Ipojuca 2021 IPTU

18/04


2021

Prefeitura de João Alfredo reforça frota

A Prefeitura Municipal de João Alfredo, no Agreste pernambucano, entregou à população, na tarde de ontem, duas máquinas retroescavadeiras, uma ambulância e um automóvel de passeio. As informações são do Blog do Dimas Santos.

O prefeito Zé Martins (PSB) comemora a chegada dos veículos à cidade. “É mais uma grande conquista para o município, pois o objetivo é melhorar a qualidade no atendimento às demandas da população, garantindo a agilidade das obras nas zonas rural e urbana”, destaca.

Os novos equipamentos foram apresentados à população em um trajeto feito por vias de João Alfredo, com  a presença do vice-prefeito Cabôco (Avante), do presidente da Câmara Municipal, Walque Dutra (PSB), entre outros vereadores e secretários.

Emendas parlamentares destinadas pelos deputados federais Fernando Rodolfo (PL) e Fernando Filho (DEM) proporcionaram a aquisição dos maquinários. Já a ambulância e a Spin foram adquiridas com recursos próprios da Prefeitura e reforçarão as ações nas Secretarias da Saúde e do Desenvolvimento Social.


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Petrolina abril 2021

18/04


2021

Presidenciáveis se unem para atacar Bolsonaro em debate

Cinco nomes cotados para disputar a Presidência em 2022 se uniram, ontem, para atacar o presidente Jair Bolsonaro e seu governo. Os governadores João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o apresentador Luciano Huck participaram da “Brazil Conference”, um evento on-line organizado pela comunidade de estudantes brasileiros nas universidades americanas de Harvard e MIT.

O debate foi feito em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo. Doria, Ciro, Huck e Leite já haviam se unido em um manifesto a favor da democracia, divulgado em 31 de março, contra o presidente. No evento, os participantes criticaram as políticas do governo federal. Além de questionamentos relacionados a atuação do governo no combate à pandemia, foram mencionadas deficiências em áreas como educação, tecnologia, política social, ambiental e externa.

Apesar de divergências ao longo do debate no que consideraram as prioridades para a economia brasileira, o ambiente da conversa foi amigável. Todos se uniram em críticas ácidas ao presidente. O governador de São Paulo João Doria chamou Bolsonaro de “facínora genocida“. Leite criticou a área econômica, afirmando que “o presidente não tem uma agenda clara para a economia”.

O apresentador Huck falou sobre a área educacional, e mencionou “irrelevância do ministro Milton Ribeiro”. Haddad afirmou que “não existe qualquer ponto positivo na gestão do governo federal”, citou dados de mortes na pandemia e afirmou que a pressão sobre o governo federal tem de se intensificar. Ciro Gomes disse que o presidente tem a intenção de formar “uma milícia para resistir, de forma armada, à derrota eleitoral“.

Na live da última quinta-feira (15), Bolsonaro impôs como condição para aceitar eventual derrota eleitoral que a eleição fosse “auditável”. O presidente é defensor do voto impresso, que está sendo discutido no Congresso, mas que não é mais adotado no Brasil.

*Com informações do Poder360


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Comentários

Fernandes

Vai muito bem na zona.

Rafael C.Soares Quintas

Se esses elementos estão criticando o presidente é por que ele vai muito bem obrigado.


ALEPE

18/04


2021

Leitores já compraram 200 livros. Use pix e compre o seu

Em apenas duas horas, ontem, já tarde da noite, quando postei aqui o pix para compra do meu novo livro – A dor da pandemia – mais de 200 exemplares já foram vendidos. O preço é simbólico, apenas R$ 10, mas tem gente generosa, que chega a comprar 10, 15 e até 50 exemplares, no intuito apenas de reconhecer e valorizar o trabalho deste autor.

Agradeço de coração e deixo aqui o meu abraço. Para comprar antecipado "A dor da pandemia", que será lançado na próxima segunda-feira (18) durante live com os jornalistas José Nêumanne e Paulo André, às 19h30, pelo Instagram do meu blog, basta usar o meu pix de número 187870704-30.

Esta primeira edição está disponível apenas na versão digital, daí a razão do preço simbólico para cobrir as despesas. O livro impresso só virá a ser disponibilizado quando a pandemia estiver sob controle mediante a imunização de 100% da população. 

"A dor da pandemia", conjunto de crônicas da lavra deste blogueiro em meio ao sofrimento de um mal que parece não ter fim, tendo já completado um ano em março passado, tem prefácio do ex-ministro José Múcio Monteiro e apresentação do jornalista José Nêumanne, com edição do jornalista Paulo André Leitão. Múcio não vai poder participar da live, apenas Nêumanne e André ficarão, ao meu lado, disponíveis para interação com o público durante uma hora, das 19h30 às 20h30.


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Bandeirantes 2021

18/04


2021

As incertezas para 2022

Por Adriano Oliveira*

Não tenho evidências, neste instante, para concordar com a previsão de Cesar Maia. O sábio político afirmou em entrevista a Folha de São Paulo de que Lula “deve ficar fora do 2° turno” da vindoura eleição presidencial. Considero que o PT deve estar. Com Lula candidato ou não. Faço esta assertiva considerando duas evidências básicas: 1) O PT, desde 1989, tem robusto desempenho na eleição presidencial; 2) Em 2018, mesmo com a intensidade da Lava Jato e com Lula preso, Fernando Haddad foi ao 2° turno.

Ainda restam várias incertezas para 2022. Lula será candidato? Considerando apenas a variável intenção de voto, o futuro é promissor para o ex-presidente. Entretanto, Lula precisará, durante a campanha, explicar as acusações de corrupção contra ele. Por outro lado, é possível que majoritária parcela do eleitor perdoe Lula. Neste caso, a explicação será desnecessária. Lula só será candidato se tiver a certeza de que vencerá a disputa.

