Onde a crise encontrou Dilma

Clovis Rossi*

A crise no mundo rico, o fantasma que assombra Dilma Rousseff, materializou-se bem diante dela em Bruxelas: na pracinha em frente ao hotel Sheraton, em que a presidente se hospedou, todas as emissoras belgas de TV instalaram seus caminhões de externas, para não falar dos fotógrafos. Não era para Dilma, no entanto, que apontavam as câmeras. Era para a sede central do banco franco-belga Dexia, em virtual estado de quebra.

Segundo o jornal flamengo ''De Tijd'' (O Tempo), os clientes do banco retiraram, só na quarta-feira que Dilma passou no hotel em frente, algo em torno de € 300 milhões, por mais que o Banco Nacional da Bélgica anunciasse que os depósitos estavam ''perfeitamente garantidos'' e que, portanto, não havia nenhuma razão para retirá-los.
O ''Monde'' de ontem se lamentava: ''Vinte anos depois do Crédit Lyonnais, a França conhece seu segundo desastre bancário. Os € 6 bilhões empregados em 2008 no salvamento público do Dexia foram pura perda''.

Desconfio até de que Dilma tomou conhecimento dos problemas do Dexia antes de falar aos jornalistas que cobríamos a sua visita. Afinal, defendeu na entrevista controle do fluxo de capitais, cujos movimentos desenfreados ''são fonte inesgotável de problemas''.
Quem sou eu para discordar da presidente, ainda mais depois de ter passado os últimos muitos anos dizendo exatamente a mesma coisa? Bem-vinda, pois, ao clube, Dilma. Já temos companhias importantes.   (* Folha de S.Paulo)

Publicado em: 06/10/2011