Fabiano Veras costura diversidade musical do Brasil

A versatilidade da música brasileira é tão grande que os estilos se misturam e ganham força unindo gerações. Os jovens da nova cena musical vêm trilhando sua produção com talento, qualidade e independência, bebendo em várias fontes. Ao mesmo tempo, produzem suas canções, gravam e soltam nas redes. É o caso do músico e estudante de medicina Fabiano Veras, natural de Salgueiro, que desde criança já alinhava seus ouvidos musicais para diversos gêneros. "Quando criança na escola eu tinha um estojo que simulava um piano pequeno de poucas teclas. Ali já tirava algumas melodias", recorda.

Na transição para adolescência, os discos de vinis (LPs) rodavam em sua casa para todos os gostos. Ia de Elvis Presley a BB King, passando por Pink Floyd e Led Zeppelin.  A música do Nordeste lhe impressionava mais ainda: Luiz Gonzaga, Zenilton, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Marinez, Dominguinhos e Zé Ramalho e tantos outros. "Era o dia todo gastando as agulhas do som ouvindo essa galera, prestando atenção nas notas e arranjos", lembra.

De repente, nessa fase, achou um violão na casa da avó e passou a dedilhar os primeiros acordes das bandas pop rock de Paralamas e Titãs. Não demorou muito e já estava agarrado a uma guitarra que lhe abriu caminhos para se engajar em projetos de rock, isso no período em que morou no Recife. Lá, estudou com um guitarrista profissional, Rodrigo Morcego, expert em blues. De volta ao Sertão, se engajou em vários projetos, um deles foi a banda Quarto B com pegada pop.

Pouco tempo depois integrava o casting de músicos da banda de forró romântico Limão com Mel, com quem percorreu cidades do Norte e Nordeste. "Essa foi a fase de aprender os macetes na estrada onde a realidade interliga o palco, a relação com o público, e a performance de músico. Uma grande escola."

Certo de que a música estava no sangue, a paixão pelo forró, xote e baião foi uma forma de se aproximar de um artista familiar: o cantor, compositor e sanfoneiro Zenilton, primo legítimo de sua mãe e que Fabiano o chama de tio. "Sempre escutei seus discos lá em casa. Certa vez, antes de me profissionalizar na estrada, o acompanhei em alguns shows pela região. Foi um presente tocar com aquele artista dos discos que eu tanto escutei em casa".

Depois dessa fase houve um hiato, pois Zenilton retornou para São Paulo. Há pouco mais de cinco anos, o sanfoneiro regressou definitivamente para o Sertão e pegando carona nos fatos políticos e econômicos do país compôs "Os Ladrões da Petrobras", música que Fabiano produziu, captou áudios, fez a mixagem e masterizou vários instrumentos. A música foi o carro chefe de um CD independente. O próximo passo foi um documentário em vídeo chamado "Zenilton & Sua História",  no qual o sanfoneiro conta sua trajetória de 50 anos a serviço da música pelo Brasil, com mais de 500 músicas gravadas.

Recentemente Fabiano Veras produziu dois vídeos de Zenilton com duas músicas inéditas: "O Vaqueiro Sofredor" e "Eu quero ver", todas disponíveis no YouTube. Agora a paixão de Fabiano é a sanfona. Ao prestar vestibular para Medicina, fez a promessa para que se passasse iria aprender a puxar o fole com estudos regrados. Não deu outra. "Vou me dividindo entre as ciências da Medicina e os acordes da sanfona sem que uma prejudique a outra", diz. Com isso, as criações começaram a aflorar. Resgatou a canção "A Distância e a Saudade", composição feita na década de 1980 por seu tio William Veras, mas que não havia sido gravada.

Do ex-Titãs Nando Reis, deu roupagem forrozeira à canção roqueira "Por Onde Andei", já pensando no projeto Forrock, em gestação. Atendendo a uma ideia de Zenilton, revigorou um antigo sucesso dos anos 1970, "Mudança das Capitais", aquela do refrão de duplo sentido "A capital do Equador é Quito, nunca mudou, é sempre Quito", uma aula de geografia com humor. Desde então, as produções assinadas por Fabiano ganham força no mundo das redes virtuais. 

Publicado em: 01/08/2020