O candidato do Centro tem chances? Sim. O desafio do competidor do Centro é encontrar a narrativa da campanha. Quando o Centro fala, ele só faz referência a falsa polarização entre Lula e Jair Bolsonaro. Esta polarização existe em virtude da fraqueza do Centro, pois, até o instante, foi incapaz de construir narrativa para conquistar o eleitor. E também em razão do tamanho do Lula. O adversário do Centro é, inicialmente, o presidente Bolsonaro. E não o PT. E nem Lula.

O melhor cenário para o candidato do Centro é o impeachment do presidente Bolsonaro ou a sua decadência por completo. Sem Jair Bolsonaro disputando a eleição, é provável que o candidato do Centro esteja no 2° turno contra o PT. E com chances de vitória. Pois o competidor do Centro poderá conquistar eleitores refratários ao PT, a Lula e a Jair Bolsonaro. Se o presidente Bolsonaro disputar a eleição em 2022 com baixa popularidade, o Centro também adquire chances de disputar o turno final contra o PT. Portanto, o melhor para o Centro é a derrocada de Bolsonaro e não do PT.

Jair Bolsonaro será candidato? Esta incerteza persiste. O presidente da República está sob pressão. A CPI da Covid pode trazer surpresas e colocar intensamente na agenda da opinião pública o impeachment. Não desprezo, portanto, que a disputa presidencial de 2022 venha a ocorrer sem Jair Bolsonaro. Contudo, restam ainda dois cenários para o presidente: 1) Ele pode disputar a eleição presidencial com baixa popularidade; 2) Ele pode concorrer a eleição para presidente com popularidade em recuperação. O que facilita o surgimento deste último cenário é a mudança de estilo do presidente. Isto é: em vez do confronto, o diálogo.

Qual será o impacto da Covid-19 nos desejos e sentimentos dos eleitores? Qualquer cenário robusto para a eleição presidencial requer decifrar os efeitos da grave pandemia no eleitor. Se a Lava Jato influenciou a escolha do eleitor na eleição presidencial de 2018, não descarto a hipótese de que a Covid-19 também influenciará.

*Cientista político. Professor do Departamento de Ciência Política da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência.


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18/04


2021

Sapato alto derrotou Magalhães na visão de Liba

Invasão ao JC, greve da PM em frente ao Palácio, a "banana" em Boa Viagem, cada episódio marcante na eleição pode ter levado Roberto Magalhães à derrota frente a João Paulo em 2000. Mas de todos, o que pesou mais foi o sapato alto da aliança governista, segundo a visão do único vereador ouvido por este blogueiro para o livro A derrota não anunciada, que vem sendo reproduzido neste espaço nos últimos dias.

Refiro-me ao então vereador Liberato Costa Júnior, o Velho Liba (MDB), como era conhecido o mais longínquo em número de mandatos na Casa, dez ao todo, ou seja, 40 anos de ação no parlamento municipal. Mas, forçado a escolher dentre os fatos que mais pesaram para o insucesso eleitoral do candidato que apoiou, Liba citou a "banana" que Magalhães deu em direção aos militantes de Carlos Wilson, então candidato do PPS, que interditaram a Avenida Boa Viagem para impedir uma carreata de Magalhães.

"O gesto mostrou um desabafo desnecessário, que poderia ter sido contido. Mas, isso vai muito do temperamento da pessoa. Há políticos que são assim, temperamentais, outros são mais serenos. É a tal história que é secular: o político tem que engolir sapo", disse no depoimento exclusivo para o livro. Confira!

Capítulo 22

“Roberto não soube engolir sapo”

Aos 85 anos, o vereador Liberato Costa Júnior, o decano da Câmara do Recife, se transforma num garoto quando começa a falar de política. É a sua praia preferida, uma paixão que corre nas suas veias desde garoto.

Constituinte Estadual em 1967, Liberato conquistou seu primeiro mandato popular em 1955. De lá para cá, nunca mais perdeu uma eleição. Emplacou nove mandatos de vereador do Recife, um de deputado estadual e está se preparando para arrebatar o décimo de vereador, com o mesmo vigor de antes.

Para inserir neste livro uma opinião abalizada do político que está mais próximo do povo – o Vereador – julguei que não havia uma personalidade com mais legitimidade do que Liberato. Foi a ele que recorri numa manhã de uma segunda-feira modorrenta do final de novembro de 2003, no seu gabinete. Lá, o encontrei atendendo o povo, com humildade e simplicidade, marcas da sua personalidade.

O “Velho Liba”, como é tratado carinhosamente pelos colegas do Legislativo, traçou um quadro fiel do que ocorreu em 2000 com uma lucidez de raposa política e a sabedoria da velha escola pessedista de Tancredo Neves. Resumiu, numa só frase a razão do atropelo de Roberto Magalhães diante de um processo eleitoral em que até o maior leigo em política julgaria como vitorioso. “Faltou ao doutor Roberto paciência para exercitar a arte de engolir sapo em política”, constatou.

Para ele, não se deve jogar pedras apenas em Roberto Magalhães. Todo o comando da campanha, com exceção do governador, no seu entender, agiu com sapato alto, subestimou a capacidade de reação dos adversários, principalmente o do PT, o candidato João Paulo, que se apresentava com uma identificação de causar inveja com o povo, o eleitor simples.

O que levou a aliança jarbista a sucumbir em 2000?

      Foi um somatório de erros, tantos erros e intervenções que afunilaram para a derrota eleitoral. Em primeiro lugar, houve muita euforia. A euforia derrota, A euforia é o sapato alto. E todos da aliança estavam de sapato alto.

Do candidato ao governador?

      O governador, não. Jarbas fez a parte dele e muito bem feita. O sapato alto contaminou toda a equipe, as lideranças.

Não foram mais os erros do doutor Roberto?

