Ipojuca 2021 IPTU

14/04


2021

MPE dá parecer pela cassação do prefeito de Maraial

No que depender do Ministério Público Eleitoral, o prefeito de Maraial, Sérgio da Farinha (foto), e o vice, Nia Filho (ambos do Avante), terão os diplomas cassados e se tornarão inelegíveis. Isso porque o procurador regional eleitoral Wellington Cabral Saraiva emitiu, na última sexta-feira (9), um parecer favorável ao provimento dos recursos movidos pela coligação Unidos por Maraial, encabeçada por Marlos Henrique (PSB).

Nas duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) o socialista alega que o atual prefeito construíu uma ponte no município e também distribuiu caminhões-pipa à população no período eleitoral, o que constitui flagrante irregularidade. Por isso, o MPE também pede que o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determine a realização de novas eleições diretas em Maraial, tomando como fundamento o artigo 224 do Código Eleitoral.

A decisão, contudo, cabe ao TRE-PE.


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Petrolina abril 2021

14/04


2021

Krause atribui perda de Magalhães a sapato alto

No capítulo de hoje do livro "A derrota não anunciada", trazendo bastidores da eleição para prefeito do Recife em 2000, que este blog vem reproduzindo nos últimos dias, o ex-ministro Gustavo Krause, conselheiro de Roberto Magalhães, derrotado por João Paulo, reconhece que houve sapato alto na campanha.

Responsável pelo texto final do programa de governo de Magalhães, era Krause quem o orientava no discurso de confronto com os adversários. Atuou nos bastidores e nesta entrevista dá o tom da sua visão sobre a derrota. 

"Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. Entramos todos de sapato alto", atesta. Abaixo o capítulo com a versão krausiana.

"Subestimamos nossos adversários"

Capítulo 18

O ex-ministro Gustavo Krause talvez tenha sido, durante a campanha, um dos poucos assessores que Roberto Magalhães, nas horas de agruras, ouviu, atentamente, sem subestimar a sua opinião. Humanista, identificado com o Recife, cidade que governou e pela qual revela uma paixão alucinante, Krause um macielista de carteirinha, mas entrou na vida pública pelas mãos de Moura Cavalcanti, governador biônico.

Krause avalia cenários, estratégia de campanha, discurso do candidato, direcionamento do guia eleitoral e, nos dias que antecediam um debate na televisão, sentava com Roberto Magalhães, para definir as perguntas que seriam feitas ao adversário e preparar as respostas para um eventual "casca de banana" jogada pro João Paulo.

O ex-ministro deu, ainda, o texto final do programa de governo. Quando queria algo refinado, inteligente, era a Krause que Magalhães recorria. O ex-ministro é uma das melhores cabeças do PFL nacional. Escreve com elegância e brilho. É muito intelectual, poeta os melhores, boêmio por natureza.

Para ele, Roberto Magalhães foi vítima de um fenômeno novo: a "pesquisocracia", termo criado pelo próprio Krause, para justificar o atropelo provocado pelo excesso de confiança em pesquisas que, ao final da campanha, não se confirmaram. Isso, no seu entender, fez com que todos, sem exceção, usassem sapato alto.

Krause é sócio de carteirinha do spa Espaço Verde, em Aldeia, onde costuma se refugiar pelo menos duas vezes ao ano. E foi lá que colhi o seu depoimento, durante o intervalo de uma leitura e outra de uma pilha de livros que leva na bagagem para devorar, enquanto perde uns quilinhos.

Qual o papel que o senhor desempenhou na campanha de Roberto Magalhães?

No primeiro turno, uma participação muito discreta. No segundo turno, houve uma mobilização maior e eu fui convocado para participar do núcleo estratégico da campanha. Também tive uma participação, principalmente na discussão dos temas urbanos, na proposta de governo. E, de um modo geral, naqueles momentos que antecediam os debates, até porque os debates são momentos de avaliação da performance do candidato, que exigem uma participação maior. Aí, tive uma participação mais ativa.

O senhor foi uma espécie de conselheiro?

Não. Acho que conselheiro é um exagero. Eu diria que fiz parte de uma assessoria, uma assessoria multidisciplinar, que tinha outras pessoas, especialistas em comunicação, que conheciam os problemas do Recife. Acho que, com a experiência de ter sido prefeito, vereador e lidado com as questões urbanas, pude dar uma contribuição mais efetiva na construção das ideias e do programa de governo.

Como o senhor avalia a derrota?

Todos os resultados eleitorais decorrem, seja na vitória ou na derrota, de uma multiplicidade de causas. Eu acho que hoje, no meu entender, subestimamos um pouco a leitura eleitoral. Todos os dados davam uma vitória no primeiro turno. Os próprios adversários, e o próprio PT, lançaram candidatos mais para marcar posição do que para ganhar uma eleição. Acho que essa é uma lição que a gente deve extrair do favoritismo. Esse favoritismo decorre um fenômeno que chamo de 'pesquisocracia'. As pesquisas deixam de ser um instrumento de trabalho e passam a ter um fim em si próprio. Passam a definir candidaturas, quando, na verdade, todo mundo já sabe que elas medem uma situação contingencial, detectam tendências ocasionais, episódicas. Mas, elas geram, não pode se negar isso, um certo favoritismo artificial e um derrotismo também artificial. Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. A linguagem popular traduz desse jeito favoritismo: entraram todos, não foi só o candidato não, de sapato alto. E aí, quando se subestima, é fatal. Não existe eleição previamente ganha. Não existe posse na véspera, não existe vitória na véspera. Isso é um dos efeitos que eu chamo de a ditadura da pesquisocracia.

Mas, o senhor não acha que os erros cometidos pelo candidato contribuíram muito mais?

O próprio candidato teve a grandeza de reconhecer isso. Agora de fato, realisticamente, o candidato é, foi e continua sendo um homem muito maior do que fatos ocasionais. Quer dizer, o currículo de Roberto Magalhães, a sua história marcante, o seu preparo intelectual faz de Roberto um candidato forte em qualquer circunstância. Então, evidentemente que os erros ocasionais contribuíram para uma onda que também favoreceu o João Paulo. É preciso não subestimar na análise, olhando agora pelo retrovisor, as forças contra as quais nós lutávamos e que já tinham uma inserção nacional muito forte. Acho que nós não devemos superestimar os erros, ou os deslizes do candidato. O candidato tem uma biografia que o faz forte em qualquer circunstância. Evidentemente que os erros atiçam a emoção das campanhas e favorecem os elementos positivos, os pontos fortes do aniversário. Foi isso que aconteceu. Foi a soma disso tudo que deu numa derrota eleitoral, numa derrota pública.

