A nova Presidente Kennedy

Por Dirac Cordeiro*

A primeira fase do projeto de requalificação do principal corredor de transporte de Olinda – Avenida Presidente Kennedy – está prestes a ser inaugurada. O projeto como todo tem como objetivo readequar a sua infraestrutura, promovendo melhorias na segurança viária, na acessibilidade dos pedestres, na fluidez do trânsito e nas características urbanísticas.

Conforme a estimativa do Censo IBGE 2017, Olinda possuía 390.771 habitantes e uma frota aproximada de 139.897 veículos. Dito de outro modo, havia 1 veículo para cada 3 habitantes, o que equivale dizer que o crescimento da frota chega a aproximadamente 4% ao ano. Atualmente, o transporte público conta com uma frota circulante na cidade de Olinda em torno de 400 ônibus (municipais e intermunicipais). Estima-se ainda uma média de 180 mil usuários diários que circulam no interior do município de Olinda.

No sistema de transporte público da RMR, especificamente no corredor de transporte da Presidente Kennedy, cuja dimensão é de 4,4 Km, existem duas faixas por sentido. Logo, um transporte público de qualidade no corredor da Presidente Kennedy não apenas garante um deslocamento mais confortável e seguro aos passageiros, mas também possibilita que usuários de outros modos de transporte migrem para o transporte público.

No entanto, o crescimento acentuado e “fora de simetria” no entorno do corredor tem gerado dificuldades para a cidade de Olinda em diversas áreas, como na de transporte, do trânsito e do meio ambiente. A minimização dos graves problemas foi a principal premissa para o projeto da Nova Kennedy, a saber:

1) drenagem superficial insuficiente em diversos pontos, os quais acumulam água, mesmo com chuvas de baixa intensidade;

2) calçadas com larguras insuficientes que são ocupadas por comerciantes;

3) pedestres executando travessias inseguras em diversos pontos;

4) canteiro central com traçado geométrico obtuso em relação a sua concordância;

5) número elevado de acidentes.

Além dessas dificuldades, a concepção operacional anterior foi pautada na infraestrutura existente e propiciou uma extensa degradação do comércio local por meio dos fechamentos de várias lojas.

Nesse contexto, é surpreendente o número de acidentes com vítimas envolvendo atropelamentos e motos. As prováveis explicações desses acidentes são:

1) mudança de funcionalidade do transporte coletivo através das colocações das paradas no eixo central de uma via com uma calha proporcionalmente estreita, para a acomodação de todos os modos de transporte;

2) distorções no traçado do eixo central que responderam negativamente no trânsito por meio de congestionamentos no entorno das paradas. Ademais, em uma perspectiva sistêmica, os acidentes de trânsito interferem na produtividade da operação do ônibus gerando custos adicionais, atrasos e desconforto aos usuários.

Ações paliativas inicialmente foram introduzidas na estrutura do corredor buscando minimizar os problemas citados. Essas ações possibilitaram melhorias em um curto período, isto é, melhorias remotas na qualidade do serviço, na quantidade de usuários e na redução de custos. No entanto, as variáveis, como confiabilidade, velocidade, demanda de passageiros e segurança, em termos de acidentes, que são essenciais para um sistema de transporte coletivo, somente serão controladas e minimizadas se mudanças na concepção operacional do corredor forem implementadas.

Diante desse contexto e atendendo ao clamor da população de Olinda na busca de melhorias em condições de vida (moradia, mobilidade e acessibilidade), foi necessária uma mudança estrutural e operacional na Presidente Kennedy. Na primeira fase de execução da obra do corredor já se nota:

1) maior acessibilidade dos usuários que circulam nas calçadas;

2) a visão total na largura e na profundidade da avenida, visão que surpreende a todos, pois a concepção anterior dos equipamentos colocados no eixo da via impedia a visualização dessas métricas;

3) e uma grande aprovação das pessoas que se encontram circulando nesse trecho. Deve ser ressaltada a coragem do prefeito Professor Lupércio em assumir a construção dessa grande obra com amplo aval da sua equipe coordenada pelo engenheiro Evandro Avelar.

Vale destacar os méritos da coordenação desse projeto, da fase embrionária até a fase política, através de um leque de discussão com todas entidades envolvidas, tais como Ministério Público, representações do CDL, moradores das diversas comunidades e até os representantes dos diversos Gestores da área de trânsito e transportes. Diante da conjunção de todas as ideias promovidas pelos agentes envolvidos, foi possível elaborar um projeto, que com certeza vai melhorar a vida dos moradores e visitante de Olinda.  Parabéns a todos os técnicos envolvidos diretamente e indiretamente na execução da Nova Presidente Kennedy.

*Doutor em Engenharia de Transporte

Publicado em: 13/08/2020