Coluna da sexta-feira

Eleição indefinida em Olinda

Sobre a pesquisa em Olinda, apontando promessa de uma boa disputa entre o prefeito Lupércio e o ex-prefeito do Recife, João Paulo, reproduzo avaliação de Zeca Martins, responsável pelo Instituto Potencial: “Exatamente uma semana atrás, a parceria entre a Potencial e o Blog do Magno se concretizava com a divulgação dos resultados da pesquisa sobre o cenário eleitoral 2020 em Jaboatão dos Guararapes, o segundo maior colégio eleitoral de Pernambuco.

Ontem, apresentamos para a população pernambucana, em especial para os olindenses, a avaliação do panorama em Olinda, o município com o terceiro maior número de eleitores do estado. Nas duas cidades os gestores municipais buscam a reeleição, no entanto, de antemão, antecipamos que o quadro é diferente. Em Jaboatão, o estudo realizado mostrou que o prefeito Anderson Ferreira conseguiu desenvolver uma gestão que deixou encaminhada a reeleição.

Já em Olinda, os resultados indicam que a avaliação da administração do prefeito Professor Lupércio pode ser considerada boa (32% ótima ou boa e 26% regular), mas não encanta a ponto de consolidar uma diferença que lhe dê segurança para um segundo mandato. Além do que, a pesquisa revela como principal adversário nessa corrida o deputado estadual João Paulo, que tem no currículo a experiência muito bem sucedida de ter sido gestor da capital pernambucana por 8 anos consecutivos, e mesmo tendo anunciado que irá concorrer à eleição para prefeito de Olinda há pouco tempo, já abarca 21% da intenção de voto do eleitorado.

Os principais resultados da pesquisa que avalia o cenário eleitoral em Olinda, neste momento, indicam que a corrida para a sucessão da gestão municipal está aberta e caminha para um pleito em dois turnos. Os números das intenções de voto espontâneas e estimuladas corroboram esta tendência. Em uma primeira abordagem, quando não são apresentados os nomes dos pré-candidatos, quase metade dos entrevistados (48%) diz não saber em quem votar, e mesmo quando são citados, 21% ainda diz não ter uma definição.

Na avaliação estimulada, tanto o prefeito Professor Lupércio como o Deputado Estadual João Paulo crescem 9 pontos percentuais em relação a espontânea, respectivamente, 25% para 34% e 12% para 21%. Para o ex-prefeito do Recife significa um crescimento de 3/4. Quando consideramos apenas os votos válidos, o prefeito fica com 41% da preferência contra 25% do deputado.

Mantendo a análise nos dois pré-candidatos com maior preferência entre os eleitores (os demais juntos somaram 7%), não existe diferença estatística entre os potenciais eleitorais de ambos, isto é, aqueles eleitores que votariam com certeza ou poderiam votar neles. Podemos considerar uma igualdade técnica por conta da margem amostral da pesquisa (4%). O potencial eleitoral do prefeito Lupércio é de 49% e do deputado João Paulo 45%. O mesmo acontece com o índice de rejeição, 47% (prefeito) e 42% (deputado). Entre as esferas governamentais, os municípios são os que têm maior responsabilidade de lidar com o cenário local para prevenção à COVID-19.

Neste sentido a pesquisa também avaliou as ações que os governos federal, estadual e municipal estão desenvolvendo no combate à doença. Para os eleitores olindenses a administração do Governador Paulo Câmara é a que tem a maior aprovação (52%), seguida pela do Prefeito Lupércio (46%). A administração do Presidente Jair Bolsonaro tem menor índice de aprovação com 30%.

A Potencial entrevistou por telefone 600 eleitores em 32 bairros / localidades de Olinda nas 10 regiões político-administrativas oficiais definidas pela Prefeitura. É uma amostra significativa e representativa do universo pesquisado (eleitores), que nos permite uma interpretação com nível de confiança de 95% e margem amostral de 4 pontos percentuais.

Por fim, ao longo dos próximos dias vamos nos aprofundar ainda mais nos resultados e divulgaremos novas análises sobre esta disputa que promete ser acirrada. Afinal, o atual prefeito ainda tem tempo para trabalhar e mostrar o que vem fazendo e o deputado tem em seu currículo a experiência de uma excelente gestão à frente da capital pernambucana”.

