Coluna da terça-feira

O tombo do PSB nas urnas

O cenário pré-eleitoral em Pernambuco não é ruim para o PSB, hoje, apenas na capital Recife. Se as eleições fossem hoje, o partido perderia nos três maiores colégios eleitorais do Interior. Em Caruaru, a prefeita Raquel Lyra (PSDB) é favorita diante da indecisão gerada pela pandemia. Seus dois principais adversários, José Queiroz (PDT) e Tony Gel (MDB), provavelmente não entrarão na disputa. Político forjado nas ruas, com cheiro de povo, Queiroz está em casa, não pisa sequer na calçada da rua, temendo ser contaminado pela Covid-19.

Em decisão recente da justiça, Tony Gel entrou no rol dos inelegíveis e não se sabe se até as convenções, entre agosto e setembro, terá revertido tal situação. Já em Petrolina, o prefeito Miguel Coelho (MDB), um dos gestores mais populares do Estado, tende a ser reeleito no primeiro turno. Ali, o único candidato potencialmente em pré-campanha é o ex-deputado Odacy Amorim, do PT, que carrega o desgaste da legenda petista. Ainda considerado um nome forte, o ex-prefeito Júlio Lóssio (PSD) não decidiu se entra na disputa, nem tampouco o deputado Lucas Ramos (PSB).

Na frente do tiroteio contra o prefeito, hoje, apenas o vereador Gabriel Menezes, pré-candidato do PSL, que tem sustentado seu discurso em cima de denúncias envolvendo a gestão municipal. Já em Garanhuns, o prefeito Izaias Régis, com aprovação altíssima, deve emplacar o ex-prefeito Silvino Duarte, também trabalhista, ligado ao ex-senador Armando Monteiro Neto. O pré-candidato do PSB, Sivaldo Albino, embora seja um nome leve e sintonizado com o eleitorado, carrega o desgaste da gestão Paulo Câmara, que nada fez pelo município em seis anos.

Na Região Metropolitana, o PSB deve levar outro tombo também em Jaboatão, com a provável reeleição do prefeito Anderson Ferreira (PL). Na última pesquisa do Instituto Potencial, Anderson lidera com folga com cenário de vitória tranquila em primeiro turno. Em Paulista, município administrado pelo PSB, o prefeito Júnior Matuto não consegue deslanchar a candidatura de Francisco Padilha, seu ex-homem forte da gestão, mas sem nenhuma sintonia com a cidade.

Em Olinda, o PCdoB, da vice-governadora Luciana Santos, nem esperou sinalização do Palácio em relação ao pré-candidato do PSB, Pedro Mendes, e já fechou com a candidatura do ex-prefeito do Recife, João Paulo, que despontou na primeira pesquisa Potencial fazendo assombração para a reeleição do prefeito Professor Lupércio (SD), com 21%, forçando uma decisão em segundo turno.

Arcoverde – No caso de Arcoverde, a prefeita Madalena Brito, neo-socialista, demorou demais na escolha do candidato e sem alternativa optou pelo empresário mais rico da cidade, Wellington Maciel, que nem é do PSB, contrariando as orientações do Palácio de que desejaria ver o município continuar tocado por um prefeito vermelho. Desesperada pela distância que separa o favorito Zeca Cavalcanti (PTB) do ricaço, a prefeita tenta fazer a cabeça do delegado Israel Rubis, do PP, para compor a chapa como vice, mas, segundo o presidente estadual da legenda, deputado federal Eduardo da Fonte, o partido não abrirá mão da disputa em faixa própria. “Como Israel pode ser vice de um candidato que ele tem o dobro das intenções de voto? Isso só na cabeça da prefeita”, ironiza Dudu, como é mais conhecido.

Aposta do Avante – Ainda em Arcoverde, o Avante, do deputado federal Sebastião Oliveira, o Sebá, vai firme com a aposta eleitoral para prefeita na vereadora Cibely Roas, a mais votada nas eleições passadas. Segundo Sebá, pesquisas internas apontam a vereadora numa posição bastante confortável pelo fato de ser uma parlamentar atuante, identificada com os problemas da população, com forte inserção na área de saúde, a mais precária da gestão de Madalena. Há quem aposte numa composição de Cybele com o delegado Israel Rubis, mas isso dependerá de um entendimento entre os partidos PP e Avante em nível estadual. “Temos hoje o melhor quadro para oferecer a Arcoverde. Cybele é preparadíssima e tem amplas chances de ser eleita”, disse o parlamentar.

