 Gasto exacerbado com medicamentos sem eficácia comprovada. 4 Aglomerações causadas pelo presidente e sua comitiva em todo o país. 5 Em meio à pandemia, superfatura nas compras do Governo. 6 Omissão diante das mortes por falta de oxigênio em Manaus. 7 Negligência diante da escassez do kit intubação. 8 Incompetência na distribuição de vacinas, especialmente em relação à logística. 9 Negacionismo, discurso de sabotagem às medidas de isolamento. 10 O não uso e o incentivo ao não uso de máscaras. 11 Tentativa de maquiar número de mortes por COVID. 12 Falta de transparência na divulgação de casos 13 Ataques aos poderes. 14 Desgaste das relações internacionais que nos garantiriam melhor negociação de vacinas.

Wellington Antunes

Se vc nunca viu, Magno, procura saber quem foi que mandou instalar as CPI\'s do Caos Aéreo em 2007 e a CPI dos Bingos em 2005. E tem mais, o STF não meteu a colher, foi privocado e o Min. Barroso fez o que devia.


Petrolina abril 2021

12/04


2021

Bolsonaro está sendo aconselhado a sair do País

Estadão

O presidente Jair Bolsonaro está sendo aconselhado a viajar para fora do País e deixar a tarefa de sancionar o Orçamento de 2021 para o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressista-AL).

Segundo o Estadão apurou, essa alternativa foi discutida, durante o fim de semana, em reuniões do presidente com interlocutores para resolver o impasse em torno da sanção da lei orçamentária. Ela foi aprovada com despesas obrigatórias subestimadas para acomodar o aumento de emendas parlamentares, manobra apontada por especialistas de dentro e fora do governo como maquiagem.

A interlocutores, Lira disse que não foi informado sobre uma eventual viagem do presidente e reagiu. Segundo relatos, teria afirmado que se isso ocorrer vai ficar caracterizado "falta de coragem" de Bolsonaro. O presidente da Câmara rechaça de que o Orçamento tenha sido maquiado para subestimar despesas obrigatórias da Previdência e do seguro-desemprego, por exemplo. Por isso, diz não ver problemas em sancionar o texto sem vetos.

Senado e Câmara não querem o veto do presidente e defendem o ajuste ao longo do tempo. Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, alertou ao presidente que ele pode cometer crime de responsabilidade fiscal se sancionar o Orçamento dessa forma, com risco de impeachment ou se tornar inelegível, caso as contas deste ano sejam reprovadas. Por outro lado, dois pareceres (Câmara e Senado) apontam que o presidente pode sancionar a lei sem vetos.

Essa “engenharia” política exigiria que o vice-presidente Hamilton Mourão também deixasse o País. Lira é o segundo na linha sucessória da Presidência da República. Também pode haver um embaraço jurídico para o presidente da Câmara sentar na cadeira de Bolsonaro. Como mostrou o Estadão em fevereiro, o precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que réus em ações penais podem até comandar uma das Casas do Congresso, mas não substituir o presidente e o vice, caso os dois se ausentem do território nacional. Aliados de Lira afirmam que ele está apto a assumir a Presidência no caso de ausência de Bolsonaro e Mourão.


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ALEPE

12/04


2021

Ricardo Teobaldo anuncia investimentos para Limoeiro

O deputado federal Ricardo Teobaldo (Podemos) anunciou, hoje, uma série de investimentos para Limoeiro. Foram contempladas as áreas de saúde, educação, infraestrutura, tecnologia e inovação. O anúncio aconteceu durante uma live realizada pelo prefeito, Orlando Jorge (Podemos), com um balanço dos 100 primeiros dias de governo.

Para o parlamentar, o município vive um novo momento e esses recursos serão fundamentais para ajudar ainda mais a gestão de Orlando. "Eu fui prefeito e sei das dificuldades de governar. Aqui, com muita alegria anuncio uma série de investimentos para Limoeiro. Teremos creche, escola, recursos para custeio da saúde, a requalificação da Serra do Redentor e diversas outras ações para nossa cidade. O nosso gabinete em Brasília é uma extensão do gabinete de Orlando", destacou.

O prefeito Orlando Jorge falou da importância desses recursos para Limoeiro. "Vivemos um momento em que parcerias são fundamentais. Os anúncios feitos pelo deputado Ricardo Teobaldo vêm para ajudar ainda mais o nosso governo.  Esses investimentos vão garantir mais qualidade de vida para nossa população. Isso é o principal", disse.

Foram anunciados recursos para o custeio da saúde, para a construção de uma creche, construção de uma escola modelo com 12 salas, aquisição de sete ônibus escolares, aquisição de uma retroescavadeira, requalificação urbana da Serra do Redentor, reordenamento e reforma da Feira da Banana, requalificação e troca da iluminação pública para led e implantação de uma central de monitoramento com câmeras.


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Bandeirantes 2021

12/04


2021

Miguel e prefeita de Bezerros debatem gestão pública

Lideranças jovens no Sertão e no Agreste, os prefeitos de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), e de Bezerros, Lucielle Laurentino (DEM), tiveram uma reunião para troca de experiências na gestão pública. A conversa ocorreu, hoje, por meio de uma plataforma digital.

Os temas que dominaram a reunião virtual foram a educação e a administração das contas públicas. Em seu primeiro mandato na vida pública, Lucielle Laurentino tem priorizado recuperar o município do Agreste Central de uma herança de dívidas milionárias divulgadas recentemente num balanço dos primeiros 100 dias de gestão. Situação similar à que o gestor de Petrolina vivenciou em 2017, quando assumiu o comando da maior prefeitura do Sertão.

