Governo de fanáticos

Por Edson Barbosa da Silva Filho

A ameaça odiosa de guerra civil feita pelo presidente da República, em flagrante delito contra a Lei de Segurança Nacional, não deve nos amedrontar. Nem um pouco.

Ao contrário, pode servir nesse momento para dar um sentido à vidinha depressiva que muitos de nós levamos. É hora de sair da zona de conforto, ao invés, como dizia Raul Seixas, “...de ficar aqui sentado com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Não sou “pacifista”, não gosto de clichês que na maioria das vezes servem para a propaganda mentirosa ou para justificar a covardia. Luto, pra que um dia possamos ter paz.

Bolsonaro não é louco. Ele é o chefe do primeiro governo de ultradireita radical, eleito com o voto das pessoas, na história do Brasil.
Acho que chega de brincadeirinha no tratamento desse flagelo. É quase negacionista, mesmo que de modo subliminar, postar memes com carinhas sorridentes, na tentativa vã de encarar o monstro, consciente de que é monstro.

É um governo de supremacistas brancos, ku kux klan, nazista, inspirado por Olavo de Carvalho, um pistoleiro asqueroso que se esconde na Virgínia, injetando veneno no pensamento de jovens brasileiros.

É um governo de fanáticos “religiosos”, uns do tempo de Talião, outros das “igrejas” do dinheiro, da lavagem criminosa do dinheiro sujo das milícias, do roubo de cargas, do tráfico de armas.

É um governo de militares ressentidos com o fim da ditadura, velhos generais que ao invés de educar as crianças, chancelam um degenerado que armou a explosão de instalações do Exército, conforme a folha corrida do capitão, expulso da caserna.

É um governo dos piores oportunistas do mercado financeiro, sob a direção de Paulo Guedes, a quem desejo que pague a conta pela tragédia num futuro breve. Que não encontre, como Zélia Cardoso de Mello, os braços generosos de Chico Anisio pra limpar sua pobre biografia.

Mas, como enfrentar uma doença desse porte?

Esse é o desafio que está posto na mesa desse domingo triste, de luto, por mais de 22 mil irmãos brasileiros mortos por Covid-19.
Enquanto um coveiro sarcástico, desumano, se lambuza com um cachorro-quente pingando sangue alheio da boca, em forma de molho de tomate, pelas ruas de Brasília.

Publicado em: 24/05/2020