Cenário confuso – O favoritismo de Raquel Lyra em Caruaru não se dá pela sua gestão, cujos índices de aprovação são menores do que o antecessor José Queiroz, mas pela acomodação da oposição. Faltando pouco mais de 90 dias para as eleições, ainda é desconhecido o adversário da tucana. Um cenário em que leve ao mesmo palanque os deputados Tony Gel e José Queiroz, pelo menos no primeiro turno, ninguém acredita. Resta a alternativa do delegado Erick Lessa, do PP, que faz uma oposição tímida à gestão tucana, mesmo o município enfrentando tamanhos problemas, como uma pandemia má gerenciada e os conflitos envolvendo a tradicional feira de Caruaru.

Angu indigesto – Quanto a Petrolina, dificilmente o PSB vai de Lucas Ramos, filho do conselheiro Ranilson Ramos, do Tribunal de Contas do Estado, cuja história na política se confunde com o arraesismo e o eduardismo. Lucas chegou a reclamar em público da falta de sinalização do PSB estadual e do Palácio à sua candidatura, ensaiando um movimento de rebeldia. Mas acalmou-se e nunca mais deu um pio. Já o ex-prefeito Júlio Lóssio, embora esteja louco para entrar na disputa, não tem ainda a certeza se ficará de fato ilegível por causa dos seus bens penhorados em recente decisão da justiça.

CURTAS

EM AFOGADOS – Outro município sertanejo estratégico para o PSB é Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú. Lá, o prefeito José Patriota, presidente da Amupe, a Associação Municipalista de Pernambuco, já está no final do seu segundo mandato e lançou o vice Sandrinho Palmeira, mas aguarda uma definição do apoio do ex-prefeito Totonho Valadares (MDB), que se lançou candidato, mas aceitaria uma composição indicando o vice. As negociações não avançaram porque, segundo o que se diz na cidade, Patriota reza pela cartilha de Marco Maciel, que dizia que quem tem prazo não tem pressa. Além disso, não surgiu na oposição nenhum nome, com exceção do próprio Totonho, que ameace retirar o poder das mãos de Patriota.

BOA NOTÍCIA 1 – A melhor notícia desses tempos sombrios: a vacina experimental para a covid-19 da AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford, é segura e produziu resposta imune em ensaios clínicos iniciais em voluntários saudáveis, informaram, ontem, cientistas da instituição. Também foi anunciado que uma vacina chinesa contra o coronavírus mostrou resultados "seguros" e "resposta imunológica" nos cerca de 500 voluntários testados. O imunizante testado por Oxford, chamado AZD1222, não provocou efeitos colaterais graves e desenvolveu respostas imunes a anticorpos e células T, de acordo com o estudo publicado na revista médica The Lancet. Os resultados referem-se às fases 1 e 2 de testes. A terceira etapa está sendo testada em 50 mil pessoas, incluindo cinco mil brasileiros.

BOA NOTÍCIA 2 – A vacina de Oxford está entre as principais candidatas na luta contra a covid-19, que já matou mais de 600 mil pessoas no mundo, ao lado de outras em ensaios de estágio intermediário e final. Outro imunizante em estágio avançado de teste é o da chinesa Sinovac Biotech. A vacina chinesa chegou nesta segunda-feira, 20, ao Brasil e deve entrar em fase de testes. A AstraZeneca assinou acordos com governos de todo o mundo para fornecer a vacina, caso ela se mostre eficaz e obtenha aprovação regulatória. A empresa afirmou que não buscará lucrar com a vacina durante a pandemia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacina apresenta bons resultados, mas ainda tem um longo caminho a percorrer.

Perguntar não ofende: Se o presidente Bolsonaro afirmar que foi curado pela cloroquina?

Publicado em: 21/07/2020