27/02


2021

Yves encontra governador e anuncia investimentos

Em sua primeira agenda oficial com o governador Paulo Câmara (PSB) após ser empossado no cargo de prefeito de Paulista pela terceira vez, Yves Ribeiro (MDB) anunciou investimentos em obras de infraestrutura urbana e ações nas áreas de saúde e educação em parceria com o governo estadual. O encontro ocorreu, ontem, no Palácio do Campo das Princesas.

Acompanhado do vice-prefeito, Dido Vieira (MDB), do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Jorge Carreiro, e do secretário executivo de Gabinete, Marcos Eduardo, Yves apresentou ao governador reivindicações da gestão do município voltadas para obras de infraestrutura urbana, saúde e educação. O prefeito de Paulista destacou o recapeamento e construção da PE-22, integrando a PE- 01 (Avenida Tancredo Neves, no bairro de Jardim Paulista a Paratibe), a revitalização da ciclofaixa da PE-15 e a construção de canteiros paisagísticos nas rodovias estaduais do município. 

Já Paulo Câmara informou que já autorizou a execução da obra de pavimentação da PE-18, que liga Paratibe ao complexo industrial de Caetés 1, em Abreu Lima. Ainda de acordo com o governador, o Estado vai liberar R$ 800 mil para a Prefeitura de Paulista investir em obras de infraestrutura e mobilidade urbana. O recurso será aplicado para ligar a comunidade de Nossa Prata ao bairro de Maranguape 1 e servirá também para a requalificação de toda iluminação pública da PE-15.

O prefeito emedebista revelou que serão firmadas parcerias entre as duas esferas de governo para a ampliação da rede escolar, com a implantação de escolas em período integral, assim como na construção de uma UPA na região das praias. "Vamos espalhar obras públicas por todos os recantos da cidade e desenvolver ações de fortalecimento da cidadania, ouvindo sempre o povo nas ruas", afirmou Yves.


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Cabo 2021

27/02


2021

Os verdadeiros heróis e a importância dos exemplos

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho*

Por princípio, o idealismo está ligado ao conservadorismo, como o exemplo do nazismo e o idealismo alemão. Ao contrário, as ações empíricas relacionam-se à filosofia liberal, de Hume e outros. Já o tradicionalismo de Bolsonaro e Trump apoia-se na desconstrução, sem idealismo ou liberalismo. 

Talvez isso explique, ao menos em parte, o que vivemos. De certo, estamos num tempo sem lideranças e relações práticas entre filosofia e política, tão importantes na busca da felicidade em sociedades mais evoluídas. Os mais de 30% que apoiam o Bolsonaro sempre existiram, são eles que têm saudade da glória dos que servem ao rei, é de um saudosismo tolo e infantil. Versam sobre o mantra dos justiceiros, bem próprio dos egoístas, dos que temem o debate, daqueles que tem certeza de quase tudo. Aliás, esses são ingredientes fundamentais aos movimentos de massificação e manipulação. 

Nas últimas décadas, o Brasil do futuro amparou-se na lógica dos economistas financistas, influência inequívoca do mercado e da sociedade de consumo. Sou do tempo que não podíamos questionar axiomas, como o que a responsabilidade fiscal propiciaria o “welfare state”. Infelizmente o estado de bem estar social não aconteceu, ou melhor, ainda não vem acontecendo. O mundo expandiu as desigualdades e os conflitos. 

A melhoria da saúde e da felicidade tem relação evidente com a redução de desigualdades. No Brasil, caminhamos a meu ver, para um estado mais rico e com maior concentração de renda, e para um povo mais pobre. O desafio é secular. O Brasil está sem projeto nas suas áreas mais prioritárias. Não qualquer exemplo de iniciativa para a mudança do modelo de desenvolvimento, prioritariamente, capaz de reverter a desigualdade entre as regiões do Brasil. Trata-se de um processo político, quanto as definições de investimentos, na qualificação das desonerações fiscais e de transformar as escolhas acertadas em orçamento real. 

Várias demandas precisam ser solucionadas. Entre elas, estão a de reduzir indicadores básicos como os da violência, que guardam relação direta com o desenvolvimento sustentável e com a desigualdade, e principalmente, dar equidade ao desenvolvimento das regiões econômicas e da saúde. O Ceará do futuro tem que ser agora, justamente diante da maior crise social do século. O Ceará do futuro precisa ser um país, e rever seus mecanismos de representação social e política. 

Precisamos, também, combater com coragem e determinação essa massificação do pensamento, que tem por estratégia a escolha dos culpados, fazendo parecer aos desavisados e decepcionados, que uma infantil volta ao passado, ao tempo da separação dos alunos nas salas de aula, ao preconceito com os homossexuais e, principalmente, a proibição da cultura e identidade da nossa sociedade. São esses os ingredientes do pensamento de boiada. Em fim, desejam o retorno de uma sociedade estática, em geral, com valores moralistas e hipocritas. Guardam sim um saudosismo dos anos da ditadura, que insistem não ter existido. É um tipo de vontade óbvia de  recuperar a proteção dos escolhidos e protegidos, e a perseguição daqueles que não toleram a desigualdade social e os preconceitos. Refiro me ao patrimonialismo brasileiro. 