Na conversa virtual, Miguel Coelho apresentou informações e projetos relacionados à educação, como o ensino em tempo integral, a rede de creches e o uso de disciplinas inovadoras nos primeiros anos de sala de aula. "Petrolina é a cidade com melhor nota no Ideb nas cidades de grande porte de Pernambuco, recebeu premiações da Unicef e Fundação Abrinq. Isso é fruto de muito trabalho e da convicção de que a educação é essencial para uma nação. Sei da paixão e da história da prefeita Lucielle relacionadas à educação. Tenho convicção que ela, com esse apreço e visão inovadora, fará um trabalho exitoso nessa área. Espero, em breve, visitá-la para conhecer o início dessa transformação em Bezerros", destacou Miguel após a conversa.

Além da juventude e do cargo executivo, ambos os gestores são líderes da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS). O movimento é uma organização pioneira criada para contribuir com a melhoria da democracia e do processo político brasileiro. O RAPS integra pessoas em diferentes momentos da vida pública e eleitoral dispostas a dialogar e trabalhar em conjunto por um país mais justo, com mais oportunidades, melhor qualidade de vida para todos e com respeito aos recursos naturais.


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12/04


2021

Blog com mais destaque no Frente a Frente

Editora do meu blog, a jornalista Ítala Alves, ex-CBN e ex-JC News, passa a ter, a partir de hoje, um dia após as comemorações dos 15 anos de fundação do veículo, uma participação diária no Frente a Frente, programa que apresento pela Rede Nordeste de Rádio, formada por mais de 40 emissoras em Pernambuco, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife.

Há sete anos no blog, responsável pela edição de grandes episódios que marcaram a vida nacional nos últimos anos, Ítala Alves trará, no seu quadro, os destaques do noticiário do dia, levando aos ouvintes, direto da redação, os fatos mais importantes do dia.

Além de talentosa, competente e charmosa, Ítala faz jornalismo com energia vibrante, daquelas que não têm hora para comer, dormir ou relaxar quando o que está em jogo é levar ao leitor, da forma mais instantânea possível, a notícia em primeira mão, bem apimentada, com o próprio tempero que os leitores já estão acostumados.

Boa sorte para Ítala!


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Serra Talhada 2021

12/04


2021

Deputado mostra em vídeo caos no Recife

Residente em Caruaru, o deputado federal Fernando Rodolfo (PL) sentiu na própria pele, ontem, o que é viver numa cidade como o Recife debaixo de água quando chove além da conta. Seu carro teve que ser empurrado numa avenida que mais parecia um oceano. Veja seu protesto!


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

12/04


2021

Petrolândia paga as contas e investe na Saúde

Em entrevista, há pouco, ao Frente a Frente, o prefeito de Petrolândia, Fabiano Marques (PTB), comemorou os cem primeiros dias de gestão anunciando que pagou folhas em atraso, débitos da Previdência em torno de R$ 2 milhões, pagando parte dos R$ 2,6 milhões de débitos da administração passada com os fornecedores.

“Mas o nosso grande feito, na verdade, está sendo rearrumar a precária rede de saúde do município”, disse o trabalhista. Na semana passada, Fabiano esteve no Palácio abrindo o diálogo para levar mais investimentos para o município. Já em Brasília, vai encaminhar ao ministro do Turismo, o pernambucano Gilson Machado Neto, um projeto para impulsionar a Ilha de Rarrá.

Trata-se de uma verdadeira joia do São Francisco, localizada no meio do rio entre Petrolândia, Pernambuco, e Glória, na Bahia. Um pequeno paraíso rodeado por águas cristalinas e dunas de areia clara. De tão bonita parece até miragem, mas ao se aproximar de catamarã se percebe que a ilha é uma deslumbrante verdade.

A entrevista vai ar ao longo do Frente a Frente, programa que começa às 18 horas pela Rede Nordeste de Rádio, formada por mais de 40 emissoras, hoje presente em três Estados da região, tendo como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no botão Rádio na página acima do blog ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio no play store.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

12/04


2021

Alepe e OAB vão integrar escolas de formação

O deputado Clodoaldo Magalhães (PSB) participa, amanhã, da assinatura do termo de parceria entre a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e a OAB PE, por meio da Escola do Legislativo e da Escola Superior de Advocacia. A parceria vem sendo discutida desde 2020.

A ideia é integrar as duas escolas, com o propósito de consolidar uma estratégia de formação eficiente, pautada em assuntos de interesse da cidadania, para o aprimoramento do legislativo e da sociedade.

“A principal missão dessas escolas é contribuir para uma formação que melhore o desempenho do trabalho voltado ao cidadão. A ordem é a eficiência no cumprimento deste objetivo”, destaca o deputado Clodoaldo Magalhães.

Juntas, as duas escolas vão oferecer uma grade de seminários, cursos de extensão, palestras e fomento ao debate de temas estratégicos da legislação estadual. As ações devem começar ainda neste semestre.

Além do Primeiro Secretário Clodoaldo Magalhães, estarão presentes para a assinatura do termo os presidentes da Alepe, Eriberto Medeiros, e da OAB, Bruno Baptista. Além do Superintendente da Alepe, José Humberto; o Diretor geral da ESA, Mário Guimarães; a vice-diretora geral Isabela Lessa e Coordenadora de Compliance da ESA e Consultora de Integridade e Compliance da Alepe Mariana Teles.


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12/04


2021

Wilson fala em armação e diz que Magalhães o temia

Considerado pela aliança governista como o mais temido adversário, pelo fato de, dois anos antes, ter sido eleito senador na condição de candidato terceira via, Carlos Wilson foi nocauteado quando começou a crescer nas pesquisas. Acusado de dar um calote de R$ 120 mil numa produtora na campanha anterior, Cali, como era mais conhecido o candidato trabalhista, foi passado por João Paulo (PT), que acabou, no segundo turno, derrotando Roberto Magalhães.

