Ipojuca 2021 IPTU

12/04


2021

Wilson fala em armação e diz que Magalhães o temia

Considerado pela aliança governista como o mais temido adversário, pelo fato de, dois anos antes, ter sido eleito senador na condição de candidato terceira via, Carlos Wilson foi nocauteado quando começou a crescer nas pesquisas. Acusado de dar um calote de R$ 120 mil numa produtora na campanha anterior, Cali, como era mais conhecido o candidato trabalhista, foi passado por João Paulo (PT), que acabou, no segundo turno, derrotando Roberto Magalhães.

Magalhães tinha, entretanto, calafrios quando alertavam que Cali poderia ser o seu adversário na disputa final, tudo porque a campanha dele foi embalada por um personagem, criado pelos marqueteiros Marcelo Teixeira e José Nivaldo Júnior, Mané da China, que infernizou a vida do prefeito debochando das suas obras e do seu programa de governo na propaganda eleitoral. O prefeito temia perder o humor diante de Cali e por isso não foi a nenhum debate nem no rádio nem na TV.

Nesta entrevista inédita para o livro A derrota não anunciada, lançado em 2004, que este blog vem reproduzindo capítulo por capítulo, o senador faz desabafos e diz que foi vítima de uma grande armação. Confira!

“Fui vítima de uma grande farsa”

Capitulo 16

Ninguém saiu mais magoado da campanha de 2000 do que o então senador Carlos Wilson, que disputou a Prefeitura do Recife pelo PPS, numa aliança com o PSB, de Miguel Arraes, tendo como vice o hoje presidente da Chesf, Dilton da Conti. Ele imaginava que tinha todas as condições de ser o adversário de Roberto Magalhães, num eventual segundo turno, porque achava que somava mais do que João Paulo pelo fato de ter sido governador e emplacado uma vitória para o Senado que muitos julgavam impossível.

Carlos Wilson era o adversário mais temido de Magalhães. Estava inserido na disputa do mesmo segmento eleitoral pefelista e sabia, mais do que ninguém, tirar o adversário do sério, como fez ao criar a figura do Mané da China, explorada no seu programa eleitoral. Magalhães, segundo o cientista Antônio Lavareda, deixou de comparecer aos debates para não ter que ficar diante de Wilson.

Ele temia, segundo confessou Lavareda, não resistir às provocações do candidato do PPS. Mas, de tanto provocar e debochar de Magalhães, Wilson acabou levando uma pauleira que o tirou, definitivamente, da corrida sucessória. No momento em que crescia nas pesquisas, ameaçando tirar de João Paulo o segundo lugar, foi nocauteado com a denúncia de um calote na campanha de governador que havia disputado, dois anos antes, no valor de R$ 120 mil.

Quatro anos depois, ele se diz vítima de uma grande armação, de uma grande farsa. Afirma que o débito não lhe pertencia, mas sim ao PSDB, partido pelo qual disputou o Governo do Estado, em 1998. O golpe transformou Carlos Wilson numa pessoa amargurada e revoltada, porque, segundo confessa neste depoimento, seu maior sonho é governar a Cidade do Recife. “As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo alvo de uma grande baixaria. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000”, desabafa.

No segundo turno, o eleitorado de Carlos Wilson votou maciçamente em João Paulo, conforme atestam as pesquisas. Ele teve um papel importante na campanha do petista, mas João Paulo não quis herdar o deboche do Mané da China. A herança se deu em outro campo, entre assessores de Wilson. João Braga, um dos coordenadores da campanha do PPS, foi convocado para se engajar na campanha e acabou sendo um dos orientadores do hoje prefeito nas discussões preparatórias para os debates na televisão.

O convite para assumir a Infraero, feito pelo presidente Lula, dois anos depois da derrota, serviu como marco divisório na trajetória de Carlos Wilson. Hoje, ele confessa que já conseguiu superar o trauma e foi contaminado pelo espírito Lulinha paz e amor, do então candidato Lula, na campanha presidencial.

Conversei com Carlos Wilson em Brasília, no restaurante do Blue Tree Park, hotel preferido dos figurões da República Petista. Havia chegado da sua caminhada matinal pelo Lago Paranoá. Colhi seu depoimento no dia em que a corte fervia com as notícias da primeira reforma do Ministério de Lula, com a confirmação, aliás, de mais um nordestino para a sua equipe – o pernambucano Eduardo Campos, neto de Arraes e no segundo mandato de deputado federal.

Como o senhor avalia a eleição de 200 na visão de hoje?

            Aquela eleição foi a que mais me machucou. Foi a eleição mais difícil que eu tive em toda a minha vida. Eu entrei convencido que poderia ganhar. As pesquisas mostravam que eu tinha condições de ganhar, mas acabei sendo o alvo do meu principal adversário, que era Roberto Magalhães, e a aliança que o apoiava. Foi uma eleição com um baixo nível nunca visto na história do Recife. Com quase 30 anos de vida pública, nada me marcou mais do que a eleição de 2000.

Para o senhor, quem era o cabeça dessa baixaria?

            O pessoal que organizava o marketing, a propaganda da campanha de Roberto Magalhães. Lavareda, o coordenador era Lavareda. Agora, com isso, não estou criticando, pessoalmente, ninguém, nem tampouco ele.

O senhor tem uma desavença histórica com ele e até processos na justiça. Não é isso?

            Eu procuro enterrar tudo que é desavença. Não sou uma pessoa de guardar mágoas, inclusive hoje já falo com Lavareda e ele comigo. Eu não sou amigo dele, nunca vou ser amigo dele. Nossa convivência é assim: ele fica na dele e eu na minha.

Chegaram a fazer as pazes e arquivaram também os processos que corriam na justiça de um contra o outro?

            Os processos, a Justiça arquivou ainda quando eu era senador.

Que acordo vocês fizeram?

            Não fiz acordo nenhum. Apenas um amigo marcou um jantar e nós conversamos aqui em Brasília, até tarde, há pouco mais de dois meses.

Posso saber quem fez essa intermediação?