      Eu vou chegar lá. Quando me refiro à aliança, quero dizer a equipe que participou diretamente da campanha. A aliança é muito ampla, mas teve a equipe que participou da campanha. Pelo menos a direção da campanha no Recife, na minha modesta opinião, era mais e tanto quanto elitista do que popular. E o Recife requeria, enfrentando um candidato pé no chão, uma campanha popular. Muito junto ao povo, mas muito mesmo. Isso aí eu aponto como uma filigrana de imperfeição. Sucessivos erros do meu amigo Roberto Magalhães, a começar por aquele fato da Imprensa.

O senhor está se referindo à invasão da redação do JC?

      Sim. Foi um episódio marcante, que desgastou muito o candidato. Mas, ocorreram outros fatos lamentáveis. Faltou uma aproximação mais estreita com a área popular e isso só poderia ter sido feito através dos vereadores. Estão aí os vereadores ainda vivos e muitos ainda ativos que podem confirmar o que estou dizendo. Não houve, nem no primeiro nem no segundo turno. No segundo turno então, a coordenação e a equipe que comandaram a eleição não se espelharam nos exemplos do primeiro turno.

Como assim?

      Nós tínhamos que buscar, a qualquer custo, o contato com a periferia, com a baixa renda, com aquilo que nós chamamos povo. Por quê? Porque a equipe continuou no segundo turno ignorando os vereadores que tinham sido eleitos e os que tinham perdido a eleição, mas que poderiam vir para o contingente com a perspectiva de poder. Então, tinha que procurar tudo isso. Deixou-se de procurar a convivência, o diálogo e se buscar um diálogo com um partido que perdeu a eleição, o PDT. Nós teríamos que procurar o Vicente André Gomes e o PDT. Não houve o menor interesse. Que eu saiba não. Não chegou ao meu conhecimento esse interesse em procurar um entendimento político, tão comum, tão útil, tão necessário – principalmente com um partido que tinha disputado a majoritária e que tinha tido cerca de 30 mil votos. Só Vicente (no reduto de Casa Amarela), sem o partido, tiraria qualquer diferença de cinco mil votos. Eu escarrei sangue na campanha, mesmo já estando eleito, mas eu tinha um compromisso com doutor Roberto, com o governador Jarbas Vasconcelos, principalmente, que me chamou e pediu todo o meu empenho.

Doutor Roberto reclama que o partido do senhor, o PMDB, cruzou os braços na campanha. O senhor concorda?

      Não houve cruzamento de braços. Eu, pelo menos, que sou vice-presidente do partido, me engajei duramente, O fato – e eu disse isso a Dorany – é o seguinte: time que está ganhando não se mexe. Veio com Raul vitorioso, deveria ter continuado com ele. Não quero descer ao detalhe da figura humana do vice, que substituiu Raul, o hoje senador Sérgio Guerra. Eu não entro nesse detalhe. Mas Raul tinha muito mais penetração. Já vinha há três anos substituindo o prefeito, participando de tudo. Um aliado leal, competente, modesto, mais sóbrio. E com uma penetração muito grande, sobretudo nos meios intelectuais. Então, se o time está ganhando, pra que mexer no time? Foi um erro lamentável.

Mas, para entrar na aliança, o PSDB exigiu a vice, não foi?

      Isso pode ter ocorrido, de fato. O PSDB fez essa exigência, mas ele não coligou na proporcional. Ficaram independentes na proporcional e isso gerou problemas com os demais candidatos a vereador da aliança.

Isso atrapalhou muito?

      Atrapalhou. Os vereadores não tiveram o mesmo interesse. É natural que não tenham tido.

A postura egoísta do PSDB atrapalhou a reeleição de vereadores do PMDB?

      Vários não foram eleitos e não apenas do PMDB.

Pode citar algum?

      Rafael de Menezes, um vereador importante. Fred Oliveira, outro veterano. A juventude perdeu o entusiasmo quando não viu mais Raul Henry na chapa como vice. Ele era jovem e representava a juventude. Raul estava atuando, convivendo com o Recife e tinha um sentimento muito grande da vida da cidade, da juventude e dos intelectuais.

O senhor sabe que ele procurou o doutor Roberto e disse que não gostaria de ser vice porque queria passar uma temporada na Europa?

      Nunca ouvi falar nisso. Ainda não absorvi aquela derrota, ainda não absorvi. Por quê? Houve uma diferença de 100 mil votos, do primeiro para o segundo turno. Aí, a euforia contaminou novamente a todos. Nos meus cálculos eleitorais, coloco a euforia como uma peça negativa, profundamente negativa. O sujeito deve ter suas convicções, mas não deve transformá-las num festival de vitória antes do fato consumado. Eu entendo assim. Agora fala-se também e pode ter contribuído com um pequeno contingente, a greve da Polícia.

O doutor Roberto diz que perdeu a eleição na greve da Polícia...

      Não, não acho. Não quero contrariar a interpretação dele, porque cada um de nós dá a nossa interpretação. Eu acho que está correto ele incluir a polícia como um fato inusitado, mas eu acho que foi uma contribuição, um filigrana também. No começo eu lhe disse que era um somatório de imperfeições e erros, não foi? Mas a euforia foi para mim o ponto vulnerável. O já ganhou é terrível. Roberto deu uma prova de que, realmente, é uma figura extremamente querida no Recife, haja vista a votação espetacular, ultrapassou os 100 mil votos na cidade do Recife, para deputado federal. E já tinha sido o campeão de votos nas eleições anteriores. E como perder uma eleição daquela? Foi o já ganhou.

O senhor acha que teve influência o episódio da banana, em Boa Viagem?

      Sensibilizou muito a opinião pública, porque houve um flagrante. Uma fotógrafa da Folha de Pernambuco conseguiu fazer a foto e estampar na primeira página. A Folha é um jornal que tem muita penetração popular, vendo muito na periferia, sobretudo na de baixa renda. Isso trouxe um impacto muito grande.

Como o senhor avalia o episódio?

      O gesto mostrou um desabafo desnecessário, que poderia ter sido contido. Mas, isso vai muito do temperamento da pessoa. Há políticos que são assim, temperamentais, outros são mais serenos. É a tal história que é secular: o político tem que engolir sapo.