Magalhães tinha, entretanto, calafrios quando alertavam que Cali poderia ser o seu adversário na disputa final, tudo porque a campanha dele foi embalada por um personagem, criado pelos marqueteiros Marcelo Teixeira e José Nivaldo Júnior, Mané da China, que infernizou a vida do prefeito debochando das suas obras e do seu programa de governo na propaganda eleitoral. O prefeito temia perder o humor diante de Cali e por isso não foi a nenhum debate nem no rádio nem na TV.

Nesta entrevista inédita para o livro A derrota não anunciada, lançado em 2004, que este blog vem reproduzindo capítulo por capítulo, o senador faz desabafos e diz que foi vítima de uma grande armação. Confira!

“Fui vítima de uma grande farsa”

Capitulo 16

Ninguém saiu mais magoado da campanha de 2000 do que o então senador Carlos Wilson, que disputou a Prefeitura do Recife pelo PPS, numa aliança com o PSB, de Miguel Arraes, tendo como vice o hoje presidente da Chesf, Dilton da Conti. Ele imaginava que tinha todas as condições de ser o adversário de Roberto Magalhães, num eventual segundo turno, porque achava que somava mais do que João Paulo pelo fato de ter sido governador e emplacado uma vitória para o Senado que muitos julgavam impossível.

Carlos Wilson era o adversário mais temido de Magalhães. Estava inserido na disputa do mesmo segmento eleitoral pefelista e sabia, mais do que ninguém, tirar o adversário do sério, como fez ao criar a figura do Mané da China, explorada no seu programa eleitoral. Magalhães, segundo o cientista Antônio Lavareda, deixou de comparecer aos debates para não ter que ficar diante de Wilson.

Ele temia, segundo confessou Lavareda, não resistir às provocações do candidato do PPS. Mas, de tanto provocar e debochar de Magalhães, Wilson acabou levando uma pauleira que o tirou, definitivamente, da corrida sucessória. No momento em que crescia nas pesquisas, ameaçando tirar de João Paulo o segundo lugar, foi nocauteado com a denúncia de um calote na campanha de governador que havia disputado, dois anos antes, no valor de R$ 120 mil.

Quatro anos depois, ele se diz vítima de uma grande armação, de uma grande farsa. Afirma que o débito não lhe pertencia, mas sim ao PSDB, partido pelo qual disputou o Governo do Estado, em 1998. O golpe transformou Carlos Wilson numa pessoa amargurada e revoltada, porque, segundo confessa neste depoimento, seu maior sonho é governar a Cidade do Recife. “As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo alvo de uma grande baixaria. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000”, desabafa.

No segundo turno, o eleitorado de Carlos Wilson votou maciçamente em João Paulo, conforme atestam as pesquisas. Ele teve um papel importante na campanha do petista, mas João Paulo não quis herdar o deboche do Mané da China. A herança se deu em outro campo, entre assessores de Wilson. João Braga, um dos coordenadores da campanha do PPS, foi convocado para se engajar na campanha e acabou sendo um dos orientadores do hoje prefeito nas discussões preparatórias para os debates na televisão.

O convite para assumir a Infraero, feito pelo presidente Lula, dois anos depois da derrota, serviu como marco divisório na trajetória de Carlos Wilson. Hoje, ele confessa que já conseguiu superar o trauma e foi contaminado pelo espírito Lulinha paz e amor, do então candidato Lula, na campanha presidencial.

Conversei com Carlos Wilson em Brasília, no restaurante do Blue Tree Park, hotel preferido dos figurões da República Petista. Havia chegado da sua caminhada matinal pelo Lago Paranoá. Colhi seu depoimento no dia em que a corte fervia com as notícias da primeira reforma do Ministério de Lula, com a confirmação, aliás, de mais um nordestino para a sua equipe – o pernambucano Eduardo Campos, neto de Arraes e no segundo mandato de deputado federal.

Como o senhor avalia a eleição de 200 na visão de hoje?

            Aquela eleição foi a que mais me machucou. Foi a eleição mais difícil que eu tive em toda a minha vida. Eu entrei convencido que poderia ganhar. As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo o alvo do meu principal adversário, que era Roberto Magalhães, e a aliança que o apoiava. Foi uma eleição com um baixo nível nunca visto na história do Recife. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000.

Para o senhor, quem era o cabeça dessa baixaria?

            O pessoal que organizava o marketing, a propaganda da campanha de Roberto Magalhães. Lavareda, o coordenador era Lavareda. Agora, com isso, não estou criticando, pessoalmente, ninguém, nem tampouco ele.

O senhor tem uma desavença histórica com ele e até processos na justiça. Não é isso?

            Eu procuro enterrar tudo que é desavença. Não sou uma pessoa de guardar mágoas, inclusive hoje já falo com Lavareda e ele comigo. Eu não sou amigo dele, nunca vou ser amigo dele. Nossa convivência é assim: ele fica na dele e eu na minha.

Chegaram a fazer as pazes e arquivaram também os processos que corriam na justiça de um contra o outro?

            Os processos, a Justiça arquivou ainda quando eu era senador.

Que acordo vocês fizeram?

            Não fiz acordo nenhum. Apenas um amigo marcou um jantar e nós conversamos aqui em Brasília, até tarde, há pouco mais de dois meses.

Posso saber quem fez essa intermediação?

            Foi um amigo comum, o jornalista Antônio Martins, pernambucano, que mora há muito tempo aqui em Brasília.

Foi um encontro tenso?

            No começo, sim. Ficamos um pouco sem jeito, parecia um ambiente carregado, mas depois relaxamos e tudo acabou muito bem.

Qual a razão de tanta baixaria? Eles achavam que o senhor era o adversário em potencial do doutor Roberto, no segundo turno?

