Ipojuca

12/01


2018

Temer se reúne com Meirelles após nota baixa do Brasil

Blog da Andréia Sadi

O presidente Michel Temer chamou, hoje, ao Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A conversa é a primeira realizada pessoalmente entre os dois após a agência Standard & Poors rebaixar a nota brasileira nesta semana.

O presidente não gostou da declaração de Meirelles responsabilizando o Congresso pela não aprovação de medidas de ajuste pelo Congresso.

Rodrigo Maia criticou a declaração do ministro e falou com Temer sobre o assunto.

Na avaliação de Temer e Maia, Meirelles "’errou o tom" das críticas porque sabia que o Congresso não votou as medidas do ajuste fiscal do governo em razão de estar às voltas com as duas denúncias contra o presidente.


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Comentários

Comicozinho

Lula é filho do Brasil.

Comicozinho

Bolsonaro em 2015: A Dilma é culpada pela compra de Pasadena.Tá na Folha! Bolsonaro em 2016: cometeu pedalada, sim Tu acha um jornal do porte da Folha de S. Paulo ia falar algo se não fosse verdade? Bolsonaro em 2017: Lula tem que ser condenado depois de tudo isso que a Folha publicou! Bolsonaro em 2018: A Folha é mentirosa! Não acreditem em nada que ela fala! Esse jornal comunista quer destruir minha reputação. Cabra safado! .ririririiriririririririririririririririirriririririririri

Comicozinho

Para onde caminhará a manada agora que a candidatura Bolsonaro se desfez como castelo de areia ?

marcos

Por que Lula não pede o Fora Temer?

marcos

Quem foi que Quebrou o Brasil?... Lula..... Acertou .... Mizeravi...

Comicozinho

Tragédia anunciada: ECONOMISTAS PREVEEM NOVOS REBAIXAMENTOS DO BRASIL : Não era só tirar a Dilma que ia melhorar? Se fuderam!


Gravatá

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21/07


2018

O peso do Cantrão

Folha de S.Paulo - EDITORIAL – O  que a Folha pensa

Apoio esperado de partidos fisiológicos dará alento à candidatura de Geraldo Alckmin

Poucas vezes se viu uma sucessão presidencial tão cercada de indefinições como as que têm caracterizado o atual momento. A desagregação partidária e o desgaste de lideranças imprimem, sem dúvida, elevado grau de incerteza à campanha que se aproxima.

Ao menos num ponto, todavia, os entendimentos com vistas ao pleito de outubro parecem acomodar-se num leito já conhecido.

Depois de uma fase de oscilações e desencontros, o chamado centrão prepara-se para anunciar seu apoio ao pré-candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin.

Os comandos de DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB abandonam, assim, as perspectivas de um acordo com Ciro Gomes (PDT) ou com Jair Bolsonaro (PSL), em favor de um nome que, embora menos favorecido pelas atuais pesquisas de opinião, há de ser-lhes mais confiável.

Não foi diverso, para começar, o esquema que deu sustentação ao governo Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990.

Se o paralelo parece distante no tempo, é inegável que, do ponto de vista programático, persistem as afinidades entre um partido de perfil mais liberal e reformista, como o PSDB, e a colcha de retalhos fisiológica e conservadora que se costura à sua volta.

aliança em formação tende a fazer mais sentido, com efeito, do que a conjunção resultante de um apoio a Ciro Gomes, cuja confusa mensagem eleitoral envereda pelo campo da esquerda, ou com o direitismo simplório de Bolsonaro.

Não que amálgamas desse tipo sejam impossíveis. Com exceção do DEM, as siglas do centrão deram longo respaldo a governos petistas, cabendo ao pragmatismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvaviabilizar suas demandas enquanto mantinha acesas as esperanças e ilusões da militância.

Tal arranjo desaguou, como se sabe, em escândalos detectados em escala inédita nos episódios do mensalão e da Lava Jato —e, mais à frente, em rompimento com a gestão econômica e politicamente inepta de Dilma Rousseff.

Se confirmado, o acordo constituirá a melhor notícia para PSDB e Geraldo Alckmin desde o início da corrida presidencial. Seu tempo de propaganda na TV crescerá de modo expressivo —os números exatos dependem da quantidade  de postulantes— e sua campanha ganhará maior enraizamento nos cenários regionais.

O preço desse acordo, em termos eleitorais, já está de certa forma contabilizado. O ex-governador paulista não poderá se apresentar como um renovador dos costumes políticos ou um paladino da ruptura institucional —imagem que nunca foi sua.  

Seu desafio, nesse sentido, é o que acompanha toda a política brasileira: desvencilhar-se do lastro de atraso de um grupo de legendas cujo apoio nenhum governo, afinal, tem conseguido dispensar.


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Cabo

21/07


2018

Desculpas de Alckmin e tudo OK com Paulinho

Paulinho da Força mantém apoio a Alckmin após pedido de desculpas

Portal Poder 360

O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força, disse ao Poder360 que está mantido o apoio do partido ao pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin. Segundo ele, o tucano lhe telefonou na noite desta 6ª feira (20.jul.2018) e garantiu que será reaberta a discussão sobre a contribuição sindical.

“Ele me ligou ontem por volta das 23h e me pediu desculpas. Disse que está mantido o acordo em relação à contribuição. Temos uma reunião marcada para amanhã com 1 grupo de sindicalistas”, disse.

Nesta 6ª feira, 1 dia depois de o Centrão acertar aliança com Alckmin, o pré-candidato postou em seu Twitter uma mensagem dizendo que “nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista” será revogado. “Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical”, disse.

