O tempo apura os bons amigos, como Joezil

Meu amigo Joezil Barros tem motivos especiais para comemorar, hoje, o dia em que berrou ao mundo num tempo em que Recife era orgulho nacional, a chamada Veneza Brasileira, graças às pontes e sobrados erguidos por Maurício de Nassau. Recentemente, foi salvo da despedida terrestre por obra e graça do Deus amado.

Jornalista, condômino dos Diários Associados, a história de Joezil se confunde com a do Diario de Pernambuco. Tem cheiro de tinta, vibração de manchete, um rio de histórias a cada página folheada. O conheci imberbe e com sotaque matuto já um dos manda-chuvas do quase bicentenário DP. Joezil foi poderoso a vida inteira pelos méritos e talento. Sua ascensão no DP foi meteórica, de repórter policial a condômino.

Mas o poder nunca subiu à cabeça. Dentre tantas lições que tirei do seu convívio de mais de 40 anos, tem uma que não esqueço nunca: quando alguém puxava seu saco, ele olhava enviesado e dizia: "O poder está aqui", apontava para o birô.

Perca o birô para ver se te paparicam, ensinava. Lição perfeita da velha máxima de que o homem vale o quanto pesa. Sábio, Joezil sorveu um rio de amigos em sua trajetória profissional porque tem uma grande virtude, um coração do tamanho do mundo: estende a sua mão protetora sem distinguir raça, sexo ou posição social.

Para ele, o dinheiro não é a coisa mais importante do mundo. Está abaixo da generosidade, temperada sem o toque da moderação. Joezil é daqueles que entendem que se não existe nada mais precioso que o tempo, também não existe maior generosidade que perdermos tempo em vida ajudando aos outros.

Joezil tirou a lição de Simone de Beauvoir: "O ideal do amor e da verdadeira generosidade é dar tudo de si, mas sempre sentir como se isso não houvesse lhe custado nada".

Ouvi meu avô dizer que os homens de poucas palavras são os melhores. Joezil se encaixa também naquela máxima de que os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.

Viva meu amigo Joezil Barros!

Publicado em: 31/05/2020