Alckmin foi parar na UTI

'' O resultado da mais recente pesquisa presidencial do Datafolha, divulgado, ontem, pelo Jornal Nacional, demonstra que é crítico o estado de saúde da candidatura de Geraldo Alckmin. O candidato foi à UTI. Dificilmente sairá de lá antes das eleições. A julgar pelos dados disponíveis, o mais provável é que suas pretensões políticas continuem respirando com a ajuda de aparelhos até 1o de outubro.

 

Mesmo depois de injetar em seu programa televisivo doses calculadas de ataques a Lula, Alckmin manteve-se inerte. Tinha 27% das intenções de voto há uma semana. Hoje, ostenta os mesmos 27%. Como se fosse pouco, Lula, seu principal rival, vende saúde. O presidente oscilou para cima –foi de 50% para 51%.

 

Bateu um desespero nas cercanias do comitê de Alckmin. Entre quatro paredes, há um intenso esvoaçar de panos. Difícil encontrar alguém que ainda não tenha jogado a toalha. Alguns já o fazem em público, como o governador mineiro Aécio Neves. Em diálogos privados, longe de gravadores e blocos de anotação, o timbre é de velório.

 

O blog ouviu três partidários de Alckmin, um do PSDB e dois do PFL. Falaram antes da divulgação dos números do Datafolha. Um deles disse que se Alckmin não subisse dois ou três pontos só um milagre o salvaria. Outro, como que farejando o cheiro de queimado, disse que não acredita em milagres. O terceiro declarou que se a pesquisa não apontasse para cima, Alckmin ficaria falando sozinho.

 

A atmosfera respirada no comitê de Lula é bem diferente. Ali, festeja-se o êxito da estratégia de marketing da campanha. Desde que Alckmin decidiu atacar Lula de forma mais incisiva, o jornalista João Santana, responsável pela publicidade reeleitoral, vem levando à TV o que os auxiliares do presisdente chamam de “complexo polivitamínico”.

 

Consiste em ignorar os ataques do adversário e reforçar a exibição de “realizações” do governo, sinalizando para o aperfeiçoamento, num segundo mandato, de políticas públicas iniciadas no primeiro. A avaliação é de Josias de Souza, em seu blog na Folha Online.

Publicado em: 06/09/2006