O senhor estava naquela carreata em Boa Viagem onde o candidato foi provocado e acabou respondendo aos insultos com uma "banana"?

Não.

Quando se ouviu pelo jornal, teve o sentimento de que ali começou a derrota?

Não. Eu tive um sentimento de que era um fato negativo, um fato a ser explorado. Mas um fato que foi, a meu ver, corrigido a tempo, quando o candidato pediu desculpa pública. É um fato humano, que qualquer um de nós está sujeito. Que a palavra dita, a palavra equivocada pode ser dita, que o gesto equivocado pode ser feito. Costumo dizer que a maior de todas as provas de resistência física, intelectual, emocional a que um homem pode se submeter é uma eleição majoritária. É por isso que nós, políticos, temos uma pele de paquiderme. Temos que ter serenidade, tanto para dizer coisa com coisa, como para responder adequadamente as perguntas e daí tirar por menos as provocações. Enfim, o candidato para manter a serenidade emocional, para atingir o máximo da sua serenidade emocional, ele tem que agradecer até a vaia. Se derem uma vaia em você, você diz 'obrigado'. Recebe como elogio. Claro, foi um fato negativo, que seria explorado, e foi explorado.

Roberto Magalhães diz que perdeu a eleição com a greve da polícia militar. Como o senhor avalia?

A greve da polícia também foi um componente e ele tem toda razão. Foi um fator que impulsionou. Quando se vai para os números, talvez haja uma avaliação melhor. Se um daqueles elementos que constituíram painel de fatores que levaram à derrota não existissem, uma diferença de cinco mil votos não aconteceria. Então, a greve da polícia adicionou o caldo da emoção eleitoral o tempero decisivo. Foi um elemento. Eu continuo dizendo seguinte buscar uma causa única determinante é um equívoco de avaliação, é um equívoco de análise. Essa foi uma das parcelas na soma dos fatores.

O senhor não acha que, nos debates na própria campanha, Roberto Magalhães deixava transparecer um pouco de arrogância?

Roberto teve uma administração aprovada, correta, financeiramente equilibrada, que os próprios adversários reconheciam. Os nossos adversários jamais puderam falar de uma herança maldita. Isso ele não pode falar em relação ao governo municipal. Então, o prefeito, ele não só tinha um preparo muito grande, como conhecia de longe, melhor, os problemas da cidade, do que o atual prefeito, João Paulo. Tanto que, o primeiro debate, na TV Universitária, o candidato do PT levou uma grande desvantagem, sem que Roberto demonstrasse nenhum tipo de soberba intelectual. Tanto que os outros debates forçaram o João Paulo a se assessorar melhor. E aí, o que é que aconteceu? João Paulo melhorou um pouco o nível de conhecimento dos problemas urbanos e passou a usar um conjunto de jargões. Ele usava alguns tiradas, assim, que acabam com o candidato. Ele dizia: o senhor está nervoso. Ele teve a competência de exacerbar, perante a opinião pública que assistia aos debates, com um certo conteúdo emocional também, e que avaliava menos o conhecimento dos problemas do que a ânsia transmitida pelos candidatos. Os jargões foram brevemente preparados e aquilo foi criando uma certa impressão, gerando um conceito. Com Cristovam Buarque e Joaquim Roriz, em Brasília, sim. Ali, Cristovam deu uma demonstração de soberba intelectual de maneira muito mais deliberada. E Roriz se vitimizou. Essa vitimização contribuiu para a derrota eleitoral de um candidato, que do ponto de vista tradicional, estaria mais preparado para o cargo.

João Paulo se vitimizou naquela situação?

Também, mas se vitimizou usando bordões, que colaram. Então, na medida em que Roberto manifestava o maior conhecimento do problema, aquilo não era tido como um melhor preparo para o desempenho, mas como atitude de soberba. É muito importante se avaliar essas questões a partir da percepção do eleitor. Então, a atitude de manifestar maior preparo, maior conhecimento, foi devidamente conduzida para que isso fosse visto como arrogância. E as pesquisas qualitativas demonstravam isso. Veja a emoção eleitoral o que produz: As pesquisas qualitativas, as mesmas que foram feitas logo depois do primeiro turno, davam tudo aquilo que era qualidade - por exemplo, a franqueza de Roberto, que o eleitor gosta - mais, naquele momento, tudo era visto como rudeza. O preparo, que é normalmente visto com um fator positivo de alguém que concorre na disputa de um cargo, era visto como soberba intelectual. Numa eleição, às vezes, o palco das percepções vira surrealista. Quem é moderno, fica antigo; quem é antigo, fica moderno, na percepção do eleitor. Quem é rural, fica urbano; quem é velho, fica jovem; quem atrasado, fica progressista. A emoção eleitoral pode gerar o que eu chamo de um grande palco surrealista. Esse palco surrealista existiu no segundo turno e aí, talvez, com certeza, nós não fomos suficientemente capazes de transformar uma percepção surrealista numa percepção realista.

Esse quadro surrealista não seria traduzido como o voto de protesto?

É, quando esse palco surrealista é percebido pelo eleitor, aí você tem vários votos que ultrapassam a capacidade do racional e entram no irracional. Você vota com raiva, você vota contra. Aliás, os franceses, que têm uma grande experiência sobre eleições em dois turnos, chamam esse sistema de 'ballotage'. Na Argentina, de 'vuelta'. Os franceses diziam que, 'no primeiro turno o eleitor vota a favor, no segundo turno tende a votar contra'. Então, é possível que você tenha, no conteúdo do voto, o protesto, o votar contra, o voto de repúdio, o voto com raiva, com ira. É provável que isso tem acontecido.

O senhor identifica nesse cenário também uma certa influência da chamada onda vermelha?

Houve um fenômeno, que a gente não pode classificar como onda vermelha, que também é uma classificação muito simplória. A gente pode perceber que o mito PT, o grande mito petista, aquele partido que se diz portador da verdade, dos valores éticos, do bem, e que tem um certo, ou, pelo menos, tinha, uma certa visão fundamentalista da política, certamente influiu. Tanto isso é verdade que, dois anos depois, o seu líder maior chegou à presidência da República. Isso não vai acontecer agora. Eu estou dizendo agora a você, porque nada melhor do que as lições que se extraem, que o eleitor extrai de um processo de amadurecimento e de clarividência, para se caracterizar a chamada rotatividade no poder. Essa rotatividade faz com que o eleitor amadureça. E essa rotatividade no poder está mostrando que a realidade é diferente daquele mero exercício da oposição que o PT exercia e que era percebido pelo eleitor como portador da boa nova, como o portador desse mundo ideal. A real "politique" está ensinando que não é bem assim. E que o eleitor está percebendo que não é bem assim. Então, o que leva isso? A que você ao votar, ao se posicionar diante de uma eleição, deixa de lado as categorias abstratas, as abstrações, as mensagens retoricamente bonitas e passa a pegar no candidato. O candidato passa a ser de carne e osso, com grandezas e misérias, feito de barro, que é o barro humano, que tem virtudes e que tem defeitos. Essa é a primeira eleição na história do Brasil onde uma esquerda messiânica, mais messiânica do que orgânica, vai se submeter ao escrutínio popular.