Porém, não sou um pessimista, nem faço parte dos que acreditam que tudo piorou. Pois, não conseguirão, simplesmente por não silenciarmos. Opto por ser um otimista realista, por ser um liberal, principalmente no julgamento aos hábitos e costumes, e ainda, por convicção dos males que a falta de humildade proporciona a humanidade, por causar prejuízos ao espírito e à possibilidade de colaboração com o desenvolvimento intuitivo, tão importante na história de nossa sociedade. 

Perdoem-me pelo meu modo sem jeito de analisar a nossa realidade. O faço para combater a apatia, e principalmente, o autoritarismo e a dificuldade de aceitar as mudanças, ou mesmo as críticas. 

Acredito que estamos num momento de ruptura, para fazer o amanhã mais harmônico. Entre várias ações, um bom começo seria mudar nossos mitos, reconhecer e enaltecer heróis como  Carlos Chagas, Machado de Assis, José de Alencar, Rodolfo Teófilo, dentre outros. São eles os exemplos de doação, dedicação, altruísmo e coragem, valores essenciais para uma sociedade com mais equidade e justiça. São eles os verdadeiros ídolos que governam nossas vidas, pelos exemplos  de vida. 

Enfim, não precisamos usar ou manchar a bandeira de sangue, nem tampouco exaltar um positivismo nacionalista e excludente. A bandeira significa pouco, mas os valores exprimem muito de uma sociedade!!!

*Médico e secretário de Saúde do Ceará


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Comentários

Fernandes

Sujeito que chama Lula de Ladrão votou em Collor, no Maluf, em ACM, e Aécio e elegeu Bolzonaro! Uma Direita hipócrita CAVIAR.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Para esse senhor, bom mesmo foi o período dos ladrões que, após a intervenção militar, ficaram mais de trinta anos no poder e só fizeram dá proteção e direitos a bandidos e saquear o Brasil. Um hipócrita e esquerdista caviar.



27/02


2021

Jarbas recebe vacina contra a Covid-19

O senador Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), 78 anos, tomou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, hoje, em um posto drive-thru no Recife. Ele divulgou o momento da imunização em sua conta oficial no Instagram e aproveitou para defender a ciência e a vacinação.

"Após me cadastrar e aguardar o agendamento por parte da Prefeitura do Recife, recebi, neste sábado, a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Um momento de muita alegria e de reconhecimento a todos os envolvidos nessa verdadeira luta que estamos travando contra a pandemia. Sigo confiando na ciência e adotando todos os protocolos de saúde que continuam sendo importantes e necessários. Que todos possam se vacinar também o mais breve possível!", escreveu.


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Banner Jaboatao 2021

27/02


2021

O homem que amava livros e poesia

Por Antônio Campos*

Um dos grandes vultos da cultura brasileira do século XX, Edson Nery da Fonseca inovou no campo da biblioteconomia. Criou técnica de arquivos e de preservação de livros e documentos. Neste ano, em dezembro, será o centenário de nascimento do ilustre pernambucano de Recife. 

A Fundação Joaquim Nabuco já iniciou  os preparativos para marcar essa importante data. Em 23 de abril, Dia Nacional do Livro,  Edson Nery será celebrado. E lembrado não só como bibliógrafo, bibliotecário, historiador, intérprete e crítico literário. Atividades que exercia com tamanha qualidade que, já aos 20 anos incompletos, era elogiado por Álvaro Lins. E visto com Gilberto Freyre a realizar pesquisas em arquivos da Câmara Federal. 

Não podermos esquecer do legado que nos deixou com o seu pioneirismo metodológico na Biblioteca Nacional, de Brasília, a que tive a oportunidade de visitar há poucos dias. Nessa biblioteca, que continua sendo uma referência pelo tratamento arquivistico e catalogação do acervo, Edson Nery deixaria a marca de sua competência inovadora. 

Importante destacar nas celebrações a  sua participação, durante décadas, no Seminário de Tropicologia, quando era presidido por Gilberto Freyre, na Fundaj,  instituição a que tenho a honra de presidir. Na Fundação, Edson Nery tornou-se um dos mais próximos colaboradores, em pesquisas, do autor de 'Casa Grande & Senzala", ao lado de Gilberto Osório de Andrade, Estevão Pinto, Renê Ribeiro, Maria Graziela Peregrino, Clovis Cavalcanti, Paulo Rosas, Frederico Pernambucano, Mário Souto Maior, Waldemar Valente, Maria do Carmo Tavares de Miranda e Fátima Quintas.  

Na celebração de seu centenário, no dia 23 de abril, farei uma palestra pelo canal da Fundaj, no YouTube. Abordarei o tema "O livro na era digital, o suporte material dos textos e as variadas formas de ler em época de aceleração digital." Vou lembrar o quanto foi gratificante, para mim, a oportunidade que tive de produzir um CD com a voz de Edson Nery. Ele que foi um dos nossos grandes intérpretes e declamadores da poesia de Manuel Bandeira. 