            Foi um amigo comum, o jornalista Antônio Martins, pernambucano, que mora há muito tempo aqui em Brasília.

Foi um encontro tenso?

            No começo, sim. Ficamos um pouco sem jeito, parecia um ambiente carregado, mas depois relaxamos e tudo acabou muito bem.

Qual a razão de tanta baixaria? Eles achavam que o senhor era o adversário em potencial do doutor Roberto, no segundo turno?

            Eles tinham certeza que era o principal adversário, tanto que o governador Jarbas Vasconcelos, numa entrevista ao Diario de Pernambuco, dois meses após a campanha, afirma que quando sentiu, através de pesquisas, que quem poderia ir para o segundo turno com Roberto Magalhães seria eu, o guia de Magalhães forjou um programa eleitoral me atacando de caloteiro, onde diziam que eu tinha ficado devendo na campanha de 98, como se dívida de campanha fosse algum pecado.

Por que forjado se havia uma denúncia?

            Digo forjado porque qual é o partido que não sai de uma campanha devendo? A dívida não era minha, era do partido. Então, foi tudo muito forjado. Foi um ataque muito baixo. Agora, eu tenho também a convicção de que cumpri um papel. Eu não ganhei a eleição, mas cumpri um papel, que foi decisivo para a vitória de João Paulo.

Como assim?

            Eu tive em torno de 12% dos votos no primeiro turno e quase 100% desse meu eleitorado votou em João Paulo, no segundo turno. Isso é uma transferência de voto bastante significativa, diante de uma vitória apertada. João Paulo venceu com uma frente de menos de 1%. Também tivemos uma postura muito dura em relação a administração de Roberto Magalhães, que contribuiu para desequilibrá-lo.

Isso também foi apontado por eles como baixaria?

            Nossas críticas não desceram ao campo pessoal, como eles fizeram comigo. O que exploramos foi a figura extremamente temperamental de Roberto Magalhães, que todo mundo conhece. Isso ficou comprovado com aquele gesto na praia de Boa Viagem, quando reagiu à nossa militância dando bananas.

Mas, o forte do guia do senhor foi o Mané da China…

            O Mané da China desestabilizava ele (Magalhães). Walmir Chagas e Aramis Trindade, atores brilhantes, inventaram um papel brilhante na campanha. Foi uma campanha diferente, onde a gente levava humor e fazia rir, porque Roberto Magalhães, que é uma pessoa multo mal-humorada, não aceitava esse tipo de campanha. E partiram para a reação. A reação foi uma baixaria. A reação foi me atacar, apontar coisas que eu nunca fiz.

O senhor pode dar um exemplo, fora a denúncia do calote?

            Montaram um programa de televisão onde aparecia uma senhora dizendo que estava quebrada, que havia perdido o emprego por minha causa. Quem me conhece sabe que não sou desse tipo, Na minha vida, só faço ajudar as pessoas. Jamais prejudicaria quem quer que seja, muito menos uma pessoa pobre como aquela que apareceu na televisão. Isso tudo foi dirigido para tentar reverter um quadro crescente, com a possibilidade de irmos para o segundo turno com Roberto Magalhães. Eu era um candidato que tiraria votos de Roberto Magalhães, porque atingia uma classe média, o eleitor que tinha medo de votar no PT, mas também não queria votar em Roberto Magalhães.

O próprio comando da campanha de Magalhães admite que ele temia enfrentar o senhor, principalmente nos debates de televisão, porque temia perder o controle. Não era isso?

            Nos debates que participei em televisão, eu sempre dizia assim, abrindo os debates: “Falta alguém aqui. Ele não veio, mas vou fazer tal pergunta para Roberto Magalhães”. E aquilo mexia muito com ele. Mas, quero deixar claro que não era nada contra Roberto Magalhães. Eu estava dentro de um projeto para 2002, que envolvia os partidos de oposição. Jarbas achava que tinha que me afastar da eleição. Minha vitória em 2000 poderia prejudicar o projeto dele de 2002. Diante disso, tive que enfrentar uma campanha muito, muito dura. Se, na minha vida, por algum momento fui marcado assim, de uma forma muito forte, de uma forma muito desagradável, foi na campanha de 2000.

Eu tenho informações de que o projeto da aliança oficial era reeleger Roberto Magalhães para, dois anos depois, ele sair candidato a governador e Jarbas a senador, abrindo para Sérgio Guerra a oportunidade de assumir a Prefeitura por dois anos…

            O projeto passava por aí. E Sérgio Guerra investiu muito nisso. Ele só foi  vice para assumir a Prefeitura no lugar de Roberto Magalhães. Como esse projeto foi frustrado pela vitória de João Paulo, Jarbas foi forçado a disputar a reeleição. Mas, todo mundo sabe, Jarbas não queria a reeleição.

Isso é um exemplo de que não se pode fazer projetos em política?

            Não, não. Tem gente que, agora, liga a eleição de prefeito de 2004 à eleição de 2006, para governador. Não tem nada a ver. João Paulo foi eleito o prefeito em 2002 e não conseguiu ajudar Humberto Costa a ser governador. Não conseguiu também transferir os votos que ele teve na Cidade do Recife para a chapa do PT. Cada eleição é uma eleição. Cada eleição tem a sua história.

Por que o “Mané Chinês”, que foi o principal personagem da campanha, caiu no gosto popular, mas não transferiu votos para o senhor?

            Não transferiu por isso, pelos ataques, pelas baixarias. Ele me ajudou muito, eu reconheço que ele me ajudou muito com esse novo estilo de fazer campanha. Agora, quando houve essa campanha muito dura em cima de mim, os votos migraram. A maioria dos meus votos migrou para João Paulo.

Foi graças ao sucesso do Man[e da China na TV que o senhor resolveu andar colado a ele na campanha?

            Ele me acompanhava para todos os eventos da campanha, praticamente todos. Era bastante solicitado. O sucesso do “Mané da China” foi tão grande que, na campanha mesmo, alguns candidatos a prefeito do interior me pediram para ele ser a atração dos comícios.

Tem gente que acha que o personagem foi tão forte que ficou maior que o candidato. Como o senhor avalia?

