Sobre a crônica de hoje

Caro Magno,

A respeito de sua crônica de hoje, sobre a Pensão Natal e o velho mijão, eu lembrei de um episódio, que aproveito para relatar agora.

Américo Lopes*

Para Cláudia e Eduardo Monteiro, nesses tempos de pandemia

Viagem maravilhosa para um menino do Pajeú das Flores. A minha deu-se em sentindo inverso, de Albuquerquené (viu Dr. Hildo Azevedo?) para Ouricuri. Minha mãe na boleia do caminhão com um motorista ogro dos ogros, ciúme freudiano de menino. “O que esse motorista está fazendo com a minha mãe?” Agonia infame.

Na carga surreal, os móveis da família, eu, mais um irmão e Chá Preto, o jumento de estimação da família. Viagem longa e fria, começo dos anos 60. Pijamas de lã, amarelos e de bolinhas. Quadro tenebroso.

Ao chegarmos fomos recebidos pelo menino mais ruim da cidade: “De onde vem essas corujinhas e esse jegue? São todos da mesma família? Pijaminhas bonitos danados”. Osorinho o nome da fera.

Ainda hoje não sei como subimos e descemos Chá Preto daquele caminhão. Sei que fizemos tudo direitinho e Chá Preto morreu de velhice. No seio da família. José Maria, de Bodocó, vez em quando toma essa história emprestada e diz que aconteceu com ele. Fica uma estupenda história, pois bom contista ele é. 

*Diretor da Folha de Pernambuco, também conhecido como Zé da Coruja.

Publicado em: 31/05/2020