Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes

14/06


2021

Coluna da segunda-feira

Um ciclo com ponto final

Lamentada no País inteiro, com repercussão no Exterior, a morte de Marco Maciel, sábado passado, simboliza também, na verdade, um ciclo que está se fechando em Pernambuco como celeiro exportador de políticos com DNA nacional para atuar em favor do Brasil com assento no Congresso. A Câmara já foi presidida por três pernambucanos – Inocêncio Oliveira, Severino Cavalcanti e o próprio Maciel.

Nilo Coelho, maior expressão política do clã petrolinense, comandou o Senado. Também presidiu a Casa Alta o usineiro João Cleofas, que disputou três vezes o Governo de Pernambuco, perdendo para Agamenon Magalhães, Cordeiro de Farias e Miguel Arraes.Das lideranças forjadas no combate à ditadura – e Pernambuco foi grande protagonista – apenas o senador Jarbas Vasconcelos (MDB) cumpre mandato, hoje, aos 78 anos. Da sua geração, igualmente com visibilidade nacional, Roberto Magalhães, Inocêncio Oliveira, Joaquim Francisco, Egídio Ferreira Lima e Gustavo Krause estão sem mandato.

Deste ciclo, morreram Marcos Freire, Ricardo Fiúza, Carlos Wilson, José Mendonça, Sérgio Guerra, Eduardo Campos, Fernando Lyra, Cristina Tavares, Osvaldo Lima Filho, Maurílio Ferreira Lima, Osvaldo Coelho, Mansueto de Lavor, Antônio Farias e Severino Cavalcanti, todos com mandato de alta relevância, linhas de atuação antagônicas e ideologias as mais dispares. No velho ditado, cada macaco no seu galho, cumpriram papéis relevantes.

O ciclo que se fecha foi inspirado lá atrás. Estado revolucionário, Pernambuco mantém uma tradição em dar pitaco na cena nacional de longe. Já na Constituinte de 1824, tinha 11 representantes, entre eles Manuel Inácio Cavalcanti de Lacerda e Manuel Caetano de Almeida Albuquerque. Em 1946, Gilberto Freyre foi eleito deputado federal constituinte, recebeu vários prêmios e acabou contemplado com o título de Cavaleiro do Império Britânico, concedido pela Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

Eleito duas vezes deputado federal por Pernambuco, Josué de Castro destacou-se no cenário brasileiro e internacional não só pelos seus trabalhos ecológicos sobre o problema da fome no mundo, mas também no plano político em vários organismos internacionais. Outros nomes pernambucanos brilharam no plano nacional, viraram símbolos, como Joaquim Nabuco, líder da bancada abolicionista na Câmara dos Deputados.

Estácio Souto Maior, médico formado em 1935 pela Faculdade de Medicina de Pernambuco, ingressou na vida política filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Elegeu-se deputado federal no pleito de outubro de 1954 e reelegeu-se quatro anos depois. Após a renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961, votou contra a Emenda Constitucional nº 4, que implantou o sistema parlamentarista de governo, sob o qual foi empossado o vice-presidente João Goulart.

Interrompeu o mandato em setembro de 1961, quando foi nomeado ministro da Saúde do governo de João Goulart (1961-1964). Esteve à frente da pasta até junho de 1962, quando retornou à Câmara. Em outro plano, seja ocupando mandato federal ou não, são grandes referenciais políticos como o abolicionista José Mariano, o senador José Ermírio de Moraes, os ex-governadores Etelvino Lins, Barbosa Lima Sobrinho e Agamenon Magalhães.

Conde da Boa Vista, Cruz Cabugá, Rosa e Silva, Estácio Coimbra, Dantas Barreto, José do Rego Maciel, Francisco Julião, os irmãos Suassuna, Armando Monteiro Filho, Francisco do Rego Barros, Miguel Arraes e tantos outros que escapam da minha memória deram a Pernambuco o status da sua vocação: gerar para o Brasil uma geração de benfeitores.

