Coluna da segunda-feira

No poder, leva vantagem

Da forma como se darão, sem povo nas ruas, sem campanha e sem ambiente eleitoral, as eleições municipais marcadas para 15 de novembro, por força de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) aprovada pelo Congresso, só se descortinam favoravelmente para os que estão no poder, detentores de mandato, seja prefeito em busca da reeleição ou com candidato já escolhido, ou vereadores tentando um novo mandato.

Trata-se de uma eleição sem campanha, consequência da pandemia do coronavírus, que já tirou a vida de quase 60 mil brasileiros em 90 dias, afetando ainda mais de 1,5 milhões de pessoas. Como a curva permanece ascendente, sem sinais de que mudará o seu curso, quem, de bom senso, vai arriscar a sua vida a fazer campanha de rua? Quanto ao eleitor, a abstenção tende a ser astronômica, a maior da história recente do País.

Custo a acreditar que cidadãos acima de 65 anos se dêem ao luxo e se aventurem a sair da casa para votar, correndo o risco de serem contaminados numa fila. O Brasil está prestes a ir às urnas sem preceder uma campanha sem discussão de ideias, de projetos, sem calor das ruas, sem comício, sem caminhadas, sem nada. Uma campanha apenas com o olho na telinha do computador ou do celular.

Sendo assim, até do ponto de vista econômico, privilegia os detentores de poder, com a máquina nas mãos. Os sem-mandatos dependerão apenas do dinheiro do fundo partidário para bancar as despesas de campanha. Como se trata de um bolo dividido para milhares, sobrará vinténs para cada um dos candidatos. A oposição, lisa, não encontrará respaldo nem fora do balcão.

Candidato à caça de apoios oficiais de simpatizantes tende a levar um tremendo não. Em resposta, quem no passado era acostumado a meter a mão no bolso para ajudar simplesmente se negará, sob a alegação de que a pandemia reduziu seus negócios a pó. 

Uma verdade, diga-se de passagem, incontestável, se for levado em consideração, principalmente, o último levantamento oficial, no qual mais de 700 mil pequenas e médias empresas encerraram seus negócios.

Fato novo – Em Olinda, próximo cenário eleitoral a ser testado em pesquisa Potencial/Blogdomagno, com divulgação à meia noite desta quarta-feira, o cenário com os pré-candidatos de hoje pode sofrer uma alteração se de fato o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos (PRTB), se animar a entrar na disputa, conforme já admitiu. Na eleição passada, Tonca, como é mais conhecido, foi ao segundo turno contra o prefeito Lupércio (SD) e culpou a máquina do Estado e o PSB pela derrota. Desde a morte de Eduardo Campos, seu irmão, Tonca rompeu com o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Júlio, numa briga familiar que começou com Renata Campos, viúva de Eduardo.

Na disputa – Se as eleições fossem em outubro, conforme estavam asseguradas na Constituição, Tonca não poderia mais entrar na disputa, porque não se afastou da Fundação Joaquim Nabuco em tempo hábil. O prolongamento para 15 de novembro mexeu, consequentemente, no prazo de desincompatibilização, abrindo espaço legal para ele se candidatar mais uma vez. Se esse cenário lhe favorecer, entra na briga como o nome apoiado pelo presidente Bolsonaro e pelas forças que estão hoje no poder. Tonca trabalha 24 horas na Fundação Joaquim Nabuco sem desgrudar os olhos de Olinda, cidade que sonha um dia governar. Para ele, Lupércio faz uma gestão medíocre e deve ser repelido pela população.

Boa notícia – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) anunciou a prorrogação da linha BNDES Crédito Pequenas Empresas até 31 de dezembro, com orçamento ampliado em mais R$ 5 bilhões. O orçamento da BNDES Crédito Pequenas Empresas já tinha sido ampliado em R$ 5 bilhões ainda em março, no primeiro conjunto de medidas do banco de fomento para mitigar a crise causada pela pandemia de covid-19. A nova ampliação foi decidida após os R$ 5 bilhões da ampliação de março terem sido totalmente contratados. Segundo o BNDES, desde março, foram aprovadas 16.318 operações com 15.094 empresas, que empregam 372.800 pessoas.

Ódio mortal – A prefeita de Arcoverde, Madalena Britto (PSB), levou seis meses para escolher o seu candidato e acabou optando por um inimigo do governador, o empresário Wellington Maciel, filiado ao MDB. Rico e poderoso, o ungido da prefeita até hoje não engoliu uma operação policial que pegou em cheio seus negócios no Sertão no Governo Eduardo Campos, coordenada pelo então secretário da Fazenda, Paulo Câmara. Na época, foi tão desastrosa para a imagem dele quanto uma operação da Polícia Federal. Por isso, Maciel não quer o governador em seu palanque. Por ele, move um ódio mortal.

CURTAS

CONDENADO – O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a determinação que obriga o ator José de Abreu a pagar R$ 20 mil em indenização ao Hospital Albert Einstein. A decisão foi publicada em 2 de junho e divulgada ao público no sábado passado. José de Abreu foi condenado em julho de 2019 por danos morais. O ator foi processado pelo centro médico depois de declarar em seu perfil no Twitter que a instituição havia apoiado a eleição de Jair Bolsonaro. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad [serviço secreto israelense], com apoio do Hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o matador e corrupto Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar merda”, disse Zé de Abreu em 2 de janeiro de 2019.

DE PERNAS PARA O AR – Os ministros do Supremo Tribunal Federal já estão em recesso até o próximo dia 31. A pausa também ocorre nos tribunais superiores. Neste período, as Cortes estão sob o comando de seus presidentes ou vices, com revezamento. Cabe a eles tomar eventuais decisões urgentes. O calendário do Poder Judiciário reservou 90 dias de folga para 2020 – dentro da conta de dias úteis. No Supremo, agora no meio do ano, serão 30 dias de descanso, mesmo diante de uma pandemia que sobrecarrega a agenda de julgamentos. Até agora, a Suprema Corte teve de tomar 3.692 decisões somente sobre a emergência em saúde pública no País. O peso na pauta é conseqüência da judicialização excessiva das ações das autoridades no combate ao coronavírus.

ECAD NA LIVE – Chefona do Ecad, Isabel Amorim inaugura hoje a nova etapa de lives pelo Instagram do meu blog às segundas-feiras. Estamos deixando as terças e quintas e adotamos as segundas e quartas, no mesmo horário de 19 horas. Isabel vai tratar da polêmica envolvendo a cobrança de taxas de direitos autorais aos artistas em lives. Ela tem experiência em negócios e em comunicação, formada em Administração de Empresas, pós-graduada em Comunicação pela USP e possui um MBA pela Business School de São Paulo e Rotman School em Toronto. Uma boa oportunidade para os artistas e produtores do País, especialmente os nordestinos, tirar suas dúvidas. Se você ainda não segue o Instagram do blog e quer acompanhar a live vai lá – @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Nenhum governador vai pagar pela roubalheira na operação de compras de respiradores via Consórcio Nordeste?

Publicado em: 05/07/2020