É aquela famosa história de que Roberto Magalhães é pavio curto, não é?

      É. Ele tem essa pecha. Mas, foi um somatório. Ainda tem outras coisas que poderiam ser comentadas, que afunilaram para essa derrota que eu não absorvo. Repito: eu não absorvo.

Como vice, Sérgio Guerra somou ou atrapalhou?

      Não quero dizer que ele foi um peso pesado. Acho que foi um deslocamento desnecessário para substituir um que vinha convivendo, vivendo, trabalhando, executando e com penetração no segmento jovem, por um que chega para começar tudo de novo.

Sérgio Guerra também não tinha cara do Recife?

      Não. Não tem. Não é uma figura política que seja ligada ao Recife. Ele não é urbano. Raul é uma figura urbana.

O senhor acredita que havia um projeto de 20 anos da aliança jarbista e que, reeleito, Magalhães seria candidato a governador e Sérgio Guerra assumiria a Prefeitura?

      Não. Isso é especulação.

Por que, então, Sérgio Guerra teria deixado de ser deputado federal para ser vice?

      Olhe, isso são meandros que não penetrei. Não chegaram ao meu conhecimento. Se esse entendimento ocorreu é muito lamentável.

Há pouco isso se confirmou, porque Jarbas não queria disputar a reeleição...

      Sim. A Imprensa explorou que Jarbas não queria mais continuar. Houve isso. Pode ter ocorrido esse fato, mas eu não participei disso, embora seja vice-presidente do partido. Esses entendimentos não passaram por mim. Apenas me inteirei dos comentários pela Imprensa. Mas uma coisa formal, concreta, um fato que tenha sido marcante, não tenho conhecimento.

Há muitas lamentações no PMDB com a saída de Raul da chapa, mas ninguém lutou por ele. Como avalia?

      Eu lutei dentro do partido para manter o meu ponto de vista. Eu mantive a minha posição pela manutenção de Raul. Eu sabia que Raul estava muito mais acoplado, mais adaptado, mais próximo do povo. Sérgio Guerra vinha sem nenhum vínculo com a população do Recife. Era um corpo estranho nas eleições municipais. Raul era um componente da vida do Recife. Era completamente diferente. Subestimaram muito também a campanha do PT. Subestimaram muito. Tanto subestimaram que ele teve 100 mil votos.

Como o senhor avalia a influência dos debates na televisão no resultado da eleição?

      João Paulo tinha postura agressiva, porque tinha que partir para a agressão, usando até expressões antiparlamentares. Chegou muitas vezes a chamar doutor Roberto de mentiroso. A direção da campanha dele armou um sistema agressivo para ver se ele crescia no seio da opinião pública. Doutor Roberto teve uma postura polida na televisão, no rádio, uma postura ética. Mesmo algumas vezes agredido pelo candidato João Paulo, ele procurou evitar, alimentar esse diálogo áspero, agressivo, antidemocrático. João Paulo usou muito a agressão. Não sei se a coordenação de sua campanha entendeu que isso poderia somar. Eu politicamente acho que o diálogo na disputa eleitoral não deve partir para o pessoal, nem para ataques agressivos. Temos que procurar convencer a população com fatos comprovados, apresentando exemplos. Eu entendo assim.

Magalhães perdeu aderência na classe média?

      No segundo turno, sim. A classe média teve uma importância muito grande, que eu não esperava. Eu esperava que a classe média tivesse 70% do nosso lado. No segundo turno foi invertido.

Por quê?

      Esses fatos negativos que ocorreram durante a campanha contribuíram. Refiro-me aos erros da coordenação, inclusive o de não valorizar o papel dos vereadores. Em segundo turno, qualquer que seja o segundo turno, figura central de segundo turno é aquele que convive com o eleitor. No Estado, o deputado no Município, o vereador. E mesmo o vereador que tenha perdido. Não tenho laboratório de pesquisa, mas a pesquisa que eu faço, que tem dado certo, sou bem conceituado nisso, me levava a entender que 70% da classe média vinha para o candidato Roberto Magalhães. Para mim, isso foi invertido.

O senhor não acha também que foi um erro no primeiro turno achar que o adversário de Roberto Magalhães seria Carlos Wilson e não João Paulo?

      Não. Ninguém achava que era Carlos Wilson, não. Porque Carlos Wilson atuava na mesma linha política nossa, de centro-direita. Agora, o João Paulo não, era esquerda, pé no chão. Carlos Wilson conviveu com nossa linha política, com nossas áreas. A penetração dele era na elite, na classe média.

Mas, se não fosse a denúncia do calote, ele teria chegado ao segundo turno, não?

      Não, porque ele disputava o mesmo segmento eleitoral de doutor Roberto. No segundo turno, ele teve um papel fundamental: levou esse eleitorado de centro-direita para João Paulo. Além disso, no primeiro turno, ele criou a figura do “Mané da China”, que caiu na graça da população.

Mexia com doutor Roberto? Tirava ele do sério?

      É possível que tenha tirado. Era feita nessa direção, de atingir esse objetivo. Era uma coisa jocosa, entendeu? O povo gosta disso. A massa gosta. A política, vou repetir, é questão de engolir o sapo. Tem que engolir o sapo. Você não pode cair no desespero, porque inclusive cai no descrédito. Porque não tem a serenidade. Engolir o sapo significa manter-se na serenidade.

Por que esse episódio pode até servir para 2004?

      Já está servindo. O cuidado é grande. O Recife, na minha opinião, vem sofrendo um desgaste muito grande sobre todos os aspectos. É uma administração modulada a longo prazo. Uma administração de reuniões sucessivas sem uma necessidade objetiva. Com isso, a cidade sofre. É lenta a administração; O declínio da atual administração é grande por aí afora. A equipe não tem o preparo à altura da cidade do Recife. Entende? Foi uma equipe pinçada. A quem fez mais, a quem está mais próximo do poder, a quem está mais próximo do PT. Entende? A linha é essa.