Em algum momento, Roberto Magalhães chegou a confessar que não queria ser candidato à reeleição?

Não tenho conhecimento desse registro.

Que reflexo teve a mudança do vice na chapa dele na derrota?

A minha opinião é de que houve reflexo negativo, não por nenhum demérito ao senador Sérgio Guerra, nenhum demérito. Estou avaliando sobre essa ótica: acho que a dobradinha Roberto / Raul era, no meu entender, sinérgica. Eram os diferentes no temperamento, na idade, na inserção política e na representatividade. E por que mexer nisso? Eu quero dizer que eu também não estou olhando pelo retrovisor. Manifestei isso em conversas reservadas, manifestei, tenho testemunhos quanto a isso. Não gosto muito de fazer avaliações pelo retrovisor. Essas avaliações de que, fulano ou beltrano evitaria no segundo turno, não me sensibilizam. É isso que eu chamo a pesquisocracia. No meu entender, isso teve uma influência. Não por demérito de quem quer que assumisse, mas por que mexer naquilo?

O que eles alegam é que havia uma pedra no meio do caminho chamada PSDB, que teria que tirar mais um candidato, no caso Braga, para fortalecer a aliança. E o PSDB queria a vice...

É. Aí vem a pergunta que Garrincha fez quando o técnico montou todo o esquema tático: combinaram com o povo? Combinaram com os russos? Isso não existe. Isso é elucubração. É aritmética. O que faz parte do jogo político não é só uma racionalidade cartesiana. Isso, para mim, é uma realidade cartesiana. Qual é o problema de se ir para o segundo turno? Por que as eleições têm que terminar necessariamente no primeiro turno? Você tem que ganhar a eleição. Então, se desfez no meu entender uma chapa que deu certo e que estava dando certo do ponto de vista da gestão. Na minha opinião, e eu digo com toda convicção: por que mexer nesse negócio?

Tem outro fato. No depoimento de Roberto Magalhães, ele conta que Raul Henry manifestou interesse em morar no exterior, que não queria ser mais vice...

Veja bem: Eu não conheço o teor das conversas. Estou como espectador. Acompanhei todo esse processo pelos jornais, pelas conversas. Nisso, você tem duas interpretações. Pode ser um obstáculo irremovível. Não, eu não quero mais vida pública. Poderia ser entendido assim. Mas poderia ser entendido de outra maneira. Veja aí como as palavras podem trair. Podia ser entendido assim: se naquele momento se falava que era necessário superar o obstáculo, aí levaria certamente, pelas contas, para o segundo turno. Aquilo poderia ser lido da seguinte maneira: Eu não sou um obstáculo a uma composição. O que faz parte do temperamento de Raul Henry. Podia ter sido decodificado da seguinte maneira: se for pra ganhar, e não vou criar problema. Isso é uma das interpretações. Até porque você não pode tomar palavras. Quantas vezes você já ouviu: eu não participo mais da política, de uma eleição. Talvez um dos poucos que você tem ouvido falar fui eu, que participei de uma eleição recentemente. Mas quantas vezes? Eu gostaria muito de estudar, de passar um tempo na Europa. Isso é palavra de rei que não volta atrás? Ou não? Então, a decodificação dessa conversa - da qual eu não conheço o teor - eu estou aqui fazendo uma especulação - poderia ter sido feita dessa maneira. Não, eu não sou um obstáculo.

Pelo que você conhece de Raul, ele estava querendo dizer isso?

Bom, aí me falta o dom de penetrar nas intenções alheias. O meu sentimento é dizer, 'negativo, velho', vamos juntos. Negativo. Eu acho que essa questão para mim não está muito clara.

Com relação especificamente ao vice Sérgio Guerra: era um candidato que não tinha muita identificação com o Recife?

Roberto trocou um cara que tinha muita identificação com o Recife por uma pessoa que não tinha. Eu acho que Sérgio Guerra não tinha nenhuma identificação com a cidade. Mais uma vez não se deve atribuir a isso a questão do insucesso eleitoral. O que eu quero dizer é o seguinte: Roberto e Raul representavam uma complementaridade. Em tudo. Então, por que mexer. Ah, Raul não quis. Não sei. Eu não estou totalmente convencido disso.

Com relação ao personagem do Mané da China, que influência ele teve no conjunto da campanha?

Acho que o Mané da China era uma casca de banana. Se você está numa luta de boxe, tem duas estratégias: ou parte para nocautear ou para minar as forças. Minar as forças é dar um soco no fígado. Então, aquilo era uma estratégia chinesa, suplício de Tântalo vai, vem, enche o saco. Por quê? As pessoas são diferentes, as pessoas têm um determinado temperamento. Tem pessoa que tirar por menos. Não liga para Mané China. Aquilo foi uma tática usada no sentido de provocar uma certa reação emocional.

Roberto era considerado pavio curto e eles achavam que o irritavam aí. Não é isso?

Definiram o personagem com esse objetivo, mas o Mané da China não ganhou a eleição.

Mas como você interpreta o fato de o Mané ter caído no gosto popular e não ter somado nada para o candidato Carlos Wilson?

Porque o Mané da China não é cabo eleitoral expressivo. É o recurso da ironia, é o recurso do deboche. O recurso de um tipo de humor que pode gerar certos efeitos do ponto de vista emocional. Só isso. Mas, não transfere voto, não ganha eleição.

Chegou alguém para dizer: "Dr. Roberto, mude o seu comportamento na televisão. Está aparecendo muito arrogante"?

Veja bem, primeiro Roberto, pelo preparo que tem, não tem uma carência de conselheiros e de assessores. Ele tem ideias próprias, sabe equacionar os problemas. Só que a orientação da campanha era no sentido de que a gente tratasse com muito zelo e com muito trato todas as armadilhas e todas as cascas de banana que podiam surgir. Todo processo de preparação e de conversa antes era muito rico, muito discutido e assimilado. Isso vale para a a assessoria tradicional e a assessoria ocasional. Nada que mude o jeito, que desfigure a personalidade do candidato. Mas, era necessário que alguns consensos em relação a alguns assuntos fossem tomados. E eram formados. O que eu quero dizer é que o que valeu ali é que o candidato assumia. O que valeu ali foi menos o comportamento do candidato e mais a percepção do eleitor. Houve um conjunto de fatos que foi solidificando a percepção do eleitor. E também não adiantava colocar um doutor Roberto carneirinho. Aí, era um pecado mortal, porque ele tem um estilo próprio. Ele não se faz no estilo, às vezes, do político clássico - que usa as palavras para responder o seu pensamento. Isto, de um modo geral, é visto como uma qualidade. Na eleição, por conta de um conjunto de episódios, ele foi visto maneira diferente.