O vice dos sonhos – Homenageado por lideranças de todos os matizes, Marco Maciel era uma unanimidade pelo seu perfil conciliador.  Fernando Henrique Cardoso disse que teve o vice dos seus sonhos. Se somados os dias alternados em que governou de fato nos oito anos de governo de FHC, Maciel ficou mais de um ano na Presidência. Fernando Henrique lhe dedicou espaço em seu “Diários da Presidência — 1995-1996”, lançado em 2015. Em suas 936 páginas, o ex-presidente cita seu vice 122 vezes. Considerado um coordenador político, recebia discretamente levas e levas de políticos em seu gabinete, aliviando o presidente de desgastes desnecessários.

Mal de Alzheimer – A família não divulgou a causa mortis de Marco Maciel, mas o ex-senador perdeu a vida pelas consequências nefastas do Mal de Alzheimer. Após deixar a Vice-Presidência, Maciel seguiu na política até 2011, quando terminou o mandato de senador pelo DEM. Com 20 anos no Senado em dois períodos, sua derrota na última tentativa de reeleição foi como um prenúncio da doença. O que parecia uma depressão foi se agravando.

O início do isolamento – O diagnóstico correto de nada adiantou, mas preparou a família. Até 2014, a doença pouco o afetava, mas Ana Maria, agora viúva, percebeu que o marido não conseguia acompanhar conversas e não lembrava de fatos históricos. “Ele percebia o esquecimento e ficava constrangido. No fim de 2014, não quis mais sair [de casa], só para consultas e coisas corriqueiras”, contou. Como os cuidados especiais exigem o trabalho de uma equipe, o casal mudou do apartamento que possui em Brasília para uma casa alugada onde pudesse acomodar os cuidadores.

Uma ave rara  Junto com Michel Temer, Marco Maciel era um dos ex-vice-presidentes brasileiros ainda vivos. Só que ao contrário do sucessor de Dilma, Maciel jamais rompeu com o titular do mandato, nem tentou ir além de suas atribuições. Visto como uma figura protocolar pelos detratores, seu verdadeiro papel foi de conciliador e de correção. Nunca brigou com FHC, diferente de Itamar Franco, que rompeu com Collor, e José Alencar, peça decorativa de Lula. O atual de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão, já derrapou com as palavras algumas vezes. Maciel primava pela lealdade e jamais foi duro com o superior hierárquico acomodado na cadeira presidencial.

Amansou até ACM – Diplomático, o maior feito de Maciel é praticamente desconhecido. A ele é creditada a capacidade de conter o explosivo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL/DEM-BA), que presidiu a Casa de 1997 a 2001. Ele também ajudou a dissipar o escândalo da pasta Rosa, que denunciava o financiamento ilegal de campanhas de aliados do governo. Seus críticos diziam que ele jamais se expunha. Durante os governos Sarney e Collor, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB) afirmava que o senador Maciel era capaz de falar por horas sobre os assuntos mais complexos sem proferir nenhuma opinião ou se posicionar, mesmo sendo presidente do PFL.

CURTAS

Alternativa – Não era de todo verdade. Egresso do movimento estudantil no início dos anos 60, Marco Maciel entrou na Arena, partido de sustentação da ditadura militar, sendo eleito deputado estadual e federal. No ocaso dos militares, defendeu abertamente a volta da democracia e chegou a ser cogitado como alternativa civil à Presidência do general João Figueiredo (1979-1985).

O rompimento – Depois, Maciel rompeu com o PDS, sucessor da Arena, ajudando a criar o PFL, que se alinhou com Tancredo Neves contra Paulo Maluf na eleição indireta para suceder Figueiredo. Nessa época, era presidente da Câmara. Foi conservador, claro, mas nem de longe era omisso ou um mero cortesão político. É uma triste ironia que um mestre do diálogo tenha sido enclausurado no labirinto de sua mente deteriorada, chegando a morrer, justamente nesses tempos de tamanho embate político.