            Eles tinham certeza que era o principal adversário, tanto que o governador Jarbas Vasconcelos, numa entrevista ao Diario de Pernambuco, dois meses após a campanha, afirma que quando sentiu, através de pesquisas, que quem poderia ir para o segundo turno com Roberto Magalhães seria eu, o guia de Magalhães forjou um programa eleitoral me atacando de caloteiro, onde diziam que eu tinha ficado devendo na campanha de 98, como se dívida de campanha fosse algum pecado.

Por que forjado se havia uma denúncia?

            Digo forjado porque qual é o partido que não sai de uma campanha devendo? A dívida não era minha, era do partido. Então, foi tudo muito forjado. Foi um ataque muito baixo. Agora, eu tenho também a convicção de que cumpri um papel. Eu não ganhei a eleição, mas cumpri um papel, que foi decisivo para a vitória de João Paulo.

Como assim?

            Eu tive em torno de 12% dos votos no primeiro turno e quase 100% desse meu eleitorado votou em João Paulo, no segundo turno. Isso é uma transferência de voto bastante significativa, diante de uma vitória apertada. João Paulo venceu com uma frente de menos de 1%. Também tivemos uma postura muito dura em relação a administração de Roberto Magalhães, que contribuiu para desequilibrá-lo.

Isso também foi apontado por eles como baixaria?

            Nossas críticas não desceram ao campo pessoal, como eles fizeram comigo. O que exploramos foi a figura extremamente temperamental de Roberto Magalhães, que todo mundo conhece. Isso ficou comprovado com aquele gesto na praia de Boa Viagem, quando reagiu à nossa militância dando bananas.

Mas, o forte do guia do senhor foi o Mané da China…

            O Mané da China desestabilizava ele (Magalhães). Walmir Chagas e Aramis Trindade, atores brilhantes, inventaram um papel brilhante na campanha. Foi uma campanha diferente, onde a gente levava humor e fazia rir, porque Roberto Magalhães, que é uma pessoa multo mal-humorada, não aceitava esse tipo de campanha. E partiram para a reação. A reação foi uma baixaria. A reação foi me atacar, apontar coisas que eu nunca fiz.

O senhor pode dar um exemplo, fora a denúncia do calote?

            Montaram um programa de televisão onde aparecia uma senhora dizendo que estava quebrada, que havia perdido o emprego por minha causa. Quem me conhece sabe que não sou desse tipo, Na minha vida, só faço ajudar as pessoas. Jamais prejudicaria quem quer que seja, muito menos uma pessoa pobre como aquela que apareceu na televisão. Isso tudo foi dirigido para tentar reverter um quadro crescente, com a possibilidade de irmos para o segundo turno com Roberto Magalhães. Eu era um candidato que tiraria votos de Roberto Magalhães, porque atingia uma classe média, o eleitor que tinha medo de votar no PT, mas também não queria votar em Roberto Magalhães.

O próprio comando da campanha de Magalhães admite que ele temia enfrentar o senhor, principalmente nos debates de televisão, porque temia perder o controle. Não era isso?

            Nos debates que participei em televisão, eu sempre dizia assim, abrindo os debates: “Falta alguém aqui. Ele não veio, mas vou fazer tal pergunta para Roberto Magalhães”. E aquilo mexia muito com ele. Mas, quero deixar claro que não era nada contra Roberto Magalhães. Eu estava dentro de um projeto para 2002, que envolvia os partidos de oposição. Jarbas achava que tinha que me afastar da eleição. Minha vitória em 2000 poderia prejudicar o projeto dele de 2002. Diante disso, tive que enfrentar uma campanha muito, muito dura. Se, na minha vida, por algum momento fui marcado assim, de uma forma muito forte, de uma forma muito desagradável, foi na campanha de 2000.

Eu tenho informações de que o projeto da aliança oficial era reeleger Roberto Magalhães para, dois anos depois, ele sair candidato a governador e Jarbas a senador, abrindo para Sérgio Guerra a oportunidade de assumir a Prefeitura por dois anos…

            O projeto passava por aí. E Sérgio Guerra investiu muito nisso. Ele só foi  vice para assumir a Prefeitura no lugar de Roberto Magalhães. Como esse projeto foi frustrado pela vitória de João Paulo, Jarbas foi forçado a disputar a reeleição. Mas, todo mundo sabe, Jarbas não queria a reeleição.

Isso é um exemplo de que não se pode fazer projetos em política?

            Não, não. Tem gente que, agora, liga a eleição de prefeito de 2004 à eleição de 2006, para governador. Não tem nada a ver. João Paulo foi eleito o prefeito em 2002 e não conseguiu ajudar Humberto Costa a ser governador. Não conseguiu também transferir os votos que ele teve na Cidade do Recife para a chapa do PT. Cada eleição é uma eleição. Cada eleição tem a sua história.

Por que o “Mané Chinês”, que foi o principal personagem da campanha, caiu no gosto popular, mas não transferiu votos para o senhor?

            Não transferiu por isso, pelos ataques, pelas baixarias. Ele me ajudou muito, eu reconheço que ele me ajudou muito com esse novo estilo de fazer campanha. Agora, quando houve essa campanha muito dura em cima de mim, os votos migraram. A maioria dos meus votos migrou para João Paulo.

Foi graças ao sucesso do Man[e da China na TV que o senhor resolveu andar colado a ele na campanha?

            Ele me acompanhava para todos os eventos da campanha, praticamente todos. Era bastante solicitado. O sucesso do “Mané da China” foi tão grande que, na campanha mesmo, alguns candidatos a prefeito do interior me pediram para ele ser a atração dos comícios.

Tem gente que acha que o personagem foi tão forte que ficou maior que o candidato. Como o senhor avalia?