A publicação colocou em xeque o apoio do Solidariedade a Alckmin e deu força à possibilidade de a legenda se reaproximar de Ciro Gomes, candidato do PDT.

Segundo o deputado, o tucano disse que o tweet foi uma “trapalhada” de sua equipe. A postagem, entretanto, permanece publicada na página.

Ao contrário do que está circulando nas redes, não vamos revogar nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista. Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical.

Paulinho disse ter recebido ligações de apoio também do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de presidentes das siglas do Centrão.

O imposto sindical foi extinto pela reforma trabalhista. O deputado discute com o tucano não o retorno da contribuição obrigatória, mas a criação de uma nova forma de financiamento para as entidades.

“Queremos, dentro da livre negociação, criar uma contribuição que seria aprovada em assembleia de campanha salarial, com pelo menos 20% da categoria presente”, afirmou.


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ArcoVerde

21/07


2018

Pernambuco: ala socialista ainda sonha com apoio a Lula

Rosália Rangel hoje no DIARIO

[...]

em Pernambuco, onde o governador Paulo Câmara (PSB) já declarou apoio a Lula independentemente da direção nacional aprovar ou não a parceria com o petista, não haverá empecilho  para o partido trabalhar em favor da campanha do ex-presidente. Segundo informações da sigla, não existe impedimento legal para o governador tomar esse posicionamento. O questionamento poderia partir da executiva nacional que, na opinião dos socialistas, não deve acontecer. As exceções (de liberar os estados), mesmo o partido apoiando outro candidato, acontecem por conta das perculiariedades regionais.

A defesa dos pernambucanos a Lula, por exemplo, tem a ver com o trabalho realizado por ele no estado quando Eduardo Campos era governador (por dois mandatos). Além disso, lembram que o PSB sempre esteve ao lado do petista (desde 1989) e agora quando o ex-presidente passa por dificuldades (preso em Curitiba) o “PSB não pode lhe virar as costas”. A grande ala de socialistas que defende Lula vem justamente do Nordeste. Na região, apenas o Ceará e Piauí querem a coligação com Ciro Gomes.


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21/07


2018

Bolsonaro: Alckmin-Centrão "é nata do que não presta"

Aliança de Alckmin com centrão juntou alta nata de tudo que não presta, diz Bolsonaro

Presidenciável buscou diálogo com PR para ter o senador Magno Malta como vice

Talita Fernandes – Folha de S.Paulo

O pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ironizou neste sábado (21), aliança firmada por seu adversário tucano, Geraldo Alckmin, com os partidos do centrão —DEM, PP, SD e PR.

“Eu quero cumprimentar o Alckmin. Ele juntou a alta nata de tudo que não presta no Brasil ao lado dele”, disse. O presidenciável fez uma ressalva, afirmando que não se referia aos deputados e senadores.

“A alta nata não quer dizer os parlamentares. A nata que define, que decide as situações”, disse.

Apesar de criticar o bloco de partidos, o deputado viu na última semana naufragar sua tentativa de firmar aliança com um deles, o PR de Valdemar Costa Neto, ex-deputado condenado no processo do mensalão. Com a parceria, ele tentava atrair o senador Magno Malta (ES) como vice em sua chapa.

Ao fim de um evento de formatura de paraquedistas do Exército, Bolsonaro disse que pretende se eleger para mudar a política do “toma lá dá cá” em Brasília.  Embora critique o centrão, ele diz ter canal aberto para dialogar com parte do centrão.

“Ele [Alckmin] é um general sem tropa porque 40% dos deputados que compõem esses partidos [centrão] têm um compromisso de governabilidade sem o toma lá da cá conosco.”

Ele confirmou que as tratativas com a advogada Janaina Paschoal, autora do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, seguem em curso. Ele disse que as conversas estão em fase de “noivado”.

Bolsonaro criticou a atual forma de o Executivo se relacionar com o Legislativo.

“Se é pra fazer a mesma coisa, não vote em mim. É simples: eu não quero conversar com Sergio Moro em Curitiba. Vocês falam tanto que tem que ter governabilidade... essa forma de governar é que levou o Brasil à ineficiência e à corrupção não encontrada em nenhum lugar do mundo.”


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Prefeitura de camaragibe

21/07


2018

Chapa presidencial: Rands cotado para vice do PROS

Agência Estado

Depois de o empresário Josué Gomes ser o vice cobiçado por presidenciáveis, é a vez do PROS colocar mais um nome no mercado: Maurício Rands. O secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), ex-PT e ex-PSB, foi sugerido para compor chapa com Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Geraldo Alckmin (PSDB). 

O PROS tem encontrado com os três presidenciáveis, além de representantes da candidatura do PT. Para todos, apresenta um documento com quatro linhas gerais: inovação, energia, segurança pública e reforma tributária. “Estamos dialogando com todos, o que a gente abomina é o radicalismo”, disse Felipe Espírito Santo, presidente da Fundação Ordem Social, braço teórico da legenda.

“O PROS não está oferecendo o nome do Maurício Rands a torto e a direito. Estamos vendo qual candidatura vai acolher nossas proposições e ajudar os palanques estaduais. E aí o nome dele surge como um quadro qualificado que tem possibilidade de compor chapa nacional.” 

Filiado ao PROS neste ano, Rands é secretário de Acesso a Direitos da OEA em Washington, nos Estados Unidos. Foi líder do PT na Câmara e deixou o partido em 2012 para se filiar ao PSB e integrar a gestão pernambucana de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014, durante a campanha presidencial. De acordo com Espírito Santo, Rands está de malas prontas e chega ao Brasil neste sábado.