            Eu acho que não. Eu acho que não. Eu acho que ele teve esse papel importante, ele foi uma peça que criou um novo estilo de fazer campanha e eu acho que me ajudou muito. Me ajudou muito mesmo. Não tem esse negócio.

Lavareda, por exemplo, diz que o personagem ficou maior do que o candidato…

            Isso é disputa de marketing, de marqueteiro. “Mané Chinês” foi criação de José Nivaldo Júnior.

Como é que surgiu o personagem?

            Surgiu lá na Makplan.

Mas, partiu da sua cabeça também?

            Partiu da minha cabeça, juntamente com José Nivaldo. Foi numa conversa. Ele me mostrou uma campanha que tinha sido feita em Caruaru para João Lyra Neto, com muito sucesso. A gente procurou seguir este mesmo caminho, levando a campanha adiante. Foi uma campanha onde eu acho que o “Mané” teve uma grande importância.

O “Mané” custou caro?

            Não, não saiu caro não. Eles são muito corretos, são pessoas muito amigas. O “Mané” e o Aramis sempre militaram no campo da oposição. Eles trabalhavam lá, não foi caro não.

No depoimento de Roberto Magalhães, ele diz que ele se divertia com o “Mané Chinês”, que aquilo não mexia com ele. O senhor acredita nisso?

            De jeito nenhum. Tanto mexia que deu bananas lá em Boa Viagem. Distribuiu bananas lá na Avenida Boa Viagem. Todo mundo viu a banana de Roberto Magalhães. O difícil foi divulgar aquela banana. Na véspera da eleição, nós reproduzimos uma foto que saiu na Folha de Pernambuco, na primeira página, onde ele aparece dando a banana, e mandamos pregar na cidade inteira, Mas a equipe dele era tão grande, que a gente pregava essas fotografias às quatro da manhã e às cinco já estavam arrancadas dentro da cidade. Porque eles não queriam que essa foto aparecesse. Ele não podia dizer isso, que não se irritava, tem gente que participou da campanha que dizia que ele subia nas cadeiras quando aparecia o “Mané Chinês”.

Como é que vocês organizaram o fechamento da avenida Boa Viagem naquele dia em que ocorreu o episódio da banana?

            O Tribunal concedeu a autorização para que os dois candidatos, no caso eu  e o Roberto Magalhães, fizéssemos uma carreata no mesmo roteiro, na Avenida Boa Viagem. Então, saí mais cedo, a nossa carreata saiu mais cedo, e nós fizemos a carreata lentamente. Isso levou a congestionar o trânsito, e praticamente as duas carretadas ficaram coladas, uma com a outra.

Mas, o seu irmão, André Campos, assume que fechou a avenida com um caminhão…

            Quando chegamos na padaria Boa Viagem, paramos o caminhão, e eu subi no trio elétrico juntamente com Roberto Freire, André, Dilton Da Cont. cada um deu uma palavra de dois, três minutos. E aquilo irritou muito mais Roberto Magalhães.

O senhor chegou a vê-lo dando banas?

            Não, não cheguei a ver não, porque eu estava na frente. Eu estava lá na frente da carreata. Mas aquilo foi um momento de muito desequilíbrio dele.

O senhor acha que a Justiça Eleitoral beneficiou Roberto Magalhães, porque vocês não conseguiram colocar a banana no programa eleitoral?

            É difícil essa questão de Justiça Eleitoral, tem que ser repensada. A composição do Tribunal Eleitoral não pode ser uma composição política, em que qualquer governador interfere. A interferência é muito grande do governo. A justiça eleitoral não nos prejudicou apenas no episódio de Boa Viagem, mas ao longo de toda a campanha nos tirando do ar. No segundo turno, isso aconteceu também com João Paulo, que comeu o pão que o diabo amassou.

A justiça permitiu que eles colocassem o calote contra o senhor, mas não permitiram outro fato real, a banana. Não é isso?

            E depois tem o seguinte: eles passaram mais de 10 dias para me dar o direito de defesa. Então, aquela mentira se tornou verdade, num programa importante, como um programa de rádio e televisão. Depois, o programa de rádio também jogou pesado. Edvaldo Moraes comandava um programa de rádio muito duro em cima de mim. Foi uma campanha que, realmente, me machucou muito. Teve gente que disse que, depois daquela campanha eu fiquei uma pessoa mais amarga. Hoje, passou, passou, eu perdi a eleição também em 2002, sei também como perdi. Eu sei o que é o uso da máquina, hoje eu sei como usaram a máquina. Esse processo de reeleição é uma coisa complicada. Roberto Magalhães foi quem perdeu a eleição. Porque, como prefeito do Recife, ele, na cadeira do prefeito, se tivesse equilíbrio, não teria perdido aquela eleição.

Ele perdeu pelos erros que cometeu?

            Perdeu pelos erros dele.

Então, não foi João Paulo que ganhou a eleição, foi Roberto Magalhães que perdeu pelos erros dele?

            Roberto perdeu pelos erros dele. Esse papel que nós desempenhamos, de radicalizar a campanha, de brigar com ele, foi fundamental para transformar a eleição, que seria morna, numa eleição muito quente, envolvendo a população na campanha. Roberto Magalhães perdeu por muito pouco. Perdeu muito mais pelos erros que cometeu.

Mas Jarbas, quando tirou a gravata, simbolizando sua entrada na campanha, também não acabou sendo outro grande derrotado?

            Esse tipo de bravata o eleitor não gosta. Na hora que ele tira a gravata, o que é que está simbolizando? O uso da máquina. Ele não deixou de ser o governador porque tirou a gravata em seu comitê, para instigar a militância.

Ali, ele simbolizou…

            Ele simbolizou: “Olha, estou tirando a gravata e a máquina vai ser usada. Nós estamos aí na campanha e o importante é a eleição de Roberto Magalhães. Eu vou me empenhar”.

Então, o governador é um grande derrotado também.

