Cidadão maloqueiro foi preso em primeira instância

Por José Adalbertovsky Ribeiro

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Cena urbana, ou rurbana: um cidadão maloqueiro, idade presumível 17 anos, velocidade de atleta queniano, dá um bote na cintura de um cidadão ordeiro e pacífico proprietário de um lindo Smartphone, comprado em 10 módicas prestações pelo crediário tentação e cuja operadora oferece 10 Giga free de Internet porque adora os clientes. Depois de expropriar o celular, o cidadão meliante saiu correndo em disparada na avenida como se estivesse participando de uma  corrida da São Silvestre.

Representantes da sociedade civil montaram uma força-tarefa para recuperar o Smartphone inteligente e prender o cidadão maloqueiro em primeira instância. A força-tarefa foi formada por um comendador, um cidadão gerente, um cidadão maconheiro, um cidadão grevista, um cidadão ginecologista e um cidadão do sexo triplex. Pega-mata, esfola, o cidadão maloqueiro perdeu a corrida de São Silvestre e foi imobilizado.

“Teje preso, cidadão meliante”, declarou um guarda cidadão.. Além de preso, o cidadão maloqueiro levou uma camada de pau em primeiríssima instância.

A linda avenida havia sido reurbanizada a um custo de pechincha de 15 milhões de denários, cash, para comemorar os contratos milionários sem licitação por conta da Covid e recepcionar os cidadãos pagadores de impostos e multas de trânsito desta Nova Lusitânia.

Ao iniciar sua delação premiada na delegação, o cidadão maloqueiro falou: “Todos são iguais perante a lei”. O cidadão delegado quase morreu de rir. Inspirado na cartilha dos garantistas, o cidadão maloqueiro jurou ser inocente até o trânsito em julgado na nonagésima instância e disse que estava sendo privado dos direitos e liberdades fundamentais preconizados como cláusulas pétreas na Constituição Cidadã de 1988. Conta outra piada, disse o cidadão escrivão.

Flash para São Paulo. Sua alteza um juiz  maloqueiro deu uma carteirada num cidadão guarda de trânsito numa praia no litoral de São Paulo. E mais, deu um esculacho no guarda. Chamou de analfabeto de nascença, burro, ignorante, recolha-se à sua insignificância! Bobagem. A carteirada é o de menos.

Todo mês sua alteza dá uma carteirada na cara da sociedade, de 40 mil, 50 mil, 60 mil, de tempos em tempos uma carteirada acumulada de 300 mil, 400 mil, férias acumuladas, auxilio paletó, auxilio moradia, auxilio caneta, auxílio cueca, auxilio barba, cabelo e bigode.

O juiz maloqueiro que dá um esculacho no cidadão guarda de trânsito e o cidadão meliante que dá um bote no celular dos transeuntes são faces cruéis da moeda Brazil. O juiz maloqueiro dá carteiradas no atacado. O cidadão maloqueiro dá botes no varejo.

Se der bobeira, o cidadão maloqueiro será preso. Se o juiz maloqueiro der bobeira, será aposentado compulsoriamente, com salário milionário e todos os louvores.

Publicado em: 27/07/2020