Tempo
Com 11 deputados na Câmara, uma aliança com o PROS garantiria mais 31 segundos de tempo de rádio e TV para a chapa presidencial. Apesar dos diferentes encontros, é talvez com Marina que Rands tenha maior afinidade - ele foi um dos coordenadores de programa de sua campanha em 2014. Para Marina, a aliança com o ex-deputado proporcionaria um salto nos dez segundos que a presidenciável tem hoje. Rands também deixou uma boa impressão de 2014 nos marineiros. “Inteligente” e “eloquente” são adjetivos citados por um interlocutor da Rede. No Podemos, o nome dele também caiu bem. “Gostamos muito da ideia de tê-lo como vice. Seria uma dupla excepcional”, afirmou a presidente da sigla, Renata Abreu. (Agência Estado)


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Asfaltos

21/07


2018

Janot: "Não estou morto, não"

Rodrigo Janot: "Estamos com uma democracia sequestrada por uma aristocracia bandida"

De cavanhaque e 27 quilos mais magro, o ex-procurador-geral da República acredita que algumas decisões que o Supremo tomou recentemente representam uma contramarcha na Lava Jato

ÉPOCA - Jailton de Carvalho e Tiago Herdy

Era início da tarde da terça-feira 17 de julho quando o garçom da churrascaria argentina na Asa Sul, em Brasília, interrompeu a conversa para dizer que havia a opção de almoçar na área externa do restaurante, mais espaçosa. Procurador-geral da República durante o período mais agudo da Lava Jato (2013-2017), Rodrigo Janot, de 61 anos, não perdeu a chance de fazer piada na hora de sugerir a permanência na mesma mesa. “Vamos manter isso. Com Supremo, com tudo”, riu, misturando frases já antológicas de grampos de investigações que flagraram, em momentos distintos, o presidente Michel Temer (MDB) e o senador Romero Jucá (MDB) em confidências nada republicanas.

Vinte e sete quilos mais magro, graças a seis meses de dieta de baixa caloria, cavanhaque novo (estado civil idem) e a pele corada típica de quem saiu do olho do furacão, depois de cinco meses na Colômbia, onde deu um curso sobre combate à corrupção na Universidad de los Andes, Janot escolheu um dos vinhos mais baratos do cardápio, um português alentejano de R$ 98, “com bom custo-benefício” — ao fim do encontro com ÉPOCA, ele fez questão de pagar sua parte da conta de R$ 508.

Preparando-se para mergulhar na iniciativa privada em breve — pretende abrir um escritório próprio especializado em compliance assim que se aposentar —, o ex-procurador-geral da República centrou fogo, durante a entrevista, no ritmo das investigações na gestão de sua sucessora, Raquel Dodge. “Estão num ritmo mais lento do que acontecia antes. Isso é visível”, disse Janot. Ele afirmou que o país vive um momento de “contramarcha da Lava Jato”, agravado pelas decisões da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele criticou o arquivamento de inquéritos sem a concordância do Ministério Público Federal, embora reconheça que os investigadores precisam fazer sua parte. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que... cansa”, disse, recriando o dito popular, antes da entrevista, na qual não autorizou fotos de seu novo visual. (“Minha filha pediu que eu me mantenha discreto”).

 

A seguir, os principais trechos da conversa.

A Justiça brasileira está partidarizada? O Judiciário não é um partido político. E não pode ser. Agora temos exemplos ruins de cima para baixo e de baixo para cima de decisões que sugerem algum engajamento partidário.

Quais são? As decisões mais emblemáticas, que servem de parâmetro para todo o Judiciário, são as do Supremo Tribunal Federal. Então temos de analisar as decisões do Supremo, se elas têm ou não têm um viés que não seja exclusivamente jurídico.

A Lava Jato tem algum inimigo no STF? Em minha época, não tinha. Se hoje evoluiu ou involuiu, não sei. Posso lhe responder com uma frase que não é minha: “Temos de dar um freio de arrumação nisso tudo, temos de ajeitar isso com o Supremo e tudo”.

Esse freio de arrumação aconteceu? Acho que esses processos têm marchas e contramarchas. No momento atual, a gente tem mais contramarchas que marchas.

O senhor pode explicar melhor? Algumas decisões que o Supremo tomou (recentemente) não são iguais às tomadas à época do ministro Teori Zavascki, quando eu era procurador-geral.

O senhor se refere às decisões da Segunda Turma (onde os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes formam maioria)? Eu me refiro às decisões da Segunda Turma, sim.

Elas representam uma contramarcha? Em minha visão de investigador, elas representam uma contramarcha na Lava Jato.

O Supremo arquivou alguns casos relacionados aos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), entre outros, sem manifestação do Ministério Público... É um atropelo injustificado do Supremo. Magistrado não investiga. Quem acusa é o Ministério Público. Quem investiga é o Ministério Público e a polícia. Se provocado, o magistrado tem de se manifestar sobre excessos. Mas magistrado não pode conduzir investigação e dizer que a investigação está assim ou está assado. Determinar um arquivamento sem a oitiva do órgão investigador? Aí nós temos um superjuiz. Um juiz que investiga, que julga, que delibera a política de investigação e a política criminal. Deus me livre.