            O palanque dele foi derrotado - Roberto Magalhães, Marco Maciel, Sérgio Guerra e ele, porque todos se empenharam muito. Sérgio Guerra foi vice de Roberto Magalhães. Tem gente também… Eu não estou dizendo por maldade não, mas tem gente que diz que Sérgio Guerra, como candidato a vice, não acrescentou nada a Roberto Magalhães, muito pelo contrário, pode ter tirado. Tinha gente que tinha essa visão porque, Roberto Magalhães, eleito prefeito, seria candidato a governador e Sérgio Guerra assumiria a prefeitura. Então setores do PFL ficaram insatisfeitos, preocupados com o possível projeto.

O próprio Roberto Magalhães, no seu depoimento diz que, quando perdeu Raul na vice, o PMDB cruzou os braços na campanha. Como analisa?

            Não sei se o PMDB cruzou os braços. Pelo que eu ouço hoje, não acrescentou muito a Roberto Magalhães não. Raul era muito mais cara do Recife. Acrescentaria muito mais por ser uma pessoa amena, por ser uma pessoa que não tem arestas.

Mas, vice é uma peça tão figurativa numa campanha, não aparece em televisão, não aparece em nada, não?

            Vice não dá votos, mas tira votos. Sérgio tirou votos, mas ganhou um prêmio compensador dois anos depois, quando Jarbas lançou ele como candidato a senador.

Mas ele tirou votos também pelo fato de não ter identidade com a cidade?

            Ele não teve a simpatia do PFL nem do PMDB também. Achavam que, ele sendo vice-prefeito, seria alimentado como uma liderança que estava fora do bloco majoritário. Mas ele, hoje, recuperou isso, porque ele se elegeu senador com o apoio de Jarbas. A eleição para o Senado ele tem que agradecer, exclusivamente, a Jarbas Vasconcelos.

Como o senhor analisa o fato de, dois anos depois, Jarbas, Roberto e Guerrra, derrotados em 2000, serem vitoriosos nas urnas?

            Cada eleição é uma eleição, cada eleição tem sua história. Ninguém pense que a eleição de 2004 vai ser decisiva. Ela é importante, mas não será decisiva para 2006. Tem muita estrada pela frente ainda.

Pela importância que o senhor teve na campanha, principalmente na transferência de votos no segundo turno, acha que foi bem tratado pelo prefeito João Paulo quando ele chegou ao poder?

            Não. Eu não fui bem tratado e isso não é questão pessoal. Eu acho que João Paulo não compôs a sua equipe na Prefeitura reconhecendo aqueles que participam do palanque dele no segundo turno. E aí, quando eu falo, estou falando com relação a todos os partidos que a ele se juntaram no segundo turno, como o PPS, PSB e PDT. Vicente André Gomes, do PDT, também teve uma participação importante.

No reduto de Casa Amarela, não é isso?

            Em Casa Amarela, sim. Para você ver, em Casa Amarela, no primeiro turno, João Paulo foi o quarto colocado, na sexta zona. O primeiro foi Roberto Magalhães, o segundo fui eu, o terceiro, Vicente e o quarto, João Paulo. No segundo turno, João Paulo foi o mais o votado na sexta zona. Então, veja que, aqueles eleitores que votaram em Carlos Wilson, que votaram em Vicente, foram todos para João Paulo. A composição que ele fez na Prefeitura, entretanto, não representou o esforço daqueles que se empenharam por ele.

O senhor atribui isso ao PT ou à visão de João Paulo, que seria estreita?

            Não, a culpa não é do PT. É a visão de João Paulo.

Que é estreita?

            Não digo que seja estreita. É o estilo dele. Ele gosta de armar uma equipe doméstica. Ele trouxe o pessoal do gabinete dele quando deputado para a Prefeitura. São pessoas a quem eu tenho o maior carinho, mas acho que ele deveria ter ampliado mais. Eu acho que ele vai ter algumas dificuldades. Terá que tentar compor com forças que são importantes para que ele possa disputar o mandato, que ele possa disputar a reeleição.

Eleito prefeito, o senhor faria o que ele está fazendo?

            Não. Eu vou dizer uma coisa a você: eu sou uma pessoa completamente feliz com minha carreira política, me orgulho muito dela. Mas, o grande sonho que eu tinha na minha vida não era mais voltar a ser governador – que eu já fui por 11 meses e 15 dias, quando deixei uma marca no Estado – mas ser prefeito do Recife. Eu acho que Recife merece um prefeito identificado com a cidade, um prefeito alegre, um prefeito que explore a cultura do Estado, um prefeito que possa fazer obras sociais da maior importância. É uma cidade bonita, mas é uma cidade muito degradada. Pelas favelas… Então, eu tenho ainda essa vontade de ser prefeito do Recife.

O senhor acha que ainda pode realizar esse sonho?

            Não, eu acho que o cavalo já passou. A carreira de Jarbas, ele agradeça a 1985, quando Miguel Arraes e Carlos Wilson, Fernando Lyra, Cristina, Oswaldo Lima, Egídio, todos do campo da esquerda, fizeram muita força para ele ganhar a eleição. A eleição de 1985 deu a cara política de Jarbas, um político identificado com o Recife. Tanto que o marketing dele, muito explorado, é: “Jarbas é a cara do Recife”. Porque ele é isso aí, competentemente eficiente. E levou o Recife a ser uma cidade divulgada, nacionalmente e internacionalmente, com eventos. Recife é uma cidade que se move com sua principal arrecadação. O Recife é uma cidade bonita. A praia de Boa Viagem tem que ser o cartão-postal, você tem que usar isso. Eu acho que Recife merecia ter um prefeito que tivesse a cara dela. Como Jarbas foi. Muito eficiente, o melhor prefeito.

O fato de Magalhães ter recebido uma votação estrondosa para deputado federal pode ser interpretado como uma espécie de remorso do eleitor pela sua derrota dois anos antes?

            Tinha muito isso, o eleitor hoje não vota, amanhã se arrepende porque não votou. Eu lembro que em 1986, quando fui vice-governador de Arraes, ninguém acreditava que Roberto Magalhães fosse perder a eleição para Antônio Farias e Mansueto, candidato da esquerda ao Senado. E perdeu. Aquela eleição mexeu muito com Roberto Magalhães, tornando ele pessoa nervosa e sem autocontrole.