Há quem diga que, na verdade, João Paulo nunca esperava vencer a eleição...

      É verdade. Ele entrou como um suicida. Ele nunca imaginou ganhar. Foi um equívoco da população do Recife.

O senhor acha que a população se arrependeu?

      Está profundamente arrependida. Tanto é que o declínio do prefeito é grande. A prova de que foi um equívoco é o declínio dele. Promessa que não pode cumprir. Faraônicas! Quarenta mil casas? Isso não existe! Paralela da Caxangá? Isso também não existe. Negar que hoje se locupletam da taxa tapa buraco, que tanto combateram na campanha? A rede de saúde está sucateada. As escolas necessitam de muitos reparos físicos. E o que fez da pedagogia da linha do ensino municipal? Tem falhas incorrigíveis. Então, a administração é um desastre! Bairros importantíssimos foram abandonados, as praças estão na mesma situação. Os canais – existem mais ou menos 100 quilômetros de canais – estão abarrotados, obstruídos. Estamos com um verão longo. Senão, teria sido um desastre. Há, também, uma propaganda enganosa. Tenho dúvidas, muitas dúvidas, não estou convencido de que esse anúncio que a Prefeitura fez, recentemente, de não sei quantos milhões para arrecifes da linha de Boa Viagem, na defesa do litoral, são mesmo para Recife. Devem ser para Jaboatão e Paulista, que garantiram recursos orçamentários para obras de proteção do avanço do mar.

O senhor foi bem tratado na campanha?

      Como é bem tratado? Considerado?

Recebeu apoio da majoritária?

      Não, minha estrutura foi insignificante. Eu nem sei se havia recursos para atender os vereadores. Isso depende muito de recursos. O que deve ser feito, no segundo turno, era ter conseguido, de qualquer forma, recursos para selar um entendimento com o PDT, com o Vicente André Gomes, os vereadores eleitos e os suplentes. Aí, a coisa andava, a eleição teria sido diferente. Eu não tive nenhuma estrutura do comitê oferecida pelo comitê central da campanha.

O senhor chegou a propor uma reunião com o PDT e os vereadores?

      Defendi abertamente, insistentemente. Eu e outros vereadores, vários vereadores, como Fred, Rafael, Romildo, Heráclito e Antônio Luiz Neto. A gente só falava nisso: que a composição tinha que ser com todos. E cadê o chamamento, que não vinha? Acredito que alguns desses tenham abordado esse tema lá no comitê, mas continuou uma euforia sem limites, um sapato alto terrível. Quando se começou a observar mais de perto, a oito dias do pleito, houve quem sentisse que a coisa tinha mudado. Mas, mesmo assim, ainda acreditava francamente na vitória. A essa altura, ainda tinha como fazer composição com o PDT. E, que eu saiba, não foi tentada com o devido zelo e carinho, com um interesse maior, mas superficialmente.

Qual é a ligação que o senhor faz dessa derrota e do abalo que provocou na Aliança?

      Essa derrota realmente teve reflexo nessa divisão recente. Porque se doutor Roberto estivesse na Prefeitura, nós estávamos mais sólidos. Aliás, na minha modesta opinião. Agora, como Recife é a cidade capitânia que comanda a opinião pública, o prefeito tem uma importância muito grande, porque a administração dele aparece. A administração dele leva a convencer que o administrador público tem interesse em servir a sua comunidade.

Algum fato importante que o senhor lembra da campanha?     

Os fatos importantes eu já falei. A questão temperamental e os episódios que citei. O desinteresse pelo colegiado representativo do Recife. Não se pode pensar uma eleição municipal sem se vincular profundamente com os representantes do povo. É a diária com o povo. É o que a gente chama de assistencialismo, mas não é. Porque o povo não tem de quem se aproximar para pedir nada. Não tem como chegar em um escritório de advogado e pedir para ele lhe ajudar numa causa. Não tem a quem pedir o sepultamento de um membro da família. A figura humana que ele tem que procurar é o vereador, o deputado. Por isso que se diz que isso é assistencialismo e eu não confundo isso com a necessidade premente do povo. Uma presença de um filho numa escola. Às vezes, um aviamento de uma receita porque um ente está doente. Tem que procurar o vereador mesmo. Se isso é assistencialismo, eu discordo. Eu vejo nisso a necessidade premente do povo.   

O que pode se configurar do que ocorreu com as eleições de 2000? O que eu disse retrata e expressa o que vivi. Só quem pode traduzir com fidelidade o episódio é quem viveu o episódio. Quem está de fora, opina, admite, analisa, interpreta, mas não vive o episódio. Eu vivi o episódio. Por isso, que eu cheguei a estas conclusões.


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Serra Talhada 2021

18/04


2021

Dió Mariano homenageia blog em versos

Um dos maiores menestréis da Nação poética do Pajeú, verso solto, memória privilegiada, contador sem concorrente dos causos e grandes embates dos vates nordestinos, o consagrado Diomedes Mariano, o Dió, de Afogados da Ingazeira, embalou em versos a homenagem aos 15 anos deste blog. 

Parceiro dos mais afamados repentistas do Pajeú das flores, como João Paraibano, já falecido, e Sebastião Dias, na ativa depois da incursão na gestão pública como prefeito de Tabira, Dió não é maestro da rima e do improviso apenas com a viola em mãos. Escreve crônicas, causos e poemas deslizando sua pena até em papel de guardanapo em bares. Confira! 

Vi que o Blog do Magno tem mostrado/Um trabalho bastante imparcial/Ganhou asas no mundo digital/Se tornou conhecido e respeitado/Por um público fiel é acessado.
Por buscar a notícia na raiz/O nordeste se orgulha/O povo diz/ É o blog melhor da região.

QUINZE ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO/AOS DIVERSOS RECANTOS DO PAÍS.

