O fator polĂ­tico Zeca Cavalcanti

Por Edilson Xavier*

O ex-prefeito e ex-deputado Zeca Cavalcanti surgiu repentinamente na política, quando era liderado pelos depurados Inocêncio Lima e José Marcos e, graças a essas lideranças, se destacou na Diretoria Regional da VI Região de Saúde em Arcoverde. Nunca escondeu sua preferência pela disputa eleitoral, mesmo sendo médico por profissão. Vindo a disputar a eleição municipal de 2004, quando venceu Julião Guerra por 334 votos, cuja disputa foi permeada por incidentes eleitorais e teve o apoio da prefeita Rosa Barros e de segmentos importantes do empresariado local, que se empenharam em sua eleição ante a força popular de Julião.

Com forte ambição eleitoral na família, assim como os Guerra, cujos projetos familiares de poder duraram apenas oito anos. Antes de se reeleger, tratou de eleger seu irmão Júlio deputado estadual, com expressiva votação. Assim como Madalena lhe fez, pôs em prática o imediato rompimento em nível pessoal com Rosa Barros após se eleger com seu apoio, passando ambos a sofrer da síndrome da sucessão.

Zeca não tem o governo para lhe apoiar e encontra-se com insuficiência de apoio político, porque os “amigos” dos inúmeros cargos públicos lhe deram as costas. Queriam apenas os cargos, como é sabido. Para sair do isolamento, fez acordo com o ex-deputado Eduíno, que indicou seu filho Dudu, para vice.

Seu apoio à vice de Madalena foi seu mais grave e crasso erro, pois custou-lhe duas derrotas eleitorais sequenciais e cruciais para o seu projeto político. Agora, terá que enfrentar o governo municipal, cuja inimizade com a prefeita não padece de dúvida e pode lhe dificultar seu êxito eleitoral, além de se deparar com os dois candidatos, a vereadora mais votada, Cybele Roa e o “new face” na política, Delegado Israel Rubis.

Com o exercício nesses cargos públicos, Zeca pretende comprovar ainda que é uma expressiva liderança política, cuja candidatura é aguardada com muita expectativa em Arcoverde, pois irá enfrentar também o governo estadual. Zeca terá que demonstrar força e prestígio eleitoral, pois essa caminhada difere totalmente das demais, quando tinha o apoio explícito da Prefeitura, cuja presença em eleição constitui um grande diferencial.

Sem essa máquina, Zeca sofreu duas derrotas eleitorais, com exceção de 2014, quando se elegeu deputado federal com expressiva votação, fruto de uma boa administração, que à época estava ainda na memória do eleitor, que, entretanto, lhe deu as costas nas eleições seguintes.

*Advogado, ex-presidente da Câmara Municipal e da OAB de Arcoverde.

Publicado em: 09/07/2020