Para ser mais preciso, não só de Bandeira, o seu preferido a vida inteira, mas dos poetas do seu íntimo miradouro. Vou reeditar esse CD, pela importância histórica e afetiva que ele enseja. Edson Ney tinha o que Rolland Barthes no seu monumental "A Aventura Semiológica", chama de Ethè, os atributos do orador, os traços fundamentais de quem fala. Possuía o dom da voz e a  imponência corpórea. Era prazeroso escutar Edson declamar Bandeira.  

Além de ter sido o mais importante e conceituado mestre na sua especialidade,ele próprio se dizia bibliófilo e “bibliósofo”, "Bibliósofo”, como o chamava seu amigo Antônio Houaiss, que não se cansava de convidá-lo para, ambos, realizarem grandes projetos. 

Na sua casa olindense, a 20 metros do Mosteiro de São Bento, nas visitas que fiz vi de perto os 595 volumes sobre o sociólogo Gilberto Freyre, de quem Nery foi amigo por 47 anos. Tornou-se o maior conhecedor, no campo da bibliografia, assim como biógrafo do Mestre de Apipucos.

A historiadora Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, curadora da homenagem a Gilberto Freyre na Festa Literária Internacional de Paraty de 2010 e autora da biografia "Gilberto Freyre: Um Vitoriano dos Trópicos", confirma Edson Nery como o maior conhecedor da obra de Freyre: “Penso que não há exagero em dizer que ele conhece praticamente todos os livros, artigos, opúsculos que Freyre escreveu, assim como muito do que foi escrito sobre sua obra”. Antes de Maria Lúcia, Otto Maria Carpeaux, de quem Edson era amigo, já dizia isso, juntando-se as vozes de Eduardo Portela e Vamireh Chacon, outros grandes leitores de Edson e pesquisadores da obra de Gilberto.  

A Fliiporto, por minha iniciativa, em 2013, foi dedicada à sua vida e à sua obra. Recordo a alegria que Edson Nery teve ao ser aplaudido por milhares de pessoas. Saiu do leito de enfermo, fez questão de estar presente, assistido por dois enfermeiros. O acompanhei nesse trajeto. Não, queria perder a oportunidade de estar perto da multidão que o aplaudia de pé.  

Não sei qual das vozes mais cheias de emoções e fervor, a do numeroso público ou a dele. A Fliporto engrandeceu-se naquela noite, no Pátio do Carmo. Podíamos ouvir, ao longe, os sinos da Abadia do Mosteiro de São Bento, quando da entrada de Edson no palco monumental do evento.  

Ao voltar para a casa, Edson teria visto pela janela do carro, que o conduzira em marcha lenta, a cidade que tanto amou. A Olinda das ladeiras, do casario e quintais ensolarados, das sete colinas onde o ar se faz mais fino, das igrejas e seus sinos seculares, das procissões centenárias, das ladainhas e orações da gente simples, do seu querer bem aos livros e aos seus gatos de estimação. Um amor que não consentia extinção.  

*Advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letra e presidente da Fundação Joaquim Nabuco


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27/02


2021

A dor que vai virar posteridade

Esta foto, enviada, há pouco, pelo meu amigo Donizete Arruda, craque da Imprensa cearense, tocou profundamente o meu coração, rasgou minha alma por dentro e por fora. Vai entrar para a história da mídia brasileira: mostra jornalistas exibindo a última edição impressa do Diário do Nordeste, o maior jornal do Ceará, que a partir da segunda-feira, 1°, vira 100% digital.

Embora pioneiro no Nordeste na ferramenta digital do jornalismo, sou filho do papel. E por isso, choro. Aprendi a fazer notícias e gerar manchetes, logo cedo, imberbe, num papel exalando cheiro de tinta. Meu ouvido ficou viciado no barulho das rotativas impressoras. O jornal foi companheiro de todas as horas, começando pelo café da manhã.

Joaquim Nabuco dizia que atrás do jornal não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.

Jornais foram criados para excitar a curiosidade. 

Jornal já serviu até para anunciar o amor. "Pensei em colocar um anúncio no jornal pra todo mundo ficar sabendo o quanto eu amo você", já li num velho matutino. Eu sou como um jornal: tenho meus dias, meus meses, meus anos, sejam eles bons ou ruins.

Trago sempre comigo notícias, sejam elas de inverno ou jardim. Anuncio um mês e um ciclo, sou também preto e branco quando me dão liberdade. 

Alguém me dê uma notícia que não esteja no jornal. Saudoso, compartilho da dor dos colegas cearenses. Um bom jornal é uma Nação falando consigo mesma.

Esta foto é a minha dor e de tantos companheiros estampada no jornal da história. Jornal inspirou até os poetas: A vida é vã, banalidade... É como jornal de hoje, amanhã será papel de embrulho. 

A vida não é como um jornal, que pode ter uma edição do amanhã. Ler jornal, já ouvi, é o melhor remédio para se reinventar. Dou uma rápida leitura no jornal e tiro duas frases que podem me dar muitos dias de reflexão e assunto para muitos textos.

O último Diário do Nordeste é a foto drumoniana na parede. Dói muito.