Ele próprio é quem diz que a maior frustração foi a derrota para o Senado…

            Ele não contava com aquela derrota. Ele perdeu a eleição em 86, mas quatro anos depois foi candidato a deputado federal e teve uma votação estrondosa. E, agora, foi a mesma coisa. Ele perde a eleição de prefeito e tem, novamente, uma grande votação para deputado federal em Recife e área metropolitana. Você veja que a votação de Roberto Magalhães jamais se deu nos grandes centros eleitorais.

Quando o senhor diz que não faria o que João Paulo está fazendo, poderia enumerar quais são os principais erros dele?

            Não ter feito uma equipe ampla me parece o mais grave. Eu procurava não fechar domesticamente uma Prefeitura. Mas esse é o estilo dele. Ele acha que está dando certo, problema dele. Eu sou eleitor dele, vou votar nele, vou fazer a campanha dele, sou do PT hoje, e vou cumprir a orientação do partido de apoiar todos os candidatos do partido no Estado. Então é isso aí: no Recife ele é o meu candidato.

Aparentemente, Recife parece ser uma cidade fácil de administrar, porque não há antecedentes de prefeitos que se saíram tão mal...

            É uma cidade boa de administrar. Agamenon dizia que Recife era uma cidade cruel. Eu posso dizer que o Recife é uma cidade generosa. O recifense é assim: muito tolerante com seus governadores. Devia exigir mais. E ser prefeito do Recife, eu sei… É desejo de muitos, conquista de poucos. Recife é uma das cidades… Para mim, é uma das cidades mais bonitas – juntamente com o Rio de Janeiro – do Brasil. Então, o povo em que exigir mais. Você não pode ter uma cidade tão degradada na sua periferia como nós temos. Recife hoje tem mais de 500 favelas. Recife tem Brasília Teimosa, que é uma das áreas mais bonitas que nós temos, e só agora, depois que Lula se elegeu, é que nós vamos ter um projeto ali, um projeto para aquelas palafitas, que vai ser uma área bonita. Eu acho que essa obra, inclusive, é que pode ser decisiva para a reeleição de João Paulo. Porque ela vai ser uma obra que vai ter marca. Ela vai ser a marca de João Paulo. Ela vai ser importante.

O que o senhor mais gosta do Recife. Por esse amor que revela deve ser tudo, não?

            Eu gosto de curtir tudo no Recife. Eu gosto de ir para a rua, de andar no centro da cidade. Eu acho que aquele projeto de revitalização da Cidade, que foi iniciado com Gustavo Krause, Gilberto Marques Paulo, e que, competentemente, foi concluído por Jarbas, não poderia ter parado. Assim, a população reconhece em Jarbas como o arquiteto daquele projeto. Acho que ali é uma área para continuar a ser explorada. A orla de Boa Viagem, os morros de Recife, a cultura do morro, entende? O folclore, a tradição do Morro da Conceição. Tudo isso eu acho que a gente explora pouco. Veja Salvador. Tudo o que se faz ali, na Bahia, o País inteiro toma conhecimento. Que me perdoem os baianos, mas Recife tem muito mais o que mostrar do que Salvador.

Na Infraero é possível se fazer algo pelo Recife?

            Eu acho que, se eu não fui prefeito do Recife, pelo menos terei a consciência de que colaborei, agora no Governo do Lula, para concluir um projeto que é fundamental para Recife, para essa divulgação de Recife, que é o aeroporto. Tenho a certeza de que a eleição do presidente Lula foi muito, muito importante para que a gente concluísse esse projeto.

O aeroporto do Recife vai ficar assim, tão movimentado quanto o de Salvador? Com toda aquela integração?

            Vai ficar mais bonito e melhor. O aeroporto de Recife vai ser o mais bonito do Nordeste. O maior aeroshopping, maior do que o de Salvador, e nós vamos ter também… Antes de sair da Infraero, quero colocar em discussão um projeto para aproveitar a melhor área do antigo aeroporto. Na minha cabeça, penso que ali tem que se transformar em teatro, em cinema, numa área de lazer, porque Boa Viagem é o principal bairro da Cidade do Recife hoje, principalmente no aspecto populacional. E não tem o lazer como se faz necessário. O aeroporto fica situado numa área privilegiada. Essa área tem que ser mais bem explorada.

Na sua visão, João Braga, que foi vetado pelo PSDB, conseguiu transferir votos para o senhor?

            Braga trabalhou muito. Foi uma pessoa extremamente correta comigo. Fez campanha… Ajudou a Cidade do Recife. Mas essa questão de transferência de votos é muito difícil. Você recebe apoios, mas tem que conquistar o voto. Não é porque uma grande liderança lhe apoia que você vai se eleger. Os apoios são importantes, mas é você próprio que tem que ter a capacidade de conquistar os votos daquela liderança. Veja o sucesso que foi a administração de Jarbas. Braga foi um grande secretário, desde a primeira administração ele sempre esteve com Jarbas. Jarbas tem… Justiça de faça, ele se cerca bem, ele forma bem a equipe dele. E depois, Braga, por ter desempenhado esse papel importante na Prefeitura, se achou habilitado para disputar e foi triturado na sua pretensão. Como não conseguiu ser candidato, deu o seu apoio a mim, o que considero natural, já que havia apoiado ele em 96. Ele fez tudo para que eu pudesse me eleger prefeito em 2000.

Qual foi o papel que ele exerceu dentro do comitê?

            Não teve nenhum papel oficial assim. Ele andava, fazia as caminhadas comigo, discutia a estratégia, dava conselhos, enfim, participava de tudo um pouco.

Deu contribuições para o plano de governo também?

            Participou da elaboração do plano de governo. Se eu tivesse sido eleito, ele sabe que seria uma das forças mais importantes na minha administração. Fico feliz por vê-lo novamente voltando a colaborar agora por Pernambuco. Ocupando pastas relevantes no Governo de Jarbas Vasconcelos.

