Live muda rumo da polĂ­tica nacional

Por José Nivaldo Junior*

O jornalista Magno Martins, no Instagram, e o jornal O Poder realizaram, recentemente, duas lives fora de qualquer curva razoável. Cada uma delas já seria um sucesso. Combinadas, tiveram um efeito político inusitado. Sem nenhum exagero, interferiram na história política do Brasil dos nossos dias. Trata-se das entrevistas com o presidente Jair Bolsonaro e com o ex-presidente Michel Temer.

Um jornalista independente e destemido como Magno, sem ódio e sem medo, deu uma aula de como entrevistar um presidente da República. Acostumado a ser questionado com agressividade e falta de educação, Bolsonaro aprendeu o que é diálogo com a imprensa. Ouviu duras críticas ditas sem perder a ternura. E mostrou, durante a própria live, que estava assimilando os raciocínios contestatórios, porém equilibrados. Não houve bate-boca e sim troca de ideias. Magno conseguiu, com cavalheirismo, interpretar o sentimento do país. O presidente soube ouvir.

A mudança de Bolsonaro não foi de uma hora para outra nem somente por isso. Conflitos entre os poderes se acentuaram. Os conselheiros equilibrados devem ter apontado o caminho da conciliação. Porém a consequência mais direta e objetiva foi a ponte estabelecida via lives de Magno entre Bolsonaro e Temer. Esse disse que aceitaria fazer parte de um conselho para assessorar o presidente. Bolsonaro ainda não firmou o conselho, mas estabeleceu o diálogo com Temer. A isto, atribui-se grande parte do mérito da mudança de estratégia do presidente.

Muitas vezes analisamos o tom belicoso da estratégia bolsonarista. O messianismo que remete a dois exemplos fracassados, de Jânio e Collor. Claro que nem tudo é tão simples. Mas a prisão dos blogueiros e manifestantes aloprados e do próprio Fabrício Queiroz ajudaram a ficha a cair. Há um clima de distensionamento entre os poderes. Bolsonaro parece ter adotado as sugestões de Temer: dispensar apoiadores alucinados, não dar entrevistas improvisadas, não comprar uma briga a cada manhã. Claro que Bolsonaro é Bolsonaro. Não está livre de recaídas. Mas a decisão é caminhar em outra direção.

O presidente também parece convencido a mandar às favas a retórica pirotécnica da campanha. Está provado que o super partido chamado Centrão é que garante a governabilidade. Bolsonaro desceu do palanque, finalmente, e mergulhou de cabeça no mundo real da política. Toma lá, dá cá.

*Publicitário e idealizador do jornal “O Poder”

Publicado em: 29/06/2020