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Petrolina 2021

27/02


2021

Pousadas de Noronha lançam site para reservas

Um lugar de beleza estonteante, cercado de natureza, águas mornas cristalinas e espetaculares cenários naturais, um paraíso. Assim é a Ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco. A experiência de conhecer um dos melhores destinos do Brasil pode ficar ainda melhor se for aliada à exclusividade de uma hospedagem impecável.

Buscando reunir tudo isso em apenas um clique, a Associação de Pousadas de Fernando de Noronha (APFN) criou um site (www.apfn.com.br), onde é possível fazer reservas, diretamente, em uma das suas 25 pousadas associadas. Ao utilizar o site da associação para fazer sua reserva, o turista também tem a garantia de fazer uma hospedagem segura, evitando os transtornos comuns que acontecem nas pousadas que funcionam de forma irregular e clandestina, amplamente ofertada pelos canais digitais, que não se responsabilizam por eventuais problemas com o estabelecimento.

“Resolvemos criar nossa própria plataforma de vendas para proporcionar aos nossos clientes um canal direto com cada uma das pousadas e nos aproximar dos clientes para poder atender todas as expectativas e estreitar o contato com nossos turista, transformando uma hospedagem em uma experiência. Queremos conhecer de perto nossos clientes para minimizar essa “digitalização” no atendimento, que tanto tem afastado as pessoas. É muito bom saber o que cada cliente pensa”, diz Adriana Flor, presidente da APFN. 

Para fazer a reserva é bem simples. Basta acessar o site da associação, preencher o check-in e check-out, quantidade de adultos e crianças e escolher uma pousada. Pronto. Você será direcionado para a página de reservas da pousada escolhida. Fácil, ágil e seguro.

“Fizemos um site para que as pessoas tenham segurança e praticidade na hora de fazer sua reserva. Além dos detalhes da hospedagem, o site reúne outras informações para os turistas. É rápido, pratico e seguro”, comenta Juliana Paraíso, desenvolvedora do site. No site também estão disponíveis informações sobre o arquipélago, a associação e as pousadas.

A Ilha de Fernando de Noronha é reconhecida pelas suas praias pouco urbanizadas e por atividades como o mergulho, onde é possível nadar em um aquário natural de águas quentes e cristalinas. Outras informações sobre a associação, as pousadas e as belezas de Fernando de Noronha estão disponíveis no site www.apfn.com.br e no perfil @apfnoronha.


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Serra Talhada 2021

27/02


2021

Urbanos, rurais e os demais

Por Marcelo Tognozzi*

Numa época em que a cidade entendia o campo a partir do clássico “Coronelismo, enxada e voto”, do escritor Victor Nunes Leal, um moleque pobre de Viçosa, no interior de Alagoas, entrou para o PC do B em 1977. Seu pai era vaqueiro da fazenda do senador Teotônio Vilela. Aldo Rebelo mergulhou de cabeça na política. Passou pela Ação Popular antes de militar num partido que na época era clandestino. Três anos depois, em 1980, o comunista de Viçosa virou presidente da UNE. No início dos anos 1980, a política uniu o dono da fazenda e o filho do vaqueiro na luta pela redemocratização do Brasil. Teotônio morreu em 1983 e 5 anos depois o filho do vaqueiro fazia sua estreia nas urnas se elegendo vereador por São Paulo.

Aldo tem uma visão do país extremamente realista, distante dos delírios e da tempestade de bobagens que a todos assola cotidianamente pelas redes sociais. Em 2017, durante a comemoração do aniversário de um alagoano ilustre, um amigo perguntou por que ele deixara o PC do B. “Eu não aguentava mais. Queria discutir o Brasil, a questão da infraestrutura, da saúde, da garantia de escola para todos, e eles queriam uma outra pauta, que a meu ver não é prioritária. Decidi seguir meu caminho”, explicou.

Na última Quarta-Feira de Cinzas, na dolorosa abstinência forçada do Carnaval, meu amigo baiano (imagine a agonia de um baiano sem Carnaval!) Edson Barbosa publicou neste Poder360 um artigo sobre o pensamento de Aldo, esquentando o debate sério e qualificado sobre que país queremos construir. Em resumo, propõe pacificar o Brasil como caminho para destravar a economia e investir nas pessoas, naquilo que define como 5º Movimento.

Existem hoje 2 Brasis. Aquele que faz política pelas redes sociais, pregando uma pauta recheada de problemas absolutamente regionais e essencialmente ideológica, como as milícias do Rio ou as máfias de São Paulo. E um outro fora das regiões metropolitanas, onde esta narrativa não tem aderência. Neste outro Brasil estão nada menos que 2/3 dos votos. Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa, da Ciência e Tecnologia e ex-presidente da Câmara dos Deputados conhece esta realidade de cor e salteado.

Os candidatos que viraram o jogo e ganharam a eleição nos últimos 20 anos, foram aqueles focados em conversar, entender e conhecer o interior. Lula fez suas caravanas na campanha de 2002 e conquistou estes votos. Bolsonaro peregrinou pelo interior muito antes de ser percebido e admitido como possibilidade viável pela grande mídia e a Faria Lima. Quando acordaram, o capitão estava no segundo turno.