Das pessoas que conhecem bem o Recife, como o senhor, seria correto afirmar que acha que Braga é uma das pessoas que conhece bem o Recife?

            Braga, com absoluta certeza, conhece o Recife muito mais do que eu, muito mais do que a maioria daqueles que administraram a Cidade do Recife.

É verdade que, no segundo turno, ele foi um grande professor para orientar João Paulo nos debates?

            Ajudou também, inclusive acompanhou até nos estúdios de televisão. Por conta do primeiro turno ter sido tão radicalizado, tão duro entre eu e Roberto Magalhães, era ele quem acompanhava João Paulo. E quem acompanhava Roberto Magalhães era Gustavo Krause.

O senhor fez uma aliança com o PSB. O fato de Arraes na época está desgastado não acabou contribuindo para atrapalhar seus planos de chegar ao segundo turno?

            Isso foi muito usado na campanha, pelo pessoal de Jarbas, principalmente. Não quero falar do pessoal de Jarbas, para não ser injusto. Era, na verdade, o pessoal que trabalhava para Roberto Magalhães. Vincularam, novamente, Arraes e, consequentemente, meu palanque, ao escândalo dos precatórios. Mas, ficou muito claro que nunca tivemos nada, absolutamente nada em relação aos precatórios. Arraes era muito forte em algumas cidades do interior, os chamados grotões, mais  ele se desgastou muito no Governo, de 94 a 98. Agora, eu me orgulho muito de ter recebido o apoio dele, tenho um respeito muito grande pelo ex-governador Miguel Arraes, de quem eu me orgulho também de ter sido vice. O apoio dele, de Dilton, de Eduardo Campos, para mim não era apenas eleitoral. Aquilo que eu estava dizendo antes, você não recebe apenas o apoio eleitoral, você recebe também o apoio político e era muito Importante para mim receber e apoio de Arraes.

E de Roberto Freire?

            Roberto Freire também.

Mas, Freire tinha mais identificação com a cidade?

            Não, Roberto Freire não tem identificação com o Recife. Roberto Freire é um homem de esquerda, mas teve uma votação inexpressiva como candidato majoritário no Recife. Muito fraca, embora seja uma liderança nacional. A presença dele no palanque era muito importante. O apoio de Arraes e Freire eram até simbólicos, como referenciais de esquerda no Estado e no Brasil. Enquanto João Paulo tinha apenas o apoio do PT, com o PSB e o PPS me consolidei como um candidato que agregava mais o centro-esquerda.

No depoimento que deu a mim, o senador Sérgio Guerra disse que um dos erros da campanha foi fixar que o adversário do segundo turno era o senhor e esqueceram João Paulo.

            É, essa foi a tática deles. O governador Jarbas reconhece isso. Achava que eu seria um candidato muito mais perigoso, no segundo turno, do que João Paulo. Pensaram em mim, conseguiram me derrotar e perderam a eleição para João Paulo. Nesse ponto, ele tem razão.

Quando o senhor fala em fraude, quer sugerir que aquele produtor que acusou o calote foi comprado?

            Ah, não, aquilo foi uma grande farsa.

Mas, ele foi comprado?

            Não sei, porque não tenho provas, não posso dizer uma coisa que eu não provo. Agora foi uma grande farsa, inclusive teve a participação do PSDB, do deputado Luiz Piauhylino. Chegou a dizer que o partido não tinha nada a ver com aquilo. Como se eu tivesse sido candidato, em 98, pelo PSDB e não fosse do PSDB. A responsabilidade de uma campanha é do partido ao qual o candidato é filiado. Não é o candidato que é o coordenador financeiro de campanha. Então, foi tudo montado. Para mi, foi a grande farsa que se montou na campanha de 2000. E aquilo me machucou muito. Para falar a verdade, me machucou demais. Eu procuro esquecer, mas foi uma coisa que me marcou muito na minha carreira.


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Petrolina abril 2021

12/04


2021

Alvo do presidente, Randolfe xinga Bolsonaro de covarde

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) rebateu, há pouco, as declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em conversa gravada com o senador Jorge Kajuru, disse que teria que “sair na porrada” com o parlamentar da Rede por conta da CPI.

O líder da oposição no Senado criticou Bolsonaro e o acusou de usar a violência por ser um “covarde que tem muito a esconder”.

Ontem, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgou trechos de uma conversa que teve com Bolsonaro, que defende que a CPI da Pandemia, que transita no Congresso, investigue também governadores e perfeitos.

Já hoje, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o senador goiano divulgou o trecho onde o presidente ofende Randolfe Rodrigues: “Se você não participa (da CPI), daí a canalhada lá do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desse”, diz o chefe do executivo na conversa gravada.

A CPI da pandemia, que teve instauração determinada pelo ministro do STF, Luís Roberto Barroso na última quinta (8), investiga suposta omissão do governo federal no combate a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2).


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ALEPE

12/04


2021

Sai hoje primeira pesquisa na disputa pela OAB

Exatamente à meia noite, este blog posta, com exclusividade, a primeira pesquisa de intenção de voto espontânea da Exatta para presidente da Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB-PE). A eleição está marcada para novembro e já existem pelo menos quatro pré-candidatos em permanente articulação.

A OAB pernambucana tem cerca de 40 mil profissionais filiados, aptos a votar. O pleito chama atenção por vários aspectos. O futuro presidente da instituição administrará no triênio uma receita que supera a casa dos R$ 100 milhões. No poder, o presidente coordenará o processo por uma nova disputa: as vagas abertas para o Quinto Constitucional em tribunais, de onde sai a indicação para o cargo de desembargador, a partir de lista sêxtupla elaborada pela própria OAB.


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Bandeirantes 2021

12/04


2021

Bolsonaro chama senador Randolfe Rodrigues de “bosta”

Em novo trecho de ligação entre o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e o presidente Jair Bolsonaro, o chefe de Estado chama o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de “bosta” e que teria de “sair na porrada” com o congressista.

Kajuru, que já havia divulgado trecho da conversa em que Bolsonaro pressiona por mudanças na CPI, mostrou, hoje, a nova fala em entrevista à Rádio Bandeirantes.

