Boa Viagem tem diferentes cenĂ¡rios de isolamento

Desde que começou a pandemia do novo coronavírus em Pernambuco, Boa Viagem, na Zona Sul, é o bairro do Recife que mais concentra casos – tanto de infecções quanto de mortes. De acordo com o boletim da Secretaria de Saúde da capital (Sesau), divulgado no fim da noite desse domingo (24), a área acumula 528 casos graves e 50 mortes. A discrepância é tamanha que o segundo bairro com mais registros de casos – a Várzea, na Zona Oeste – tem 308 notificações a menos (220).

O Diário de Pernambuco circulou por algumas partes do bairro na manhã de ontem, dia que se iniciou a segunda semana da quarentena. Na maior parte das ruas, a circulação de carros e pessoas é baixa. Mas há diferenças consideráveis, de acordo com a parte visitada – reflexo do tamanho de Boa Viagem, que tem 753 hectares de área total, praticamente uma cidade dentro de outra.

Na Avenida Boa Viagem e no Parque Dona Lindu, o movimento é praticamente zero. Alguns até insistem em furar o isolamento social, mas normalmente aparecem solitários, andando de bicicleta ou correndo a pé, utilizando máscaras. No calçadão, agentes da Polícia Militar (PM) observam e orientam o público a voltar para casa e não entrar na praia, de acesso fechado desde 4 de abril, por força de decreto estadual.

"O pessoal até dá um jeito de tentar furar o bloqueio, indo pedalar em outro lugar, mas nem é aquele movimento de antes”, afirma o encanador Marco Antônio Tenório, de 57 anos. Morador do bairro, ele acredita que a quarentena está dando resultados. “Acho que se o governo não tivesse feito isso, essa praia iria estar toda lotada e mais gente teria morrido”, opina.

No Mercado de Boa Viagem, a movimentação era moderada. Na porta, uma funcionária coloca álcool 70% na mão de quem entra. O acesso só é permitido com o uso de máscara – sem ela, entrada barrada. Só vai quem realmente precisa, como o empresário Edmundo Soares, 60: "Quando se precisa sair, não tem jeito. O isolamento social está sendo respeitado na medida do possível. Creio que quem pôde ficar em casa, ficou".

Movimento mais intenso foi visto na Avenida Armindo Moura, perto da Vila Militar. Na Pracinha de Boa Viagem, se vê uma grande quantidade de pessoas em situação de rua aglomeradas – ainda mais vulneráveis nessa época de pandemia. Já na comunidade de Entra Apulso, lojas de comércio não essencial – como as de produto para cabelo e de acessórios para celular – estavam abertas.

Publicado em: 26/05/2020