            Eu acho que não. Eu acho que não. Eu acho que ele teve esse papel importante, ele foi uma peça que criou um novo estilo de fazer campanha e eu acho que me ajudou muito. Me ajudou muito mesmo. Não tem esse negócio.

Lavareda, por exemplo, diz que o personagem ficou maior do que o candidato…

            Isso é disputa de marketing, de marqueteiro. “Mané Chinês” foi criação de José Nivaldo Júnior.

Como é que surgiu o personagem?

            Surgiu lá na Makplan.

Mas, partiu da sua cabeça também?

            Partiu da minha cabeça, juntamente com José Nivaldo. Foi numa conversa. Ele me mostrou uma campanha que tinha sido feita em Caruaru para João Lyra Neto, com muito sucesso. A gente procurou seguir este mesmo caminho, levando a campanha adiante. Foi uma campanha onde eu acho que o “Mané” teve uma grande importância.

O “Mané” custou caro?

            Não, não saiu caro não. Eles são muito corretos, são pessoas muito amigas. O “Mané” e o Aramis sempre militaram no campo da oposição. Eles trabalhavam lá, não foi caro não.

No depoimento de Roberto Magalhães, ele diz que ele se divertia com o “Mané Chinês”, que aquilo não mexia com ele. O senhor acredita nisso?

            De jeito nenhum. Tanto mexia que deu bananas lá em Boa Viagem. Distribuiu bananas lá na Avenida Boa Viagem. Todo mundo viu a banana de Roberto Magalhães. O difícil foi divulgar aquela banana. Na véspera da eleição, nós reproduzimos uma foto que saiu na Folha de Pernambuco, na primeira página, onde ele aparece dando a banana, e mandamos pregar na cidade inteira, Mas a equipe dele era tão grande, que a gente pregava essas fotografias às quatro da manhã e às cinco já estavam arrancadas dentro da cidade. Porque eles não queriam que essa foto aparecesse. Ele não podia dizer isso, que não se irritava, tem gente que participou da campanha que dizia que ele subia nas cadeiras quando aparecia o “Mané Chinês”.

Como é que vocês organizaram o fechamento da avenida Boa Viagem naquele dia em que ocorreu o episódio da banana?

            O Tribunal concedeu a autorização para que os dois candidatos, no caso eu  e o Roberto Magalhães, fizéssemos uma carreata no mesmo roteiro, na Avenida Boa Viagem. Então, saí mais cedo, a nossa carreata saiu mais cedo, e nós fizemos a carreata lentamente. Isso levou a congestionar o trânsito, e praticamente as duas carretadas ficaram coladas, uma com a outra.

Mas, o seu irmão, André Campos, assume que fechou a avenida com um caminhão…

            Quando chegamos na padaria Boa Viagem, paramos o caminhão, e eu subi no trio elétrico juntamente com Roberto Freire, André, Dilton Da Cont. cada um deu uma palavra de dois, três minutos. E aquilo irritou muito mais Roberto Magalhães.

O senhor chegou a vê-lo dando banas?

            Não, não cheguei a ver não, porque eu estava na frente. Eu estava lá na frente da carreata. Mas aquilo foi um momento de muito desequilíbrio dele.

O senhor acha que a Justiça Eleitoral beneficiou Roberto Magalhães, porque vocês não conseguiram colocar a banana no programa eleitoral?

            É difícil essa questão de Justiça Eleitoral, tem que ser repensada. A composição do Tribunal Eleitoral não pode ser uma composição política, em que qualquer governador interfere. A interferência é muito grande do governo. A justiça eleitoral não nos prejudicou apenas no episódio de Boa Viagem, mas ao longo de toda a campanha nos tirando do ar. No segundo turno, isso aconteceu também com João Paulo, que comeu o pão que o diabo amassou.

A justiça permitiu que eles colocassem o calote contra o senhor, mas não permitiram outro fato real, a banana. Não é isso?

            E depois tem o seguinte: eles passaram mais de 10 dias para me dar o direito de defesa. Então, aquela mentira se tornou verdade, num programa importante, como um programa de rádio e televisão. Depois, o programa de rádio também jogou pesado. Edvaldo Moraes comandava um programa de rádio muito duro em cima de mim. Foi uma campanha que, realmente, me machucou muito. Teve gente que disse que, depois daquela campanha eu fiquei uma pessoa mais amarga. Hoje, passou, passou, eu perdi a eleição também em 2002, sei também como perdi. Eu sei o que é o uso da máquina, hoje eu sei como usaram a máquina. Esse processo de reeleição é uma coisa complicada. Roberto Magalhães foi quem perdeu a eleição. Porque, como prefeito do Recife, ele, na cadeira do prefeito, se tivesse equilíbrio, não teria perdido aquela eleição.

Ele perdeu pelos erros que cometeu?

            Perdeu pelos erros dele.

Então, não foi João Paulo que ganhou a eleição, foi Roberto Magalhães que perdeu pelos erros dele?

            Roberto perdeu pelos erros dele. Esse papel que nós desempenhamos, de radicalizar a campanha, de brigar com ele, foi fundamental para transformar a eleição, que seria morna, numa eleição muito quente, envolvendo a população na campanha. Roberto Magalhães perdeu por muito pouco. Perdeu muito mais pelos erros que cometeu.

Mas Jarbas, quando tirou a gravata, simbolizando sua entrada na campanha, também não acabou sendo outro grande derrotado?

            Esse tipo de bravata o eleitor não gosta. Na hora que ele tira a gravata, o que é que está simbolizando? O uso da máquina. Ele não deixou de ser o governador porque tirou a gravata em seu comitê, para instigar a militância.

Ali, ele simbolizou…

            Ele simbolizou: “Olha, estou tirando a gravata e a máquina vai ser usada. Nós estamos aí na campanha e o importante é a eleição de Roberto Magalhães. Eu vou me empenhar”.