Quando mudou do primeiro para o segundo turno, ele já saiu com uma desvantagem 17 pontos nas pesquisas. Que conselho o senhor deu a ele?

O que as pessoas esquecem é que ele partiu de 17 pontos e chegou empatado, no final. O problema não foi o comportamento de doutor Roberto nos debates. Pelo contrário, o comportamento dele mostrou que estava muito mais preparado, que conhecia muito melhor os problemas. Mostrou que a gestão dele foi eficiente. A questão é que a percepção do eleitor já estava quase solidificada. O ponto de partida do segundo turno era de uma desvantagem enorme -17 pontos de diferença. E as pesquisas qualitativas já estavam dizendo. E foi no olho mecânico que a gente solucionou. Então, eu diria que o processo de debate reverteu toda uma desvantagem que foi o ponto de partida do segundo turno, onde eu quero registrar o mérito da participação nos debates, a demonstração de que tinha conhecimento dos problemas. A percepção do eleitor foi muito mais trabalhada pelo bordão, pela atitude ostensiva, politicamente adequada que o João Paulo usou, quando dizia: 'Dr. Roberto, o senhor está nervoso. Dr. Roberto tenha calma'. Não importava a qualidade das respostas naquele momento. No fundo, o eleitor avaliava que o 'homem estava nervoso', tinha um problema emocional. Assim as coisas foram conduzidas. O mérito vai pra quem coordenou essa estratégia.

O governador chegou a fazer um gesto simbólico, quando tirou a gravata para mergulhar na campanha. Ele também saiu derrotado?

A derrota atingiu todo mundo. Cada um perdeu um pouco, ou cada um perdeu muito. Perdeu todo mundo. Perdeu o candidato, o que foi derrotado, perdeu o governador, perdeu o PFL, perdeu o Marco Maciel.

Quem perdeu mais?

É importante ver que a atitude do governador Jarbas Vasconcelos em nada me surpreendeu. Ele fez isso comigo em 94, ele fez isso a vida inteira com as coisas que ele defendia. E é por isso que tem um conjunto de fortes lealdades em torno dele. Porque, ele foi para a luta, dizendo assim: se Roberto perder, eu perco também. E perdeu. Eu acho que as três grandes lideranças derrotadas foram Marco Maciel, vice-presidente da República, o governador e o próprio candidato. Curiosamente, esses três candidatos, um é, brilhantemente, eleito como deputado federal, o outro reeleito Senador e o outro reeleito governador.

Jarbas e Sérgio Guerra admitem uma espécie de intenção, não projeto, do PSDB assumir a prefeitura, com a vitória de Magalhães, este ser o candidato a governador e Jarbas sairia para o Senado. Como o senhor avalia? Da pra fazer política em longo prazo?

Tratar desses projetos, para mim, não tem grande importância, porque a política tem um grande componente de aleatoriedade e de destino, de imprevisibilidade. Então, essas arrumações são extremamente bobas, completamente tolas. Isso faz parte da ficção política. Não é assim, cada dia tem a sua agonia. Vamos ganhar a eleição. Eis aí o que eu venho falando, o que eu disse no começo. Não acredito nisso, porque as pessoas envolvidas são pessoas que merecem meu respeito, não só pela inteligência e competência, mas porque não fazem esse tipo de arranjo. Esse é um arranjo que desrespeita o eleitor e a inteligência mínima das pessoas. É como se fosse possível traçar os rumos do futuro. Se existia isso, para mim, é algo incompatível com a inteligência e a percepção política das pessoas que estão envolvidas.

E em política, como diz Marco Maciel, 30 dias são eternidade. Não se faz política pensando em longo prazo, não é isso?

Longo prazo é a soma do curto prazo. Eu sempre digo: O futuro de um político é a soma algébrica de cada dia'. Um dia positivo, outro dia negativo. Se as pessoas conseguem ser construtivas, leais, parceiras, solidárias, atenciosas, atendem à demanda dos eleitores, tem projeto político. Há uma diferença fundamental entre os políticos que têm projeto político e os políticos que têm projeto eleitoral. Quem tem projeto político, geralmente fica quietinho no seu canto, tendo as benesses da vitória e o ônus da derrota. São pessoas que cultivam esses laços de solidariedade, esses laços de lealdade que inspiram confiança e cultivam as virtudes da grande liderança. Quem tem projeto eleitoral é diferente. Pode até ter um êxito aqui, um êxito acolá, mas não chega, bate no teto. Não chega a outra passar um certo plano de voo.

O senhor acha que houve uma "mea-culpa" do eleitor ao fazer Roberto deputado mais votado do Recife, dois anos depois?

De forma alguma. Primeiro, ele tem densidade eleitoral, independente de derrotas, independente do voto. Agora, o eleitor muitas vezes se arrepende, entendeu? E aí ele dá voto remorso. Mas dizer que os votos de Roberto Magalhães decorreram do voto remorso, não. Ele sempre teve uma enorme densidade eleitoral. Tanto que continuo sendo eleito expressivo, significativo, respeitado no Recife.

O senhor acha que o Recife se arrependeu de ter votado em João Paulo?

Isso a gente vai ver agora, nessa eleição. Os sinais não são bons para o prefeito. Não são bons os sinais, hoje. Mas aí a gente vai ver em outubro.

O que o senhor acha da administração do PT?

Acho que a administração João Paulo não tem visão estratégica do que é, hoje, o desenvolvimento urbano, dos significados da cidade, dos espaços. Existem três grandes espaços de gestão urbana: a cidade urbana, a cidade metrópole e a cidade global. No meu entender, é uma administração que não tem uma visão estratégica do desenvolvimento urbano e não presta atenção a esses três espaços, dessas três divisões e dessas inter-relações que exigem hoje do gestor urbano. Então, o meu sentimento é de que, a despeito de todo esforço, da participação do governo PT, ele terá uma eleição difícil.

Talvez isso não esteja na origem da própria campanha, já que o próprio prefeito fez uma proposta de governo sem esperança de vitória?

