Coluna do sabadão

Benefício dos R$ 600 ajuda Bolsonaro

Nova pesquisa XP/Ipespe divulgada, ontem, aponta a interrupção da tendência de aumento da reprovação ao Governo do presidente Jair Bolsonaro que ocorreu a partir da saída de Sergio Moro no final de abril. O grupo que considera o governo ruim ou péssimo oscilou um ponto para menos, passando de 49% para 48%, enquanto os que acham a gestão atual boa ou ótima avançou dois pontos, de 26% para 28%. Isso pode ter relação com o benefício dos R$ 600 dado pelo Governo aos mais pobres, recebido como um auxílio ao Bolsa Família.

Em relação especificamente a essa ajuda emergencial do Governo, caiu de 38% em abril para 9% o grupo de pessoas que diz que ainda vai receber, enquanto no mesmo período passou de 10% para 34% os que já receberam. Além disso, a pesquisa mostrou que 41% das pessoas que receberam usaram o benefício para comprar alimentos e produtos de abastecimento da casa. 19% pagou contas de luz, água e telefone e outros 16% pagou dívidas. Isso prova que Governo só cresce em popularidade quando está em sintonia com as classes menos favorecidas.

Houve oscilações positivas na expectativa para o restante do mandato. O grupo de bom/ótimo saiu de 27% para 29%, enquanto ruim e péssimo recuou de 48% para 46%. No outro sentido, a avaliação dos governadores piorou, em um cenário em que há uma grande troca de críticas entre alguns estados e o Governo Federal na condução da crise do novo coronavírus. O grupo que considera a gestão dos governadores ótima ou boa caiu quatro pontos, passando de 42% para 38%, ao passo que a avaliação ruim/péssimo foi de 23% para 25%.

Já o regular teve leve variação, de 33% para 34%. Enquanto isso, o Congresso teve um recuo de quatro pontos em sua avaliação regular, que saiu de 45% para 41%. Por outro lado, tanto ruim/péssimo quando bom/ótimo tiveram oscilações de dois pontos. O primeiro foi para 39% (ante 37% na última pesquisa), enquanto a avaliação positiva foi para 15%, contra 13% anteriormente. A pesquisa XP/Ipespe ouviu 1.000 eleitores de todas as regiões do País, a partir de entrevistas telefônicas realizadas por operadores entre 9 e 11 de junho. A margem máxima de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Efeito da crise – Sobre o cenário de crise, o grupo que vê a economia no caminho errado teve o segundo recuo seguido, chegando a 53%, contra 54% e 57% nos dois últimos levantamentos. Do outro lado, houve uma oscilação para cima de dois pontos em quem vê a economia no caminho certo, saindo de 27% para 29%. Diante disso, ocorreu uma forte queda nas pessoas quem tem uma percepção pequena de que irá manter seu emprego nos próximos 6 meses, passando de 54% para 48%. Enquanto o grupo que vê altas chances de manutenção de emprego saiu de 39% para 44%.

Pior já passou – Quanto ao cenário da pandemia, subiu de 22% para 31% o grupo de pessoas que acredita que o pior já passou no Brasil. Enquanto isso, recuou de 68% para 61% os que acham que o pior ainda está por vir. Além disso, houve um recuo nos que estão com um pouco de medo do coronavírus (41% para 38%), ao passo que subiu de 37% para 40% os que estão com muito medo da pandemia. Os que não têm medo se mantiveram em 21%. Na questão da flexibilização do isolamento social, 52% concorda com o que está sendo feito, enquanto 44% discorda. A pesquisa XP/Ipespe também avaliou a questão das manifestações ocorridas no último domingo. 83% tomou conhecimento dos atos contra o governo e contra o racismo, enquanto 17% não ficou sabendo. Já sobre as manifestações pró-governo, 68% ficou sabendo, ao passo que 31% não sabia que elas iriam acontecer.

Derrotado – O presidente Jair Bolsonaro recuou da decisão de dar poder ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, para nomear reitores de universidades federais e revogou a medida provisória sobre o tema. A MP autorizava o chefe da pasta a escolher reitores durante a pandemia de covid-19. O recuo de Bolsonaro ocorre após uma reação do Congresso contra a medida. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), chegou a devolver a MP para o governo, sem avisar Bolsonaro, anulando os efeitos da norma. Desde 1988, só três MPs haviam sido devolvidas pelo Legislativo, nos governos José Sarney, Lula e Dilma Rousseff. A atitude fez o presidente da República ligar para o presidente do Congresso.

Em cima do muro – O PSDB já se posicionou em defesa de Sérgio Moro e Luiz Henrique Mandetta, mas até agora foi incapaz de produzir uma nota clara, direta e firme em defesa de seus governadores e prefeitos, constantemente atacados por Bolsonaro simplesmente por fazerem o que é correto no combate ao novo coronavírus. As diferenças internas dos tucanos ainda impedem a união em prol do Brasil. E é justamente nisso em que aposta Bolsonaro. O partido também não deixou clara a sua posição sobre os protestos de rua contra Bolsonaro em meio à pandemia, diferentemente da maioria das outras legendas.

CURTAS

DUBIEDADE – Parlamentares do PSDB disseram ao Estadão que vão pedir ao presidente Bruno Araújo uma nova reunião da Executiva Nacional para discutir o assunto: a última foi há mais de um mês e dela resultou o que mesmo? Qual o motivo da dubiedade? Para além das “questões genéticas” (o “murismo” parece mesmo estar no DNA tucano), há o pragmatismo. Ala importante do PSDB entende ser fundamental “manter diálogo” com o Planalto. Há cargos e nomeações em jogo. O cálculo dos adeptos da tese do “diálogo” leva em conta dois fatores: o temor de ser tachado de “petista” e uma questão mais local, de que se aliar ao governo federal garante mais resultados práticos para suas bases, como recursos para obras.

RETOMADA – A Administração de Fernando de Noronha iniciou o planejamento para a retomada da atividade turística após a pandemia do novo coronavírus. A ilha está fechada para chegada de visitantes desde março. Entidades ligadas ao segmento vão ser convidadas para participar de um amplo debate e oferecer sugestões sobre como deve ser o turismo pós-Covid-19. O governo criou um email para receber sugestões: reaberturanoronha@gmail.com. Segundo técnicos do setor, novas práticas devem ser adotadas para garantir segurança aos clientes, trabalhadores e à população local. Isso vai ser realizado em conjunto com associações do setor de turismo de Noronha.

REVELAÇÕES – Na já considerada histórica entrevista do ex-presidente Michel Temer (MDB) ao meu blog, via Instagram, quinta-feira passada, duas revelações bombásticas: foi o PT, segundo ele, que levou a ex-presidente Dilma à forca do impeachment quando radicalizou o bombardeio em cima do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ). Temer chegou a comunicar a Dilma, após uma reunião com Cunha, que não seria aberto o processo da sua cassação. “Pode ficar tranqüila, Cunha me garantiu que arquivará todos os pedidos de impeachment”, revelou Temer, para adiantar: “Mas no dia seguinte, o presidente da Câmara só não foi chamado de arroz doce pelas principais lideranças do PT na Câmara, já o tachando de golpista”, disse o ex-presidente. Irado, Cunha, segundo ele, resolver enfrentar o PT, colocou o impeachment em votação e aprovou por ampla maioria.

Perguntar não ofende: Cadê a oposição na Câmara do Recife que silencia diante das evidências para um pedido de impeachment?

Publicado em: 12/06/2020