O Supremo tem arquivado inquéritos por entender que não podem ficar abertos sem resultado concreto. Concorda com esse raciocínio? Uma investigação pode durar dois meses ou um ano e meio. Cada uma tem sua dinâmica. Estamos falando de pessoas poderosas e de organizações criminosas. Para você entender como essa dinâmica operava, não consegue fazer isso em 30 ou 60 dias. Acho errado o Supremo dizer que está demorando demais. O que poderia cobrar é: “Não estou vendo atos de investigação”. Como não há atos de investigação, esse processo não pode ficar eternamente aberto. Agora, se os “atos de investigação” existem, como é que o Supremo pode dizer que demorou demais?

É possível que o sistema político atacado pela Lava Jato tenha se reorganizado para se defender? É uma das hipóteses. As investigações estão num ritmo mais lento do que aconteciam antes. Isso é visível.

A Polícia Federal diz que algumas delações da Odebrecht não vão chegar a lugar algum, que há benefícios excessivos, acordos a toque de caixa. Como o senhor responde às críticas? É uma disputa de poder. Eles (policiais federais) querem participar ativamente de acordos de colaboração. Dizer que os acordos da Odebrecht não resultaram em nada? Várias investigações se seguiram. É um acordo que envolveu 78 pessoas, vários fatos foram trazidos. É obvio que nesse caldeirão alguns vão ter sequência positiva e outros não. Agora, dizer que a colaboração da Odebrecht foi fraca, meu Deus!

Faltam cinco meses para terminar o governo de Michel Temer. Duas denúncias contra ele foram bloqueadas pelo Congresso. É um caso de impunidade? Fiz meu papel, fiz as denúncias bem estruturadas. Não foram baseadas em indícios, mas em provas. Na denúncia da organização criminosa, a PF fez um trabalho primoroso, um relatório de quase 500 páginas. Ele coloca o carimbo na testa do chefe da organização criminosa, chamado Michel Temer. Então, o futuro para esse senhor é incerto e não sabido. Como o STF está restringindo o foro, o caso vai para a primeira instância. São duas denúncias muito sólidas e há mais duas investigações muito sólidas que se seguem contra ele.

O que o senhor espera que aconteça em 1º de janeiro de 2019? Que esses processos baixem e que enfim a Justiça Penal siga seu curso. Quem errou pagou, quem não errou não pagou.

O presidente deveria ser preso? A questão que se coloca não é de se o presidente deveria ser preso ou não. A questão que se coloca é: alguém que comete crime deve ser preso? O Zé da Silva que está na esquina e comete um crime é preso. Por que com o “Alan Silver”, que é um sujeito poderoso e tem dinheiro, todo mundo questiona se ele deve ou não ser preso? Ganhei um livro muito bom de um amigo chileno. A tradução livre em português é: Como a aristocracia sequestrou a democracia. Estamos com uma democracia sequestrada por uma aristocracia bandida. Não toda ela, mas bandidos se inseriram nisso e sequestraram a democracia. Esse tipo de coisa não tem de ter.

A Lava Jato atingiu todas as forças políticas? O senhor acredita nisso? Todas. Me fala uma que não.

Por que ninguém do PSDB está preso? Não sei, tem de procurar o Judiciário. Mas a gente tem um senador importante do PSDB (Aécio Neves), que teve 53 milhões de votos na eleição passada e que era o virtual futuro presidente do Brasil, com denúncia admitida no Supremo.

O que ocorre quando as investigações descem para a Justiça estadual, para a primeira instância? Há uma pressão enorme.

Os casos ficam impunes? Confio na magistratura e nos Ministérios Públicos dos estados. Agora, o sistema é concebido de uma maneira muito cruel. Como é que, em uma carreira de magistratura, para um juiz ser promovido, se faz necessário um ato do governador?

A volta dos processos ao juiz de primeira instância atrapalhou a Lava Jato? Acho que não. A Lava Jato não pertence mais a ninguém. Virou uma força, é uma onda. Ela está indo. São processos com marchas e contramarchas mesmo. O sistema reage. Agora, dizer que a Lava Jato vai acabar, não sei, não.

Crimes que no início da Lava Jato estavam sendo classificados como corrupção hoje estão sendo reclassificados como crimes eleitorais. São poucos casos, mas isso é um absurdo. A Lava Jato bloqueou contas no exterior, descobriu mala de dinheiro andando nas ruas de São Paulo, em apartamento de Salvador, em Belo Horizonte. A solução é botar dinheiro na campanha?

A linha entre financiamento da atividade política e beneficiamento pessoal é tênue. Alguns críticos consideram a linha de atuação da Lava Jato moralista. Qual é a resposta do senhor para essa crítica? Estudos de cientistas políticos sérios revelam que, quanto mais dinheiro na campanha, mais cadeira você obtém na eleição. Dos 20 maiores doadores da campanha de 2010, 12 estiveram envolvidos na Lava Jato. O sistema que a gente quer é esse mesmo? Vamos manter isso?

Benefícios do Judiciário e do Ministério Público, como auxílio-moradia e férias de dois meses, são bancados com dinheiro público. Não são parecidos com formas de corrupção? É completamente diferente. Auxílio-moradia, eu nunca recebi. Sobre férias, tenho uma opinião já antiga, que agora posso reiterar. Numa sociedade em que não há lugar para uma aristocracia, não há lugar para privilégios. Então, temos de ter férias normais (de 30 dias), como todo trabalhador tem.

O magistrado ou integrante do MP que tem imóvel próprio deveria aceitar o auxílio-moradia? Acho que ele não deveria aceitar.