Perguntar não ofende: Marco Maciel será lembrado em logradouros públicos, a partir de agora, tanto como Eduardo Campos? 


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Petrolina abril 2021

13/06


2021

Em pré-campanha, Duque recebe apoio de prefeito

Serra FM

Pessimismo é uma palavra que foi riscada do dicionário do ex-prefeito de Serra Talhada Luciano Duque (PT) quando o assunto é a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nas eleições do ano que vem.

Somando apoios a cada dia, o ex-prefeito petista vem abrindo seu leque da Região Metropolitana do Recife (RMR) ao Sertão do São Francisco e anunciou mais um apoio importante na região.

“O prefeito de São José do Belmonte, Romonilson Mariano, gestor competente que faz um grande trabalho, fechou apoio a minha pré-candidatura, bem como o ex-prefeito, Marcelo Pereira. Estou muito satisfeito e honrado com estes apoios”, declarou Duque, durante entrevista ao comunicador Francys Maya.

Ainda durante a entrevista, Luciano Duque ratificou que pretende priorizar a pauta municipalista na Alepe, caso seja eleito deputado, e brincou parafraseando o ex-vereador Pessival Gomes. “Serei o trator do Sertão, pode ter certeza”.


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Ipojuca 2021

13/06


2021

Gonzaga entrega tratores para agricultores de Trindade

Agricultores familiares do município de Trindade foram beneficiados com dois tratores na última sexta-feira (11). Os veículos e os implementos agrícolas foram adquiridos com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Gonzaga Patriota (PSB), que esteve no município para entregá-los às duas associações responsáveis.

O primeiro equipamento beneficiou a Associação dos Moradores do Sítio Alegre, que possui 80 associados, presidida por José Alves Delmondes, conhecido como Zeca de Messias. O ato de entrega do trator com grade e arado, contou com a presença dos suplentes de vereadores Lamarth Piancó e Jailson. 

Já a segunda máquina, com implementos agrícolas, grade e arado, foi entregue a Associação dos moradores da Mangueira, que possui 130 associados e tem como presidente o professor Jailson Franco de Lima, conhecido como Jailson da Mangueira. 

Gonzaga Patriota destacou que as associações poderão melhorar as atividades rurais dando mais eficiência ao processo produtivo. “Com o recebimento dos tratores e dos implementos agrícolas, as associações poderão melhorar as atividades rurais dando mais eficiência ao processo produtivo e aumentando a produtividade de vários segmentos. Além disso, os equipamentos vão ajudar muito os pequenos agricultores no preparo da terra, para que possam produzir e levar comida até a mesa da população”, disse o socialista. 

Ainda na sexta-feira (11), o parlamentar também esteve em Lagoa Grande, Santa Cruz da Venerada, Ouricuri, Bodocó, Araripina e Santa Filomena.

MARCO MACIEL – Gonzaga lamentou o falecimento do ex-vice-presidente Marco Maciel: “O Brasil perde um grande homem público, uma referência do diálogo com todas as forças da sociedade. À família e aos amigos, meus sentimentos neste momento de profunda dor.”


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Caruaru

13/06


2021

Coutinho quer baratear habilitação para cinquentinha

O deputado federal Augusto Coutinho (Solidariedade-PE) apresentou o Projeto de Lei 1163/21, que determina que o candidato à obtenção de autorização para conduzir ciclomotor será dispensado de participar de cursos e provas teóricas e de prática de direção. Para esta autorização, será apenas exigido um requerimento por parte do futuro condutor.

Com isso, os pilotos de ciclomotores, popularmente chamadas de cinquentinhas, poderão reduzir os custos ao iniciarem os preparativos para conquistarem a Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC). “Antes, não existia essa necessidade para os ciclomotores. É uma resolução recente que decidiu que tivesse. Na verdade, a gente quer baratear o custo da habilitação para esse tipo de moto”, comentou Coutinho.