Havia uma visível, uma explícita confissão, de que ele não tinha proposta de governo. Aliás, isso não é um mal do PT municipal não, isso é o mal do PT nacional. O PT nacional, por exemplo, e eu escrevi um artigo sobre isso, tem um competente projeto de poder, de continuação no poder. Agora, em matéria de operar, de fazer as coisas acontecerem, de fazer a máquina andar, é público e notório que esse problema não acontece só na prefeitura do Recife, não. Acontece no plano nacional.

Quer dizer que não é falha do prefeito, nem que a equipe dele é falha?

A tradução é essa. Eu não gosto de dizer se é fraco ou se é forte, se é preparado ou se não é. Examino pelos efeitos, pelos resultados. O prefeito não tem visão estratégica da gestão urbana e a equipe opera com deficiência a máquina gerencial. Porque o cara pode até ser muito preparado, se é um grande professor, mas um péssimo gestor.

Engraçado, porque a história do Recife nunca viu um prefeito com tanta baixa popularidade....

Era de se esperar que o terceiro ano, que é o ano da colheita, mais do que o quarto ano, que também é um ano de colheita, ele estivesse mal. Mas isso também não significa que ele não seja competitivo. Mais uma vez, atenção, analistas de dados de pesquisas: isso não significa que o PT esteja fora da disputa. Nós estamos tratando de um candidato forte. O prefeito é fraco, administrativamente, mas é um candidato forte, competitivo, politicamente.

O senhor já foi prefeito. Recife é uma cidade difícil de administrar?

É difícil. Muito difícil. Vou explicar. O espaço urbano, que contém o fenômeno urbano brasileiro, tem proporções gigantescas. Traz, no seu bojo, todos os efeitos dramáticos de uma distorção em matéria da relação campo-cidade, do crescimento urbano. Então, administrar uma cidade muitas vezes 'e correr atrás de efeitos que as causas estão fora do alcance. Então, é muito difícil qualquer gestão urbana numa capital brasileira. O que é que acontece com a gestão na prefeitura? O que acontece é que alguns serviços que são prestados a gestão urbana tem uma visibilidade diferenciada dos outros espaços de poder. O espaço de poder estadual, este é mais desgastante, porque estão atrelados a ele na percepção da população serviços como segurança, educação e saúde. Estou dando o exemplo de três que estão muito desgastantes. No caso da prefeitura, você tem hoje o desemprego, que está mais atrelado a responsabilidade do governo estadual e mais ainda do governo federal do que ao prefeito. A gestões urbanas têm mais visibilidade e alguns serviços que dizem respeito ao seu cotidiano. A população é mais indulgente, mais generosa com os prefeitos do que com os administradores dos outros espaços, como é o caso do administrador do governo estadual.

Recife é uma cidade cruel?

Olhe, essa adjetivação de Agamenon tem um certo sentido histórico. Ele traduzia uma bela vocação do Recife, que é a vocação irredenta, não é oposicionista apenas, é irredenta; não é de esquerda, não é de direita, é vocação irredenta. Essa coisa da noiva das revoluções, de uma cidade e um estado onde foram gestados os movimentos Libertários, onde você teve o maior abolicionista, onde você teve os maiores sindicalistas, onde você inaugurou no Brasil os movimentos sociais de bairro, as comunidades de base, onde você teve um duelo ideológico de uma esquerda orgânica; onde, mais atrás, você teve revoluções liberais. Figuras como Frei Caneca, figuras de 1817. Esse povo todo dá ao Recife uma feição irredenta. A percepção ali, menos do que visão histórica era uma percepção pessoal. Recife não respondia a quem estava no poder eleitoralmente como ele queria, então ele criou a frase. Recife é uma cidade cruel? Para ele, naquele momento, para aqueles que estavam no poder naquele momento. Pergunte a Jarbas se Recife é uma cidade cruel. Pergunte a Joaquim. Pergunte a Roberto. Roberto também não acha isso. Então eu acho que ali existe uma forte decepção por conta de situação contingencial, meramente contingencial. Recife, cidade rebelde e irredenta, por todas as razões históricas não respondia a Agamenon - que era um estadista, mas que tinha um espírito fortemente autoritário. Homem público da melhor qualidade, mas ele não deixou passar em branco essa resposta. Se Recife não lhe deu uma resposta eleitoral, Agamenon lhe deu essa resposta cunhando essa frase.

Qual a sua percepção em relação ao eleitor?

Além da percepção que habilmente o prefeito provocou no contexto entre o candidato João Paulo e o prefeito Roberto Magalhães, outros fatores serviram para aprofundar essa percepção. Foi a ideologização da campanha, colocando de um lado os conservadores, ou os representantes de uma direita conservadora, do outro uma esquerda progressista. De um lado candidato dos ricos, do outro lado do candidato dos pobres, que vinha como veio, de uma origem humilde, uma profunda identidade com os mais pobres. Então, esse foi um fator que contribuiu para a derrota eleitoral, que foi o grande cabo eleitoral. Ainda por cima da derrota eleitoral, uma derrota política, que foi a de grudar, colar na imagem do conjunto de forças que apoiou Roberto Magalhães bandeiras retrógradas, no fundo, Recife reviveu a polarização dois anos 60,70, 80, e foi a polarização ideológica esquerda-direita, conservador-progressista.

O pleito de 2000 entrou para a história de Recife?

 As eleições, de modo geral, todas elas, têm um certo conteúdo inovador e uma certa contribuição para história. Agora, claro, que nessa eleição e não adianta tapar o sol com a peneira, nem querer mascarar nada, mas, no fundo, o candidato de origem operária, humilde, chegou ao poder e o seu conjunto de forças derrotou a mais forte aliança que Pernambuco já fez do ponto de vista político e eleitoral. Então, essa eleição tem esse forte conteúdo e a marca na sua história política. Uma aliança que vinha de 96 e 98. Então, não há dúvida nenhuma. Esse registro tem que ser feito por uma questão de amor à história. Independente de qualquer posição em que o analista se encontre.


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ALEPE

14/04


2021

Covid-19 vitima publicitário Einhart Jácome

Conhecido pela atuação em diversas campanhas eleitorais, o publicitário Einhart Jácome morreu, hoje, em decorrência da Covid-19. A causa da morte foi confirmada pela própria família.

Jácome foi o marqueteiro responsável pela campanha eleitoral vitoriosa de Jasso Jereissati ao Governo do Ceará em 1986. Ele também integrou campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e de Ciro Gomes, seu cunhado, nas campanhas da Prefeitura de Fortaleza, governador do Ceará e para presidente, em 2002.

No ano passado, Einhart Jácome tocou a campanha de Vitor Valim à Prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O publicitário deixa três filhos: Clara, de seu primeiro casamento, e os gêmeos Marina e Vicente, frutos do casamento com Lia Ferreira Gomes, irmã de Cid, Ivo e Ciro Gomes.