Então, o governador é um grande derrotado também.

            O palanque dele foi derrotado - Roberto Magalhães, Marco Maciel, Sérgio Guerra e ele, porque todos se empenharam muito. Sérgio Guerra foi vice de Roberto Magalhães. Tem gente também… Eu não estou dizendo por maldade não, mas tem gente que diz que Sérgio Guerra, como candidato a vice, não acrescentou nada a Roberto Magalhães, muito pelo contrário, pode ter tirado. Tinha gente que tinha essa visão porque, Roberto Magalhães, eleito prefeito, seria candidato a governador e Sérgio Guerra assumiria a prefeitura. Então setores do PFL ficaram insatisfeitos, preocupados com o possível projeto.

O próprio Roberto Magalhães, no seu depoimento diz que, quando perdeu Raul na vice, o PMDB cruzou os braços na campanha. Como analisa?

            Não sei se o PMDB cruzou os braços. Pelo que eu ouço hoje, não acrescentou muito a Roberto Magalhães não. Raul era muito mais cara do Recife. Acrescentaria muito mais por ser uma pessoa amena, por ser uma pessoa que não tem arestas.

Mas, vice é uma peça tão figurativa numa campanha, não aparece em televisão, não aparece em nada, não?

            Vice não dá votos, mas tira votos. Sérgio tirou votos, mas ganhou um prêmio compensador dois anos depois, quando Jarbas lançou ele como candidato a senador.

Mas ele tirou votos também pelo fato de não ter identidade com a cidade?

            Ele não teve a simpatia do PFL nem do PMDB também. Achavam que, ele sendo vice-prefeito, seria alimentado como uma liderança que estava fora do bloco majoritário. Mas ele, hoje, recuperou isso, porque ele se elegeu senador com o apoio de Jarbas. A eleição para o Senado ele tem que agradecer, exclusivamente, a Jarbas Vasconcelos.

Como o senhor analisa o fato de, dois anos depois, Jarbas, Roberto e Guerrra, derrotados em 2000, serem vitoriosos nas urnas?

            Cada eleição é uma eleição, cada eleição tem sua história. Ninguém pense que a eleição de 2004 vai ser decisiva. Ela é importante, mas não será decisiva para 2006. Tem muita estrada pela frente ainda.

Pela importância que o senhor teve na campanha, principalmente na transferência de votos no segundo turno, acha que foi bem tratado pelo prefeito João Paulo quando ele chegou ao poder?

            Não. Eu não fui bem tratado e isso não é questão pessoal. Eu acho que João Paulo não compôs a sua equipe na Prefeitura reconhecendo aqueles que participam do palanque dele no segundo turno. E aí, quando eu falo, estou falando com relação a todos os partidos que a ele se juntaram no segundo turno, como o PPS, PSB e PDT. Vicente André Gomes, do PDT, também teve uma participação importante.

No reduto de Casa Amarela, não é isso?

            Em Casa Amarela, sim. Para você ver, em Casa Amarela, no primeiro turno, João Paulo foi o quarto colocado, na sexta zona. O primeiro foi Roberto Magalhães, o segundo fui eu, o terceiro, Vicente e o quarto, João Paulo. No segundo turno, João Paulo foi o mais o votado na sexta zona. Então, veja que, aqueles eleitores que votaram em Carlos Wilson, que votaram em Vicente, foram todos para João Paulo. A composição que ele fez na Prefeitura, entretanto, não representou o esforço daqueles que se empenharam por ele.

O senhor atribui isso ao PT ou à visão de João Paulo, que seria estreita?

            Não, a culpa não é do PT. É a visão de João Paulo.

Que é estreita?

            Não digo que seja estreita. É o estilo dele. Ele gosta de armar uma equipe doméstica. Ele trouxe o pessoal do gabinete dele quando deputado para a Prefeitura. São pessoas a quem eu tenho o maior carinho, mas acho que ele deveria ter ampliado mais. Eu acho que ele vai ter algumas dificuldades. Terá que tentar compor com forças que são importantes para que ele possa disputar o mandato, que ele possa disputar a reeleição.

Eleito prefeito, o senhor faria o que ele está fazendo?

            Não. Eu vou dizer uma coisa a você: eu sou uma pessoa completamente feliz com minha carreira política, me orgulho muito dela. Mas, o grande sonho que eu tinha na minha vida não era mais voltar a ser governador – que eu já fui por 11 meses e 15 dias, quando deixei uma marca no Estado – mas ser prefeito do Recife. Eu acho que Recife merece um prefeito identificado com a cidade, um prefeito alegre, um prefeito que explore a cultura do Estado, um prefeito que possa fazer obras sociais da maior importância. É uma cidade bonita, mas é uma cidade muito degradada. Pelas favelas… Então, eu tenho ainda essa vontade de ser prefeito do Recife.

O senhor acha que ainda pode realizar esse sonho?

            Não, eu acho que o cavalo já passou. A carreira de Jarbas, ele agradeça a 1985, quando Miguel Arraes e Carlos Wilson, Fernando Lyra, Cristina, Oswaldo Lima, Egídio, todos do campo da esquerda, fizeram muita força para ele ganhar a eleição. A eleição de 1985 deu a cara política de Jarbas, um político identificado com o Recife. Tanto que o marketing dele, muito explorado, é: “Jarbas é a cara do Recife”. Porque ele é isso aí, competentemente eficiente. E levou o Recife a ser uma cidade divulgada, nacionalmente e internacionalmente, com eventos. Recife é uma cidade que se move com sua principal arrecadação. O Recife é uma cidade bonita. A praia de Boa Viagem tem que ser o cartão-postal, você tem que usar isso. Eu acho que Recife merecia ter um prefeito que tivesse a cara dela. Como Jarbas foi. Muito eficiente, o melhor prefeito.