O ciclomotor é o veículo de duas ou três rodas cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a 50 km/h. Hoje, para obter a ACC, é preciso ter pelo menos 18 anos e ser aprovado em exames psicológico, de aptidão física e mental e de prática de direção, além de conhecer as leis de trânsito. “Com a exigência da ACC, nas atuais condições, muitos pilotos adquiriram motocicletas e hoje não podem utilizá-las. Na verdade, nossa intenção é fazer com que essas pessoas continuem a ter a condição deste transporte que é muito útil”, completou o deputado.

De acordo com o parlamentar, em cidades do interior nordestino, esse tipo de transporte é de suma importância para a mobilidade da população com baixa escolarização e difícil condição econômica. “Isso vai a dois sentidos: baratear o custo e dar condição ao analfabeto funcional para que ele tenha acesso a esse tipo de veículo”, completa.

A proposta em análise na Câmara dos Deputados altera o Código de Trânsito Brasileiro. O texto prevê ainda que órgãos estaduais autorizarão a prática de direção de ciclomotores em dias, horários e locais definidos. O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O deputado Augusto Coutinho reforça que o projeto está aberto a discussões de órgãos reguladores, como Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e a sociedade em geral.


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13/06


2021

Radialista detona governador por situação da Saúde

O radialista Edson Silva fez duras críticas ao governador Paulo Câmara (PSB), na última terça-feira (8). A motivação do comunicador é a situação da Upae (Unidade Pernambucana de Atenção Especializada) Palmares, que, pelo estado de abandono, não pode receber pacientes (assista).

O desabafo de Edson Silva ocorreu durante apresentação de seu programa na Rádio Cidade 87,9 FM, de Palmares, na Mata Sul pernambucana. O comunicador chega a chamar o governador de "irresponsável" e profere alguns palavrões.

Edson Silva cita o caso de uma pessoa diagnosticada com o novo coronavírus em Tamandaré, cidade do Litoral Sul do Estado, que teve de ser internada no Recife por falta de leitos na região.

O próprio radialista já esteve acometido com a Covid-19 e lembrou que foi internado no Hospital Regional de Palmares, onde, segundo ele, 100% dos leitos estão ocupados. "Passei duas madrugadas numa cadeira de plástico de bar", relatou.


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Comentários

Mesquita

A culpa é de Bolsonaro que protelou a compra da vacina, por isso todo esse problema.


CABO

13/06


2021

Não sei nem como contar

A vida nos prega peças muito difíceis de compreender. Antes da pandemia, estive em Fortaleza e Salvador cumprindo uma pauta sobre mobilidade urbana. Na capital baiana, fui ciceroneado pelo meu amigo Edson Barbosa, o Edinho, famoso publicitário, responsável, dentre outras façanhas pelo marketing do ex-governador Eduardo Campos. Num almoço, ele me apresentou o delegado aposentado Valdir Barbosa, uma figura. Muito mais para intelectual refinado do que para a difícil profissão que abraçou.

Na verdade, um poeta. Vivia fazendo tertúlias de amor à esposa e à vida. Quando a ele fui apresentado por Edinho, informou que tinha um grande amigo em Pernambuco, o prefeito de Vertentes, Romero Leal, também delegado aposentado. Valdir acabou virando um grande amigo online.

Estava na minha lista de transmissão dos links do blog e vez por outra me mandava poesias, verdadeiras declarações de amor à esposa, por quem era apaixonado os quatro pneus, como se diz no meu Pajeú.

Hoje pela manhã, recebo um telefonema de Romero Leal, extremamente abatido, inconsolável, informando que Valdir havia cometido suicídio. Ninguém conhece ninguém. Acho que o próprio ser humano não conhece a si próprio.

Valdir era alegre, divertido, contador de causos, atento às questões nacionais. Comentava quase sempre as postagens do meu blog e vivia me convidando para passar um fim de semana em sua casa, junto com Romero e esposa, em Salvador. Romero, aliás, não está acreditando na hipótese de suicídio, embora desconfie.