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Bandeirantes 2021

14/04


2021

Queiroga anuncia antecipação de 2 mi de doses da Pfizer

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse, hoje, que o governo vai antecipar o recebimento de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 até o mês de junho, totalizando 15,5 milhões de doses do imunizante. O anúncio foi feito durante entrevista após a segunda reunião do comitê para o enfrentamento da pandemia.

"Trago para o senhores uma boa notícia: a antecipação de doses da vacina da Pfizer, fruto de ação direta do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o principal executivo da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões da Pfizer já no mês de abril, maio  junho. Ou seja, conseguimos antecipar, no calendário anteriormente previsto, das 100 milhões de doses, 2 milhões de doses da vacina da Pfizer que vai fortalecer nosso calendário de vacinação", declarou."

Antes, o governo federal tinha estimado que receberia até 13,5 milhões de doses do imunizante da Pfizer até junho.


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14/04


2021

Premiê francês é aplaudido ao criticar Brasil por cloroquina

Do Poder 360

O primeiro-ministro da França, Jean Castex, mencionou o Brasil em discurso realizado, ontem, no parlamento do país. O premiê disse que o Brasil, por recomendação do presidente Jair Bolsonaro, prescreve hidroxicloroquina como tratamento da covid-19 –algo que a França não fez. Os presentes na sessão riem da fala de Castex e o aplaudem.

O medicamento não tem eficiência cientificamente comprovada contra a doença. A declaração foi feita por Castex ao responder a um deputado que questionou as decisões do governo francês em relação ao combate à covid-19 e medidas para proteger os cidadãos do país.

“Me perdoem por lhes dizer, senhores. Os senhores estão distorcendo um pouco a realidade ao sugerir que nada foi feito. Isso está errado, está completamente errado. Uma coisa que não fizemos foi seguir as recomendações dele [do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro]”, falou Castex.

“O presidente da República [do Brasil] em 2020 aconselhou a prescrição de hidroxicloroquina”, disse o primeiro-ministro, fazendo com que os presentes rissem e aplaudissem. “E gostaria de lembrar que o Brasil é o país que mais prescreveu [o medicamento]”.

O premiê afirmou que a situação do Brasil é grave e que a variante P.1 do coronavírus, originada em Manaus (AM) “apresenta dificuldades reais”. Por isso, o governo francês decidiu suspender por tempo indeterminado os voos entre Brasil e França.

“É perfeitamente incorreto dizer que ficamos sem agir. No entanto, estamos vendo que a situação está piorando e por isso decidimos suspender todos os voos entre o Brasil e a França até novo aviso”, declarou Castex.

O veto a viagens entre os 2 países era um pedido de autoridades de saúde da França. Epidemiologistas e médicos dizem que é preciso evitar que a P.1 se espalhe pelo país. Há indícios que a variante seja mais transmissível e mais letal que a cepa original do coronavírus Sars-CoV-2.

Antes do veto, viajantes brasileiros já tinham restrições para entrar na França. Os turistas precisavam fazer teste de covid-19 antes de embarcar e ao chegar em território francês. Também podia ser exigido que ficassem de quarentena por pelo menos 10 dias.

Agora, nenhum viajante pode entrar na França se tiver passado pelo Brasil. Os franceses também não podem viajar em voos diretos para o Brasil.


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Serra Talhada 2021

14/04


2021

Carta a um amigo tão distante, tão perto...

Por Paulo Cunha*

Caro Geneton,

Nesta sexta-feira, dia 16 de abril de 2021, às seis da noite, ainda no meio de uma pavorosa pandemia, vou participar de um evento que você não conheceu: uma live, como passamos a chamar esses encontros virtuais que procuram substituir os acontecimentos presenciais. Sinto uma falta enorme de poder tomar um café com você e brincar com essa situação maluca em que nos metemos. Mas tenho um bom motivo, meu velho amigo: essa live vai marcar o lançamento de uma coletânea de textos que você escreveu sobre o cinema experimental dos anos 1970. Na verdade, o e-book (pois é, outra novidade hoje incontornável…) resgata parte da sua memória da sua produção em Super-8, que eu sempre achei uma das mais criativas experiências de cinema produzidas no Brasil. Me perdoe, mas usei sem pedir licença um título que achei em dois cadernos escolares que você rabiscou entre 1977 e 1982: Expedições à Noite Morena. E acrescentei um subtítulo longo, como você gostava: Em defesa de um cinema vadio [Fazer Super-8 no Brasil dos anos 1970].

Tive ideia de reunir essas lembranças suas quando escrevia, com Ana Farache, a sua biografia, publicada pela Cepe com o título de Viver de ver o verde mar - outra vez uma ideia sua que recuperamos. Esse verso lindo - que deixa preocupados os repórteres de TV quando têm de falar o nome do livro - é a sua cara e é igualmente a cara de toda a nossa geração. É para reviver a memória desse tempo que Expedições à Noite Morena também nasceu. Dessa vez, só fiz uma pequena introdução, para situar a ideia da publicação. O resto dos textos é de sua autoria: trechos mais íntimos, dos dois cadernos, que permitem acompanhar a maneira como a geração do Super-8 foi percebendo a importância da expressão cinematográfica, e textos que foram escritos e publicados em jornais, mas que nunca tinham sido reunidos. 

O fato de ver o tempo passar, com a idade, nos levava a considerar que a garotada de hoje viajava muito quando tentava entender o que foi fazer cinema no Recife, nos anos 1970, no auge da ditadura militar. De repente, estavam transformando nosso grupo num tipo novo de ex-combatentes…. Foi para ajudar a compreensão desse período e dessa produção que resolvi organizar o seu livro. 

Penso que, se eu fosse pedir a você para editar Expedições à Noite Morena, a sua resposta seria: “Deixa disso, cara. Não inventa. Esses textos não têm tanta importância assim”. De novo, eu lhe diria: você está enganado, Geneton. Eles são importantes demais, na medida em que jogam luz na escuridão. E tem mais, aproveitei para encher o livro com um material iconográfico fantástico: a reprodução de trechos dos cadernos e de reportagens, além de muitas fotografias do período.  

O livro ficou quase um álbum de recordações de um momento do cinema feito em Pernambuco, que oscilava entre a ingenuidade e a ousadia total. O que você escreveu, velho amigo, também vai ajudar pesquisadores do cinema brasileiro, na medida em que traz a gênese de muitos dos seus belos filmes. Estão no e-book, por exemplo, os primeiros rascunhos de roteiros e poemas que seriam utilizados posteriormente nos curtas, assim como a motivação de cada um deles no instante em que foram concebidos. Espero que o e-book continue defendendo o que queríamos desde aqueles tempos: um cinema mais impactante e mais simples, longe das superproduções que passaram a ser realizadas após a retomada, e que pudesse encher de sonhos e energia a cabeça da garotada que está se lançando hoje no audiovisual.