A ideia da criação da comissão foi do senador Randolfe Rodrigues. Inicialmente, o objetivo proposto para a CPI era de investigar apenas as omissões do governo federal no combate à pandemia.

Na entrevista, Kajuru disse que avisou a Bolsonaro de que a conversa estava sendo gravada. Segundo ele, o trecho que tratava de Randolfe foi ocultado na 1ª divulgação por respeito ao colega.

“Eu não tinha divulgado essa parte para preservar um colega senador. Era desnecessário, na minha opinião. De graça. Tem inimizade entre eles? Tem, Randolfe é líder da oposição. Mas eu achei que o melhor para os dois era essa parte não ser colocada. Não tinha nada a ver. Era um desabafo. Mas ele quis o restante, então coloquei. Pronto, acabou”.

Já o presidente disse não saber que estava sendo gravado. Bolsonaro criticou, hoje, o senador por ter registrado e divulgado a conversa entre os 2. Bolsonaro afirmou também que Kajuru não publicou todo o diálogo.

“Eu fui gravado em uma conversa telefônica, tá certo. Olha a que ponto chegamos no Brasil”, criticou o presidente em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.


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12/04


2021

Políticos bombam nas redes sociais

Da coluna de João Alberto 

O Índice de Popularidade digital mostra Jair Bolsonaro líder entre os políticos de seguidores no Twitter, Facebook, Instagram e Youtube, mas em empate técnico com Lula. Depois, pela ordem, aparecem Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte; e o presidenciável Ciro Gomes.

Seguindo a ordem, Guilherme Boulos, ex-candidato ao Planalto pelo Psol; o presidente da Câmara, Arthur Lira; o apresentador Luciano Huck; o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; o governador do Maranhão, Flávio Dino; o ex-ministro Sérgio Moro; o governador de São Paulo, João Dória; a empresária Luiza Trajano, e, por fim, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.


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Serra Talhada 2021

12/04


2021

FNP diz não se preocupar com ampliação da CPI

O presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Jonas Donizette, afirmou, hoje, que a entidade não vê problemas e nem tem preocupação com a possibilidade de estados e municípios serem incluídos no escopo das investigações da CPI da Covid, que teve a instalação determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. 

A declaração foi feita durante audiência na Comissão Temporária da Covid-19, no Senado. 

“Fui questionado ontem por órgãos de imprensa sobre essa questão de incluir ou não prefeitos e governadores na CPI. Da nossa parte não existe problema nenhum, nós não temos preocupação. Porque quase todas as prefeituras por obrigação têm que ter um site de transparência”, afirmou Donizette. 

O representante dos prefeitos ressaltou que o Senado tem toda a competência para analisar verbas federais que são repassadas, mas ponderou que as câmaras municipais e as assembleias legislativas também podem fazer esse trabalho. 

“Achamos que isso seria uma cortina de fumaça também para criar um escopo enorme e não ter um foco naquilo que nós precisamos ter, que é o desempenho federal na pandemia. Não se trata de personalizar nessa ou naquela pessoa, mas é importante pegar dados técnicos do ministério e ver que a fala política do governo federal se difere totalmente das orientações técnicas do Ministério da Saúde”, disse Jonas Donizette. 

O posicionamento se dá um dia após a divulgação de uma conversa entre Jair Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em que o presidente da República reclama que a CPI da Covid só vai investigar o governo federal, e não governadores e prefeitos. E diz temer que o relatório da comissão seja – nas palavras de Bolsonaro – "sacana". 

O presidente diz que o senador tem de "fazer do limão uma limonada". Kajuru responde que vai se "esforçar". 

No sábado (10), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) já protocolou um pedido de aditamento da CPI da Covid para incluir, nas investigações, atos praticados por agentes de estados e municípios na gestão de recursos federais. 

Em seu discurso, Donizette ainda reclamou que há uma clima de “conflagração”. “Ele [Jair Bolsonaro] faz questão de atacar os prefeitos, de atacar os governadores, e isso não ajuda em nada. De vez em quando ele faz com uma fala de harmonia. Passam dois dias, vinte e quatro horas, e aquilo se reverte em ataque de novo. A fala da Frente Nacional dos Prefeitos é que possamos somar esforços. O inimigo em comum é o vírus”, disse.


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12/04


2021

Adega do Futuro abre opção de cardápio executivo

Com a reabertura do comércio após um novo lockdown, apelidado de quarentena pelos marqueteiros do governador Paulo Câmara, voltei ao refinado, lindo, aconchegante e luxuoso restaurante Adega do Futuro, na rua do Futuro. Deparei-me com uma boa nova, criada por Lucas, o dono. Julguei importante compartilhar com meu público apreciador do que é bom. 

Para quem ficou morrendo de vontade de conhecer o novo point da gastronomia do Recife, segue a dica: já está na ordem do dia o cardápio executivo, no qual se pode provar as melhores iguarias da Adega por apenas R$ 64,90, incluindo a entrada, o prato principal e uma deliciosa sobremesa. 

Mas só de terça à sexta-feira, no horário do almoço, entre 12 e 15 horas. A alternativa, muito mais em conta, já caiu na graça dos por ali passaram para conhecer a casa, ambiente decorado com muito capricho, serviço de primeiro mundo. Na Adega do Futuro também é possível escolher o seu vinho preferido numa carta com mais de 450 rótulos, cujos preços variam de R$ 69,00 a R$ 6 mil. 

Outra novidade: Lucas está inaugurando uma loja no mesmo ambiente para venda de vinho com várias verticais de safras distintas, 100% climatizada às 24 horas do dia. Para conferir as novidades e o cardápio executivo basta acessar o Instagram da Adega, no endereço @adegadofuturo.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

12/04


2021

Bolsonaro quer usar CPI para ganhar atestado de ficha limpa

Do G1

A conversa telefônica entre o presidente Jair Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), vazada ontem pelo parlamentar, deixou claro, na visão de parlamentares da oposição, a estratégia do governo em usar a investigação e fabricar um salvo conduto para Bolsonaro usar nas eleições de 2022.

