Mendonça: Cancelar compra é confissão de culpa

O ex-ministro Mendonça Filho afirmou que é muito sintomático o anúncio do cancelamento da compra de respiradores pulmonares pela Prefeitura do Recife, nesta sexta-feira, após denúncias de irregularidade na operação e o Ministério Público de Contas pedir auditoria especial para apurar esses contratos sob suspeita de peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fraude. “É uma clara confissão de culpa. Se o processo é regular como a Prefeitura alega, por que não continuar? Até porque, trata-se de um item de primeira necessidade e que já deveria estar salvar vidas”, questionou Mendonça, destacando que o prefeito Geraldo Júlio precisa explicar aos recifenses como ficam os leitos de UTI fechados por falta de respiradores.

Segundo Mendonça, o prefeito Geraldo Júlio não pode fingir que nada aconteceu diante da gravidade da situação. “Nota de assessoria não resolve o problema dos mais de 200 leitos de UTI fechados por falta de equipamentos como respiradores. Muito menos, diminui a fila de pacientes com a covid_19 ou as mortes por falta de atendimento”, cobrou. Mendonça denunciou nas suas redes sociais, a suspeita de irregularidades nas duas dispensas de licitação para comprar 500 respiradores pulmonares, por mais de R$ 11 milhões, a uma empresa veterinária, que tem como principal atividade o comércio varejista de animais vivos e de artigos para animais de estimação. E nesta sexta-feira protocolou denúncias junto ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual e a Controladoria Geral da União pedindo a fiscalização desses contratos.

Mendonça afirmou que a compra desses respiradores despertou estranheza pelo perfil da empresa - capital social muito pequeno de apenas R$ 50 mil, criada há sete meses e o comércio de produto veterinário como atividade principal  - e o gritante desencontro de informações nos sites da Prefeitura do Recife, como valores diferentes, contratos com páginas faltando. Mendonça alertou que dispensa de licitação é para dar rapidez ao processo diante da pandemia e não para causar mais danos à população.  “Comprar a maior parte desses equipamentos a uma loja pet de fundo de quintal, não é especializada e num processo nebuloso, aumentou ainda mais o sofrimento, colocando em risco a vida das pessoas que estão na fila aguardando atendimento”, criticou.

Publicado em: 22/05/2020