Como será o ministro Dias Toffoli na presidência do STF, considerando a Lava Jato e as posições recentes dele na Segunda Turma? Presidente do Supremo não pode muito. Ele pode muito nos períodos de férias e na fixação de pautas do plenário. Só que existe um plenário que julga os processos. Ou que não julga os processos, se ele não vem. O que tem de haver são critérios objetivos para que você possa levar processos relevantes ao plenário do Supremo.

A alteração na Segunda Turma (Carmen Lúcia assumirá o lugar de Toffoli) pode ser interessante do ponto de vista da Lava Jato? Acho que pode. A alteração da Segunda Turma vai levar a um outro arranjo de ideias na Segunda Turma.

O senhor foi criticado por conceder imunidade penal para executivos do J&F. E também por pedir rescisão do acordo depois da divulgação de uma conversa que foi classificada como conversa de bêbados (entre delatores). Reconhece algum erro no episódio? Não houve erro nem na fixação do acordo, nem no pedido de revogação dele. Um empresário muito rico (Joesley Batista) se acerta com um deputado federal (Rodrigo Rocha Loures) para ter uma conversa com nada mais, nada menos, que o presidente da República no palácio presidencial. Eu, como procurador-geral, nunca consegui entrar sem ter de abrir o vidro, desligar o farol e fazer a identificação visual de quem está dentro do carro. Mas esse (empresário), não. Essa pessoa entra. Grava uma conversa da aristocracia que captura a democracia. Trechos dessa conversa: “Estradas estão obstruídas, temos de abrir outros canais”. Teve uma perícia bem interessante da Folha de S.Paulo sobre essa gravação. Estou esperando as desculpas do jornal até hoje.

Por que tinham de pedir desculpas? Porque fizeram uma violação do estado democrático de direito. A imprensa não é para isso. Eu não sei quais interesses eles estavam defendendo ali, quando disseram que essa gravação tinha de ter sido periciada antes. E mais: apresentaram uma perícia interpretativa de uma pessoa que escuta e interpreta o que ouve.

Qual foi a interferência disso no processo? Criou marola. Deu força para as pessoas dizerem: “Está vendo, essa investigação está perturbada, essa investigação está contaminada”.

A imprensa não deve ser crítica também do Ministério Público? A imprensa tem de ser livre e tem de falar. O editorial, por exemplo, do Estado de S. Paulo é a opinião do jornal, da empresa. Mas quem é que paga essa empresa? Por que o jornal não divulga todo mês quanto recebeu de publicidade oficial?

O senhor está dizendo que eles tiveram opinião crítica porque receberam dinheiro do governo? Não, não. Estou dizendo que eles tiveram opinião crítica. O que eu não sei dizer é o que motivou aquilo ali.

O senhor foi espionado pela Abin? Estou convencido de que não fui investigado pela Abin. Mas fui espionado, sim.

Por quem? O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contratou uma empresa de investigação que pretensamente investigaria contas de colaboradores do exterior. Uma pessoa que trabalha ou tem ligação com essa empresa, em uma festa, confidenciou algo do tipo: “Não, a gente não investiga o procurador-geral, só que, nessa investigação que a gente faz, a gente recebe muitas informações. A gente não descarta informação alguma”. Outras conversas chegaram. Eram conversas de investigados sobre pessoas que agenciavam mulheres em Brasília e eram procuradas para saber se eu tinha saído com alguma delas.

Alvos da Lava Jato tentaram atacar o senhor em sua vida pessoal? Com certeza absoluta. Mas de minha vida pessoal eu não falo.

Como o senhor reagiu a isso? Quando você recebe mensagem de que sabem onde sua filha trabalha e mora, é um negócio complicado. Eu reagi com tranquilidade. Até certo ponto.

A rotina do senhor hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ) é entediante? Pelo que eu fiz (no passado), piece of cake (fácil). É um trabalho sério, pesado, mas não tem aquela cobrança, a dimensão do outro trabalho. Tem uma outra operação que está vinculada a meu ofício. Então, o povo está achando que eu estou morto. Não estou morto, não.


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Bm4 Marketing 7

21/07


2018

Aliados de Temer: nem um pio contra aliança com Alckmin

Nenhum interlocutor do presidente Temer vai recriminar publicamente a quase certa aliança do Centrão com Geraldo Alckmin. Quando o grupo se aproximou de Ciro Gomes, o governo ameaçou com a retirada de cargos.

O tuíte em que Geraldo Alckmin nega que irá ressuscitar a contribuição sindical, postado ontem, foi discutido no grupo de WhatsApp do Centrão. A condição foi imposta por Paulinho da Força (SD), o único reticente com a aliança em torno do tucano.

Os aliados ponderaram que Alckmin precisa colaborar para manter a unidade do grupo. “Será que baixou o Ciro nele?”, brincou um participante.

Paulinho justifica que sua preocupação com a contribuição facultativa é para não perder espaço para a CUT. Diz que a entidade é a única que recebe dinheiro de organismos internacionais.

Azedou. O presidenciável tucano e Paulinho da Força tinham combinado de conversar mais hoje sobre o tema. Depois do tuíte, o deputado desligou o celular. (Coluna do Estadão – Andreza Matais)


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21/07


2018

Aliados de Bolsonaro veem erro tático de generais

Coluna do Estadão - Andreza Matais

Especialistas em definir estratégias, os principais generais da reserva que atuam no jogo eleitoral estão sendo cobrados pelos apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

A crítica é que um erro tático dos oficiais deixou o candidato “na mão” no momento em que mais precisava. Com a recusa do PR de indicar o vice, Bolsonaro buscou os generais Augusto Heleno ( PRP) e Hamilton Mourão (PRTB). Mas, em março, os dois não se filiaram ao PSL, desconsiderando que suas legendas barrariam uma aliança com a candidatura do ex-capitão.