"CPI que não investiga é pior do que CPI não instalada", resumiu um experiente observador do Senado, para quem a inclusão de governadores e prefeitos é circo com objetivo de tumultuar as investigações e tirar foco dos supostos crimes cometidos pelo presidente. E acabar fabricando a seu favor um atestado de "ficha limpa na pandemia".

"Kajuru, você tem que fazer do limão, uma limonada. Por enquanto é um limão que tá aí. Tá para sair a limonada", ensina Bolsonaro ao senador. Já foi o tempo em que CPIs dóceis ao Planalto eram chamadas de pizza. Na Era Bolsonaro virou refresco.

O limão do Pacheco

A receita de limonada de Bolsonaro tem um gosto amargo para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O principal argumento de Pacheco para evitar a CPI é que a investigação irá atrapalhar o combate à pandemia. Pois bem: a conversa entre o presidente e o senador tem 6 minutos e em momento algum Bolsonaro reclama de possíveis entraves ao trabalho do governo. E vai além, afirmando que muitas mortes poderiam ter sido evitadas. "Podia morrer menos gente", admite, culpando governadores e prefeitos. Ou seja, Bolsonaro confessa que há o que se investigar.

"Pacheco se preocupa mais com o trabalho do Executivo do que o próprio presidente. Tem alguma coisa fora do lugar", observa um parlamentar.

O abacaxi de Kajuru

E entre o limão e a limonada há ainda um abacaxi gramatical. Kajuru disse que o ministro Barroso estava "pretento" para julgar causas referentes à CPI. Ao que Bolsonaro ensinou: "é prevento". Bolsonaro estava certo e nem culpou Paulo Freire.


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12/04


2021

Um sertanejo que ergueu um império

Ainda garoto em Afogados da Ingazeira, 386 km do Recife, entre os anos 70 e 80, já era afamado no meu Pajeú das flores e de alma de cantadores um comerciante para as bandas do Recife que, com o passar dos anos, montou uma grife, para ser mais verdadeiro um império.

Seu nome se confunde com uma rede de lojas especializadas em artigos do lar exibindo suas digitais: Jurandir Pires, que hoje completa 86 anos. Ganhou  tamanha dimensão, sobretudo depois que conquistou outros Estados do Nordeste, que mais parecia um lord inglês. Poucos sabem, porém, da sua história de lutas e desafios. Jurandir nasceu em Ibitiranga, distrito de Carnaíba. 

Lá, a poesia não floresce nem brota dos campos tão volumosa como em São José do Egito, a Meca do Repente e da poesia em decassílabo, despencando para os adoráveis e divertidos desafios. O que Carnaíba teve, também, de precioso foi Zé Dantas, o grande compositor de Luiz Gonzaga. É, igualmente, uma das maiores usinas de produção de sanfoneiros. Dizem que ao nascer em Carnaíba, o novo cidadão já ouve o toque da sanfona para habituar o ouvido e mais na frente, já entendido de gente, ser tocador na vida.

Jurandir nunca tocou uma sanfona, só aprendeu o ofício de bom comerciante. Perdeu o pai aos 7 anos na sua Ibitiranga, e deve tudo na vida ao heroísmo da sua mãe, que criou mais cinco filhos tirando o sustento da roça. Ainda menino, Jurandir ajudou nas despesas de casa trabalhando num engenho de rapadura.

Mas foi ainda no Pajeú que o sertanejo visionário montou o seu primeiro negócio voltado para o lar. Percebendo que o atravessador tirava proveito da situação, com a mercadoria do Recife, teve um estalo. Como a Asa Branca, que busca outros eldorados no ápice das grandes estiagens, Jurandir bateu asas rumo ao Recife.

Na capital, como todo matuto retirante, comeu o pão que o diabo amassou. Com o suor do rosto e o latejo forte da alma empreendedora, cresceu mais rápido do que imaginava e sonhava. Virou um gigante, um dos atacadistas e varejistas também mais conhecidos do Estado. De orgulho sertanejo, virou celebridade nordestina, ave rara do Nordeste que dá certo.

Jurandir Pires saiu do miolo do Cais de Santa Rita, onde instalou sua primeira grande loja, para ocupar espaços âncoras nos shoppings do Recife, Maceió e outras cidades. Seu império de 25 lojas chegou a faturar 200 milhões de dólares por ano, gerando milhares de empregos.

Mas num País de economia instável e vulnerável como o Brasil, qual empresário não sucumbe um dia? As crises, a partir do segundo Governo Lula, levaram Jurandir a fechar quase todas as suas lojas, estando, hoje, com apenas um magazine no Recife.

O que faz um homem ser um vencedor tem variantes de explicações. Jurandir penou, mas o homem que não nasce com garra, sangue de sertanejo para dobrar as adversidade, jamais será vencedor.

Como o Imperador romano, ao olhar para trás, hoje, Jurandir pode também dizer:  vim, vi, venci.


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12/04


2021

Idosos com 62 começam a ser vacinados em Vitória

O cadastramento para a vacinação de idosos a partir de 62 anos, residentes no município de Vitória de Santo Antão, já está liberado. Com isso, a imunização contra Covid-19 para esse público começa hoje

Para se vacinar, é necessário realizar o agendamento prévio no site www.vacina.prefeituradavitória.pe.gov.br. Os idosos que tiverem dificuldade de se cadastrar pela internet poderão contar com ajuda de equipes da Secretaria de Saúde através do tele-covid pelo número (81) 98491-3633.

Outra opção para essas pessoas, é se cadastrar em dois dos pontos de vacinação, sendo eles o Colégio 03 de Agosto e no Vitória Park Shopping.

A vacinação continua ocorrendo na sede do Samu, na Avenida Henrique de Holanda, de domingo a domingo, das 8h às 17h. No Colégio 03 de Agosto, o atendimento ocorre no mesmo horário. Já no Vitória Park Shopping o funcionamento acontece de segunda a sexta, das 7h às 20h, e sábado e domingo, das 9h às 17h. 

Para receberem os imunizantes, os moradores de Vitória a partir dos 62 anos precisam apresentar o CPF, documento com foto e comprovante de residência.


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