Batida dura – O ex-presidente Lula criticou duramente o ex-juiz Sergio Moro por sua conduta enquanto atuava à frente da Operação Lava Jato em Curitiba, que acabou condenando e prendendo Lula em abril de 2018 pelo caso do triplex do Guarujá. Segundo o petista, Moro teria “mentido o tempo inteiro” e “segue mentindo até hoje”. “Eu desafio o Moro. Até vocês poderiam propor um debate dele com a acusação dele e eu a minha defesa. Quero provar que o Moro é mentiroso, foi falso, mentiu o tempo inteiro. Era necessário, e ele confirma isso depois que aceitou ser ministro. Ele excessivamente não aceita nenhum argumento que aceitamos. Levei 83 testemunhas e não valeu absolutamente nada”, afirmou.

Moleque – Além das críticas a Moro, Lula também falou sobre o trabalho do procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público. “O Moro é mentiroso e o Dallagnol um moleque irresponsável. O Moro deveria ter sido exonerado pela quantidade de mentira que ele colocou no processo. Eu não estou inventando, eu tenho o processo. O Dallagnol deveria ter sido exonerado porque passou duas horas me acusando sem provas”, acrescentou o petista, referindo-se à apresentação em PowerPoint usada para explicar a denúncia contra Lula.

Acesso aos arquivos – Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram, ontem, acesso aos arquivos originais do sistema de propinas da Odebrecht. Os dados estão em um servidor na Suíça e seriam usados pela defesa nos processos da Lava Jato. A informação foi divulgada pelo portal UOL. De acordo com a força-tarefa, os documentos comprovam que a construtora pagou R$ 12 milhões em propina ao ex-presidente na compra do terreno do Instituto Lula. A defesa argumenta que os investigadores não usaram os arquivos originais, mas uma cópia cedida pela própria Odebrecht, que pode ter adulterado os dados.

Indecente – Um dia depois de o Facebook ter removido uma rede com 73 contas falsas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro, a seus filhos e aliados, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) postou um comentário dizendo estar “cagando” para o que chamou de “lixo” das fake news. Filho “02” do presidente, Carlos sempre foi influente nas redes sociais do pai e comanda o “gabinete do ódio”, instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto. A existência do “gabinete do ódio” – núcleo que alimenta a militância digital bolsonarista com um estilo beligerante nas redes sociais – foi revelada pelo Estadão, em setembro do ano passado.

CURTAS

VIOLAÇÃO – O procurador da República Kleber Marcel Uemura disse à Justiça que o presidente Jair Bolsonaro violou a dignidade humana dos pacientes ao incentivar seus apoiadores a invadir hospitais para filmar os leitos destinados às vítimas da pandemia. Segundo o procurador, o presidente incitou a prática de uma “conduta ilícita” que “viola o direito à saúde e a dignidade humana dos pacientes”. Disse também que Bolsonaro atentou contra o livre exercício das funções dos profissionais de saúde “que não podem ser perturbados no momento que têm papel crucial no atendimento”.

LAMENTO – Muitos políticos lamentaram a morte de dona Maria do Carmo, como a deputado federal Marília Arraes: “Recebo com tristeza a notícia do falecimento de Dona do Carmo, mulher admirável que também faz parte da história política do nosso Estado. Dona do Carmo teve uma trajetória de dedicação às causas sociais. Nos últimos anos, mesmo com idade avançada, sempre fazia questão de participar de atos públicos ao lado de seu filho, o ex-Senador Armando Monteiro Neto. A todos os familiares, seus filhos Armando, Eduardo Monteiro, Lectícia Cavalcanti, Sérgio e Horácio, aos netos e bisnetos, meus sentimentos”.

COCHILO – O procurador de Justiça José Raimundo de Lima, do MP-PB (Ministério Público da Paraíba), protagonizou uma cena inusitada durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça do estado. Lima tirou um cochilo enquanto um advogado presente na sessão fazia sua argumentação. Ao retomar a palavra, o desembargador Oswaldo Trigueiro se deu conta da situação e não conseguiu segurar o riso. Fred Coutinho, outro desembargador presente na sessão, também riu de forma contida, assim como um supervisor.

Perguntar não ofende: Vale fazer uma eleição sem ter direito a campanha?

Publicado em: 09/07/2020