É Nordeste/É sertão/ele é daqui/ É o Blog do Magno a referência/ Conquistou com respeito à preferência/De milhões de pessoas por aí/
Tanto exalta a proeza de um gari/Como estampa o deslize de um juiz/ Vai dos fatos que geram CPIS/
A um ano de inverno no sertão.

QUINZE ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO/ AOS DIVERSOS RECANTOS DO PAÍS.

É um blog de credibilidade/Que dispõe de uma equipe competente/Menciona o que é claro e evidente/Só divulga o que sente que é verdade/Se tornou uma grande autoridade/ Preservando a história e seus perfis/Em respeito ao seu público Magno quis/
Dar ao blog luz própria e projeção.

QUINZE ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO/AOS DIVERSOS RECANTOS DO PAÍS.

A grandeza do blog a gente vê/ Nos assuntos, matérias e nas pautas/ Informando a milhares de internautas/
Dando mais segurança pra quem lê/O respeito que tem mostra o porquê/ Este blog não é mais aprendiz/
Hoje Magno festeja de feliz/
Tanto tempo de voo e pés no chão/

QUINZE ANOS LEVANDO INFORMAÇÃO/
AOS DIVERSOS RECANTOS DO PAÍS.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

17/04


2021

No túnel do tempo

Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog

A reedição online do livro "A derrota não anunciada", de Magno Martins, titular deste blog, resgata momentos marcantes da disputa à Prefeitura do Recife em 2000, que resultou em uma surpreendente vitória de João Paulo, naquela época no PT e hoje deputado estadual pelo PCdoB. Um deles diz respeito ao guia eleitoral, em particular ao do candidato a prefeito pelo PPS, o então senador Carlos Wilson.

O publicitário José Nivaldo Júnior, responsável pela campanha de Wilson, acrescentou humor ao pleito com a inserção do personagem Mané da China, interpretado pelo multiartista Walmir Chagas. O quadro dentro da propaganda eleitoral do postulante do PPS também contava com a participação do ator Aramis Trindade e serviu para satirizar o prefeito Roberto Magalhães (PFL), que concorria à reeleição.

Em sintonia com o livro, esta publicação traz um vídeo com o Mané da China em suas andanças pela capital pernambucana.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

17/04


2021

Afogados: Cineteatro São José é reequipado

O Cineteatro São José, em Afogados da Ingazeira, recebeu novos equipamentos na última quinta-feira (15). O ato também selou a assinatura da gestão compartilhada do espaço entre a Prefeitura e a Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos remédios. De acordo com a administração municipal, o objetivo é "aproveitar, ao máximo, todo o potencial do cineteatro, valorizando a cultura local e abrindo o espaço para apresentações dos artistas".

“Quando a pandemia arrefecer, vamos usar o cineteatro para a apresentação dos nossos músicos, de peças teatrais, para espetáculos de dança, enfim, para que o nosso povo possa ter acesso gratuito a todas as manifestações da nossa cultura”, afirmou o prefeito Alessandro Palmeira (PSB).

O termo do compartilhamento da gestão do Cineteatro São José foi assinado entre Palmeira e o representante da Fundação, o comunicador Nill Júnior. Os novos equipamentos de audiovisual entregues na ocasião vão permitir a exibição de filmes com alta qualidade de som e imagem.

O material consiste em um sistema sonoro com qualidade surround 5.1, contendo caixas acústicas, amplificadores subwoofer, Blu-ray, gerenciador de energia e projetores. Todo esse material foi enviado pela Fundarpe, graças a uma solicitação do ex-vereador e atual vice-prefeito, Daniel Valadares. O deputado estadual Waldemar Borges (PSB), por sua vez, canalizou uma emenda para a aquisição de parte dos equipamentos.

O Cineteatro São José também contará com um projetor de filmes com qualidade Full HD, que foi obtido com recursos da Fundação Bom Jesus dos Remédios e da Prefeitura de Afogados. Já em 1994, ano em que encerrou as atividades, o professor Augusto Martins, hoje secretário de Turismo, Cultura e Esportes, trabalhou pela reabertura do espaço fundado em 1942.

Outros nomes, como Evanildo Mariano, representante da Associação Cine São José, também encamparam a luta pelo retorno, o que ocorreu em 2003.


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17/04


2021

Campanha da Cultura FM arrecada mais de 2 toneladas

A Rádio Cultura 96,5 FM, de Caruaru, uma das emissoras que compõem a Rede Nordeste de Rádio e retransmite o programa Frente a Frente, ancorado pelo titular deste blog, encerrou hoje a campanha Cultura Solidária. A iniciativa foi bem-sucedida e resultou na arrecadação de mais de duas toneladas de alimentos não-perecíveis.

Os produtos doados serão destinados às famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A campanha contou com o apoio dos voluntários do Transforma Caruaru. 


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17/04


2021

Gigolô Americano – A série sem fim

Por Weiller Diniz*

O francês “Le Monde” chacoalhou o país com uma pedagógica reportagem expondo a permissividade da Lava Jato aos interesses norte-americanos no Brasil, políticos e econômicos. A contundência é irretorquível: “Algo está podre no Estado do Brasil. O país inteiro está sendo atingido por uma série de crises simultâneas, uma espécie de tempestade perfeita – recessão econômica, desastres ambientais, polarização política extrema, Covid-19 e agora o naufrágio do sistema judicial”.

A reportagem reconstituiu as promiscuidades de Sérgio Moro, agindo como agente infiltrado dos EUA, e concluiu: “Um magistrado julgado ‘tendencioso’, uma equipe de promotores cujos métodos às vezes eram ilegais, a intervenção dos Estados Unidos e, por fim, um escândalo retumbante: a Lava Jato serviu a muitos interesses, mas não à democracia”.

