ABIH pessimista com retomada do turismo

Em live, há pouco, neste blog, o presidente nacional da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), empresário Manoel Linhares, disse enxergar com pessimismo a retomada do setor hoteleiro nesse segundo semestre decorrente da pandemia. A curva ascendente da Covid-19 e a real possibilidade de cancelamento das festas de Réveillon e Carnaval, estas já suscitadas por alguns governos como o da Bahia, chegam como fatores preocupantes. “O turismo foi o primeiro setor a entrar em crise e será o último a sair.  Até março estava tudo bem, mas depois o turismo e seus subsetores como transportes, hospedagem, serviços de alimentação, lazer e agenciamento de viagens despencaram em prejuízos, queda de 95%, devastadora”, disse.

Linhares disse que no momento a ocupação da rede hoteleira é de 5% e as contas a serem pagas continuam como água, energia, IPTU e outros tributos. Várias tratativas têm sido articuladas com os governos municipais e estaduais para barrar essa cobrança. “Conseguimos no Rio Grande do Norte a não cobrança da energia e uma redução em 12% do ICMS. Já o Ceará deixou de cobrar água. Fizemos reunião com a ANEEL e queremos estender esses benefícios. Foram bilhões perdidos, e muitos desempregos. Imagine um Beach Park em Fortaleza fechado? Só ali eram mais de dois mil empregos. Um prejuízo incalculável”, destacou.

Para o empresário, o retorno dos turistas é incerto, principalmente pelo receio em realizar viagens e visitar atrativos sempre muito procurados e sujeitos a aglomerações. “Estabelecemos protocolos de segurança da entrada à saída dos hóspedes. Isso passa desde o café da manhã que poderá ser oferecido nos apartamentos, como o uso limitado de pessoas nas áreas comuns de lazer. Não acreditamos que, apesar dos protocolos, haja uma retomada significativa. Não chegaremos em 2021 nem com 40% da capacidade”, previu.

Paralelo a essa perspectiva nada animadora, Manoel Linhares disse que a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) começará a investir em campanhas de incentivo ao turismo interno. “São muitas dificuldades nesta retomada. Vamos ter uma campanha da Embratur que estimule o brasileiro a conhecer o Brasil”, adiantou.

Hoje, o turismo corresponde a 3,71% do PIB do País, de acordo com o IBGE. Para Linhares, a situação estaria ainda mais drástica sem o apoio do Governo Federal. “O presidente Bolsonaro tem feito um trabalho diferenciado para o turismo. Foi o primeiro a receber todas as entidades do trade para ouvir nossas reivindicações, além de ser audacioso ao abrir o capital aéreo. Colocou os pés na Embratur que mudou de administração direta da união para ser uma agência que vai ter mais recursos, vai poder fazer convênios para divulgar o Brasil. Não tem como o Brasil competir os investimentos de outros países”, afirmou.

Para Linhares, a MP 936/20 que suspende o contrato de trabalho e reduz o salário e a jornada, e sua prorrogação, também foi um alento ao setor e vem impedindo o fechamento de hospedagem formais e a demissão de mais de dez milhões de empregos. De acordo com a ABIH, em Pernambuco mais de 80% da hotelaria estão fora de operação no momento. Apenas Recife mantém aproximadamente metade dos hotéis funcionando, principalmente, para atender aos funcionários das companhias aéreas e profissionais de saúde. Nas regiões turísticas de Porto de Galinhas, Praia dos Carneiros e Litoral Norte, o índice de fechamento dos meios de hospedagem chegou a quase 100%.

Publicado em: 15/07/2020