O ingresso do general Heleno no PRP foi considerada a pior falha estratégica. Ele ignorou o fato de Anthony Garotinho, rival de Bolsonaro no Rio, ser a principal figura da legenda. Em respeito à hierarquia, o ex-capitão Bolsonaro não fará críticas publicas.

Bolsonaro já fala agora em Janaina Paschoal (PSL) como vice. Os aliados dizem que a jurista vai ajudá-lo a enfrentar as acusações de machismo. A escolha, porém, é apenas pela falta de alianças.


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21/07


2018

Plano “do delírio” para soltar Lula

A possibilidade de Lula esticar a corda na Justiça até 7 de outubro, dia da eleição, e não indicar outro candidato para substituí-lo ganha adeptos no PT. 

De acordo com um dos conselheiros do partido na área jurídica, a ideia saiu do plano “do delírio” para o da possibilidade a ser estudada.

Em posicionamentos recentes, a defesa do ex-presidente já vem esgrimindo dados que mostram que, em 2016, 145 prefeitos se elegeram sem o registro deferido —70% acabaram revertendo a inelegibilidade e hoje governam suas cidades. (Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo)


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21/07


2018

Desembargador terá de explicar por que soltou Lula

Favreto será defendido por Marcelo Nobre em processos por decisão de soltar Lul. Advogado tentará unificar as investigações no CNJ

Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo

O desembargador Rogério Favreto, do TRF-4 (Tribunal Regional da 4ª Região), escolheu o advogado Marcelo Nobre para defendê-lo nos processos em que terá que explicar sua decisão de libertar Lula, no dia 8 de julho.

Nobre tentará unificar as investigações no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que abriu a primeira investigação contra Favreto. A linha de defesa será a de que decisão judicial não pode ser analisada por órgão administrativo.

 “O Judiciário só age provocado. Houve provocação. Ele era obrigado a decidir. Era o juiz competente e decidiu conforme sua compreensão”, questiona o advogado.

“Vão puni-lo porque fez o que cabe a um juiz fazer? Assim os juízes não terão segurança nem para aplicar a lei conforme suas interpretações.”


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21/07


2018

Caciques do centrão são alvo de ao menos 13 inquéritos

Citados por delatores, líderes de PP, PR, PRB, DEM e SD fecharam com Alckmin

Para triplicar seu tempo de TV na campanha, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) fechou acordo com líderes partidários que têm uma ficha de ao menos 13 inquéritos criminais por suposto envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

Os representantes do centrão que assumiram a dianteira das negociações com o tucano são investigados na Lava Jato, a maioria por por recebimento de propinas da Odebrecht. Os casos motivaram rumorosas operações da Polícia Federal e tramitam no Supremo Tribunal Federal. 

Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República como integrante do chamado quadrilhão de seu partido. Conforme a acusação, ele e outros congressistas recebiam subornos em vários órgãos, entre eles a Petrobras.

O PP tem o maior número de parlamentares citados no petrolão. Tanto que, no capítulo de sua delação sobre os implicados no esquema, o doleiro Alberto Yousseff disse que, no partido, “só sobram dois”. 

Em outros três processos, Nogueira é apontado como beneficiário de até R$ 5,2 milhões em pagamentos de Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC. Neste último caso, foi denunciado por, supostamente, obter R$ 2 milhões para favorecer a empreiteira em obras. 

Nogueira também sofreu medidas de busca e apreensão da PF em abril e, em junho, foi denunciado por tentar obstruir investigações. É acusado de ameaçar um ex-assessor que diz ter testemunhado seus crimes. O Supremo ainda não decidiu sobre a eventual abertura de ações penais contra o senador. 

A PGR também pediu apuração sobre pagamento de propina a Nogueira pela JBS.

Presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força Sindical, também ajudou no acerto com Alckmin. 

No Supremo, ele enfrenta duas investigações sobre fraude e corrupção para liberar cartas sindicais no Ministério do Trabalho. A mais recente veio à tona em maio, com a Operação Registro Espúrio. Paulinho e outros políticos estão proibidos de frequentar a pasta.

Quatro delatores da Odebrecht citaram repasses de caixa dois para o deputado, o que motivou mais dois inquéritos. Nas planilhas de propina do grupo, ele era identificado como Força ou Forte.

Num dos casos sob investigação, o deputado teria recebido R$ 1 milhão em 2014 em troca do “apoio político” dado à empreiteira numa greve. 

Outro inquérito, referente às eleições de 2010, apura recebimento de R$ 200 mil. O dinheiro, segundo os executivos, foi dado ao congressista para que ajudasse na solução de problemas em obras. 

Forte fiador da aliança com o PSDB, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), desistiu de sua candidatura ao Planalto por Alckmin e foi um dos que viajaram a São Paulo para celebrar a aliança com o tucano.

Associado ao codinome Botafogo nas planilhas da Odebrecht, ele é alvo de dois inquéritos. Um apura se recebeu R$ 100 mil pela aprovação de medidas provisórias de interesse do grupo. Outro investiga pagamentos de caixa dois a ele e ao pai, o ex-prefeito do Rio César Maia, em 2008 e 2010. 

O presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, desembarcou da candidatura Bolsonaro para aderir a Alckmin. Condenado e preso no esquema do mensalão, voltou a figurar no noticiário policial em 2016, também por causa da delação da Odebrecht. 