Transbordam imoralidades entre a “equipe de Moro” na Lava Jato e orgias ilícitas com agências internacionais: CIA, FBI, Departamento de Justiça dos EUA e de outros países. Em 06/07/2015, os procuradores Deltan Dallagnol e Orlando Martello Júnior revelam uma relação adúltera com agências externas, com a perspectiva de “regularizar a posteriori” e Deltan escarnece: “Faz tpo (tempo) que não tenho vergonha na cara kkkk”. Ao vibrar com a ordem de prisão do ex-presidente Lula, Dallagnol é licencioso: “foi um presente da CIA”. As perversões da Lava Jato, como prisões arbitrárias, vazamentos seletivos, delações, desrespeito aos direitos individuais, alvos pré-selecionados, blindagem de aliados e manipulações são libertinagens largamente utilizadas pelos EUA em conspirações mundo afora.

A infidelidade da Lava Jato com a Nação seria recompensada com parte dos recursos recuperados. O michê pela ‘bovaryzação’ lubrificaria o projeto próprio de poder da operação com candidatos em todos os estados, defendido por Dallagnol, e, quem sabe, a lascívia presidencial de Sérgio Moro. “Nós estamos com pressa, porque o DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] já veio e teve encontro formal com os advogados dos colaboradores, e a partir daí os advogados vão resolver a situação dos clientes lá… Isso atende o que os americanos precisam e não dependerão mais de nós. A partir daí perderemos força para negociar divisão do dinheiro que recuperarem. Daí nossa pressa”, disse Dallagnol em um grupo, excitado com o cofrinho bilionário.

A quebra da soberania com objetivos políticos e/ou financeiros é outro ofício muito antigo do mundo. Em nome de interesses inconfessáveis, a CIA patrocinou vários golpes e intervenções. Brasil e Chile foram cenários de duas grandes operações: a derrubada dos presidentes João Goulart e Salvador Allende para a instalação de ditaduras militares. A CIA financiou políticos e manifestações contra Jango com lemas mundanos contra o comunismo. O general e adido no Brasil Vernon Walters, segundo homem da CIA, era o gigolô dos EUA contra a ameaça da casa da luz vermelha. Hoje os tanques são anacrônicos. A guerra híbrida prostitui órgãos de Estado para os golpes “constitucionalizados”. Nos fatos narrados pelo “Le Monde”, houve cooptação de parte da Justiça brasileira e do MP, tendo na ponta da linha a Polícia Federal, velha cortesã dos EUA.

Entre 2002 e 2004 – nostalgia dos tempos de jornalismo investigativo – publiquei na Revista “Isto É” uma série de reportagens, documentalmente comprovadas, expondo órgãos que se rebaixaram ao poderio financeiro dos EUA. A Polícia Federal foi ‘cafetinada’ pelos norte-americanos em troca de dólares em malas, depósitos ilegais para remunerar simpatizantes que compartilhassem investigações confidenciais, inclusive informações sobre segurança nacional. A arapongagem se infiltrou em um bureau estratégico da PF: CDO (Centro de Dados Operacionais), onde FHC foi grampeado. A missão não era derrubá-lo, mas monitorá-lo e assegurar que a empresa dos EUA – Raytheon – abocanhasse a bilionária licitação dos radares do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) contra a francesa Thomson. O valor era de US$ 1,4 bi e uma ‘dica’ do serviço de informações dos EUA foi capital para o triunfo da Raytheon.

O ex-corregedor da PF, o delegado Arthur Lobo, viu evaporar a tentativa de investigar o escândalo e sintetizou: “Aí é o velho esquema: paga quem quer, mantém quem quer e xereta o que quer. Isso não é invasão de soberania? É coisa muito pior. Grampearam o presidente.” Lobo se referia ao grampo em FHC e seu braço-direito, o embaixador Júlio Cesar Gomes. Toda volúpia clandestina da CIA foi denunciada formalmente aos superiores por dois tiras da elite da PF, José Roberto Benedito Pereira e Luiz Zubcov. Ela se transformou na sindicância 1414/97 com imputações gravíssimas e obscenas. “O equipamento usado para grampear FCH era da CIA”, disse à época Benedito Pereira. A “CIA se valia do programa de cooperação com a PF para manter sua base de coleta de informações no Brasil”, reforçou Zubcov. Benedito Pereira também indicou o agente da CIA à época: Robert Evans, camuflado em um cargo na embaixada norte-americana.

O “mantém quem quer e xereta o que quer”, realçado por Arthur Lobo, aludia a Getúlio Bezerra. Um delegado que, por anos, mandou mais que seus superiores hierárquicos. A origem do poder: ele recebia as malas de dinheiro e mantinha duas contas correntes para depósito dos recursos dos EUA, invisíveis ao controle público e à fiscalização brasileira. Nem Congresso Nacional, nem TCU sabiam do orçamento paralelo. As prestações de contas eram feitas apenas à embaixada dos EUA. No Banco do Brasil, o delegado mantinha a conta corrente de número 284.002-2, agência 3476-2, abastecida secreta e regularmente pelo DEA – Drug Enforcement Administration –, a agência de combate ao narcotráfico dos EUA. Na conta do BB passaram pelas mãos de Bezerra R$ 11 milhões entre 1999 e dezembro de 2002.

Uma base de dados das contas CC5 (não-residentes) mostrou que, entre março e setembro de 1999, Bezerra também recebeu grana através de outra conta, número 200323 do Unibanco. Foram 7 depósitos menores, que somaram R$ 244 mil. No BB ele operava desde 25 de março de 1999. Chegou a receber R$ 53,7 mil na conta do Unibanco, no dia 13 de agosto de 1999, e, no mesmo dia, recebeu dois depósitos na conta do BB. O primeiro de R$ 37 mil e o outro de R$ 73 mil. Ele não era único parceiro dos americanos na PF. Na mesma época o delegado Mauro Espósito também mantinha duas contas e recebia os agrados ianques. Em 11 de novembro de 1998 recebeu R$ 30 mil na conta 40665 da Caixa Econômica Federal e mais R$ 20 mil em uma conta não especificada no BB. Apenas a conta do Banco do Brasil de Bezerra era de conhecimento da direção da PF, disse-me à época o diretor da PF, Paulo Lacerda.

