Coluna da quinta-feira

O cenário embolado do Cabo

Pela primeira pesquisa do Potencial, ontem, postada neste blog com exclusividade, o município do Cabo tende a ser cenário de uma disputa sensacional nas eleições deste ano. O quadro, hoje, configura um empate técnico entre os quatro principais pré-candidatos, estando, numericamente, à frente, o prefeito Lula Cabral (PSB), com 22%, tendo em sua cola, com uma diferença de apenas dois pontos, o delegado Resende (Podemos), que aparece com 20%.

Mais abaixo, o ex-prefeito Elias Gomes (MDB) e o atual vice-prefeito Keko do Armazém (PL) despontam, respectivamente, com 15% e 14% das intenções de voto. Como a margem da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, isso se traduz num cenário embolado, levando o Cabo a ter uma das campanhas mais acirradas da Região Metropolitana do Recife. Embora tenha objeto de uma investigação e preso, Lula ainda se mantém competitivo provavelmente pelo seu eleitorado fiel e por estar já no terceiro mandato.

Seu grande adversário, a princípio, é o delegado Antônio Resende (PL), ex-vereador em Carpina, que faz uma campanha com o discurso do samba de uma nota só: o fim da corrupção e a promessa de levar à cadeia os políticos que desviam recursos públicos. Bate sem piedade no prefeito, discurso que não tem sido diferente de Elias Gomes. Falando numa emissora de rádio, ontem, Elias disse que o Cabo precisa se livrar de uma quadrilha, referindo-se ao grupo de Lula.

Quanto ao delegado, o classificou de um aventureiro, exportado de Carpina. Na pesquisa, Elias mostrou que não está morto eleitoralmente, como supunha seus adversários e que está no jogo para valer. O mesmo pode ser dito do vice-prefeito Keko do Armazém, que tem nada desprezíveis 14%. Dependendo para onde pender, pode resolver a eleição, embora aliados garantam que não abrirá mão da sua candidatura.

O Cabo não tem segundo turno e quanto mais a oposição se dividir, como está hoje, mais chances Lula tem de emplacar um novo mandato. Já o delegado tem a menor taxa de rejeição e se apresenta como o novo, em nome da mudança. Só precisa definir uma estratégia, porque o que se diz por lá é que não tem grupos e que faz uma campanha amadora, apresentando-se como o justiceiro.

Dá para desconfiar? – O cancelamento da live do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, ontem, de última hora, já foi o quarto e, coincidentemente, com exceção do senador Major Olímpio (PSL-SP), que estava impossibilitado de deixar a sessão de votação para nos atender, os demais têm relação com o PSB, PCdoB ou PT, partidos que detêm o poder em Pernambuco. Primeiro a correr da parada, o governador do Maranhão, Flávio Dino, é amicíssimo da vice-governadora Luciana Santos. Já o ex-presidente Lula, não precisa dizer nada.

Bandidagem – Vítima de um sequestro na noite da última terça-feira, o vice-prefeito de Olinda, Márcio Botelho (SD), entra para as estatísticas da gritante violência urbana que conflagra o Estado, com predominância na Região Metropolitana. O caso não tem nada a ver com política, está de fato vinculado à bandidagem que o Governo mostra-se incompetente no enfrentamento. Não é por acaso que o Estado está entre os mais violentos do País. Botelho é ovelha nova na política, mas um quadro bastante promissor, com uma visão ampla dos problemas de Olinda, município que dá uma forte contribuição na gestão do Professor Lupércio.

Drama do sequestro – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, o vice-prefeito de Olinda, Márcio Botelho (SD), contou em detalhes o sofrimento do seu sequestro por três homens armados, que o levaram de Olinda até o Cabo no seu carro sob a mira de revólveres. "Nasci de novo", disse ele. Para Botelho, o caso não tem nenhum tipo de conotação política. "Eles nem sabiam que eu era vice-prefeito. Queriam apenas dinheiro, minhas senhas de banco", contou. Ainda bastante traumatizado, Botelho confessou que sofreu agressões físicas. "Ele me deram logo um soco na cara antes de me jogarem no chão do carro. Fui até o Cabo, onde me liberaram num canavial, sob a mira de armas, uma sensação de horror, levando soco na barriga e pontapés", disse.

Mais violência – Por falar em violência, cinco pessoas foram presas, ontem, pela polícia por suspeita de planejar um resgate de cinco presos no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. De acordo com a Polícia Civil, a operação Consórcio do Crime, cujas investigações começaram em abril, apreendeu o equivalente a R$ 12 milhões em armas, munições, explosivos e outros materiais que seriam utilizados na investida. As prisões ocorreram em Sairé e Gravatá, no Agreste, e em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. De acordo com o gestor do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais, Newson Mota, mais de 80 policiais civis e militares participaram da operação.

CURTAS

BOA NOTÍCIA – Pela primeira vez desde abril, o ritmo de transmissão da covid-19 está em desaceleração no Brasil. De acordo com dados do centro de controle de epidemias do Imperial College, a taxa de contágio (Rt) no País foi de 0,98, número que indica para quantas pessoas um paciente infectado consegue transmitir o novo coronavírus. Os dados foram verificados na semana que começou no domingo passado. O dado significa que 100 pessoas contaminadas contagiam outras 98 que, por sua vez, passam a doença para outras 96. Essas contaminam 94 e assim sucessivamente, o que comprova a desaceleração do contágio. Em julho, o País apresentou taxas de 1,01, situação definida como "fora de controle".

PROIBIÇÃO – O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) apresentou pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o compartilhamento de dados do Facebook com a investigação que apura suposto disparo em massa de ‘fake news’ durante as eleições de 2018. A manifestação foi enviada após a coligação ‘Povo Feliz de Novo’ (PT/PCdoB/PROS) solicitar à Corte que determine o envio dos dados da rede social para turbinar o processo.

Perguntar não ofende: O caso do vice-prefeito de Olinda foi sequestro ou assalto?   

Publicado em: 19/08/2020