Dois executivos o acusaram de receber propinas nas obras da Ferrovia Norte-Sul. Seu grupo político teria ficado com 4% do valor do contrato da empreiteira com a Valec. 

Chefe do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira da Silva é investigado por, supostamente, receber R$ 7 milhões para que o partido aderisse à chapa de Dilma Rousseff em 2014. O episódio foi relatado por ex-dirigentes da Odebrecht.

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, disse em delação ter negociado repasse de outros R$ 6 milhões ao ex-ministro, em troca da promessa de facilidades na Caixa.

OUTRO LADO

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que havia uma tendência do ex-procurador-geral Rodrigo Janot de “criminalizar a política”. Ele explicou que, no caso sobre recursos da UTC, por exemplo, faltavam elementos até para abrir o inquérito. 

“O Ciro, como presidente do PP, reconhece que fazia os pedidos para doação em nome do partido. A partir daí, o Janot fez ilações irresponsáveis, absolutamente prematuras e sem outro indício que o comprometesse”, criticou Kakay.

A assessoria de Paulinho da Força não retornou a contatos da Folha

Maia disse que prestou os esclarecimentos solicitados e que espera ver tudo resolvido com brevidade. 

Costa Neto informou, também por escrito, que não comenta trabalho de investigação ou conteúdos que serão examinados pelo Judiciário. Marcos Pereira não atendeu telefonemas da reportagem.


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21/07


2018

Auxílio-moradia é para quem precisa?

Enquanto juízes recebem ajuda de R$ 4.378, outros brasileiros dependem de benefício de R$ 400

Fernanda Mena – Folha de S.Paulo

Só num país desigual como o Brasil um juiz recebe R$ 4.378 mensais em auxílio-moradia enquanto os brasileiros que, de fato, não têm onde morar recebem, com sorte, R$ 400 de auxílio-aluguel para arranjar um teto.

déficit habitacional brasileiro atual é de 6,3 milhões de domicílios.

Há um mês, seis ações sobre a legalidade deste benefício estão estacionadas no gabinete do ministro Luiz Fux, no STF. 

Foi ele quem, numa canetada em 2014, estendeu a concessão da verba, antes restrita, a toda a categoria, composta hoje por 18 mil juízes.

Cogita-se encerrar a polêmica incorporando o benefício aos salários dos magistrados, que já estão entre os maiores da República e os colocam no grupo do 1% mais rico do país. 

 

Apelidados de “penduricalhos” pela própria categoria, os auxílios, no plural, ainda incluem um auxílio-alimentação de quase um salário mínimo e, no caso dos juízes federais, um auxílio-pré-escolar de R$ 712.

No mesmo Brasil, 13% das crianças de até 5 anos sofrem de desnutrição crônica por falta de alimentação adequada. E 440 mil daquelas com 4 e 5 anos estão fora da pré-escola, metade delas por falta de vagas.

O generoso auxílio-moradia aos juízes —que existe em versões para membros do Ministério Público e do Legislativo— implica custo extra de R$ 1,6 bilhão anual para os deficitários cofres públicos.

O montante seria suficiente para a construção de mais de 12 mil unidades habitacionais ao ano ou para o custeio de 333 mil auxílios-aluguel mensais de R$ 400 —valor que, diga-se, não paga um cômodo sem janelas no quadrilátero do centro de São Paulo conhecido como cracolândia.

auxílio dos juízes não vai solucionar a complexa questão da moradia no Brasil, consagrada como direito de todo cidadão no artigo 6º da Constituição. No atual contexto social brasileiro, no entanto, sua existência parece insustentável.

O recurso, vale lembrar, sai do bolso dos brasileiros, aos quais caberia a questão: quem precisa de auxílio?


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21/07


2018

Esquerda, direita, um sorriso no rosto

No fundo, a esquerda diz o mesmo que a direita, mas o faz com um sorriso no rosto

Sugerir que franceses que venceram a Copa são estrangeiros equivale a identificar a nação à raça, à cor da pele

Demétrio Magnoli – Folha de S.Paulo

A charge do cartunista jordaniano Mahmoud Rifai correu mundo, difundida por sites e blogs de esquerda. Intitulada "Quem conquistou a Copa pela França", exibe um barco de refugiados africanos do qual emerge um punho negro segurando a taça da Fifa —e, acima dele, a bandeira francesa da qual salta uma mão 
que se apropria do troféu. 

Superficialmente, trata-se de uma crítica da xenofobia e do racismo, tão comuns na Europa de hoje. De fato, é outra coisa, repetida sob formas similares em incontáveis textos e imagens.

A direita sempre diz que os terroristas são estrangeiros —mesmo quando se sabe que, em quase todos os casos, são cidadãos nacionais. Agora, a esquerda resolveu dizer que os jogadores da seleção francesa campeã mundial são estrangeiros –mesmo quando se sabe que todos são, obviamente, cidadãos franceses. 

Entre os campeões, apenas dois nasceram fora da França: o goleiro Mandanda, na República Democrática do Congo, e Umtiti, em Camarões. Na sua maioria, os demais são filhos de imigrantes —e nenhum deles pertence a famílias de refugiados

Sugerir que são estrangeiros equivale a identificar a nação à “raça”, à cor da pele.

A mania nada tem de novo. Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional e pai da atual líder do partido ultranacionalista, acusou os vice-campeões mundiais de 2006 de não representarem a “França verdadeira”. 

Na ocasião, o zagueiro Thuram deu-lhe a resposta precisa: “Le Pen deveria saber que, assim como existem negros franceses, existem loiros e morenos, e não são convocados para a seleção por sua cor, mas 
por serem franceses”. 