Vamos falar sério: ele não foi eleito por causa da facada ou do bate-boca nas redes sociais. Ganhou porque convenceu aquele Brasil que não sai no Jornal Nacional ou na novela, focado em produzir, criar seus filhos e melhorar de vida. A escola integral virou realidade faz tempo em muitas cidades deste Brasilzão, no Oeste da Bahia, Goiás ou Mato Grosso. O cidadão formado na zona rural acaba sendo bem diferente em pensamento e atitude daquele das periferias das metrópoles.

Transformar questões regionais do Rio ou de São Paulo em temas nacionais não seduz o eleitor de Sorriso, Lucas do Rio Verde, Gurupi, Porto Nacional, Rolim de Moura, São Gabriel, Cascavel, Pato Branco, Três Lagoas, Dourados, Rondonópolis, Balsas, Uruçuí ou Luís Eduardo Magalhães. Acreditar na possibilidade de convencer o eleitor brasileiro médio que a Amazônia é o futuro, só tem sentido se mudarmos o presente das pessoas fazendo um baita investimento em educação. Num país onde 47% do eleitorado se declara desempregado ou sem renda fixa, é um luxo falar em futuro da Amazônia para quem não sabe se vai conseguir almoçar.

É essencial entendermos o país a partir de um ponto de vista distinto, fora da bolha das regiões metropolitanas. Sem mudar o tom, a forma e o discurso, não será possível compreender e interagir com este Brasil emergente, dono dos votos decisivos na hora de escolher quem será o próximo a sentar na cadeira de presidente. A elite metropolitana vive um processo de decadência cultural e política, enquanto a do campo é emergente, cada vez mais influente, rica e bem educada.

Aldo fez sua carreira no PC do B e largou o partido insatisfeito com a pauta limitada e desfocada da realidade, filiou-se ao PSB e hoje está no Solidariedade. Veio da zona rural de Alagoas, família humilde, num tempo em que a rota de ascensão social dos meninos pobres passava pela política ou pelo Exército. Sua percepção do mundo traz esta a marca cultural de um estado tradicionalmente violento e uma sociedade hierarquizada pela força e pelo dinheiro.

Ainda não apareceram muitos políticos ou partidos com propostas claras e objetivas, focados em debater os rumos do país. O PSDB acaba de lançar suas propostas para o Brasil pós-pandemia, pregando mudanças profundas e estruturais na organização do Estado. Toda contribuição é importante num momento em que a pandemia virou o mundo de pernas para o ar e temos de repensar o país, nosso estilo de vida e valores. Ou será que vamos continuar lavando roupa suja e batendo boca nas redes sociais num eterno looping de bobagens que não resolvem a vida de ninguém?

Correção – No artigo da semana passada me referi a um vídeo do ministro Alexandre de Moraes com críticas ao Supremo que circula pela internet. O vídeo, conforme pude comprovar, é fake. O ministro aparece lendo o trecho de um processo durante audiência do STF. Esta parte foi editada para dar a impressão de que Moraes criticava o tribunal.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Poder 360.


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27/02


2021

Coluna do sabadão

Distritão em 2022?

A eleição de 2022 parece estar longe, mas já bate à porta. Nos bastidores, deputados revelam preocupação com a montagem das chapas, caso as coligações – união de vários partidos – para o Poder Legislativo continuem proibidas. Nesse caso, as siglas terão que disputar "sozinhas" vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, aumentando a competitividade entre os parlamentares.

A expectativa é de que haja um troca-troca movimentado de partidos entre os deputados, de olho em garantir a reeleição. A eleição municipal de 2020 serviu de lição para muitas legendas. O pleito do ano passado foi o primeiro sem as famosas coligações na disputa proporcional para vagas no Legislativo. Esse “sistema” é usado para fazer uma aliança de partidos grandes com pequenos. Entre as vantagens está a de que, quanto maior a coligação, maior é o tempo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.

Além disso, na eleição com coligação proporcional, eram computados os votos dados aos partidos e candidatos, aumentando as chances de a coligação obter maior número de cadeiras no Legislativo. Como consequência, é comum existirem nesse sistema os “puxadores de votos”, candidatos que têm votações altas e acabam ajudando outros a se elegerem, por estarem na mesma coligação.

Pela reforma política que começou a ser discutida, serão analisados dois sistemas eleitorais. No distritão, cada Estado ou Município será um distrito eleitoral e os candidatos aos legislativos federal, estaduais e municipais são eleitos pela maioria simples, como acontece hoje nas eleições para prefeito, governador e presidente.

Com esse sistema, há redução no número de candidatos e deixam de existir os puxadores de votos, ou seja, aqueles que recebem muitos votos e elevam o quociente partidário, permitindo a eleição dos menos votados. Ao reduzir o número de candidatos - e dividi-los em distritos -, esse sistema permite que os eleitores possam pesquisar melhor o histórico dos candidatos e das suas propostas eleitorais.