Depois das denúncias, uma segunda investigação sobre fundos clandestinos da PF foi aberta na COIE. Novo nome dado ao CDO, onde FHC foi grampeado. O resultado da sindicância 003/2003 – concluída em 5 de maio daquele ano – era pornográfico. Foram 46 páginas com 14 depoimentos de tiras da elite e do doleiro George Fouad Kammoun, que fazia o câmbio dos federais no submundo do crime. A PF tinha um doleiro de estimação e a troca dos dólares ilícitos com um fora da lei contava até com escoltas. O delegado Rômulo Berredo, escalado para apurar a devassidão, pediu um inquérito para responsabilizar os culpados. Ele identificou crimes contra o sistema financeiro e a Lei de Licitações: “Um setor da PF se acha na mais completa insustentabilidade jurídica, o que ocasionaria a ilegalidade dos atos ali praticados”, dizia o relatório final. Além da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a COIE também recebia o patrocínio clandestino dos EUA.

A então servidora Maria Celina Martins (da contabilidade da Coordenação de Operações de Inteligência Especializada- COIE) explicou em seu depoimento que o sistema de pagamento pelos EUA era feito de acordo com a despesa. “A média de ressarcimento mensal é de R$ 160 a R$ 200 mil com recibos e notas fiscais. Feito o balancete, uma pessoa da embaixada vai à COIE e retira a prestação de contas. Já foram realizadas três ou quatro auditorias pelo governo americano”, revelou. O zelo se explica. Pelos números apresentados, a “boquinha” girava entre R$ 2 milhões e R$ 2,4 milhões por ano, perto de R$ 19 milhões em oito anos. Celina contou que a operação na COIE era feita com grana viva, ora dólares, ora reais, como nos lupanares.

“O dinheiro do ressarcimento das despesas é sempre trazido ao setor em espécie, sendo guardado no cofre e distribuído conforme a necessidade. Antes de o delegado Rosseti (Disney Rosseti, que chefiou a COIE) assumir a chefia, a verba do setor era recebida da embaixada em dólares americanos (em espécie), os quais eram depositados em conta corrente do delegado Getúlio Bezerra”. Ele também chefiou a Diretoria de Combate ao Crime Organizado. Antes Bezerra dirigia a Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Todo esse bacanal contábil e financeiro era feito com base em um acordo de cooperação de 1997, igualmente invisível e ilícito. “Tal modalidade de entrega (em dólares) fere a qualquer padrão legal/formal capaz de dar um mínimo de credibilidade ao processo”, reprovou em vão o delegado Berredo no relatório final.

O então chefe dessa unidade na PF (COIE), Disney Rossetti, que foi interino da PF após a demissão de Sérgio Moro e Maurício Valeixo em 2020, também depôs e disse acreditar que o departamento era frequentado por agentes camuflados da CIA: “Em média duas vezes por semana comparecem à COIE. São sempre oficiais de ligação. Não tenho como afirmar categoricamente se algum deles tem vinculação com a CIA, embora acredite que pertençam à agência americana.” A diretora de inteligência policial (DIP), Mariam Ibrahim, escancarou o rendez-vous financeiro de então: “Toda verba utilizada nas atividades da COIE é fornecida pelo governo dos Estados Unidos através da embaixada em Brasília.”

A operação Diamante – iniciada pelo Ofício 300/2000, do poderoso Getúlio Bezerra – era uma das vedetes da PF naquela década. Após três anos de investigação em dez estados, uma das maiores quadrilhas do tráfico internacional, capitaneada por Leonardo Mendonça – preso em Goiânia –, foi desbaratada. Mendonça e o traficante Emival das Dores eram celebridades nos EUA. Os dois figuravam entre os dez mais procurados pelo DEA. A operação Diamante rendeu 28 prisões, e ilustres nomes caíram em desgraça. Um dos resultados foi a renúncia do ex-deputado federal Pinheiro Landin e o afastamento do cargo de dois magistrados: Vicente Leal, ministro do STJ e Eustáquio Silveira desembargador do TRF1, acusados de venda de sentenças.

O advogado de um dos investigados entrou na Justiça com um pedido explosivo: a anulação das escutas telefônicas. O que sustentava o pedido do advogado eram os CDs, que traziam as milhares de horas com gravações autorizadas judicialmente de todo bordel. Ao abrir os CDs, constatou-se que 22 gravações tinham como autora, oficializada no processo, a embaixada norte-americana. O relatório intitulado de Final da Operação Diamante, de 21 de janeiro de 2003, é um dos CDs que trazem como autor a Embaixada USA e “gravado por Embaixada USA”. Em um ofício à Justiça, o delegado Ronaldo Urbano da PF confirmou que os equipamentos eram dos EUA, de fato. O orgulho virou vergonha e a PF não passou barriga de aluguel na operação. Até onde se sabe, nenhuma dessas promiscuidades gerou punições além do strip-tease nas 2 sindicâncias.

Nos filmes, os agentes da CIA podem tudo. Espionam, compram informação, roubam documentos, matam e derrubam governos. As leis dos outros países são ignoradas. Na vida real o rufianismo segue desinibido. Depois do fim da guerra fria, os órgãos de espionagem dos EUA, para manter o status e justificar a manutenção dos orçamentos, passaram a trabalhar em espionagem comercial, monitorando acordos internacionais de interesse de empresas americanas. O Brasil nunca saiu do radar. Se há 20 anos o interesse era o SIVAM, agora, desenhou o “Le Monde”, a ação foi mais ambiciosa, para diminuir a influência geopolítica do Brasil e conter o avanço econômico do país. O gigolô Tio Sam segue mandando na casa de tolerância. Só que na Lava Jato recrutaram 2 estagiários que estão nus: Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no portal Os divergentes.


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