A desconfiança se dá pelo último poema em vida que Valdir fez, com o título Confuso. "Meus refletires deixam-me obtuso. Não sei se sigo ou fico aonde estou. Antes era o certo, agora estou confuso", escreveu.

Tem um autor desconhecido que deixou uma frase que pode até não explicar o estado de espírito de Valdir, mas serve de reflexão:  "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos".


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Bandeirantes 2021

13/06


2021

Final do livro: o NE na visão dos investidores

O livro O Nordeste que deu certo, de minha autoria, de 1993, que postamos aqui ao longo dos últimos dias, capítulo por capítulo, destacando experiências bem sucedidas nos nove Estados da Região, foi uma tentativa de quebrar preconceitos. Mais do que isso, de abrir um paradigma longe do velho e surrado argumento de que o Nordeste, visto lá fora apenas pelo viés da seca e da miséria, é um enfardo para o País, sorvedouro do dinheiro público.

O livro desmistifica o Nordeste, mostra que a Região cresceu na década de 90 mais do que o Japão, bateu o próprio Brasil, atraiu investimentos geradores de emprego e renda, shoppings modernos e gigantes, como o do Recife, o maior da América do Sul. Atraiu um parque tecnológico invejável, virou uma nova fronteira agrícola, produzindo frutas irrigadas e soja. É, hoje, o maior produtor de manga e uva do País, que chegam aos mercados do Exterior fazendo muito sucesso.

O Nordeste tem destaque, ainda, na produção de petróleo, sal-gema, minerais em geral, gesso, sal e virou a coqueluche do gás natural a partir de Sergipe, com forte influência da Bahia ao Maranhão. No capítulo final, abaixo, colhi o depoimento de empresários, políticos, economistas e investidores. Veja o que eles disseram há 28 anos:

O Nordeste pelos nordestinos

Capítulo final 
       
Paulo Souto, vice-governador da Bahia e ex-superintendente da Sudene

“Os sulistas tentam fazer uma campanha contra o Nordeste sob todos os prismas, para denegrir a imagem da Região. Existe movimento mais atrasado e antipatriótico do que o separatismo pregado pelos gaúchos? Os investimentos aqui tiveram retorno, enquanto no Sul há experiências fracassadas, como os US$ 10 bilhões perdidos com programas nucleares ou ainda a bolada desperdiçada na Ferrovia do Aço. Vale lembrar a diferença de que os investimentos no Nordeste geraram riqueza e milhares de empregos, além de terem viabilizado 1.500 empresas, que hoje são responsáveis por mais de 80% do ICMS e IPI recolhidos no Nordeste”.

 João Alves de Melo, presidente do Banco do Nordeste (BNB):

“O balanço de todas as entradas e saídas de recursos no Nordeste mostra que a Região tem sido sempre superavitária, desmentindo a falácia de um Nordeste eterno sorvedouro de recursos da União. Os recursos já aportados via FNE (Fundo Constitucional de Investimentos) no Nordeste, da ordem de US$ 1,2 bilhão, possibilitaram a geração de 405 mil empregos diretos e indiretos. Infelizmente, os problemas da Região são, não raro, abordados de forma apressada e tendenciosa, levando a interpretações equivocadas, seja apontando uma suposta inviabilidade econômica da Região, seja defendendo um assistencialismo que não se coaduna com o esforço sério no sentido de promover as transformações estruturais da economia”.

Cássio Cunha Lima, superintendente da Sudene:

“Tentam fazer uma campanha distorcida contra o Nordeste e principalmente para atingir a Sudene. Os recursos do Governo Federal não foram mal aplicados. Não concordo com essa opinião porque 80% dos impostos arrecadados na Região são de empresas que receberam incentivos via Finor. O que nós não tivemos, na verdade, foi um bom desempenho no campo social, mas isso é fruto do modelo concentrador de renda do País, e o Nordeste não fica à margem disso. Temos a economia que mais cresceu nos últimos anos. Investir no Nordeste é lucro certo. A Região oferece vantagens incomparáveis, tem um potencial de trabalho impressionante e múltiplas vocações”.