Um grande abraço!

*Jornalista, professor aposentado da UFPE e cineasta, que se dedica a qualificar o cinema feito em Pernambuco.


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14/04


2021

Senado prorroga situação de emergência na saúde

O Senado aprovou, ontem, um Projeto de Lei (PL) que prorroga a situação de emergência da saúde pública no país devido ao novo coronavírus até o fim de 2021. A lei original, 13.979/2020, perdeu sua validade em 31 de dezembro de 2020 e a lei votada hoje traz seu teor novamente à validade. O PL será agora analisado pela Câmara dos Deputados. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com a Lei 13.979/2020, gestores estaduais e municipais puderam adotar medidas sanitárias extraordinárias e simplificar o regime público de aquisições e contratações destinados ao enfrentamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A compra simplificada de máscaras, luvas, vacinas e insumos está no escopo da lei, que estava vinculada ao decreto que reconheceu o estado de calamidade no país. O decreto também perdeu a validade em 31 de dezembro.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

14/04


2021

Deputado federal Schiavinato morre de covid-19

O deputado federal José Carlos Schiavinato (Progressistas-PR) morreu ontem, aos 66 anos, vítima de complicações causadas pela covid-19. A informação foi confirmada pelo perfil oficial do parlamentar no Facebook. Schiavinato é o primeiro deputado federal em exercício que morre em decorrência da doença.

"Esperávamos um milagre. E ele não veio. Ou aconteceu de uma forma que agora não sabemos compreender. José Carlos Schiavinato acabou de falecer na noite dessa terça-feira, 13 de abril. Pedimos a todos que se unam em uma grande oração para um dos homens que mais fez por Toledo e pela região", escreveu o perfil.

Schiavinato havia dado entrada no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, no dia 3 de março. Uma semana depois foi transferido para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sedado e com ventilação mecânica.

Enquanto esteve internado, a mulher dele, Marlene Schiavinato, morreu no dia 12 de março, em Brasília. Ela enfrentava um câncer há cerca de três anos e, segundo a assessoria, Marlene morreu "devido a complicações da doença" que se agravou muito depois de contrair a covid-19. Devido a sua internação, o político não soube da morte da mulher. Schiavinato e Marlene deixam dois filhos e seis netos.

Schiavinato estava em seu primeiro mandato como deputado federal, embora já tivesse mais de 35 anos de vida pública. Engenheiro Civil, formado pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), Schiavinato também foi deputado estadual do Paraná (2015-2018) e prefeito de Toledo (PR) por dois mandatos (2005-2012).

Ele era membro titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e foi integrante da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A defesa do setor produtivo do Brasil estava entre uma de suas principais bandeiras.

*Com informações do UOL


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14/04


2021

Coluna da quarta-feira

Ladrões também na CPI

A CPI da Pandemia, oficializada na tarde de ontem, pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), teve a sua proposta ampliada e poderá apurar eventuais irregularidades em estados e municípios, atendendo ao senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que pretendia criar uma outra CPI para investigar governadores e prefeitos ou ampliar o alcance da CPI proposta por Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Imposta pelo Supremo numa ação desmoralizadora para o Congresso, a CPI agora está unificada e a investigação de estados e municípios está limitada somente "à fiscalização dos recursos da União repassados aos demais entes federados para as ações de prevenção e combate à pandemia da Covid-19". Essa ampliação do alcance da CPI era defendida por parlamentares governistas e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Nunca se roubou tanto nesse País de quinta categoria! Engessado pelo Supremo, que deu autonomia aos Estados e Municípios na gestão da pandemia, Bolsonaro abriu as torneiras dos cofres federais sem distinção. Municípios de menos de 20 mil habitantes chegaram a embolsar R$ 3 milhões, valor bem acima do repasse institucional mensal do FPM. Após o socorro financeiro bilionário da União, as finanças públicas estaduais e municipais fecharam o ano de 2020 praticamente ilesas à pandemia de Covid-19.

Enquanto o governo federal teve um rombo histórico e viu a dívida pública aumentar, governadores e prefeitos registraram a maior disponibilidade de caixa dos últimos 20 anos e encerraram o ano no azul, no melhor resultado primário desde 1991. O conjunto dos Estados e Municípios teve um superávit primário de R$ 38,75 bilhões no ano passado, de acordo com dados do Banco Central. Esse é o montante em que as receitas superaram as despesas. O resultado do ano passado também foi mais que o dobro do registrado em 2019, quando as contas dos governos locais ficaram no azul em R$ 15,2 bilhões.

A conta da Covid-19 sobrou toda para a União. O governo federal teve um rombo de R$ 743,1 bilhões no ano passado, incluindo as despesas extras para combater os efeitos da pandemia na saúde e na economia. Somente com o socorro extra, a União repassou R$ 60 bilhões a estados e municípios, em quatro parcelas pagas entre junho a setembro. Foram R$ 10 bilhões destinados a ações de saúde e assistência social, sendo R$ 7 bilhões a governadores e R$ 3 bilhões a prefeitos.

Os R$ 50 bilhões tiveram aplicação livre, sendo R$ 30 bilhões para os estados e R$ 20 bilhões para os municípios. E as excelências – governadores e prefeitos – usaram essa dinheirama para salvar a vida dos mais de 350 mil brasileiros contaminados? Claro que não. Roubaram descaradamente. Com a ampliação das investigações, veremos se de fato a Justiça culpará os verdadeiros genocidas da pandemia.

Dívidas suspensas – A União também suspendeu o pagamento de dívidas dos governos locais. Com isso, prefeitos e governadores tiveram uma folga de R$ 65 bilhões, totalizando a ajuda extra do governo federal aos governos locais em R$ 125 bilhões. O Executivo realizou, ainda, as transferências constitucionais previstas em lei, liberando R$ 16 bilhões para os fundos de participação dos estados (FPE) e municípios (FPM). Com o pacote de ajuda, os estados e municípios terminaram o ano com dinheiro em caixa. Segundo dados do Tesouro Nacional, os governos locais tinham R$ 82,8 bilhões sobrando nos cofres públicos.

Pipoco nas contas – Em contrapartida, a dívida pública do setor público aumentou após os gastos extras para ajudar governos locais, pessoas e empresas durante a pandemia ela atingiu R$ 6,615 trilhões em 2020, o equivalente a 89,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Foi uma alta de 15 pontos percentuais. Em 2019, a dívida estava em 74,3%. O resultado de 2020 foi o maior de toda a série histórica do Banco Central, que começa em 2006.

