Coluna da sexta-feira

       A mulher e o espólio eleitoral

Entre tantas promessas e compromissos assumidos para eleger a mãe ministra do Tribunal de Contas da União, nas articulações feitas antes da eleição da última quarta-feira, o governador Eduardo Campos incluiu a distribuição dos votos do espólio eleitoral de Ana Arraes. A deputada obteve mais de 386 mil votos, sendo a mais votada para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2010.

Foi votada e apoiada maciçamente em praticamente todos os 186 municípios do Estado. Se bem dividida entre aliados, essa montanha de votos pode resolver a vida de muita gente da atual bancada e de novatos que estão de olho num mandato federal. Mas, o governador pode não cumprir a promessa e frustrar muita gente se amadurecer a ideia de lançar na vida pública a sua mulher Renata Campos.

O que se houve nos bastidores é que a primeira-dama herdaria o espólio da sogra e que isso não seria anunciado agora para não tencionar a base aliada, especialmente os federais que se debruçaram de corpo e alma na campanha de Ana ao TCU. É evidente que ninguém veste a camisa e dar o sangue de graça numa campanha.

Os interesses pessoais se sobressaem. Mas é bom a atual bancada e os pré-candidatos a federal em 2014 ficarem com uma pulga atrás da orelha. O governador negará até quando for conveniente que a mulher não será candidata. Na hora certa, dará a cartada final, para desapontamento dos que confiaram na sua palavra empenhada.

NA PRESSÃO - Pressionado pelo governador Eduardo Campos, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AC), chegou a tentar colocar em votação a indicação de Ana Arraes para o Tribunal de Contas da União ainda na noite da quarta-feira, quando foi eleita pelo plenário da Câmara. A manobra acabou sendo atropelada por senadores regimentalistas. Assim, a votação no Senado ficou para a próxima terça-feira.

Deu na canela  - Uísque escocês 12 anos foi servido sem discrição e cerimônia na festona em comemoração à vitória da deputada Ana Arraes, anteontem, em Brasília, num restaurante do Parque da Cidade. O regabofe teve ter custado uma baba. Incluiu requintados tira-gostos, frios e um prato quente. Até uma banda animou a festona ao vivo.

 

Fim do voto secreto - Mais uma tentativa de por abaixo o voto secreto em qualquer circunstância na Assembleia Legislativa está sendo feita pelo deputado Sílvio Costa Filho (PTB). A proposta chegou à Casa ontem, mas custo a acreditar que a mesa diretora demonstre interesse em acabar com o voto secreto. Silvio prega no deserto.

Tripla comemoração - O prefeito de Caruaru, José Queiroz, que foi a Brasília acompanhar de perto a eleição para o TCU, dizia, ontem, que estava feliz por três motivos: a vitória da mãe do governador, a efetivação de Paulo Rubem, do PDT, no seu mandato e a entrada do filho Wolney na lista do DIAP.

Sem adesão - O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, nega que tenha negociado com o governador cargos no Governo estadual. ''Nunca tratamos disso'', diz, em tom enfático, ao ser perguntado se a legenda tucana iria indicar o substituto de João Bosco na Secretaria de Recursos Hídricos, incluindo também a Compesa.

 

 

 

 

CURTAS -

INDECISO - O deputado Raul Henry (PMDB) tem dito que só sai candidato a prefeito do Recife se conseguir ampliar sua candidatura além do seu partido. Já Mendonça Filho, do DEM, deve entrar na disputa em qualquer cenário.

ARTICULANDO - Pré-candidato do PPS a prefeito do Recife, o ex-deputado Raul Jungmann passou na quarta-feira por Brasília e teve uma longa conversa com o senador Jarbas Vasconcelos sobre a sucessão na capital pernambucana.

PERGUNTAR NÃO OFENDE - Quem pagou o regabofe da comemoração de Ana Arraes para o TCU em Brasília?

''Não te glories na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes;
(Provérbios 25:6)

Publicado em: 23/09/2011