Joaquim Francisco, governador de Pernambuco:

“O Nordeste não é um saco sem fundo. O dinheiro empregado na Região, a título de subsídio, teve retorno e hoje corresponde a mais de 50% dos impostos recolhidos. Existe uma distorção enorme quando se proclama que somos um sorvedouro dos recursos da União. Em 30 anos, a Sudene recebeu apenas US$ 8 bilhões, para 10 estados. Só o metrô de Brasília custou US$ 2 bilhões, e o de São Paulo, US$ 12 bilhões. O Nordeste é uma Região de grande potencial. Em Pernambuco, por exemplo, temos 100 mil hectares irrigados no Vale do São Francisco, que geram 200 mil empregos diretos e indiretos. Recife é o segundo polo médico do País e somos o segundo polo de avicultura da Região”.

Francisco Alves, dono do Grupo Fribasa, com sede na Bahia, que tem um faturamento anual de US$ 100 milhões:

“O Nordeste pode ter um grande futuro. Basta deixar o pessimismo de lado e trabalhar de verdade, governo e empresariado. Ao contrário do que alguns setores defendem, o BNB e a Sudene têm feito um grande esforço na tentativa de minimizar as diferenças entre o Nordeste e as regiões Sul e Sudeste. Infelizmente, estas entidades não recebem a contrapartida necessária do Governo Federal. Um exemplo disso é a atual situação do Finor, cujas verbas não foram repassadas a mais de 700 empresas beneficiárias do fundo. Há 20 anos, quando decidimos investir no cerrado baiano, poucas pessoas acreditaram que algum negócio pudesse dar certo naquela região, quase um deserto”.

Fernando Santos, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento e vice-presidente do Grupo João Santos, que atua em todo o País nas áreas de cimento (12% da produção nacional), agropecuária, comunicação, fabricação de papel e transporte aéreo e que, em 92, faturou só em Pernambuco US$ 100 milhões:

“Apesar das limitações impostas pelos fatores climáticos, o Nordeste tem seguras perspectivas de desenvolvimento, não apenas pela infraestrutura, capaz de alavancar o crescimento agrícola das novas fronteiras do São Francisco, desenvolver o turismo no litoral ou viabilizar o potencial econômico da Região, mas também pelo vigor criativo do seu empresariado e a histórica vocação de serviços”. 

Empresário João Carlos Paes Mendonça, dono de um império, a rede de supermercados Bompreço, que, em 92, obteve um faturamento de US$ 600 milhões:

“Acho que os empresários que investem na Região têm um retorno menor. Mas o Bompreço fixou-se no Nordeste por opção, por ser um grupo da terra e por acreditar na capacidade e competência do seu povo. O povo nordestino pode mudar qualquer imagem negativa que se faça da Região. Basta unir esforços e dar exemplos através do trabalho. O Bompreço foi a empresa que apresentou maior aumento de vendas no Brasil e isso nos deixa satisfeitos, porque mostra que estamos fazendo cada vez melhor aquela parte da função social. Experiências bem sucedidas como a minha demonstram que, com verdade, abnegação e muito trabalho se pode transformar os investimentos feitos em resultados positivos”.

Sávio Vieira, presidente da Associação das Empresas do Nordeste, com negócios agropecuários na Bahia, que representam um faturamento de US$ 15 milhões/ano:

“Toda e qualquer coisa negativa que ocorre no Nordeste é superdimensionada, como se os nordestinos tivessem o monopólio dos erros brasileiros e o Sul fosse só maravilha. Fica a imagem de que o Nordeste é ruim porque não prestam nem sua terra nem sua gente. Os investimentos no Nordeste deram e continuam dando bons resultados. Basta olhar o polo petroquímico da Bahia, o polo têxtil do Ceará ou a pujança do Vale do São Francisco. Em toda a sua existência, a Sudene investiu US$ 8 bilhões em empresas nordestinas. O que é um montante sem significação ao se comparar com os investimentos desastrados realizados no Sul e Sudeste, a exemplo dos mais de US$ 10 bilhões na experiência fracassada do programa nuclear”.