O fato de Magalhães ter recebido uma votação estrondosa para deputado federal pode ser interpretado como uma espécie de remorso do eleitor pela sua derrota dois anos antes?

            Tinha muito isso, o eleitor hoje não vota, amanhã se arrepende porque não votou. Eu lembro que em 1986, quando fui vice-governador de Arraes, ninguém acreditava que Roberto Magalhães fosse perder a eleição para Antônio Farias e Mansueto, candidato da esquerda ao Senado. E perdeu. Aquela eleição mexeu muito com Roberto Magalhães, tornando ele pessoa nervosa e sem autocontrole.

Ele próprio é quem diz que a maior frustração foi a derrota para o Senado…

            Ele não contava com aquela derrota. Ele perdeu a eleição em 86, mas quatro anos depois foi candidato a deputado federal e teve uma votação estrondosa. E, agora, foi a mesma coisa. Ele perde a eleição de prefeito e tem, novamente, uma grande votação para deputado federal em Recife e área metropolitana. Você veja que a votação de Roberto Magalhães jamais se deu nos grandes centros eleitorais.

Quando o senhor diz que não faria o que João Paulo está fazendo, poderia enumerar quais são os principais erros dele?

            Não ter feito uma equipe ampla me parece o mais grave. Eu procurava não fechar domesticamente uma Prefeitura. Mas esse é o estilo dele. Ele acha que está dando certo, problema dele. Eu sou eleitor dele, vou votar nele, vou fazer a campanha dele, sou do PT hoje, e vou cumprir a orientação do partido de apoiar todos os candidatos do partido no Estado. Então é isso aí: no Recife ele é o meu candidato.

Aparentemente, Recife parece ser uma cidade fácil de administrar, porque não há antecedentes de prefeitos que se saíram tão mal...

            É uma cidade boa de administrar. Agamenon dizia que Recife era uma cidade cruel. Eu posso dizer que o Recife é uma cidade generosa. O recifense é assim: muito tolerante com seus governadores. Devia exigir mais. E ser prefeito do Recife, eu sei… É desejo de muitos, conquista de poucos. Recife é uma das cidades… Para mim, é uma das cidades mais bonitas – juntamente com o Rio de Janeiro – do Brasil. Então, o povo em que exigir mais. Você não pode ter uma cidade tão degradada na sua periferia como nós temos. Recife hoje tem mais de 500 favelas. Recife tem Brasília Teimosa, que é uma das áreas mais bonitas que nós temos, e só agora, depois que Lula se elegeu, é que nós vamos ter um projeto ali, um projeto para aquelas palafitas, que vai ser uma área bonita. Eu acho que essa obra, inclusive, é que pode ser decisiva para a reeleição de João Paulo. Porque ela vai ser uma obra que vai ter marca. Ela vai ser a marca de João Paulo. Ela vai ser importante.

O que o senhor mais gosta do Recife. Por esse amor que revela deve ser tudo, não?

            Eu gosto de curtir tudo no Recife. Eu gosto de ir para a rua, de andar no centro da cidade. Eu acho que aquele projeto de revitalização da Cidade, que foi iniciado com Gustavo Krause, Gilberto Marques Paulo, e que, competentemente, foi concluído por Jarbas, não poderia ter parado. Assim, a população reconhece em Jarbas como o arquiteto daquele projeto. Acho que ali é uma área para continuar a ser explorada. A orla de Boa Viagem, os morros de Recife, a cultura do morro, entende? O folclore, a tradição do Morro da Conceição. Tudo isso eu acho que a gente explora pouco. Veja Salvador. Tudo o que se faz ali, na Bahia, o País inteiro toma conhecimento. Que me perdoem os baianos, mas Recife tem muito mais o que mostrar do que Salvador.

Na Infraero é possível se fazer algo pelo Recife?

            Eu acho que, se eu não fui prefeito do Recife, pelo menos terei a consciência de que colaborei, agora no Governo do Lula, para concluir um projeto que é fundamental para Recife, para essa divulgação de Recife, que é o aeroporto. Tenho a certeza de que a eleição do presidente Lula foi muito, muito importante para que a gente concluísse esse projeto.

O aeroporto do Recife vai ficar assim, tão movimentado quanto o de Salvador? Com toda aquela integração?

            Vai ficar mais bonito e melhor. O aeroporto de Recife vai ser o mais bonito do Nordeste. O maior aeroshopping, maior do que o de Salvador, e nós vamos ter também… Antes de sair da Infraero, quero colocar em discussão um projeto para aproveitar a melhor área do antigo aeroporto. Na minha cabeça, penso que ali tem que se transformar em teatro, em cinema, numa área de lazer, porque Boa Viagem é o principal bairro da Cidade do Recife hoje, principalmente no aspecto populacional. E não tem o lazer como se faz necessário. O aeroporto fica situado numa área privilegiada. Essa área tem que ser mais bem explorada.

Na sua visão, João Braga, que foi vetado pelo PSDB, conseguiu transferir votos para o senhor?

            Braga trabalhou muito. Foi uma pessoa extremamente correta comigo. Fez campanha… Ajudou a Cidade do Recife. Mas essa questão de transferência de votos é muito difícil. Você recebe apoios, mas tem que conquistar o voto. Não é porque uma grande liderança lhe apoia que você vai se eleger. Os apoios são importantes, mas é você próprio que tem que ter a capacidade de conquistar os votos daquela liderança. Veja o sucesso que foi a administração de Jarbas. Braga foi um grande secretário, desde a primeira administração ele sempre esteve com Jarbas. Jarbas tem… Justiça de faça, ele se cerca bem, ele forma bem a equipe dele. E depois, Braga, por ter desempenhado esse papel importante na Prefeitura, se achou habilitado para disputar e foi triturado na sua pretensão. Como não conseguiu ser candidato, deu o seu apoio a mim, o que considero natural, já que havia apoiado ele em 96. Ele fez tudo para que eu pudesse me eleger prefeito em 2000.

