Tortura e torturadores

 No Tribunal de Justiça de São Paulo, encontram-se alguns personagens de um acontecimento trágico: a prisão, tortura e morte do jornalista Luís Eduardo Merlino - amigo e companheiro de redação deste colunista. O réu é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o ''Major Tibiriçá'', que por quatro anos comandou o Doi-Codi em São Paulo, um dos mais notórios centros de tortura do país. Na acusação, cinco ex-presos políticos; na defesa, um coronel e três generais (todos da reserva) e um civil em plena atividade: o presidente do Senado, José Sarney.

De certa forma, explica-se: era ele o presidente do partido da ditadura, a Arena. De certa forma, não se explica: poucas coisas são mais impossíveis do que testemunhar em favor de um cavalheiro já tão conhecido como Ustra.

Lembrai-vos de Bete Mendes

Ustra estava no Governo Sarney e foi reconhecido por Bete Mendes, numa viagem oficial, como torturador. Justo Sarney vai testemunhar em sua defesa?                    (Carlos Brickmann)

Publicado em: 27/07/2011