Gustavo Maia Gomes, economista e coordenador do estudo sobre a economia do Nordeste que aponta o crescimento da Região em níveis maiores que o do Japão em 20 anos:

“O Nordeste também cresceu em termos sociais. A pobreza se reduziu, a renda real dos mais pobres se elevou e todos os indicadores sociais relevantes melhoraram. Este crescimento está associado aos programas oficiais de apoio ao investimento. Isso não equivale dizer que não houve desperdício e ineficiência. Muito mais poderia ter sido feito, particularmente nos anos mais recentes, quando entidades de desenvolvimento regional foram contaminadas pela nomeação de dirigentes medíocres, escolhidos por critérios da mais mesquinha conveniência política”.


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Serra Talhada 2021

13/06


2021

Alessandro Vieira: CPI tem provas para acusar Bolsonaro

O senador sergipano Alessandro Vieira (Cidadania) votou em Jair Bolsonaro para presidente nas eleições. Se arrependeu e hoje é crítico ao trabalho dele. "Ficaria satisfeito se o brasileiro saísse desse processo entendendo a importância de avaliar melhor o voto, porque, assim, jamais contrataria um cara com o perfil do Bolsonaro para levantar um muro na sua casa, pintar uma parede, porque é claramente ineficiente, despreparado, equivocado”, avalia.

Em entrevista à revista Política Democrática online de junho, editada pela Fundação Astrojildo Pereira, em Brasília, ele justifica a escolha de 2018: “Jamais votaria no projeto do PT, um projeto de todo contrário à minha história, na forma de pensar, de aparelhamento do Estado e destruição do aparato de repressão a crimes graves de colarinho branco. Só que Bolsonaro foi uma decepção completa de A a Z”, critica Alessandro Vieira.

Ativo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado, Alessandro Vieira reforça que o colegiado já tem elementos contundentes relacionados à culpa do Bolsonaro (sem partido) pelo fracasso ao enfrentamento à pandemia. “Já temos vários indicativos que apontam para uma responsabilidade direta do presidente da República, no rastro de teorias conspiratórias, da negação da vacina, da defesa de remédios sem nenhum tipo de validação científica”, afirma o senador.

A nova edição da revista pode ser acessada, gratuitamente, no portal da entidade. Delegado da Polícia Civil e senador em primeiro mandato, Alessandro Vieira tem se destacado pela forma contundente como participa dos interrogatórios conduzidos pela comissão.

O parlamentar avalia que a CPI poderá oferecer condições para apresentação de relatório com provas contundentes de como o Brasil chegou ao quadro de pandemia descontrolada. Para o senador do Cidadania-SE, episódios como o vivido atualmente no país com a CPI permitem que se abra uma janela de esperança, de oportunidade para as pessoas enxergarem diferenças de conduta em relação às pessoas que elas elegeram.


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13/06


2021

Lula, Doria e Tite

Por Adriano Oliveira*

Existe equívoco quanto à polarização no Brasil. Aliás, não existe polarização. Foram várias pessoas que a condenaram equivocadamente. O raciocínio era simplista. De um lado, o presidente da República. Do outro, o ex-presidente Lula. Não estava presente terceiro candidato competitivo. Conclusão: o Brasil convivia com a polarização extremada.

O termo extremo qualificou a polarização Lula versus Bolsonaro. Outro erro. A ausência de evidências condenava a qualificação. A era Lula teve parceria com o Centrão, nomeação do primeiro colocado da lista tríplice enviada pelo Ministério Público Federal, um grande empresário na vice-presidência da República, Henrique Meirelles no Banco Central. Como afirmar que Lula é extremo? As críticas corriqueiras do ex-presidente Lula à imprensa são suficientes para classificá-lo como extremo?