Qual foi o papel que ele exerceu dentro do comitê?

            Não teve nenhum papel oficial assim. Ele andava, fazia as caminhadas comigo, discutia a estratégia, dava conselhos, enfim, participava de tudo um pouco.

Deu contribuições para o plano de governo também?

            Participou da elaboração do plano de governo. Se eu tivesse sido eleito, ele sabe que seria uma das forças mais importantes na minha administração. Fico feliz por vê-lo novamente voltando a colaborar agora por Pernambuco. Ocupando pastas relevantes no Governo de Jarbas Vasconcelos.

Das pessoas que conhecem bem o Recife, como o senhor, seria correto afirmar que acha que Braga é uma das pessoas que conhece bem o Recife?

            Braga, com absoluta certeza, conhece o Recife muito mais do que eu, muito mais do que a maioria daqueles que administraram a Cidade do Recife.

É verdade que, no segundo turno, ele foi um grande professor para orientar João Paulo nos debates?

            Ajudou também, inclusive acompanhou até nos estúdios de televisão. Por conta do primeiro turno ter sido tão radicalizado, tão duro entre eu e Roberto Magalhães, era ele quem acompanhava João Paulo. E quem acompanhava Roberto Magalhães era Gustavo Krause.

O senhor fez uma aliança com o PSB. O fato de Arraes na época está desgastado não acabou contribuindo para atrapalhar seus planos de chegar ao segundo turno?

            Isso foi muito usado na campanha, pelo pessoal de Jarbas, principalmente. Não quero falar do pessoal de Jarbas, para não ser injusto. Era, na verdade, o pessoal que trabalhava para Roberto Magalhães. Vincularam, novamente, Arraes e, consequentemente, meu palanque, ao escândalo dos precatórios. Mas, ficou muito claro que nunca tivemos nada, absolutamente nada em relação aos precatórios. Arraes era muito forte em algumas cidades do interior, os chamados grotões, mais  ele se desgastou muito no Governo, de 94 a 98. Agora, eu me orgulho muito de ter recebido o apoio dele, tenho um respeito muito grande pelo ex-governador Miguel Arraes, de quem eu me orgulho também de ter sido vice. O apoio dele, de Dilton, de Eduardo Campos, para mim não era apenas eleitoral. Aquilo que eu estava dizendo antes, você não recebe apenas o apoio eleitoral, você recebe também o apoio político e era muito Importante para mim receber e apoio de Arraes.

E de Roberto Freire?

            Roberto Freire também.

Mas, Freire tinha mais identificação com a cidade?

            Não, Roberto Freire não tem identificação com o Recife. Roberto Freire é um homem de esquerda, mas teve uma votação inexpressiva como candidato majoritário no Recife. Muito fraca, embora seja uma liderança nacional. A presença dele no palanque era muito importante. O apoio de Arraes e Freire eram até simbólicos, como referenciais de esquerda no Estado e no Brasil. Enquanto João Paulo tinha apenas o apoio do PT, com o PSB e o PPS me consolidei como um candidato que agregava mais o centro-esquerda.

No depoimento que deu a mim, o senador Sérgio Guerra disse que um dos erros da campanha foi fixar que o adversário do segundo turno era o senhor e esqueceram João Paulo.

            É, essa foi a tática deles. O governador Jarbas reconhece isso. Achava que eu seria um candidato muito mais perigoso, no segundo turno, do que João Paulo. Pensaram em mim, conseguiram me derrotar e perderam a eleição para João Paulo. Nesse ponto, ele tem razão.

Quando o senhor fala em fraude, quer sugerir que aquele produtor que acusou o calote foi comprado?

            Ah, não, aquilo foi uma grande farsa.

Mas, ele foi comprado?

            Não sei, porque não tenho provas, não posso dizer uma coisa que eu não provo. Agora foi uma grande farsa, inclusive teve a participação do PSDB, do deputado Luiz Piauhylino. Chegou a dizer que o partido não tinha nada a ver com aquilo. Como se eu tivesse sido candidato, em 98, pelo PSDB e não fosse do PSDB. A responsabilidade de uma campanha é do partido ao qual o candidato é filiado. Não é o candidato que é o coordenador financeiro de campanha. Então, foi tudo montado. Para mi, foi a grande farsa que se montou na campanha de 2000. E aquilo me machucou muito. Para falar a verdade, me machucou demais. Eu procuro esquecer, mas foi uma coisa que me marcou muito na minha carreira.


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12/04


2021

Alvo do presidente, Randolfe xinga Bolsonaro de covarde

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) rebateu, há pouco, as declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em conversa gravada com o senador Jorge Kajuru, disse que teria que “sair na porrada” com o parlamentar da Rede por conta da CPI.

O líder da oposição no Senado criticou Bolsonaro e o acusou de usar a violência por ser um “covarde que tem muito a esconder”.

Ontem, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou trechos de uma conversa que teve com Bolsonaro, que defende que a CPI da Pandemia, que transita no Congresso, investigue também governadores e perfeitos.

Já hoje, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o senador goiano divulgou o trecho onde o presidente ofende Randolfe Rodrigues: “Se você não participa (da CPI), daí a canalhada lá do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desse”, diz o chefe do executivo na conversa gravada.

A CPI da pandemia, que teve instauração determinada pelo ministro do STF, Luís Roberto Barroso na última quinta (8), investiga suposta omissão do governo federal no combate a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2).


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