Outro sistema é o distrital misto, que mistura votos da maioria e votos proporcionais, ou seja, ao mesmo tempo em que permite maior aproximação do eleitor com os candidatos, também permite o voto por ideologia ou em pautas minoritárias.

Desvinculação – O relator da PEC emergencial, senador Márcio Bittar (MDB-AC), disse, ontem, que retirará de seu parecer o trecho que permitia a desvinculação dos recursos de saúde e educação (isto é, eliminava a obrigatoriedade de investimento mínimo nessas áreas). “Eu perdi ontem. Tenho que aceitar”, afirmou. Ontem, em sessão marcada para a leitura do relatório e começo das discussões, o tema foi amplamente criticado pelos senadores e a oposição conseguiu impedir que Bittar apresentasse seu parecer.

Oportunismo barato – Na avaliação do líder do PSB na Câmara dos Deputados, Danilo Cabral (PSB), a tentativa de usar os recursos da educação para viabilizar o auxílio emergencial não passa de um oportunismo barato e imoral. “Essa pandemia aprofundou as desigualdades na educação e o Governo se esforça para retirar recursos da área em vez de promover investimentos. O Ministério da Educação sequer executou o orçamento previsto para a educação básica no ano passado”, afirmou.

Ruido no poder – Reportagem da Veja revela insatisfação do ministro Paulo Guedes (Economia) com o presidente Jair Bolsonaro após o anúncio da troca no comando da Petrobras, feito em 19 de fevereiro. Suposto diálogo entre os dois reproduzido pela revista indica que Guedes teria dito que o presidente estava “ferindo seu general”. Bolsonaro decidiu substituir o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna. O chefe do Planalto se incomodou com os seguidos reajustes nos preços dos combustíveis promovidos pela petroleira. Guedes ficou contrariado, prevendo reação negativa do mercado por suposto intervencionismo do presidente.

Perseguição – O presidente Jair Bolsonaro disse, ontem, que houve “perseguição” a sua família em diálogos entre o procurador Deltan Dallagnol e seus pares no Ministério Público. As críticas foram publicadas nas páginas oficiais de Bolsonaro em todas as redes sociais. Segundo o presidente, “além de quebra criminosa de sigilos”, houve “a tentativa de cooptar o entorno do Presidente da República para a escolha do Procurador-Geral da República em 2019”. Na publicação, Bolsonaro compartilhou um texto no qual está a foto do filho mais velho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado por comandar um suposto esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro. “Dallagnol querer dizer ser brincadeira tais diálogos, demonstra querer fugir de sua responsabilidade”, escreveu o presidente.

O campeão – Entre os representantes de Pernambuco no Congresso não foi o senador Jarbas Vasconcelos o campeão em destinação de emendas de bancada para o Governo do Estado, mas sim o deputado Fernando Monteiro (PP). Destinou 100% de suas emendas de bancada, no valor total de R$ 8,2 milhões, para investimento na Barragem de Gatos, no Aeroporto de Fernando de Noronha, na conservação da BR-232 e implantação do anel viário da PE-33. Já um bis. Em 2020, fez o mesmo. “Precisamos unir esforços para a conclusão de obras que garantam o desenvolvimento do Estado. Muitas estão em andamento e outras virão. Estamos unidos com o mesmo objetivo”, justifica.

CURTAS

VISÃO – Relatora da reforma política, a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos, afirma que defende qualquer sistema que aprimore o atual. "Tem um sentimento na Câmara pelo distritão ou distrital misto, mas não é consenso. Vou atuar para construir uma proposta que seja apoiada pela maioria", garante.

CANDIDATO – Presidente da Câmara de Vereadores de Gravatá, Léo do Ar (PSDB) convenceu o atual presidente da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), Josinaldo Barbosa, a desistir da reeleição e será o candidato da situação ao comando da instituição. Ele tem o apoio de caciques estaduais, como o presidente da Assembleia, Eriberto Medeiros (PP).

Perguntar não ofende: Na ida ao Ceará, ontem, o presidente Bolsonaro também não convidou o governador Camilo Santana. Para ele, chefes estaduais do poder no Nordeste são irrelevantes?


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Comentários

Fernandes

Daniel Silveira chora quase todos os dias na cadeia. A partir do momento em que percebeu que não seria solto tão cedo, o estado emocional do deputado começou a se deteriorar. Silveira chegou nervoso no primeiro dia, mas mantinha o otimismo de que poderia ser solto, segundo relato de policiais que atuam na unidade. FDP

Fernandes

DEM é o partido, que apoiou a ditadura militar! Chamava -se Arena, PDS, PFL, depois DEM! Conhecer História é fundamental!

Fernandes

Todo apoio ao Walter Delgatti, o hacker que iluminou o Brasil!

Fernandes

marcos de camaragibe Lolita é mamador de piroca, e queima a rosca...Carluxo.

Fernandes

Bozo é Incompetente Genocida e Preguiçoso. .... Ciro Gomes.