Chega a Covid-19 ao Brasil. O competente João Doria enxerga condições de fabricar vacinas. O Butantan larga na frente. Nas redes sociais, o governador de São Paulo passa a ser classificado como “calcinha apertada”, oportunista. João Dória sofre desconstrução por parte do bolsonarismo radical por fazer louvável e óbvia opção de salvar vidas.

Tite é técnico moderno. Futebol alegre. Tite nunca teve forte rejeição da torcida brasileira. Ao contrário. Porém, o atual treinador da seleção não foi firme na defesa da Copa América no Brasil. Por consequência, os bolsonaristas radicais passaram a atacá-lo. Tite não é candidato à presidente da República, mas virou inimigo do bolsonarismo radical.

Lula, João Doria e Tite são exemplos de que a polarização não existe no Brasil. Lembro também de Sérgio Moro, Mandetta, general Santos Cruz. Qualquer indivíduo que discordar das atitudes do presidente Bolsonaro será imediatamente desqualificado. Para o bolsonarismo radical não existe adversário. Mas inimigo a ser combatido e eliminado. Portanto, o único extremo presente é o bolsonarismo radical.

A polarização numa disputa eleitoral de dois turnos é natural. Ela sempre existirá no Brasil. O que é incomum em nosso país contemporâneo é a polarização tóxica. De um lado, o sujeito democrático, autônomo e livre para expressar as suas ideias. Do outro, o sujeito que descontrói imagens, carreiras. O fabricante de inimigos. O bolsonarismo radical atrelado ao militarismo do governo colocam em risco a democracia brasileira. Não podemos falar em eleição presidencial vindoura sem considerar as ameaças do bolsonarismo radical para o pleito.

*Doutor em Ciência Política e professor do Departamento de Ciência Política da UFPE


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Comentários

Mesquita

GENTE OS MOTOQUEIROS SÃO POLICIAIS (EXERCITO,POL.MILITAR MILICIANOS), PAGOS R$ 2.000,OO POR CABEÇA, SEGUNDO UM MOTOQUEIRO DA REGIÃO.


Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

13/06


2021

Grupo faz ato simbólico contra Copa América em Brasília

Um grupo de manifestantes fez um ato em Brasília, hoje, contra o presidente Jair Bolsonaro e a realização da Copa América no Brasil. Segundo os organizadores, cerca de 40 pessoas participaram. As informações são do Poder360.

O protesto começou com a entrega de panfletos na Rodoviária de Brasília. Em seguida, os manifestantes foram para a frente do estádio Mané Garrincha e fizeram a encenação de um tribunal que julgou a Conmebol e a condução do combate à covid feita por Bolsonaro. Ao fim, a corte fictícia "decidiu" pelo impeachment do presidente.

O ato simbólico foi organizado pelos movimentos Bem Viver, Afronte, Unidade Popular, Brigadas Populares, Juntos, e pelo PCB. Segundo Thiago Ávila, do Bem Viver, o protesto foi um “esquenta” para as manifestações contra Bolsonaro, marcadas para o dia 19 deste mês.

“Foi um evento simbólico. Estamos centrando nossas forças de mobilização para o grande ato do dia 19. Agora é colocar toda a energia para protestar contra Bolsonaro”, afirmou ao Poder360.

COPA AMÉRICA

A abertura da Copa América será neste domingo, às 18h, com o jogo Brasil e Venezuela. A partida será no Mané Garrincha. Bolsonaro recebeu críticas por ter aceitado que o Brasil sediasse o evento. A seleção brasileira chegou a cogitar não jogar.

Pesquisa do PoderData realizada na última semana mostrou que a maioria da população é contra a Copa América. De acordo com o levantamento, 55% dos brasileiros são contra o Brasil sediar o torneio de futebol, enquanto 35% são a favor e 10% não sabem como responder.


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