R$ 43 bi em 6 meses – Nos últimos seis meses, desde o início da pandemia causada pelo coronavírus no Brasil, o governo federal repassou cerca de 43 bilhões de reais aos mais de 5.500 municípios do país como recursos extraordinários sob a justificativa de fortalecer o atendimento de saúde pública na ponta, os postos de saúde, administrados pelas prefeituras. O valor equivale a um terço de todo o orçamento previsto para a Saúde no país em 2020 (125 bilhões de reais) ou quase dois terços da totalidade da estimativa de custos para a cidade de São Paulo no ano (68,9 bilhões de reais).

Quem mais levou – Segundo levantamento realizado com base em dados divulgados pela Câmara dos Deputados, as capitais do País lideraram o ranking de recebimento de verbas emergenciais, sendo São Paulo (1,7 bilhão de reais), Rio de Janeiro (821 milhões de reais), Belo Horizonte (667 milhões de reais), Fortaleza (470 milhões de reais), Curitiba (450 milhões de reais), Salvador (437 milhões de reais) e Porto Alegre (409 milhões de reais) as que ocupam os primeiros lugares da lista. Faixa populacional e valores gastos com saúde pública nos anos anteriores foram os critérios definidos para estabelecer os valores dos repasses aos municípios.

Emendas individuais – Outra fonte de recurso aos municípios foi a liberação do governo para que parlamentares alterassem o destino das emendas parlamentares individuais e de bancada previamente aprovadas pelo orçamento para direcionar os recursos para o combate à pandemia. O parlamentar que, segundo dados disponibilizados pela Câmara dos Deputados, mais disponibilizou recursos de emendas individuais para a Covid-19 foi o deputado federal Dr. Jaziel (PL-CE), aliado do presidente Jair Bolsonaro, que destinou R$ 12,2 milhões às suas bases.

CURTAS

R$ 42 BI PARA PE – No caso de Pernambuco, o Estado recebeu da União R$ 42,7 bilhões, sendo R$ 17 bilhões na rubrica “Benefícios ao Cidadão”, R$ 19,5 bilhões para o Estado e seis municípios, R$ 4,8 bilhões exclusivos para tratamento da Covid-19 e ainda R$ 1,4 bilhão da suspensão da dívida com a União. No total para os Estados, o presidente Bolsonaro remeteu R$ 420 bilhões.

INDICAÇÕES – Os blocos partidários já têm 8 dos 11 nomes para serem titulares da CPI da Covid-19 no Senado. As escolhas ainda não são definitivas porque podem mudar até a oficialização da indicação. A divisão de cadeiras dos 11 titulares e sete suplentes é feita, tradicionalmente, baseada no tamanho dos blocos partidários que existem na Casa. Para que isso seja alterado dessa vez e outro método de distribuição seja usado, seria preciso um amplo acordo entre os senadores.

Perguntar não ofende: Não é vergonhoso o Congresso viver a reboque do Supremo Tribunal Federal?


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Comentários

marcos

Estado Terminal A corrupção é algo inerente ao ser humano, mas alguns países conseguem mantê-la dentro de patamares que não prejudicam tanto a qualidade de vida dos seus cidadãos. Como numa doença, há outros países, como o Brasil, que parecem está em estado terminal, ou seja, o país caminha para o caos social, para sua morte como nação, tamanha a desonestidade de muitos dos seus integrantes. Quando enganar o outro, roubar, levar vantagem de qualquer forma, passa a ser uma atitude recorrente, nada funciona adequadamente. Nunca haverá um modelo de gestão que possa reverter o nosso atual quadro social dentro deste contexto. Afinal, os recursos jamais serão suficientes, na mão daqueles que só pensam em roubar. Neste momento de pandemia fica mais evidente o quanto nossa situação é difícil. Nem vendo a população sobre ameaça de morte, nada muda. Todos os países do mundo estão sob ameaça da COVID19, mas nós brasileiros estamos em maior risco por sermos também vítimas do COVIDÃO, talvez o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. A sociedade deveria exigir que a CPI da COVID19, investigasse todos os envolvidos, todos, e que os culpados fossem punidos de forma exemplar. Quem sabe assim não vacinaríamos toda a sociedade brasileira deste mal maior que nos afligir há 521 anos. O corrupto é um vírus muito mais devastador do que qualquer outro que nos ameaçou ou possa vir a nos ameaçar. Se você ficar em casa, calado, omisso, achando que não tem nada a ver com isto, as consequências dele chegará até você, atacará impiedosamente, a sua renda, a sua aposentadoria, suas reservas, seu patrimônio, a sua geladeira, sua farmácia, sua segurança, sua água, sua energia elétrica. Você passará a ser um cidadão em estado terminal. Eugenio Marinho

Fernandes

Ciro Gomes, sobre família Bolsonaro: “Se gritar pega ladrão, não fica um” Ciro Gomes voltou a chamar Jair Bolsonaro de ladrão . No Twitter, o pedetista compartilhou uma reportagem da Folha sobre as investigações que miram os quatro filhos do presidente, e escreveu: “‘Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão’. O chefe da quadrilha é o pai, Jair Bolsonaro!”

Fernandes

O brasileiro é esse povo que passou 500 anos tratados como escravo e depois de 12 anos de alforria foi às ruas pedir para voltar para senzala.

Fernandes

Só lembrando. Dilma caiu por ser honesta. Bolsonaro fica porque é corrupto. Corruptos gostam de corruptos.

Fernandes

Bom Dia, sobreviventes do desgoverno bolsonarista. Manter a esperança na retomada da democracia é um ato de resistência. Esquerda Segue Esquerda.



13/04


2021

Editorial analisa criação da CPI da Pandemia

No Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o meu editorial foi sobre a criação da CPI da Pandemia, oficializada hoje pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM). Vale a pena conferir!

O Frente a Frente tem como cabeça de rede a Rádio Hits 103,1 FM, em Jaboatão dos Guararapes.


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Comentários

Wellington Antunes

Magno, por que vc fica a distorcer as coisas dizendo aos seus ouvintes que a CPI foi imposta pelo STF? Você sabe e até as antigas estradas de Afogados da Ingazeira também sabem que o que o STF fez foi apenas atender ao que foi provocado por dois senadores, ou seja, a emitir um Parecer sobre a instalação dessa CPI, pois o Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, estava sentado em cima dela e que há muito já havia extrapolado o prazo da instalação. Magno, eu sei que vc sabe que o STF nada impôs, e que o ministro Barroso apenas reconheceu o direito da minoria e determinou a instalação. Parei de ouvir esse frente a frente logo no começo, pois não tolero a distorção da verdade dos fatos e mesmo sem ouvir o restante desse frente a frente, acredito que outras distorções vieram.