Jornao O Poder

26/02


2021

A versão da Prefeitura de Ibimirim sobre contratos

Nota oficial

A respeito da publicação realizada no portal “Blog do Magno” no dia 26 de fevereiro de 2021, em que se divulgou notícia com o título “Contratos sem licitação acendem alerta em Ibimirim”, a Prefeitura de Ibimirim informa que a atual gestão vem trabalhando intensamente para garantir à população as melhores condições na prestação dos serviços, com qualidade e lisura, sempre pautada na legalidade, no zelo e na responsabilidade administrativa. Em dois meses, a atual gestão mostra que podemos proporcionar uma melhor qualidade de vida para aos ibimirienses, com a aplicação correta dos recursos públicos, transparência e respeito aos cidadãos.

No que diz respeito a contratação emergencial de ambulância para atuar na remoção e atendimento de pacientes com COVID, chega a ser desumano a tentativa de politizar a questão. Voltada para atender à população de Ibimirim, que estava sofrendo na gestão passada sem atendimento médico humanizado e sem ambulância, em momento crítico devido a pandemia da Covid-19, a contratação da Ambulância com UTI Móvel não possui óbice jurídico por dispensa de licitação, com fulcro no art. 24, IV, da Lei n.º 8.666/93, visando garantir a continuidade do serviço, considerando a iminência do prazo final dos contratos vigentes, assim como não ser possível aguardar o trâmite regular do processo de licitação, com o objetivo de que a população não fique desatendida quanto à remoção medicalizada de pacientes de alto risco. 

Considerando o avanço significativo no acesso dos pacientes aos serviços de UTI e outras emergências, gerando um aumento da demanda para este serviço, deve-se observar que a gravidade dos casos regulados exige suporte logístico para transporte medicalizado dos pacientes em UTI Móvel e condições especiais para o não agravamento do quadro clínico.

Seria um absurdo se a administração atual mantivesse o descaso com a saúde da população que ocorreu em 2020, sem tomar medidas urgentes e necessárias para o enfrentamento do grave momento que estamos passando, que a cada dia toma vida de mais cidadãos, sendo 14 óbitos em Ibimirim e mais de 400 casos confirmados.    

É dito ainda que a Prefeitura de Ibimirim tem em seus quadros as presenças de irmãos do prefeito Welliton: Wellitania Siqueira, na Secretaria de Saúde, e Werlly Siqueira, na Secretaria de Finanças. Nada de ilegal ou imoral há na atitude, pois é plenamente autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Sumula 13, de observância obrigatória para toda a administração pública, seja no nível federal, estadual ou municipal, atesta que as nomeações estão de acordo com a Constituição Federal. Ademais os mesmos possuem qualificação para tanto, o secretário Werlly é formado em Administração de Empresas pela UPE, tendo atuado na iniciativa privada e pública. Já Wellitania é formada em Psicologia, tendo atuado na área de Saúde nos municípios de Ibimirim, Buíque, Tupanatinga e Recife, além do Sistema Penitenciário do Estado.

A matéria veiculada sugere ainda que a contratação de assessoria jurídica pelo Município seria repudiada pelos órgãos de controle. O Tribunal de Contas do Estado (TCE/PE) já emitiu pronunciamentos que não vedam a contratação de assessorias jurídicas por meio de inexigibilidade. A interpretação combinada dos artigos 25, inciso II, e 13, inciso V, da Lei n. 8.666/93 (Lei de Licitações) autoriza, em caráter excepcional, a contratação de serviços técnicos advocatícios, por meio de procedimento de inexigibilidade de licitação, para patrocínio de questões de interesse da Administração Pública, nas quais o objeto seja singular e o advogado ou a sociedade de advogados a ser contratada ostente notória especialização.

Ao contrário do que foi publicado no “Blog do Magno” a gestão anterior (2017-2020) manteve contratos que somavam o valor anual de R$ 147 mil (R$ 108.000,00 + R$ 21.000,00 + R$ 18.000,00), isto em 2020. Em 2017, o valor atingiu a marca de R$ 165 mil. Ocorre que ditos contratos não abarcam todos os serviços prestados pelo escritório contratado, se restringindo somente a duas das oito áreas de atuação do atual contrato. A verdade é que, atualmente, a Prefeitura de Ibimirim faz muito mais por menos. 

A atuação do escritório de advocacia na campanha do prefeito na eleição de 2020, a prestação de serviços foi objeto de contrato e paga com recursos partidários arrecadados durante a eleição, conforme consta na prestação de contas do então candidato (Processo nº 0600235-41.2020.6.17.0128), que foi APROVADA pela JUSTIÇA ELEITORAL em 08/02/2021.

A gestão Weliton Siqueira tem primado por transparência e retidão nos atos e ações que norteia a administração pública, fazendo que cada cidadão e cidadã de Ibimirim saibam que o Município trilha novos caminhos para dias melhores.   

Prefeitura de Ibimirim, 26 de fevereiro de 2021.


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26/02


2021

As contas do faz de conta

Por Everardo Gueiros*

É muito triste constatar que numa época de tragédia coletiva, provocada pela pandemia do coronavírus, um profissional supostamente esclarecido como o presidente da OAB-DF, se entregue ao populismo mais rasteiro ao supostamente prestar contas da sua administração através de um artigo no qual fala bem de si mesmo, desfilando feitos através de uma linha do tempo traçada entre dois carnavais. O advogado Délio Lins e Silva Junior deveria fazer um exame de consciência, uma autocrítica sincera, não um samba-exaltação de si mesmo.

