Diz-me com quem andas...

Tem um provérbio chinês que diz que as más companhias são como um mercado de peixe: acabam por nos acostumar ao mau cheiro. Foi essa a sensação que tive ao presenciar a cena da convenção que homologou a candidatura da delegada Patrícia Domingos, do Podemos, à prefeita do Recife.

Observe no círculo da foto em destaque na cor verde a reconciliação formal em público, de mãos dadas, do deputado Daniel Coelho, presidente estadual do Cidadania, com o seu maior algoz em vida pública, o deputado Wanderson Florêncio, do PSC. Ex-assessor especial de Daniel, Florêncio era chamado de "O Judas”, pelo próprio Daniel, por ter sido apunhalado pelas costas. Ele deixou Daniel para apoiar Geraldo Júlio, quando este disputou a reeleição em 2016.

Dizem que vocação e caráter nascem juntos. Wanderson foi confirmando seu DNA de traidor com o passar dos anos na vida pública. Sua mais recente postura traíra se deu na campanha que está em curso. Filiado ao PSC, o traidor-mor não apoia o candidato do seu partido, Alberto Feitosa, mas sim a delegada Patrícia Domingos.

Por razões que se explicam do seu umbigo para baixo: quer eleger um irmão vereador na coligação de Patrícia filiado ao Podemos. Se a memória do leitor ainda não identificou quem é Wanderson, preste atenção: é o mesmo deputado que emprega em seu gabinete parentes de Sebastião Figueiroa, empresário envolvido em desvios dos recursos federais da Covid.

Publicado em: 17/09/2020