E concluiu reivindicando a “França verdadeira” da Revolução de 1789, em contraponto à “França eterna” da direita xenófoba. Agora, sua lição de história (e de política) deve ser ensinada à esquerda.

No fundo, a esquerda diz o mesmo que a direita, mas o faz com um sorriso no rosto. Para a direita, o “diferente” é o veneno que contamina a nação; para a esquerda, é o eterno estrangeiro, africano ou árabe, discriminado pela maléfica potência europeia. 

seleção campeã de Mbappé e Pogba não serve para apagar as discriminações reais sofridas pelos imigrantes na França, nem absolve o governo francês de sua resistência a partilhar com a Alemanha a responsabilidade de dar abrigo ao fluxo de refugiados que cruzaram o Mediterrâneo. Mas também não deveria servir para, sob a cobertura do discurso anti-imperialista, reforçar a mitologia do sangue e da raça.

A França, ao contrário dos EUA, não coleta informações censitárias sobre a origem étnica de seus cidadãos. A "cegueira estatal" deita raízes na tradição de 1789: a cidadania é um contrato político, não um privilégio derivado da "raça" ou da religião.

Mesmo se não funciona como varinha mágica capaz de abolir o racismo ou a exclusão social, tal afirmação radical da igualdade política e jurídica é uma valiosa fronteira simbólica.

O comediante sul-africano Trevor Noah, que comanda o americano Daily Show, deu publicidade à charge de Rifai e qualificou os jogadores campeões como africanos. Numa carta aguda, o embaixador francês nos EUA retrucou que “isto legitima a ideologia que reclama a branquitude como definição exclusiva da identidade francesa”.

A seleção brasileira campeã sul-americana de 1919 tinha ao menos cinco titulares oriundos de famílias de imigrantes, entre os quais o craque Arthur Friedenreich, neto de um alemão e filho de uma professora 
primária negra.

Na época, a esquerda era universalista e não lhe ocorriam as ideias racialistas de qualificar o atacante como “alemão” ou “africano”. 

A esquerda mudou, para pior. Hoje, integra o coral da “nação do sangue”, compartilhando com a direita uma esquina suja que leva os nomes alternativos de “anti-imperialismo” ou “antiglobalismo”.

Le Pen pode descansar. Três Copas depois, a esquerda fala por ele.


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21/07


2018

O candidato bombado

Geraldo Alckmin (PSDB) recorreu ao mercado de anabolizantes da política

Luiz Weber – Folha de S.Paulo

Geraldo Alckmin tomou uma injeção de PMMA. De um dia para outro inflou. Ficou na aparência competitivo  na disputa pelo Planalto (apesar dos 7% de preferência do eleitorado, segundo o Datafolha).

Projeta-se maior após receber doses cavalares de tempo de TV fornecidas pela aliança com DEM, PP, PR, PRB e SD. Uma sopa de letras tão letal quanto a sigla que identifica o silicone usado em cirurgias estéticas.

Magro nas pesquisas, Alckmin recorreu ao mercado de anabolizantes da política (só a base de muita metáfora para entender isso). Para tanto, procurou o líder do PR, o mensaleiro condenado Valdemar Costa Neto.

Valdemar é um Dr. Bumbum da política. Opera na semiclandestinidade, carrega seu estoque tóxico de fisiologismo para inocular nos aliados de ocasião. E está pronto para sair de cena tão logo algo dê errado na coligação siliconada.

Se o tucano —mesmo com um bom naco de TV— não crescer, o PR e alguns associados vão escapar do flagrante e atuar noutra frente.

Assim, flácido, Alckmin vai sofrer as dores de um crescimento artificial e malformado. Pode vir a claudicar em plena campanha. Pior, terá negligenciado a prática de exercícios obrigatórios que sempre fizeram parte do núcleo duro do PSDB e que garantiam a coesão e musculatura do partido mesmo na oposição. Responsabilidade fiscal, reforma do Estado, desaparelhamento, não são o forte desse grupo.

Não se faz política sem alianças ou cavalgando um moralismo extremado. Mas a falta de empuxo da candidatura de Alckmin nesta fase tornou-o presa dos interesses oportunistas dos novos aliados. Já se fala nos bastidores em divisão do butim se o tucano for eleito.

Eleição sem doping, isto é, sem réus da Lava Jato, sem caixa 2, sem fisiologismo, parece ser essa a demanda reprimida do eleitorado. Ao concorrer dopado pelo centrãoAlckmin pode até largar bem, mas, se vai chegar inteiro numa corrida de obstáculos como uma eleição presidencial, é outra história.


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21/07


2018

O cacique e os generais

O cacique do PRTB, Levy Fidelix, criticou o estilo de Jair Bolsonaro (PSL). O presidenciável deu sinais de que tentaria fazer do general da reserva Hamilton Mourão, filiado à legenda de Fidelix, seu vice.

“Primeiro você conversa com a direção partidária e depois com eventuais candidatos. É um erro político fazer o contrário. Isso é feio, péssimo. O que ocorreu com o PRP foi isso”, disse Fidelix, em referência à tentativa frustrada do pré-candidato de atrair o general Augusto Heleno (PRP).

Diante dos sinais de que as tratativas com o PRTB também dariam trabalho, coordenadores da campanha de Bolsonaro começaram a buscar uma opção. O nome de Janaína Paschoal, advogada que integrou o grupo que formulou o pedido de impeachment de Dilma, ganhou força. (Folha Painel)


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