Num ano em que os advogados do Distrito Federal acumularam perdas profissionais provocadas não apenas pela pandemia, mas também pela insensibilidade de parte da magistratura, o doutor Délio vem a público sem a menor cerimônia se vangloriar de ter distribuído comida para mil advogados e garantido exames de mama e de próstata a outros 900.

Faltou pouco para o presidente da OAB-DF proclamar solene que era com “a alma lavada e enxaguada” que prestava contas de todo o bem que fez pela classe dos advogados, a quem deu comida, assistência médica e gastou mais de R$ 1 milhão em “ajutórios diversos” numa “obra que entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país”, como diria Odorico Paraguaçu, personagem criado pelo genial Dias Gomes e imortalizado por Paulo Gracindo.

Odorico encarna os políticos capazes de transformar a desgraça coletiva em ambição desmedida. Como ele, o doutor Délio usa e abusa da condição de ginasta da retórica, ousando falar em qualidade de esperança, como se a esperança das pessoas pudesse ser classificada por tipo, cor, intensidade ou preço. A esperança não é um bem de consumo, nem muito menos uma maquiagem para a auto louvação de quem mistura vaidade com demagogia para sacar frases de efeito, como quando assinala que “com a coragem típica da advocacia, enfrentamos os problemas e hoje posso dizer que nem nos meus melhores sonhos teríamos feito tanto”.

O doutor Délio está em campanha aberta para continuar no cargo de presidente da OAB-DF, mirando a eleição marcada para novembro. Seu açodamento em apresentar-se como o benfeitor dos advogados, reside no fato de ele imaginar que nós somos capazes de trocar dignidade por coisas que nada mais são do que um direito líquido e certo. A OAB-DF não fez mais do que a sua obrigação ao facilitar o pagamento de anuidades ou garantir acesso à saúde e à alimentação. Nós temos uma Caixa de Assistência, da qual fui presidente, e que, entre as suas atribuições, deve atender a este tipo de necessidade.

O que ele não fez, e por isso não tem como prestar contas, foi empenhar-se na defesa intransigente das nossas prerrogativas. Falta ao doutor Délio a atitude de quem conhece em detalhes as dificuldades do dia a dia, o drama do advogado que não consegue despachar com o juiz adequadamente, porque as audiências virtuais viraram peça de ficção, na qual a corda sempre arrebenta do lado do advogado, prejudicado na paridade de forças tão necessária para o bom encaminhamento dos processos.

A OAB do doutor Délio perdeu o vigor a indignação que fez história na nossa entidade, como a centelha a estalar na alma dos corajosos Esdras Gueiros, Maurício Correa, Amauri Serralvo, Esdras Dantas, Estefânia Viveiros, Ibaneis Rocha, Juliano Costa Couto e tantos outros que lutaram e continuam lutando pelas nossas prerrogativas e condições dignas de trabalho. Se o atual presidente da OAB-DF demonstrasse coragem e determinação para enfrentar este desafio – o maior dentre todos provocados pela pandemia – provavelmente teria gastado muito menos dinheiro com assistencialismo e mais energia com aquilo que faz a diferença. Muitos dos nossos advogados não teriam diminuído drasticamente o ritmo de trabalho ou até parado de atuar.

Não sou nem nunca fui contra ajudar e ser solidário com quem precisa. Mas nossa compreensão do problema deve ser mais ampla. A capacidade de prover aos mais necessitados é naturalmente limitada. A ela precisamos somar o compromisso irrestrito de fazer valer o direito ao trabalho, não apenas pelos advogados representados pela Ordem, mas também pela sociedade que depende da Justiça para resolver desde seus problemas mais simples e cotidianos até os mais complexos.

O doutor Délio está oferecendo a colaboração da OAB-DF para participar do esforço da campanha de vacinação, quando, ao invés de ter dado as costas para a sociedade, deveria ter se engajado há muito tempo, seja auxiliando na investigação de denúncias sobre a não aplicação de vacinas nos idosos, de mal uso dos imunizantes ou do seu desperdício. Não falta trabalho para quem quer ação e tem espírito público. É muito confortável ficar sentado no trono do seu escritório tecendo loas a si mesmo, bebendo da sua própria vaidade e achando que fez muito, quando na realidade ficou aquém da sua obrigação. Ele não presta contas; ele faz de conta.

Quando li o artigo do doutor Délio lembrei do livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago e sua narrativa sobre a epidemia de uma cegueira leitosa, baça, da qual ninguém escapa. Ali, natureza humana acaba incontida em seus instintos mais duros e as pessoas se revelam por inteiro, sem freios. Saramago sintetiza tudo na fala, incômoda e real, de um dos seus personagens: “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”.

*Advogado, foi conselheiro federal da OAB, presidente da Caixa dos Advogados do Distrito Federal, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entre os anos de 2016 e 2018 e Secretário de Projetos Especiais do governo do Distrito Federal nos anos de 2019 e 2020.


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