Ministro não descarta risco de impugnação de Lula

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marco Aurélio Mello não  descartou  hoje  um pedido de  impugnação  da  candidatura do  presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre a reeleição pelo PT. O   ministro se   reuniu  nesta tarde  na sede   do  Centro Cultural da Justiça Federal,  no  Rio, com  os presidentes do PFL e PSDB Jorge Bornhausen e Tasso Jereissati, respectivamente.

Os senadores  solicitaram ao ministro  investigação sobre o caso do dossiê   dos donos da Planam, principal empresa envolvida na máfia das ambulâncias, que supostamente seria vendido a militantes do PT que foram presos com R$ 1,7 milhão em um hotel, em São Paulo, na última sexta-feira. O dossiê conteria informações que incriminariam o candidato tucano ao governo de São Paulo José Serra, ex-ministro da saúde.

Marco Aurélio disse, no entanto, que é preciso ter o respaldo das investigações e aguardar o resultado para tomar qualque decisão. As investigações, segundo o ministro, podem se estender até o fim do ano, depois das eleições.

O ministro disse que se comprovada as ligações dos dois militantes do PT presos com o presidente Lula, caso ele seja reeleito haverá o risco de o petista perder o mandato.

- Há um instrumental na Constituição Federal que é a ação de impugnação do mandato alcançado, e ela alcança qualquer cidadão, pouco importando que seja a do presidente.

Apesar de citar esse instrumental, Marco Aurélio evitou fazer qualquer préjulgamento da situação.

- Temos que caminhar com muita calma, sem afobamento. Paga-se um preço por se viver uma democracia. Em Direito, o meio justifica o fim, não o fim justifica o meio. As instituições estão funcionando. É claro que não gostaríamos de ter o ocorrido, mas já que veio à tona teremos que atuar.

Marco Aurélio lamentou ainda a descoberta de grampos telefônicos em linhas fixas no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de sábado.

- É muito difícil descobrir os culpados porque a coisa ocorre de maneira dissimulada. Contratamos uma empresa pelo TSE a pedido do ministro Carlos Velloso. Informações do JBOnline. 

 

Publicado em: 18/09/2006